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Monday, July 16, 2012

Memoirs of a closet


Eva Longoria
"Ajustar roupas à medida está a revelar-se um desporto muito caro."

( Mamã dixit, esta manhã)

Como tenho vindo a partilhar convosco, ando a levar muito a sério a minha Missão Armário. Não me enganei ao dizer que ia ser um processo longo e minucioso, até porque não disponho de tempo para o fazer de uma vez. Os procedimentos de selecção e separação têm consumido a maior parte das minhas sessões. Depois há a fase de mandar ajustar/reformar o que fica, sim senhor, mas tem andado perdido pelas estantes e caixotes.
  No todo, há momentos cansativos, angustiantes até, mas acima de tudo, é um processo divertido, gratificante e libertador.
Nestas duas semanas, boa parte das calças de tecido e jeans que vão ficar foi definitivamente arrumada. Só pares denim que ficam no meu closet...prefiro não revelar, mas é um número muito apreciável. Conclusão: tenho calças lindas de morrer, griffé, de todos os modelos que uso. Não vale a pena comprar tão cedo. Isto implicou longas horas a experimentar um par a seguir ao outro ( é uma ginástica que não imaginam) e vários sacos que já seguiram para fazer outras pessoas felizes. Tudo o que não cai na perfeição, não desejava vestir outra vez ou arquivar foi oferecido a amigas ou doado. É surpreendente como  as coisas podem assentar de forma tão diferente em pessoas que vestem o mesmo tamanho. 
É um pecado, numa altura destas, deixar roupas bonitas a ganhar mofo! Ou comprar outra vez coisas que já tenho, que os tempos não estão para prodigalidades.
 E há outro tanto para fazer. Os casacos já levaram a primeira volta mas precisam de outra, ainda há caixas na cave e na lavandaria...

  Nisto, foi inevitável encontrar peças com história: o vestido preto decotado que já acompanhou alguns momentos chave da minha vida, e que é uma espécie de talismã. As extravagâncias, como aquele sobretudo faux fur magenta de uma designer portuguesa, que continua como novo e que ainda consigo usar com roupa preta; as skinny Levi´s, mínimas e de cintura baixa que fiz olhos de Bambi para o pai me comprar e que usei naquele encontro. E os jeans franceses  com aplicações que ele adorava ver-me e que vesti na noite em que as coisas deram para o torto (ainda deve haver estilhaços de corações partidos naquela ganga);  a T-Shirt Moschino com animal print a que não resisti, nem um bocadinho o meu estilo mas que me ficava a matar e que tantos elogios me trouxe. 

A Camisola Maravilhástica, uma simples blusa com decote Bardot e manga 3/4, do tempo em que a Bershka fazia coisas giras: tinha duas iguais, uma delas não sei que destino levou. Comprei-as em Lisboa e a minha prima também trouxe uma. Pusemos-lhe essa alcunha porque era uma peça-milagre. Ficava maravilhosa com calças, com saias, sem o mínimo esforço. Fazíamos turnos para não irmos de igual e era sempre um sucesso. Foi das roupas que mais vezes vesti e continua aí para as curvas, com muitas private jokes e memórias associadas.
 Ou as peças tendência que são recorrentes, como o vestido longo com papoilas que usei num dia importante da minha carreira - e que regressa agora ao armário - comprado na extinta Infinito, uma das lojas referência na cidade antes da invasão dos Dolce e Fóruns, altura em que eu aproveitava cada pequena viagem para trazer roupa (hábito que nunca cheguei a perder).


 Há coisas de que não consigo separar-me, mesmo que não as volte a pôr nunca mais, pelas memórias que evocam..




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