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Tuesday, September 11, 2012

A Nobre Arte de... deixar a cobra morder a lima

Quem conhece as máximas italianas no que respeita à justiça sabe que este é um povo cheio de sabedoria, que nunca ameaça em vão nem perde tempo com bravatas. Como o seu território e segurança estavam constantemente em risco, tornaram-se grandes estrategas. Só sábios como Sun Tsu podem ombrear com eles no que respeita às artes da Guerra..e da sobrevivência nos ninhos de víboras que a vida nos prepara. Lá em casa sempre ouvi uma parábola popular que casa muito bem com estas ideias: por vezes, mais do que retaliar ou dar uma lição a uma pessoa malvada, há que deixá-la cavar a própria sepultura.

Era uma vez uma cobra que andava a espreitar uma casa, em busca de alimento. Ao meter a cabeça num buraco caiu lá para dentro e bateu com o focinho numa lima de ferro. Vendo-se presa, furiosa pela dor e pela queda, quis vingar-se no objecto que - no seu entender - lhe tinha causado tanto desconforto. Sem olhar à estupidez do que fazia, nem à invencibilidade do "adversário", pôs-se a morder a ferramenta, rasgando a boca. Cada vez mais furiosa, mordia que mordia, bufando e saltando, excitada pelo sabor do próprio sangue, num furor cada vez maior. 
 E mordeu, mordeu, até cair para o lado...

Em muitas situações na vida, é mais válido ter paciência e deixar que a cobra bufe, saltite, disparate e morda a lima até se cansar do que entrar em confronto com gente descompensada. Esta técnica, bem entendido, não funciona com todo o género de biltres - em relação à maioria deles, não se ganha nada em adiar o conflito. Porém, há um tipo de vilão que é especialmente bom no quesito se enterrar sem nos dar muito trabalho. Refiro-me a pessoas com uma ambição louca, dadas a obsessões e histerias. O tipo de gente que vê algo que quer (geralmente o cargos ou posses de outrém) e tal como os cucos, mete na cabeça que tem direito àquilo, assim de pára -quedas, de um momento para o outro, mesmo que não tenha a mínima capacidade para tomar aquele lugar. Logo que algo lhe desperta a cobiça, entra em modo desesperado e arranja todo o tipo de tramóias para chegar ao seu objectivo. Mas como é, regra geral, estúpido (a) como um melão, acaba por fazer asneira e os seus planos dão para o torto. Aí o verniz estala , porque pessoas assim têm uma intolerância doida à frustração. Passam-se, ficam reverdidas de ódio e inveja e começam a disparatar para a esquerda e para a direita, a entornar os feijões, a denunciarem-se completamente, até consumarem a sua auto destruição. Sem que o adversário tenha de se esforçar muito para isso...basta deixar algumas "limas" no caminho das "cobras".

1 comment:

O Sexo e a Idade said...

Adorei a história!
Adorei o post!

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