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Tuesday, July 31, 2012

Sexy bad boys

"The boy that you loved is the man that you fear".
Uma rapariga sensata sabe que deve apaixonar-se por um bom rapaz e casar com ele. Se não é fraca nem ingénua também sabe que o encanto dos bad boys é tudo basófia, que em boa verdade valem o mesmo que os outros e que em determinadas circunstâncias são todos iguais. Por fim, está consciente que homens assim não têm remédio - é impossível mudar alguém e na sua maioria, estes são pessoas com sérios problemas que não compete a ninguém consertar. Mas são excelentes distracções para o espírito e o mundo da ficção está cheio deles. Aqui ficam alguns exemplos do cinema, da mitologia, da literatura e da cultura pop:

Lestat de Liouncourt
                                                           
A personagem de Anne Rice vivida no grande ecrã por Tom Cruise, como um vampiro que se preza, é excessiva e hedonista. O típico bad boy inadaptado, vulgo tive uma vida cheia de tragédia e agora que sou poderoso faço o que me dá na real gana e mordo toda a gente. Atrevido, vaidoso e sensual, é mauzinho como um miúdo travesso, embora seja capaz de actos altruístas ou justiceiros e demonstre, por vezes, ter uma consciência. "O Príncipe Pirralho" é o verdadeiro enfant terrible.

 Ares (Marte)
                                                         

O Deus greco-romano da Guerra era tão temido que muitas cidades gregas não o veneravam - só os Trácios e os Espartanos demonstravam alguma simpatia por ele. (Entre os Romanos, apreciadores dos feitos belicistas, foi mais bem tratado...). O cão foi insultado ao ser escolhido como animal sagrado para ele. Enquanto a sua irmã Atena era considerada a Deusa da estratégia militar, Ares era sinónimo de confusão e carnificina. Para cúmulo, não era um prodígio de coragem, embora fanfarronice não lhe faltasse. Mas como todos os imortais era extraordinariamente belo, além de ser associado à sensualidade, varonia e fertilidade. E foi a grande paixão - adúltera - de Afrodite, Deusa do Amor, a única capaz de refrear os seus impulsos violentos. Um casal e tanto, com muitas cenas de ciúmes pelo meio.

   Alec d'Urberville
O vilão (ou anti herói, conforme a perspectiva de cada leitor) criado por Thomas Hardy no seu romance Tess, só perde em egoísmo para o suposto "bonzinho" da história, Angel. A verdade é que a bela Tess tem péssima pontaria para homens. Mimado e bon vivant, Alec abusa da ingenuidade da sua "prima", destruindo-lhe a vida. Mais tarde arrepende-se e procura reparar os seus erros, mas é tarde demais para todos.


                                                                                     Fëanor
                                                                  

O "Espírito de Fogo" é um dos maiores elfos criados pela prodigiosa imaginação de J.R.R. Tolkien. Era belo, poderoso, talentoso e valente, mas o orgulho, a paixão excessiva pela sua obra - os cobiçados Silmarills - e o desejo de vingança cegaram-no, levando-o à loucura. Este príncipe dos Noldor acaba por conduzir o seu povo, a sua Casa e a sua família à destruição por não saber quando parar. A meio do processo é abandonado pela própria mulher, Nerdanel, que se cansa de aturar os seus desmandos e de ver os seus sete filhos a      morrer um por um.  Até a elfa mais paciente tem os seus limites.


                                                                                Saga de Gemini

                                                                
No anime Saint Seya (incontornável para quem gosta de mitologia) Saga, o Cavaleiro Dourado de Gémeos, revela-se um vilão e uma verdadeira caixinha de surpresas. Nobre e valoroso, sofre de um complexo Dr. Jekyll/Mr. Hyde, relacionado com a dualidade do seu signo. Este "probleminha" dá origem a uma série de conflitos ao melhor estilo Shakespeariano. Possuído por uma entidade que se crê ser Ares, o Deus da Guerra (ver acima) o guerreiro intocável transforma-se num ser maquiavélico e debochado, que não tem limites para atingir os seus fins. Para cúmulo tem um irmão gémeo, Kanon, que também é uma boa peste. Saga acaba por ser obrigado a matá-lo, o que não ajuda à sua                        sanidade mental. 

                           Dorian Gray
                                                               

Inicialmente um rapaz ingénuo, inconsciente da sua própria beleza, Dorian é despertado para o mal por um amigo cínico, Lord Henry, que não percebe o monstro que está a criar. Quando sem querer provoca uma terrível maldição - o seu retrato paga pelos pecados que comete, enquanto Dorian se mantém eternamente jovem e bonito - a sua alma corrompe-se irremediavelmente. Enquanto Lestat, por exemplo, mantém alguma consciência ao longo da sua enorme vida, a personagem de Oscar Wilde não tem remissão...até ao final. Depois de muita devassidão, mortes, asneiras e vidas arruinadas. Não sabe viver, coitado...nem deixa viver os outros.


                                                                               Sir Mordred
                                                            
Um rapaz cujo nome significa "mau conselho" está apresentado. Segundo algumas versões das lendas arturianas, ele era filho do Rei Artur e da sua meia -irmã, Morgana. Os pais foram obrigados a rejeitá-lo por motivos óbvios, deixando-o ao cuidado de parentes, e o pobre Mordred nunca recuperou do trauma. Mais tarde vinga-se do progenitor roubando-lhe a mulher, Gwenhwyfar, e o trono. Os dois acabariam por se matar um ao outro na batalha de Camlann. Com filhos destes...



                                 Lord Fenton
                                                         
Scarlett, a sequela de E tudo o Vento Levou, foi um livro mal recebido - com alguma injustiça, a meu ver. Já a série que se seguiu...é do piorio. Salva-se Lord Fenton, o odioso vilão interpretado pelo meu querido Sean Bean. Poderoso, dominador e mulherengo, o conde de Fenton não tem um pingo de bondade no corpo, nem conhece limites para a sua depravação. É de uma frieza atroz. Para piorar tudo, gosta de imitar o Marquês de Sade com as infelizes incautas que sucumbem aos seus encantos. E quando alguma se queixa dele, tem a lata de responder "better the devil you know than the devil you don´t...". Acaba castigado, e é muito bem feito.


                                                                                  Heathcliff

Heathcliff, de Wuthering Heights, é o protótipo do anti-herói. Loucamente apaixonado por Catherine, a sua irmã adoptiva (o que já de si, é um pouco estranho) vê nela a única razão para viver e comportar-se como uma pessoa normal. Quando a perde, os seus traumas de infância e instintos desregrados vêm à tona, transformando-o num monstro que não se detém perante nada para obter a sua vingança. A destruição que causa é de tal ordem que há quem sugira que a personagem não é humana, mas um caso de changelling  - ou seja, Heathcliff seria um elfo ou demónio, enviado para levar a  perdição àquela nobre casa de província. No entanto, o seu acutilante sentido de humor e a devoção à mulher amada conferem-lhe uma inegável aura romântica.







7 comments:

SOL da Esteva said...

Um tratado, muito bem documentado, sobre o que pode ( e deve) ser evitado. A não ser assim, as consequências apenas recaem sobre quem não é suficientemente formado(a).
As catástrofes sempre se podem minimizar.
Belo Tema para se reflectir (muito).


Beijos

SOL

Adeselna Davies said...

HEATHCLIFF!! Devolvam o Heathcliff que nós mandamos o Grey para as urtigas!

Cristina Torrão said...

O teu querido Sean Bean? Já somos duas, ai, ai, ai ;)

P.S. A bela Tess não tinha mesmo pontaria nenhuma...

Imperatriz Sissi said...

Muito obrigada, Sol. :) Beijinhos.

Imperatriz Sissi said...

ahahah...:D Esse Grey é um menino ao pé do Heathcliff!

Imperatriz Sissi said...

É uma adoração..deve ser o cavalheiro que mais presenças tem aqui no IS. E sim, a Tess era uma azarada. Cada tiro, cada melro. Mas nesse caso, prefiro o Alec, sempre era mais honesto. O Angel é um hipócrita que se julga digno de julgar os outros, exigir à mulher que espere até lhe apetecer...fracalhote e malvado. Ele é que devia ter levado a facada. Palerma.

Cristina Torrão said...

Acho que vou ter de iniciar uma sessão de pesquisa aqui no IS ;)

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