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Wednesday, July 4, 2012

Corte, costura, crise e fashion consciousness


Coco Chanel

Ontem passei pela costureira para ajustar uns vestidos e tive uma conversa interessante. Diz ela (confirmando algo que tenho vindo a pregar há muito) que ultimamente surgiu um regresso aos antigos hábitos de reciclagem, com muita gente a recuperar, actualizar, consertar ou modificar roupas com 20 anos. Há dias, um workshop de costura foi muito publicitado pela blogosfera e as tendências dos últimos dois anos têm apontado no sentido de misturar peças novas com elementos que já não se viam há uma ou duas décadas (saias longas, casacos estilo “Dinastia”) e fazê-lo de formas inesperadas. Um dos meus desgostos é saber muito pouco de costura, um pecado imperdoável numa família com  verdadeiros árbitros das elegâncias e mulheres prendadas. Talvez se deva a isso a minha exigência quando o assunto são tecidos, moldes, tayloring e acabamentos. Está-me no sangue e mais dia, menos dia lanço-me à máquina de costura. Até lá, prefiro confiar as minhas esquisitices a quem sabe. Por muito boa que seja uma peça de roupa, fica sempre melhor se for acertada à medida; há outras que só têm a ganhar com algumas modificações. Para não falar da construção e materiais das roupas vintage, que actualmente só se encontram no mercado over the top da Haute Couture.

A moda, como qualquer outra coisa, é afectada por fenómenos sociais: na Primeira grande Guerra as louras falsas aderiram às madeixas porque toda a água oxigenada era pouca para acudir aos feridos; durante a Segunda Guerra Mundial a escassez e a necessidade de substituir os homens no mercado de trabalho obrigaram as mulheres a adoptar materiais simples e modelos práticos. A desforra veio nos anos 1950, com o optimismo e abundância a possibilitar saias de balão que levavam metros e metros de tecidos luxuosos. A crise actual tem duas consequências: por um lado, o incremento da fast fashion, numa tentativa de manter o ritmo de consumo dos anos de vacas gordas. Por outro, a disseminação do hi-lo, da reciclagem, de uma consciência de moda de acordo com as regras de antigamente.

 Esta semana reflecti sobre o bom e mau da Fast Fashion; têm sido vários os posts do género aqui no blogue: conhecer o potencial daquilo que temos e tirar o máximo partido dos nossos recursos não só evita compras por impulso como o visual massificado. Numa volta aos seus armários, a fashionista média (entenda-se: quem compra com certa regularidade e em quantidade considerável) descobrirá sem dúvida coisas que já nem se lembrava que tinha. No meu caso, tenho encontrado tesouros que já não me recordo de onde saíram e revisto velhos amigos que ficaram guardados à espera que as tendências “dessem a volta” para regressarem ao armário sem parecer datados. Bons investimentos passados, alguns ainda com etiqueta. Mas entre os “tesouros” e a  “tralha” está o uso que se lhes dá. Basta tirar um tempo para isso e criar os coordenados certos com peças novas que inevitavelmente vão chegando. Tudo tem um lado positivo, e o da crise será um regresso aos clássicos with a twist. A necessidade aguça o engenho e vai decerto obrigar as mulheres de bom gosto a analisar os seus roupeiros, a reflectir sobre o seu estilo pessoal e a criar visuais mais planeados, com um requinte que há algumas décadas não se via. 

4 comments:

Papoila said...

Concordo contigo Sissi. Sempre gostei de "renovar" o meu próprio guarda-roupa (felizmente fui agraciada com jeitinho para a costura) e assim consigo peças únicas, especiais e ainda poupo muito euro:)

**

Imperatriz Sissi said...

Que sorte, Papoila :) . Estou ansiosa para ter o quarto de costura organizado para a mãe me ensinar. Mas antes ainda temos uns caixotes para abrir e catalogar...ainda hoje me diverti imenso a experimentar tesourinhos! Adoro um bom indoor shopping, descubro sempre coisas giríssimas lá em casa.

Maria Pitufa said...

Eu durante muitos anos tive uma costureira, que costurava para a familia toda, só que ela já era velhinha quando eu era miúda. Tentei arranjar aqui uma Lisboa. Ainda tive durante algum tempo, mas efectivamente a senhora deixava muito a desejar. Hoje em dia como começa a haver muita procura ou só há para arranjos ou é tudo a preços exorbitantes. Ainda assim vou experimentar outra. Eu gosto muito de imaginar o que vou fazer aquela peça de pano que anda em casa dos meus avós à séculos, ou mesmo ir comprar os tecidos adoro. Tenho pena de não ter máquina de costura, sendo certo que fazer moldes para mim, ou tirar medidas a mim mesma não ia correr bem...

Imperatriz Sissi said...

É verdade. Arranjar uma boa costureira é encontrar uma pérola! Ter uma a trabalhar em casa é uma felicidade, é algo que faria sem pestanejar, mas um hábito cada vez mais raro hoje em dia. Felizmente conheço uma ou duas senhoras que trabalham bem, mas precisava de uma aqui para as minhas bandas...
Beijinho :***

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