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Saturday, September 1, 2012

Diana de Gales, 15 anos















Ontem já não fui a tempo de assinalar a data - tive vários afazeres em noite de Lua Azul - mas não gostaria de a deixar passar em branco. Considero-me bastante imune às desgraças noticiadas pelos media, mas houve duas que me marcaram profundamente: 31 de Agosto de 1997 e 11 de Setembro de 2001. Eu era muito novinha quando aconteceu, mas a morte da Princesa de Gales foi um momento que ficou. Creio que a maioria das pessoas se lembra do que estava a fazer quando ouviu a notícia. No meu caso, talvez me tivesse chocado por  estar numa fase significativa da minha vida. Foi um ano estranho, em que me sucederam muitas coisas novas, na maioria boas, mas definitivamente transformadoras. Uma fase feliz, cheia de agitação e possibilidades. Nesse dia eu regressava de férias em família, e parecia que nada poderia alterar o estado das coisas. Tínhamos o rádio ligado e a voz do locutor, que não escondia a comoção e o nervosismo, atingiu-nos como um raio. Houve um " o quê??" em uníssono e lembro-me nitidamente da sensação de ficar com as costas coladas ao banco, sem me conseguir mexer. Essa incredulidade não veio tanto por eu ser uma grande admiradora da Princesa Diana, mas da  sensação de insegurança causada por ver uma mulher e mãe tão linda, tão jovem, com filhos que precisavam dela, a desaparecer assim tragicamente, sem mais nem menos. Sempre me senti encantada pela sua sogra, a Rainha Isabel II (nunca a mencionei por aqui, mas gostaria de o fazer um dia destes) uma mulher capaz, desde muito jovem, de pôr os seus deveres à frente de si mesma, de enfrentar tempos difíceis, de dirigir uma família e acima de tudo, de fazer tudo isso com extrema elegância e modéstia. Diana de Gales...era uma mulher bonita, genuína, boa mãe, glamourosa, com brilho próprio e de grande generosidade, mas extremamente frágil. Ao casar abraçou, pese embora a sua timidez e insegurança iniciais, o sonho - o sonho completo, sem olhar ao que era de facto esperado dela. 
                                    
Uma união do género seria sempre tingida de pesado dever, um dever que se sobrepunha aos sentimentos e crises pessoais. Ao unir-se ao príncipe herdeiro, Lady Diana Spencer não contraía matrimónio somente com o homem, mas com tudo o que ele representava. Aceitava obrigações para com todo um povo, for better or worse. E embora simpatizasse, como tanta gente, com os seus desgostos enquanto mulher, não pude deixar de pensar (embora eu fosse uma miudinha na altura) que a encantadora Princesa não se conduziu com a dignidade e discrição que a sua posição exigia. Cedeu às suas fragilidades, ao procurar desesperadamente (e nos locais, pessoas e ocasiões erradas) o grande amor que o marido não lhe podia dispensar. Uma mulher sensata sabe que não há perfeição em lado algum, mas Lady Di continuava, inflexivelmente, em busca de uma realização romanesca no pior momento e lugar possível. Cedeu a uma certa vaidade ao procurar chamar para si a atenção dos media - um dom que inegavelmente possuía - o que teria os seus benefícios, se não o fizesse com o objectivo de captar simpatias para a sua "causa". O seu papel não seria, jamais, o de causar cisões. A sua folhetinesca entrevista à BBC em 1995, expondo aspectos tão privados (e moralmente repreensíveis) não só me pareceu desnecessária, como nascida de impulsos pouco altruístas. Se o homem (ele próprio vítima das circunstâncias) não apresentava um comportamento modelar, o Príncipe não deveria ser atacado perante todo um povo pela mulher que elevara ao prestígio e carinho do público...em última análise, o respeito entre os membros de um casal, célebre ou anónimo, é para mim - a despeito das guerras privadas que existam no seio familiar - sagrado. Apesar de tudo isso, contam as boas acções, as causas (mesmo as mais polémicas, como a SIDA) que escolheu corajosamente apoiar e divulgar com recurso ao seu mediatismo. Tivesse a Princesa Diana usado de mais serenidade e paciência, e direccionado todas as suas energias, a sua beleza e a simpatia de que gozava para o trabalho em prol dos mais desfavorecidos, e tudo teria sido, se não perfeito, pelo menos maravilhoso. Rest in peace.







2 comments:

A Bomboca Mais Gostosa said...

Eu gostava imenso dela. E lembro-me como se fosse hoje do dia da sua morte. Concordo com tudo o que dizes, mas não quero imaginar o choque de uma mulher que se casou por amor com um homem que amava, e que entretanto percebeu que o coração dele pertencia, como sempre pertenceu, a outra pessoa. E sentir-se traída, enganada e só.
De resto, era maravilhosa.

Imperatriz Sissi said...

Como mulher, casos assim têm sempre a minha solidariedade. É uma situação má para todos os envolvidos. Mas na sua posição, não podia pensar apenas nos seus próprios sentimentos. Se tivesse usado de maior serenidade, talvez ainda estivesse cá hoje. Foi uma pena.

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