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Sunday, September 16, 2012

Da inveja portuguesa: o rico, esse papão


                                              
Inerente, inata, doentia. Este caso, observado em Londres pelo meu talentoso amigo Luís Costa Pires, é bem prova disso, e da figura de urso que fazemos perante povos mais desempoeirados e bem intencionados do que nós. O português médio O-D-E-I-A o rico, o que tem mais êxito do que ele; detesta, teme e condena qualquer mortal que tenha alguma coisa que ele não tenha. Ainda que veladamente, sob os disfarces " não dão valor ao dinheiro", "não pensam nos pobres", "exploram o povo", "não são gente séria" etc, o rico, esse ser distante e vago, é um alvo a abater, o papão. O "rico" (ou quem ele acha que é rico) mesmo que a sua opulência seja a mais legítima, a mais honesta que pode haver, mesmo que o coitado do hipotético rico pague todo os seus impostos (há alguns que o fazem; a honestidade não é inversamente proporcional à riqueza que se possui) e seja o maior benemérito à face da terra, é sempre um malandro que devia ser expropriado e expulso do território nacional. Só cá havia de ficar gente aparentemente séria, mas sobretudo remediada, pobrezinha e trabalhadora. O português pensa assim até ele próprio enriquecer, está claro. Nunca se pensa que quem é pobre não pode dar nada aos outros nem contribuir. Que seria óptimo se fôssemos um país rico, cheio de portugueses ricos, que deixasse as pessoas crescer e enriquecer para não dependerem tanto do Estado, dos apoios, dos subsídios. Que este país estivesse a nadar em dinheiro, com toda a gente feliz, bem vestida, bem alimentada, bem cuidada pelos melhores médicos a tempo e horas, com meios para ajudar ONGs, para cuidar dos idosos, para construir abrigos para animais, para investir no cinema português, para ser mecenas de artistas, para dar dinheiro a ganhar aos construtores na edificação de casas bonitas, gerar emprego, criar valor. Como seria bom ver os melhores hotéis, lojas e restaurantes a abarrotar de gente gira, alegre, despreocupada, ocupada a ser bem recompensada pelo seu trabalho e/ou a gozar a vida. Gente que não estivesse em pânico com os impostos porque saberia que eram justos, uma gota de água no oceano, e não um castigo por se ter saído bem. Gente que não precisasse de trabalho escravo porque as empresas iam de vento em popa e não tinham necessidade de fazer de tio patinhas, de regatear cada tostão e de trabalhar à custa de estagiários, numa atitude mesquinha que nunca leva a lado nenhum. Um país que partisse do princípio " assumamos o que gostaríamos de ter e trabalhemos para isso" em vez de estar sempre de olho no que não tem, no que falta, nas coisas do vizinho. Mais do que qualquer outra coisa, essa atitude levou-nos ao buraco em que nos encontramos. Ninguém pode querer o mal dos outros sem atrair um bocadinho de azar para si mesmo. Ou como dizem os índios, " o barco que chega para o meu irmão também chega para mim".

8 comments:

Jedi Master Atomic said...

A inveja do sucesso dos outros sempre foi das caracteristicas mais "interessantes" de observar no nosso povo. Há outro nome para isto: mentalidade de pobre. O que é bem diferente de ser pobre.

Conheço 2 pessoas (1 deles grande amigo) que neste momento da vida estão com pouco dinheiro mas têm uma mentalidade vencedora e muito rica (bem mais do que a minha, e eu até me considero uma pessoa com uma mentalidade boa). Este país precisa de mais gente como eles e não uns tontos a meter as culpas do que se passa na Troika, como se eles fossem os responsaveis do estado do país.

Imperatriz Sissi said...

Se alguma vez decidir sair daqui para fora, será MUITO por culpa da forma como as pessoas se maltratam umas às outras por aqui, como amesquinham o talento. Trabalhar em equipa ou valorizar quem pode ajudar são conceitos desconhecidos.

Jedi Master Atomic said...

Não saias, don't be Sissy....lool :P

A Bomboca Mais Gostosa said...

Muito bom post. O que me mete mais nervos no povinho português é a inveja, a falta de civismo e educação.

Imperatriz Sissi said...

Eheheh...we´ll see :D

Imperatriz Sissi said...
This comment has been removed by the author.
Imperatriz Sissi said...

Duas, Bomboca. E geralmente são defeitos que se manifestam ao mesmo tempo, como foi o caso aqui. Coitado do senhor do Audi, há-de ter pensado " mas quem são estes brutos"?

Gata said...

Mete-me muita impressão quando dizem que, se fulano está bem na vida, é porque "teve sorte" e por aí fora...

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