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Sunday, September 9, 2012

I guess we´ll never know

Por muito que se preze o orgulho, a face, ou o facto de acharmos que a razão está do nosso lado - e às vezes, cada um acha isso de si, sem reparar que o outro não deixa de ter razão - há coisas mais importantes. Quantas palavras não ficam por dizer, quantos nós não poderiam ser desatados, quantas angústias deixam de ser saradas, quantas páginas ficam por virar, quantas vezes a felicidade não é atirada pela borda fora, quantas pedras andam séculos no sapato por ninguém ser capaz de abrir mão do brio, de uma suposta honra, de um finca pé infantil, de pormenores que não passam de caprichos e que, se analisados na perspectiva "será que daqui a vinte anos, isto vale alguma coisa?" têm um peso insignificante? Achamos sempre que há tempo, que logo se vê. Erguemos a cabeça de indignação, de ressentimento, de birra. Olhamos para os detalhes -  o que é realmente precioso na situação é posto para o canto. O que for se verá. Amanhã. Depois de amanhã. E nisto, neste sentimento de invencibilidade, de impunidade, de altivez, o universo troca-nos as voltas, prega-nos um susto. E o amanhã torna-se tão relativo, perante uma angústia maior. What if? What if? E se ficarmos toda a vida sem saber? E pior do que isso, se ficarmos para sempre sem revelar o que sabíamos? Vai-se o orgulho, o desejo de poder, de receber. Não pensamos no que não recebemos. A única coisa que nos ocorre é o que ficou por entregar, por desabafar, por tirar do peito, por oferecer. A nossa felicidade egoísta deixa de contar. Só queremos que tudo fique bem, e que a oportunidade continue a existir.

 

5 comments:

Jedi Master Atomic said...

O orgulho é tramadinho, especialmente para nós homens que temos o rabinho cheio dele...lool

S* said...

Tem dias em que me arrependo tanto de coisas que não disse, diálogos que não tive...

Imperatriz Sissi said...

O orgulho masculino é tenebroso, credo. Séculos a defender a honra deu nisto, ou quê?

Imperatriz Sissi said...

Arrependo-me sempre mais das coisas que não fiz...

A Bomboca Mais Gostosa said...

What if, what if... Penso tantas vezes... Mas não adianta.
Eu arrependo-me de algumas decisões que tomei na vida, em determinadas alturas, porque pensava genuinamente que eram o melhor caminho para mim e só depois percebi que não. Por isso se pudesse agora voltar atrás, alterava o rumo das coisas.

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