Recomenda-se:

Netscope

Sunday, August 26, 2012

Rivais #1: Diana de Poitiers vs Catarina de Medici (parte I)





Catherine de Medici, Henri II, Diane de Poitiers

A História é fértil em lutas titânicas entre grandes mulheres. Por amor, por poder -  ou por ambos - os compêndios estão cheios de casos em que damas excepcionais se digladiaram. Um deles envolve a mais gentil das amantes reais, talvez a única que admiro: Diana de Poitiers. A sua antagonista? Catarina de Medici, a célebre "Rainha Negra" eternamente associada ao Massacre da Noite de S. Bartolomeu, mãe da não menos famosa Rainha Margot, sogra de Maria Stuart, Rainha dos Escoceses e quase - por pouco! -  também da sua prima Isabel I.  Entre as duas, um Rei de bela figura: Henrique II de França.
  Diana distingue-se entre as favoritas célebres pelo poder de que gozou - verdadeira rainha na sombra, antes dela só Agnès Sorel, a bela (curiosamente, avó do seu marido) tivera protagonismo semelhante. Porém, Diana tem a seu favor o facto de ser uma senhora de alta linhagem, dotada de uma esplêndida educação... e não menos importante, a verdadeira paixão que a uniu ao rei. Um amor louco, que só a morte separou.
                                                                      Ficheiro:DianedePoitiers.jpg                                 
Diana de Poitiers nasceu em 1499, filha primogénita de João de Poitiers, Senhor e Conde de Saint - Valliers, marquês de Crotone, visconde de l´Estoile, barão de Clérieux e barão de Sérignam. Pela parte da mãe, Joana de Batarnay, estava ligada aos Medici e aos Boulognes. Apesar de ter um filho varão, o pai, que a adorava, fez de Diana companheira de todas as horas. Com ele, a jovem cavalgava e caçava desde o amanhecer, habituando-se a uma rigorosa disciplina que conservaria pela vida fora ... e que muito contribuiu para que preservasse uma beleza que desafiou o passar dos anos. Aos seis anos teve o seu próprio falcão e montava todos os cavalos do pai. Uma autêntica Diana Caçadora...

Desejando proporcionar-lhe uma educação esmerada, de acordo com os padrões humanistas da época, o pai enviou-a para casa de uma parente e princesa de França, a duquesa Anne de Beauje. Aí aprendeu dança, boas maneiras, latim, grego, esgrima, a arte da conversação, a manter gostos e modos refinados, a salvaguardar a dignidade da sua posição através de atitudes nobres, elegantes -  e sobretudo, isentas de intrigas que a pudessem desonrar. A sábia tutora reconheceu os dotes físicos e espirituais da pupila, chegando a considerá-la superior à sua própria filha, Susana de Bourbon.  Aos quinze anos Diana era uma jovem lindíssima, cheia de encanto e graça feminina. Obediente, aceitou sem reservas o noivo que o pai e a duquesa escolheram para ela: Luís de Brezé, conde de Maulévier, Grande Senescal da Normandia e muito apropriadamente ..."Senhor da Caça". O futuro marido era um parente Bourbon, riquíssimo e 39 anos mais velho, o que não impediu um matrimónio muito feliz. Diana manteve uma fidelidade absoluta ao marido ao longo de dezassete anos de casamento. A casa dele, o Château d´Anet, estava equipada com um riquíssimo estábulo e uma vasta biblioteca...isso bastava para a fazer feliz. O isolamento da sombria fortaleza não a perturbava. Enquanto Dama da Rainha Cláudia, e das que se lhe seguiram - incluindo Leonor de Áustria, que fora Rainha de Portugal mediante um casamento escandaloso - a sua deslumbrante beleza e bondade conquistaram a corte.  


File:A8094851168422469-9970.jpg
Château d´Anet na actualidade

A sua pureza e bons costumes, por outro lado, causaram a admiração do Rei e da Rainha. O monarca Francisco I disse dela :" agradável de contemplar, honesta ao conhecer". Em 1519, nasceu um principezinho que Diana colocou amorosamente nos braços da mãe...Henrique II de França. A beldade tinha então 20 anos e não podia adivinhar que um dia ele seria o amor da sua vida. Como irmão mais novo, ninguém esperava que Henrique herdasse o trono. Era um rapaz taciturno, um pouco trapalhão, e Diana foi designada como sua tutora. O companheirismo e a admiração deram lugar a outros sentimentos, o príncipe fez-se um jovem atraente...e com o beneplácito do Rei, Diana, que enviuvara entretanto, tornou-se amante de Henrique. Ele, apaixonado, fascinado pelos romances de cavalaria e as aventuras de Amadis de Gaula, era homem que só ama verdadeiramente e uma vez: foi por isso uma desgraça para ele, recebida com lágrimas de desespero, quando lhe foi comunicado o seu iminente casamento com a sobrinha do Clemente VII, Catarina de Medici.

     
                                                                            (Continua)




.














3 comments:

A Bomboca Mais Gostosa said...

Adoro história, por isso a meu ver estes posts são divinais, adoro :)

Imperatriz Sissi said...

Muito obrigada, Bomboca ;) Vamos ver se a parte II sai rapidinho. Beijinho.

Urso Misha said...

Também sou fâ de história.
À espera da continuação...

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...