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Tuesday, August 21, 2012

Can´t buy me love

                
                                                                            Gaspard Ulliel

Todos os relacionamentos entre homens e mulheres envolvem, consciente ou inconscientemente, jogos de poder. As manobras de sedução aprimoraram-se e evoluíram (ou regrediram, por vezes) ao longo dos séculos. De certo modo, um dos elementos procura sempre dominar o outro, ser o elo mais forte, pelo menos até um certo ponto da relação. É uma competição que dá um certo picante ao processo, e sem esse jogo de sedução  - desde que não se exagere - as coisas não teriam a mesma graça. Se as mulheres aplicaram anos a fio as "regras" da coquetterie (um hábito que se vai perdendo numa sociedade cada vez mais pão pão, queijo queijo, e despida de encanto) eles dominavam, por seu turno, a arte da fanfarronice. Os torneios, as justas, os duelos, os cavalos velozes, as cicatrizes de guerra, as demonstrações de poder e riqueza sempre foram meios mais ou menos subliminares para mostrar a uma potencial conquista "olha para mim. Eu sou forte, sou grande, sou um macho alfa. Posso tomar conta de ti e proteger uma eventual prole". Não há nada tão instintivo, tão próximo do mundo animal, tão capaz de provocar uma resposta espontânea. É o mais puro apelo aos impulsos básicos, e continua a obter resultados involuntários mesmo numa época em que somos, supostamente, superiores a essas coisas. 


A mais independente das mulheres, perfeitamente capaz de se bastar a si mesma, sentir-se-á atraída por um homem que pareça seguro de si e, de certa forma, poderoso. Por outro lado, a ala masculina continua a considerar apelativas as mesmas características que atraíram os seus antepassados remotos: mulheres curvilíneas (fertilidade) cabelos longos e claros, olhos grandes (juventude) e lábios cheios (apelo sexual). As mulheres respondem às imagens veiculadas como atraentes e quando não cedem aos impulsos mais assexuados da moda, fazem por usar precisamente o que agrada e sempre agradou. Não é por acaso que o bâton continua a ser o produto de beleza mais vendido em todo o mundo. As egípcias já o sabiam e as mulheres de hoje, sabendo ou não do seu real significado, não o dispensam...

 Num encontro com potencial amoroso, um 

cavalheiro digno desse nome fará o possível - dentro das suas posses - por agradar, por impressionar e mostrar que a mulher em causa é importante para ele. Isso é amoroso, um gesto simpático, que cai bem mesmo à rapariga mais consciente destas manobras ancestrais. Porém, como em tudo, é preciso não cair no exagero. Quando um homem tem acesso a muitas coisas - dinheiro, fama, êxito - tende a usar esses trunfos, e apenas esses, para ganhar terreno numa relação. Habituou-se, desde sempre, a ter atenção feminina, atraída por tudo o que brilha. Por isso não é capaz de conceber que há mulheres que precisam de algo mais substancial, que não se impressionam com tão pouco. Ou porque tiveram acesso a coisas semelhantes, ou porque são mais inteligentes do que isso, ou mais desconfiadas. Homens assim queixam-se  "só me querem pelo que podem obter de mim", mas repetem os comportamentos que atraem, precisamente, as caçadoras de fortunas.
 Partem do princípio que não há nada a fazer quanto a isso, que ninguém gostará deles se em vez de ao bar mais in da cidade, levarem a sua companhia a um piquenique ou passeio singelo, onde possam falar à vontade sobre o que lhes vai na alma. São incapazes de largar a máscara, mostrar-se sem artifícios perto da pessoa de quem gostam - mesmo que ela seja o ser mais terra -a- terra que há. Os encontros sucedem-se e eles continuam a fazer alarde do seu poder. Cada local é mais elegante do que o outro, cada restaurante é mais exclusivo, mais à moda - esperando que a companheira aja de forma predatória, que tome a responsabilidade da ligação, que proceda, no fundo, como a aventureira que esperam - consciente ou inconscientemente - que ela seja. Na realidade, isto traduz uma insegurança enorme aliada a um desejo de ganhar poder na relação. É uma forma de dizer "sem mim, tu não és nada. Onde vais encontrar outro que te trate melhor, que tenha acesso a estes locais, a estes luxos? Quantas não davam tudo para estar no teu lugar! És uma sortuda! Vê mas é se deitas as mãos para o céu, se te portas bem, se tratas de me conservar a todo o custo e se andas atrás de mim, para eu assegurar a minha conquista, não andar em ânsias e poder namoriscar para aí à minha vontade enquanto tu coses meias à minha espera.  Assim, se der para o torto posso dizer " a culpa não foi minha, tu é que me pressionaste".
Ou, caso as suas intenções sejam menos sérias, é uma maneira de provocar na rapariga em causa a reacção "roupa - interior - a - saltar - com-  tal -velocidade -que -até -faz -um -buraco -no -soalho", muito comum em qualquer gold digger que se preze.
Em todo o caso, no meio é que está a virtude, e nem tudo o que reluz é ouro. Tenha as posses que tiver, um homem digno desse nome não precisa de "bengalas" dessas para conquistar. Tem outras armas, mais subtis - e bem mais interessantes, que jamais perderá, venham as crises que vierem.




9 comments:

A Bomboca Mais Gostosa said...

Concordo, e acho sinceramente que os homens que usam essas artimanhas não querem, em geral, nada de sério.
e gostei imenso do post :)

Imperatriz Sissi said...

Obrigada XD . Muitos, coitados, não têm nada de bom além dos aspectos superficiais. Só cai nelas quem quer...

Panurgo said...

Aturar-te deve ser obra, ó Sissi. Fosga-se, se não é duma coisa é de outra... um homem perde-se com tanta exigência.

Urso Misha said...

Infelizmente concordo.
É sempre triste quando alguem se junta/une/casa/namora, que o 1º factor não seja o amor que sente e possa dar ao outro...
Os pavões, seja por frasesinhas da treta que derreta muitas meninas, ou seja por objectos de valor elevado, sempre me meteu nojo, mas ainda me custava mais era as parolas a deixarem-se ir.
Se alguns homens são básicos (e são e falo com conhecimento pois tenho cromossoma Y) por às vezes um decote perfilar uma mulher, não interessa saber muito mais (o que lê, o que ouve, o que gosta).
Às vezes o inverso também acontecia, um pouco de arrojo e uma conversa mais articulada e dar atenção às meninas, chagava para eu ver muitas mulheres embevecidas...

Imperatriz Sissi said...

Não é bem assim...isto é um retrato de situações que encontro. Eu, pessoalmente, sou fácil de entender. Imagina um cavaleiro medieval, forte, honrado, decidido. Adiciona-lhe alguma cultura, et voila. O que eu não gosto é de pantomineiros, de cobardes, de gente que tenta "safar-se". "A gentleman always means what he says..." é por aí.

Imperatriz Sissi said...

Olá Ursinho, bem vindo. Disseste bem: parolas. Porque só gananciosas, sem cultura, se deixam levar cegamente por tais manifestações. É claro que toda a gente gosta de um vencedor, mas um homem não se resume ao seu estatuto. Para as que não são "parolas" nem caçadoras, é preciso mais. " Já vi que tens prestígio, fortuna e um belo carrão. E o que mais tens de bom por trás disso tudo?". Calor humano, sinceridade, espírito, coração, encanto, uma presença varonil em que se possa depositar confiança, é isso que conta, porque a fortuna e as honras vão e vêm. Pode admirar-se a estrela de rock, o homem poderoso, o milionário, mas é o homem por trás dele que tem de ser amado - e em algumas pessoas isso é impossível, ou uma coisa perigosa. A mulher sensata foge disso. Quanto aos motivos para estar com alguém, acredito que tenha de ser por amor. Para quem não o encontrou, ou está numa determinada fase da vida, um casamento de razão pode resultar, mesmo converter-se noutra coisa. Mas tem de ser baseado na admiração, respeito...a ganância não é boa base para nada na vida.

Urso Misha said...

Obrigado pelo "acolhimento"

Sissi, disses-te tudo
"@admiração, respeito"
Eu acrescentaria admiração E respeito, epah respeito, o que eu prezo :)
Fizes-te-me sorrir e acreditar que à esperança

Imperatriz Sissi said...

Também disseste umas boas verdades ;). Enquanto houver gente honesta e com cabeça - e há-a em ambos os sexos - há esperança.

Panurgo said...

Boa sorte.

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