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Tuesday, July 3, 2012

Retrato de uma Beldade: Agnès Sorel





    Agnès Sorel não foi uma heroína, não governou um território e não teve um papel político relevante, a não ser  o tradicionalmente reservado às mulheres que são brinquedos dos homens no poder. Neste caso, o homem poderoso era Carlos VII de França ( 1403 – 1461) o Vitorioso,  o "amigo" de Joana D´Arc, o monarca que conduziu França ao Renascimento.


 Se ouvimos falar dela hoje, é apenas pela sua beleza estonteante, perfeita, desafiadora de épocas e cânones. Ela tinha magníficos cabelos acobreados, pálpebras em meia lua, um rosto imaculado, olhos dourados e um corpo oh-oh O seu aspecto rendeu-lhe o cognome "  Dame de Beauté" .


 Agnès pertencia à pequena nobreza e conquistou o coração do Rei ao ajudá-lo a sair de uma grave depressão. Tinha 20 anos quando o conheceu, e o resto é história: foi a primeira amante real a ser oficialmente reconhecida. De gostos extravagantes, ficou famosa por   lançar na corte a moda dos decotes escandalosamente abertos - uma tendência que ela suportava bem, já que o seu busto escultural era quase tão célebre como ela própria... 
 Porém é também lembrada  pela bondade, meiguice e generosidade para com os pobres, qualidades que devem ter ajudado a cimentar o seu ascendente sobre Carlos e que lhe asseguravam certa estima geral.


         
File:Fouquet Madonna.jpg Descontraída quando se tratava de usar roupa reveladora, foi musa  de vários pintores, como Jean Fouquet (que a retratou como Virgem com o Menino). La Belle Agnès morreu aos 28 anos em circunstâncias misteriosas - sabemos hoje que a causa foi envenenamento por mercúrio - possivelmente por uso dos cosméticos perigosos disponíveis na altura. A hipótese de homicídio não está, contudo, descartada, já que Agnès tinha ferozes inimigos na corte. Deixou três filhas bastardas, reconhecidas por Carlos de Valois. Pouco tempo depois, a sua prima Antoinette de Maignelais substituía-a no leito real.


Curiosamente, um dos netos de Agnès, Louis de Brézé, senhor d´Anet, seria o marido da celebérrima (e maravilhosamente bela) Diane de Poitiers, a amada de Francisco I.

Agnès era uma mulher da sua época, um ícone de moda do seu tempo e representou o papel que lhe estava destinado. Nela há que a louvar a beleza, que foi fruto do acaso e de um certo sentido de estilo. Agora admirar realmente é outra história, e há um vulto da mesma época a quem tiro o chapéu: a sogra de Carlos VII, Iolanda de Aragão, Duquesa de Anjou e Rainha consorte de Nápoles. Mas essa grande dama é assunto para outro post e outras cavalgadas, pois não se limitava a ser linda de morrer.

6 comments:

Ao Virar da Esquina said...

Tendo em conta os retratos, se ela fosse viva nos dias de hoje não iria precisar de silicone...

Tamborim Zim said...

Amei! Fico à espera.

Imperatriz Sissi said...

Não: ia aumentar, se é que isso é possível, a demanda do dito cujo :D

Imperatriz Sissi said...

Obrigada, my dear ;) . Espero ter estaleca para resumir a vida dela num post...porque ela era da fibra da Leonor de Aquitânia!

Tamborim Zim said...

Tereis, tereis! Estas daminhas vaporosas e demolidoras...intemporais. (Se bem q encanto e sedução avassaladora cada vez existem menos, mmo em combinado n? Isto dava posta....;)

Imperatriz Sissi said...

Obrigada pela força. E concordo: encanto e sedução à moda de ontem na era do photoshop, das plásticas exageradas e das redes sociais? mmm...

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