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Wednesday, July 25, 2012

Eu embirro com...a Anita



Embora alguns destes "inovadores" títulos sejam um pouco mauzinhos, aplaudi a iniciativa de desmascarar essa pantomineira da Anita. Não me levem a mal: os livro eram amorosos e as ilustrações muito giras, mas apesar disso, assim que me ofereceram os primeiros exemplares desconfiei que alguma coisa não batia muito certo com aquela criança. A Anita até podia ter enganado a geração dos meus pais, mas eu já tinha os olhos mais abertos e não me deixei iludir, não. Não falo da vidinha quase perfeita nem no comportamento imaculado da personagem e de todos os que a rodeavam: nunca embirrei com a Barbie, que - sejamos justos - era um bocadinho mais pindérica e levava uma existência bastante mais extravagante.
A questão é que a personalidade da Barbie raramente foi mostrada, o que nos permitia fazer dela o que bem entendêssemos -  em muitas brincadeiras minhas, a boneca era uma vilã de mão cheia, ou angustiada, ou assim assim - em suma, era possível conferir-lhe alguma dimensão. Já a Anita...nunca partia um prato. E se partia tinha pesadelos. Pior, só os pais do Ruca, esse horror que nunca havia de existir (e cuja ida ao pelourinho aqui do Imperatriz não tarda, mais dia menos dia). Mas o que me irritava realmente era a invencibilidade da Anita. A desavergonhada fazia TUDO bem. Mas era TUDO - ou assim parecia. O que era frustrante se caíssemos na asneira de tentar ser como ela (Deus me livre!). Uma coisa é educar para o sucesso, outra para ser incapaz de perder. E a Anita não perdia nem a feijões.
Mesmo no mundo dos contos de fadas, ninguém é o melhor, o supra sumo, la crème de la crème logo à primeira, em todas as actividades que experimenta. Ninguém -menos a Anita, claro. A parva da miúda era  veni, vidi, vici em tudo e mais alguma coisa. Primeira lição de natação? Foge, Michael Phelps, que aí vem a Anita. Música? A pequena era considerada um Mozart de saias assim que punha os pés num conservatório de segunda. Concurso de máscaras? Ganha a Anita. Ballet? Física Quântica? Estamos conversados. Uma coisa é a Bela Adormecida ser acordada pelo beijo do verdadeiro amor ou a Cinderela ter ajuda de uma fada para ir ao Baile - isso a gente entende, é magia, não se explica, as fadas lá sabem. Outra é uma pessoa supostamente normal...que não tem falhas, dificuldade alguma, tão pouco passa as fases comuns da aprendizagem, de tentativa e erro, do esforço, da evolução. Achava isso tão sinistro - e um exemplo tão disparatado para as crianças- que só me ocorriam hipóteses como:


a) A Anita é um cyborg programado para ser imbatível, que com esforço a mais pode fritar os chips, descontrolar-se a qualquer momento e tentar dominar o mundo; se isso acontecer não há Schwarzenegger que nos valha.


b) A Anita é secretamente pressionada por pais sádicos, passivo agressivos, para ser a melhor em tudo; se não conseguir, acorrentam-na no sótão. Mas para a fotografia são uma família de capa de revista (brrrr...).


c) A Anita é uma criança sobredotada mas socialmente incapaz, emocionalmente disfuncional, ou com qualquer segredo assustador escondido no armário;


d) A Anita é uma daquelas overachievers que se matam e esfolam para serem as melhores em tudo; secretamente, automutila-se, toma pirulitos para aguentar a pressão , sofre de distúrbios alimentares gravíssimos e de outros transtornos .


e) O que foi dito nas alíneas  b, c e d, considerando ainda que: na realidade, a Anita é uma psicopata obcecada com o sucesso que posa como uma menina perfeita e inocente. Passada dos carretos, e sem que ninguém sonhe, assassina os coleguinhas que a ultrapassam em qualquer actividade. Ninguém se mete entre a Anita e os seus objectivos!


Se não acreditam que há algo de estranho nesta história toda, reparem na última linha do texto promocional da Planeta DeAgostini, abaixo: "atraente e muito sedutora" não será uma linguagem esquisita para descrever uma personagem infantil? Mas a Anita não é supostamente uma criança inocente? E este texto esteve nas papelarias, sem que ninguém reclamasse. Sou contra quem vê monstros a cada esquina, mas tudo tem limites...
Em suma, ainda bem que alguns iluminados repararam que alguma coisa não batia certo e expuseram as falsidades da Anita. Busted!


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O Mundo de Anita - Edição 2010

O Mundo de Anita - Edição 2010


Bem-vinda ao mundo de Anita!


Vem conhecer uma menina parecida contigo e aprende tudo sobre as suas aventuras e actividades, ao mesmo tempo que te divertes com a boneca, as roupinhas e acessórios.

O Mundo de Anita - Edição 2010

Um nadinha de nostalgia

A tua mãe lembra-se bem da Anita... As suas histórias embalaram a infância de várias gerações de meninas. Tal como tu, gostam de heroínas um pouco traquinas e astutas, alegres e curiosas, atraentes e muito sedutoras.

















13 comments:

A Bomboca Mais Gostosa said...

Lol adorei o post, também me fazia alguma impressão a Anita ser sempre a melhor em tudo. Eu sentia-me extremamente frustrada porque estava longe de ser como a Anita lolol.
Quanto à cobra... muito bonita, sim sim, mas não dava para mim viver num local onde me sujeitasse a dar de caras com um bichinho desses... Acho que morria de susto! lol

Imperatriz Sissi said...

Era não era? Uma pessoa ficava com a impressão que em qualquer actividade era só chegar e brilhar, e depois deparava-se com a realidade...e *PUF*

As cobras são giras, lido bem com elas. Mas acredito que muita gente tenha medo... :*

Cátia Boas said...

é um bocado estranho :s

(Participem no novo giveaway do blog)

Rita said...

Confesso que concordo contigo!

A Anita sempre foi "muito" à frente para o meu gosto.. ahah

Panurgo said...

A mim parece-me bem. Inspira-me. Vou eu próprio enviar para a editora uma série de contos da Anita, que me surgiram em sonhos com a Musa: "Anita aborta"; "Anita quer alho" (em homenagem a outro grande vulto da cultura portuguesa); "Anita vem por trás"; "Anita e a clínica de desintoxicação"...

Imperatriz Sissi said...

Era uma chata de marca maior! :)

Imperatriz Sissi said...

Ahahah...e que tal "Anita cria um blog" (em que conta a sua vida badalada e glamourosa, com muita gabarolice...e que é impiedosamente massacrado por ex-leitores traumatizados pelos seus livros) ou "Anita leva uma merecida tareia"?

Imperatriz Sissi said...

E olha que esses títulos que sugeriste não andam longe da verdade. Uma criança tão perfeita só podia passar-se na idade adulta...ninguém aguenta!

Imperatriz Sissi said...

Obrigada, Cátia. Vou espreitar. O give away não é de livros da Anita, espero.. :*

Panurgo said...

Talvez ande a assistir a demasiada pornografia (bom, férias...) mas, "Anita leva uma merecida tareia?" parece-me também muito bem.

Imperatriz Sissi said...

Não era bem isso que eu tinha em mente...mas desde que outra pessoa se encarregue da tarefa, it´s all good, I guess.

Tamborim Zim said...

Oh! Imperatriz dileta, mas então outra facada? Depois do Principezinho, a querida Anititi? Pois q era tão fofa, c as suas bochechinhas de pêssego. Hum, sua perfidazinha.

Cátia Barata said...

eu nutro os mesmos sentimentos que referis-te, mas, pela Barbie. nunca fui fã dos livros da Anita. não me lembro sequer de ter lido um.

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