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Friday, August 24, 2012

Brilhante carreira que me passou ao lado: criminal profiler

Há dias perdi umas horitas de sono (olhos a piscar, "vou-me sentar a ver se não caio para o lado que já não aguento", etc) a ver um interessante documentário sobre o ex agente do FBI e autor Robert Ressler, um dos responsáveis pelo termo Serial Killer e pelo método de psychological profiling de criminosos actualmente utilizado nos E.U.A. Embora eu tenha uma crença limitada na psicologia, em alguns aspectos pelo menos, sempre achei que esta foi uma brilhante carreira que me passou ao lado. Ressler iniciou o seu percurso no Exército. Quando mais tarde entrou para o FBI as experiências que viveu na infância associadas aos seus estudos no campo da mente humana levaram-no a pugnar para que o perfil comportamental dos assassinos mais violentos fosse estudado e registado. Nos anos 70, a investigação concentrava-se sobretudo nas provas forenses: mas Robert considerou, e bem, que definir e isolar atempadamente os traços essenciais dos criminosos ajudaria a limitar o número de suspeitos, facilitando a sua captura e impedindo-os de continuar a matar. 
Sempre achei que, em circunstâncias diferentes, eu adoraria desempenhar esse trabalho. Apesar de distraída, tenho um olho de falcão para traçar o perfil às pessoas. Misto de um certo sexto sentido espontâneo e inexplicável, de muitas leituras em diversas áreas - do "feng shui facial" a disciplinas mais científicas ou esotéricas - do hábito de observar os sinais exteriores e de um instinto aguçadíssimo que já tenho mencionado, a primeira impressão pouquíssimas vezes me enganou. Há sempre algo nos traços faciais, no olhar (sobretudo o olhar; se for parado, de "tubarão" ou de peixe morto é um sinal inequívoco de sarilhos) nas primeiras atitudes (abusos insignificantes, ou pequenas intromissões, põe-me logo em alerta) na entoação da voz, no vocabulário utilizado (por muito que a pessoa procure disfarçar, há sempre algo que denuncia o seu background) na escolha das roupas, dos acessórios, do veículo e em inúmeros outros pormenores aparentemente disparatados que permite compor um retrato bastante fiel do ser ou situação que tenho perante mim. Não creio a 100% nas microexpressões - e falta-me paciência para as observar com detalhe - mas há algumas que denunciam, em segundos, as intenções alheias. Olhos enviesados e endurecer de maxilar, acompanhados de um "esverdear" súbito da tez são um sinal de perigo iminente. Se não houver nada disto, uma indisposição, desconforto, sensação de enjoo, de receio ou irritação inexplicável perto da pessoa ou circunstância tratam de me avisar. 

                                        
Por exemplo, por vezes sinto que "não me apetece ir àquele sítio, não quero e não quero". Se contrario a minha vontade para agradar, ou porque é mesmo preciso, 90% das vezes acontece algo de desagradável. É matemático. De seguida, a leitura das atitudes e dos "jogos de poder" que o meu "suspeito" ponha em prática permitem-me calcular com certa precisão o seu próximo movimento. Nessa fase já não se trata de instinto, mas de pensar racional e estrategicamente. Quero dizer com isto que sou uma juíza infalível do comportamento alheio, que nunca me desiludo com ninguém? Claro que não. Mas as vezes em que me deixei enganar foram aquelas em que optei por ignorar os sinais, por ouvir a razão em vez do "gut feeling" inicial ( como é que é possível? Era um bocado rebuscado, pensava eu) ou o coração (vou lá chatear-me com uma pessoa de quem gosto por causa de algo que me cheirou a esturro!). Por experiência de vida - e pelo que leio dos especialistas, e de testemunhos de pessoas bem sucedidas em diferentes campos - o instinto, os pressentimentos, as inspirações, ou o que lhe queiram chamar, são desvalorizados na sociedade actual. O que é uma pena. Muitas vezes, o nosso primeiro impulso, escolha ou impressão fazem a diferença entre a segurança e o risco, o sucesso ou o fracasso, a paz ou uma fiada de aborrecimentos que leva meses a resolver. Quando na dúvida, recomendo que se ouça o coração - ou mais frequentemente, o plexo solar. Não falha.


3 comments:

A Bomboca Mais Gostosa said...

Fogo, nem sei o que te dizer, eu sou exactamente igual! Mas igual... Conto pelos dedos, literalmente, as vezes que me enganei em alguma coisa.
E a série criminal minds é uma das minhas séries de culto, não perco um episódio!

Imperatriz Sissi said...

Great minds think alike ;) Também adoro!

A Bomboca Mais Gostosa said...

;)

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