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Monday, July 30, 2012

Coisas que me fazem urticária #3 : modismos jornalísticos


No Brasil é assim- por cá, já faltou mais...
Os meus colegas jornalistas são uma das mais frequentes fontes de urticária para a minha pessoa. Poucas classes existem que sejam mais sensíveis a modismos de linguagem parvos, virais e misteriosos. Basta um lembrar-se de começar a usar um termo, expressão ou pronúncia nova a esmo que a carneirada vai toda atrás, como se de repente se apercebesse, com terror, de que até ali não andava a falar correctamente ou com certo "chic postiço". Pior: parece que o fazem sem meditar nas razões e sem muito menos explicar aos leitores ou telespectadores o motivo da mudança.  Haja paciência. Exemplos são os Balcãs que de repente se transformaram em "bálcanes" (what?) "poetisa" que de um dia para o outro se tornou tabu para que "poeta" passasse a ser de rigueur - ao que parece, graças a Sophia de Mello Breyner, que considerava "poetisa" uma designação menor; mas acredito que a maioria nem pondere porque o diz - Al - Qaeda que a certa altura passou de "alcaida" para al-caída (como se tivesse caído por aí) e tantas outras. Da moda de soprar os "t" -  o cantorsss vai actuarsrsss no estátio em nomets da libertatse - e trocar os "d" pelos "t" já nem falo, que me arrepia.  Mas tudo isto são aspectos que me fazem descrer e olhar com certa condescendência para muito do que vejo e ouço por aí. Tudo "prosa", como dizia a minha avozinha.

 No entanto, nada se compara à amenidade doentia de uma certa imprensa cor-de-pêssego, que procura desesperadamente "maquilhar" os nomes das coisas. Qualquer socialite, mãe endinheirada a full time, subcelebridade desempregada, ex-actriz, ex-modelo, ou a versão  má - dondoca-interesseira-que-deu-um-golpe-bem-dado-e-agora-está-bem-na-vida -a-subsistir-às-custas-de-um-pato gordo qualquer  é arbitrariamente classificada de "empresária", o que explica o estado do tecido empresarial do nosso país. Disparates!
A inocente "namorada" do Sr. Fulano de Tal
  Mas o maior milagre de maquilhagem é o desaparecimento da palavra "amante" da face do dicionário. Fantástico! Para estes senhores que escrevem, um figurão casado que partilhe publicamente cama, mesa, e roupa lavada com outra "senhora" não vive com a amante: está de namoro. Como se fosse solteirinho da silva e não houvesse nada de esquisito na situação, como se a bigamia fosse legal no nosso país. "Fulano de tal compareceu ao evento X com a namorada...". Alto e pára o baile. Se não querem insultar a nova companheira do senhor chamando-lhe barregã, manceba, marafona, amásia, concubina ou outros, há um termo mais delicado, que em tempos se usava para colocar as coisas nos seus lugares sem hipocrisias nem ofensas de maior: amiga. É verdade que a pessoa pode ser tudo menos compincha e desempenhar os deveres de uma namorada; é certo que os tempos são outros e os fingimentos são escusados, mas não atropelemos as coisas e mostre-se um pouco de respeito pela mulher legítima - que até ao divórcio ainda porta esse título. Surpreende-me como, para não melindrar uma das partes envolvidas no negócio se desmerece a outra. Até porque muitos já não têm idade para andar em verduras com nomes tão inocentes...ora, namoro! Meninas, ponderem bem a imagem que dão antes de chamar "namorado" ao vosso respectivo. Tratem-no por noivo, futuro marido ou coisa semelhante, antes que vos roubem também essas designações. Ainda vos confundem com uma marafona, só vos digo isto.



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