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Sunday, August 19, 2012

O "Bá"

Para mim, o Bá sempre foi um gambuzino. (Peluches fofos retirados daqui.)
"O Bá", que já passou de moda e ninguém sabe o que é, era uma expressão útil muito em voga cá para as minhas bandas no meu tempo de liceu. Quem frequentou a Escola Secundária José Falcão por essa altura (para mim é e será sempre "liceu", embora na minha época já não o fosse oficialmente) talvez se recorde. "O Bá" era uma coisa que andava de noite, espécie de gambuzino que ninguém sabia exactamente o que vinha a ser e que se prestava a toda e qualquer explicação ou classificação irritante e sarcástica de factos vagos, incertos, pseudo intelectuais/profundos/artísticos ou simplesmente non sense.

a) "O Bá" era útil para ficar com as culpas:


- Quem é que deixou aqui esta porcaria toda?
- Foi O Bá! (traduzindo: não sei mesmo, não fui eu, ou fui eu e não quero que se saiba).

b)"O Bá" explicava o inexplicável:


Caso I


- Afinal, de que trata a peça de teatro (profunda, metafísica e cheia de pseudo intelectualidades de esquerda) que foste ver?
- Olha, eu sei lá...fiquei na mesma...era sobre O Bá!

 Caso II


- Então, essa Associação artística dos teus amigos dedica-se a fazer/debater/ o quê?

- Vá-se lá saber. Reunem-se, bebem e falam d´O Bá.

Caso III


- Esse best seller super na moda, que toda a gente está a ler e é supostamente revolucionário...diz alguma coisa assim tão bombástica?

- Diz, pois. Disserta interminável, pretensiosa e insuportavelmente sobre esse conceito intangível, ground breaking e life-changing do maravilhoso .


c) Também servia para resumir coisas complicadas - ou chatas como a potassa - que ninguém estava muito interessado em perceber:


- Percebeste aquela teoria estranha que a professora explicou na aula?

- Eu cá não. Aquilo é o Bá. Estou tramada!

Ainda houve quem tentasse atribuir-lhe substância ou personalidade. Correram boatos que diziam que o Bá era um ser que fazia não sei quê e comia empadas a penalty, mas acho que a ideia nunca ganhou muitos adeptos. As características gambuzinescas originais davam muito mais jeito, e até hoje não consegui encontrar outra expressão que traduza melhor certas correntes de pensamento e pedantismos culturais que continuam a florescer neste país de extremos. Vai-se do Pimba ao Bá em toda a sua glória (manifestações elitistas que ninguém compreende nem aprecia, mas toda a gente elogia para não passar por inculto)  num piscar de olhos...









2 comments:

Sara Silva said...

nunca tinha ouvido essa expressão :) mas é melhor que a dos gambuzinos, visto que toda a gente sabe do que se trata e já não podemos enganar ninguém com eles, ahah

Imperatriz Sissi said...

Acho que foi uma expressão local, mesmo. Mas versátil que ela era? :)

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