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Wednesday, September 12, 2012

Don´t go for second best, baby.

Por vezes há a tentação de uma pessoa se contentar com o que tem, com o que lhe é dado de bandeja, sem esforço, ou até impingido. Eu defendo que se dê graças por cada pequena bênção e que nem tudo precisa de ser terrivelmente difícil e doloroso nesta vida para ter valor. Mas quando o que vem de borla, a rastejar, com um laçarote por cima, é de má qualidade ou com intenções/origens duvidosas, não compreendo quem se limita a aceitá-lo, sem se bater por algo melhor, devido à preguiça, comodismo ou orgulho. Como quem diz " se tenho tanta coisa que me desenrasca à mão de semear, sem custos nem canseiras, para que me hei-de chatear com o que dá trabalho?". Bom, uma pessoa deve chatear-se porque...as coisas boas têm o seu preço. Uma carteira Birkin é feita à mão e leva o seu tempo a estar pronta. Claro que podemos usar outra carteira qualquer - também serve para levar as coisas, certo?  Na faculdade, obtinha-se um 10 sem esforço. Mas para ter um 18, já era preciso algum empenho. Para ter um penteado fantástico é preciso perder tempo a elaborá-lo, ou pagar a um bom profissional que o faça. Também podemos sair de casa despenteados - cabelo desgrenhado também é cabelo, afinal é só algo que anda ali em cima da cabeça, não é? Podemos ir à praia e exibir uma pancinha, ou  um six-pack de cair para a banda. É tudo barriga, serve para o mesmo...mas os abdominais bonitos dão trabalho. Se não nos quisermos chatear, arranjamos um cargo da treta que pague as contas, mas se desejarmos brilhar temos de assumir responsabilidades maiores. Podemos ficar pela zona de conforto e juntar os trapinhos com uma pessoa apagada, que não puxa por nós, que não nos desafia, que não corre o risco de nos trocar por alguém melhor, que aceita tudo e não vai a lado nenhum - mas escolher alguém que nos faça tirar os pés do chão, sentir-nos vivos, já exige correr riscos, entregar pontos, ficar vulnerável. Grande nau, grande tormenta, lá diz o povo. Tudo na vida - na carreira, nas relações, em todos os aspectos da existência - serve algum propósito, mas há que escolher o que nos completa e nos dá asas para sermos o que realmente somos, o que nos faz vibrar de emoção, de entusiasmo, de paixão, de felicidade. Easy comes, easy goes. O que vale a pena é sempre uma Demanda do Velo de Ouro e exige algum investimento, coragem;  o resto é batatas...e tal como as batatas, desenrasca.

8 comments:

Jedi Master Atomic said...

Se o bom fosse facil, toda a gente era boa.
Se a mente aberta fosse uma coisa normal, a maioria das pessoas não seria tão aborrecida.

Ariana said...

Que post soberbo, Imperatriz Sissi. Uma ENORME lição de vida bordada num texto lindíssimo :)

Tudo de bom que fica na História foi fruto de uma Revolução, foi consequência da coragem e audácia de alguém. Foi preciso romper com as teias da rotina... Para obter algo que realmente mude o mundo. Além disso, as maiores paixões são justamente aquelas que dão mais trabalho, e dão menos garantias... São essas mesmas garantias que nos travam, e muitas vezes impedem-nos de nos tornarmos na pessoa que sempre quisemos ser.

Uma vez que é a primeira vez que comento aqui, vou falar sobre o Blog em si (permites-me essa ousadia? Hihi): as pessoas de quem eu sou mais próxima dizem frequentemente que sou inteligente... Mas da próxima vez que me disserem isso, vou escrever o nome do teu Blog e dizer: "Pesquisem isto e depois falem comigo.". A sério, apesar de ainda ser nova (20 anos acabadinhos de fazer - uma Virginiana não tem como não amar um Blog de outra Virginiana - apesar de eu ser Terra e Água, ao contrário de ti que és Terra e Fogo, como vi num outro post :P) sinto-me "burrinha" quando leio os teus textos, hihihi! Mas adoro, a sério que adoro.

Obrigada por me fazeres abrir horizontes (eu adoro mesmo essa sensação).

Jedi, o teu comentário foi igualmente GOLD! Adorei também :)

Beijinhos!

Cafeína said...

No ano passado dei uma grande volta à minha vida... Quis mudar de trabalho porque o que eu estava a fazer não era de todo desafiante... era chato e entediante mas, lá está, pagava as contas!
Não mudei mais cedo por medo... medo de arriscar e foi aí que o meu homem teve um grande papel! Apoiou-me incondicionalmente para mudar e foi o primeiro a dizer que se a mudança não corresse bem, eu teria que me desenrascar e dar o litro!
E assim foi, mudei, no início foi complicado porque era uma área bastante diferente, o ritmo e a responsabilidade era alucinante. Mas lá tive que arregaçar as mangas e ir em frente. O que é certo é que acabou por correr tudo bem! Foi, e continua a ser, uma canseira mas foi também a melhor coisa que eu alguma vez podia ter feito!

Isabel Simões said...

Adorei este post!
Ser feliz dá muito trabalho! Esta é uma das frases que repito vezes sem conta aos meus alunos e ao meu filho.Sobretudo os mais jovens têm de perceber que nada cai do céu aos trambolhões.

Imperatriz Sissi said...

Felizmente ainda existem pessoas espirituosas como tu, Jedi!

Imperatriz Sissi said...

Querida Ariana, nem sei o que dizer...fico honrada por receber tais palavras de uma pessoa que escreve bem, com espírito e sem dúvida, inteligente (não é pelo gentil elogio, que agradeço, mas estas coisas notam-se na forma como uma pessoa se expressa). Fico muito contente por apreciares o blog, já que me esforço por seleccionar conteúdos giros e por os contar à minha maneira. E nós, virginianas, somos de facto uma espécie à parte...mesmo que tenhamos algumas dificuldade em mandar as garantias da vida às malvas. Obrigada. Um grande beijinho!

Imperatriz Sissi said...

Cafeína, fico contente por ler o teu testemunho. De facto, combater a zona de conforto é essencial, pelo menos para quem tem uma certa necessidade de estabilidade. Não gosto de muitas surpresas, mas sem elas, sem o risco, não se faz nada. É preciso queimar pontes para nos tornarmos no nosso "verdadeiro eu". Beijinho.

Imperatriz Sissi said...

Isabel, essa é uma frase fantástica! Por vezes tendemos a pensar que a felicidade está predestinada, mas aproveitar as oportunidades, correr atrás, ter o trabalho que for preciso e às vezes, agarrar a fortuna pelos cabelos são as coisas que fazem o truque. "Fortune favours the bold". Muito obrigada. Beijinhos.

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