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Thursday, September 27, 2012

Dos cabeleireiros com vitrine

                               
Esse tema já foi comentado aqui, mas não há vez nenhuma que não me espante. Os cabeleireiros e corners de estética, abertos ou com vitrine, têm para mim o atractivo de um jardim zoológico. Ou de um oceanário, que é mais aproximado. Que querem, fui educada na lógica cabeleireiro/esteticista/maquilhador vem a casa e se isso for de todo impossível, vai-se a um salão discreto. Uma das minhas tias nem lá punha aos pés, com medo que soubessem que ela pintava a cabeleira ruiva para lhe conservar a cor. Por isso, se calhar o defeito é meu, que só em último caso suporto que me vejam  com o cabelo molhado, toda despenteada ou com mistelas na cabeça enquanto o "stylist" faz a sua magia, pagar para isso e ainda servir de cobaia para atrair mais clientela. Quando olho para cenas assim, vêm-me à cabeça os pobres doentes dos "dentistas" em feiras medievais. Mas de há alguns anos para cá qualquer procedimento de beleza, nem que seja uma operação dolorosa, tornou-se símbolo de poder económico e por isso as pessoas não se importam. Umas fazem questão de exibir, mas creio que outras já nem sequer pensam nisso ao sentarem-se, todas contentes, num cabeleireiro de shopping. O mais caricato é que há uns tempos, num centro comercial cá do burgo, abriu um novo cabeleireiro - aquário, comme il faut. E ao lado, vitrine com vitrine...uma loja de animais que na parte de trás tem um cabeleireiro para cães e gatos. Só reparei no absurdo da coisa quando vi de um lado, o cãozinho na banheira, e do outro, a senhora com uma toalha na cabeça, à espera da sua vez de ser penteada...

6 comments:

Tamborim Zim said...

Com efeito! Onde o glamour da simplicidade discreta, onde????

Zaida said...

Concordo totalmente. Sempre que passo em centros comerciais não é raro deparar-me com uma zona de estética - com manicure, depilação facial - esses então sem qualquer vitrine, bem ao ar livre e na zona mais central possível. Sempre me perguntei quem no seu perfeito juízo quereria fazer o buço, as sobrancelhas ou as unhas com todas as pessoas a olhar, a passar, tirar fotos, ...
Deve ser uma questão de educação, sempre pensei que este género de actividades deveria ser feita entre quatro paredes e com o máximo de privacidade possível (o mesmo para o cabeleireiro), mas parece haver quem não se importe e faça gosto de mostrar ao mundo que o faz.

Imperatriz Sissi said...

É curioso: na belle époque e mais além, uma senhora não era apanhada a embelezar-se. Hoje é sinal de "eu posso". Estranho.

Imperatriz Sissi said...

A mim parece-me muito esquisito. Gosto de ver o "antes" e "depois". Mesmo em revistas ou blogues, não acho piada que exibam os detalhes do procedimento - a não ser em modelos que estão a ser pagas para demonstrações. Em clientes ou convidadas é um disparate...

Colour my life said...

As coisas das quais te lembras! Eu como sou pobre e ando sempre "tesa como um carapau" nunca pensei, sequer, nesses luxos de ser servida em casa por um cabeleireiro. Se tivesse muito dinheiro, não sei... talvez o fizesse, talvez não. Que gosto de andar a passear! Mas numa coisa dou-te razão. As vitrines. É que não tem jeiteira nenhuma. Nunca entro nesses. Gosto pouco que me vejam naquelas tristes figuras.

Imperatriz Sissi said...

Colour, quando o disse nem mencionei custos (isso seria assunto para outro post - há coisas super caricatas) mas posso adiantar-te que onde moro a maioria dos cabeleireiros com alguma reputação (alguns, nem isso) levam literalmente couro e cabelo para fazer o mesmo que os outros. Os domicílios ficam mais baratos, dependendo dos profissionais que se conhece. Assim como assim não sou grande fã de estar horas no cabeleireiro, até porque a não ser que vá fazer grandes maluquices, ou qualquer coisa muito específica, saio de lá na mesma. Só há duas ou três em quem confio, e não levam caro nem me fazem perder um dia inteiro à espera...

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