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Wednesday, September 5, 2012

Jealous guy

                                 

Não sei o que anda no ar mas tenho assistido, nos últimos tempos, a exageros machistas totalmente despropositados. Os leitores que já me conhecem um  pouco sabem que não sou de feminismos -  por isso, para eu reparar é porque a situação está mesmo feia. 


Sim, eu acho que devemos deixar aos homens o seu papel de conquistadores. Dar-lhes razão ou protagonismo q.b. E ser delicadas, subtis e agir com a astúcia tradicional, em vez de nos pormos a gritar, a estalar chicotes e a queimar soutiens. O que defendo é tudo verdade,  tudo muito lindo e viva a lingerie de renda francesa, desde que estejamos a lidar com gente sã e equilibrada. Quando há honestidade de parte a parte, confiança e transparência. Quando assim não é, talvez uma atitude tão diplomática não funcione, e seja preciso despertar a amazona que vive em cada mulher. Ou antes fazer as malas, porque nenhuma pessoa sã consegue gerir um relacionamento com um ciumento empedernido, que desconfia de tudo e procura provas que alimentem as suas expectativas delirantes. 

  Não quero dizer que o monstro de olhos verdes não exista no feminino - há mulheres insuportáveis - mas o ciúme masculino vem de um lugar diferente. 

De um sentimento de posse completa, de uma perspectiva rígida quanto ao que o relacionamento deve ser, de uma inferiorização da parceira relativamente à sua autonomia, discernimento e modéstia. Um homem desse género não vê a mulher que julga amar como um ser humano capaz, nem como um indivíduo com quota parte de responsabilidade e direitos dentro da relação. E isso dá azo a ofensas graves, que ferem a dignidade e minam a confiança no seio do casal. 

A mulher de um ciumento é (na cabeça dele) uma criancinha ou uma desmiolada, incapaz de resistir ao primeiro galanteio que lhe façam. Se põe um vestido um pouco mais revelador -ainda que honesto-  não é para si mesma, mas para os homens com quem se cruza. 

Se a elogiam, é porque ela provoca isso, e tanto ela como quem inocentemente dirige uma palavra amável estão com segundas intenções. Se sai com as amigas, é para o engate. Na mente do ciumento, a sua "amada" não pensa noutra coisa, nem que na realidade, se trate da mais virtuosa das mulheres.  O ciumento vê um rival em cada canto e no fundo, deseja que isso seja verdade para justificar os seus impulsos agressivos. Em alguns casos, se o ciumento sabe que não tem razão ou direito de agir assim, fica-se por insinuações, alfinetadas e quezílias. Não há nada que a companheira possa fazer - justificar-se, explicar, chamá-lo à realidade (sempre ouvi dizer "quem se explica diminui-se").
 Mesmo que caia na asneira de entrar no jogo dele e mudar os comportamentos que o "ofendem", que procure transmitir-lhe segurança, que lhe prove por A + B o disparate daquilo tudo, nada é suficiente. Um pequeno detalhe basta para ele gritar aos quatro ventos "nunca mais confio em ti!" e fazer da paixão o Inferno de Dante. 

São comportamentos de domínio, questões de poder muito  desagradáveis que quanto a mim, nem deviam colocar-se quando duas pessoas estão juntas por livre e espontânea vontade. Uma mulher frágil, insegura, pode conservar uma relação assim à custa da própria felicidade. Já uma mulher forte, com o orgulho e a auto estima no lugar, não tem hipótese - nem quer. Tal como diziam os antigos gregos, " não há amor onde não há confiança". 

10 comments:

Maria Araújo said...

Adorei este texto!
A lucidez inerente é tremenda, como de resto tudo com que nos brinda. Fico grata por ler algo assim num momento em que precisava que alguém me dissesse exactamente isto.

Quero ainda referir que aprecio todo o blogue na sua essência e considero-o uma lufada de ar fresco num momento de tanta paridade entediante.

Muita energia positiva e luz para si. :)

Imperatriz Sissi said...
This comment has been removed by the author.
Imperatriz Sissi said...

Maria, agradeço muitíssimo as suas palavras tão gentis! É realmente gratificante ser brindada por leitoras assim. Fico contente por ter gostado da minha reflexão. Por vezes nós, mulheres, queremos tanto ser perfeitas que não vemos "the big picture". Blessed be ;) Beijinhos

Diligentia said...

Há mulheres para tudo, Sissi. Se existem as que não suportam tamanha desconfiança e, até, a violência psicológica que o sentimento de ciúme doentio implica, também as há as que aceitam de cabeça baixa tais acontecimentos, encontrando normalidade em condutas dessas. E mulheres dessas existem em grande número. Suponho que ainda carregam em si o papel secundário dado à mulher ao longo do séculos e que seja um fardo do qual, mesmo que inconscientemente, não se conseguem livrar.

Uma nota à parte: Não sou feminista, nem nada que se pareça, mas não concordo inteiramente com as mulheres 'deixarem o papel de conquista aos homens'. Há anos que defendo uma igualdade de papeis (não se confunde com tomar de assalto a condição de homem numa relação) e uma paridade quase absoluta nas condutas sociais de homens e mulheres. Mas isso já são contas de outro rosário... :)

Urso Misha said...

Olha que conheço mulheres assim...

Pode ser muito incomum, até concordo, agora ser diferente não, isso tudinho.

ladybug said...

Estas palavras fizeram luz na minha cabeça.

Imperatriz Sissi said...

Conheço algumas que sofrem de uma insegurança doentia. É um horror.

Imperatriz Sissi said...

Obrigada :D

Imperatriz Sissi said...

As mulheres que suportam estes comportamentos (e os motivos dessas mulheres) davam um post. Quanto ao outro ponto, sei que a minha abordagem não é a mais comum nos dias que correm. Porém, embora eu não tenha nada contra a mulher dar um empurrãozinho na hora certa, o que vejo leva-me a pensar que o facto de as mulheres tomarem sempre a iniciativa sem rodeios torna os homens preguiçosos e as raparigas competitivas entre si. Além de o bicho homem ser muito dado ao complexo "tu começaste a relação, logo eu é que sou o prémio...atura-me as manias, se queres". Not my cup of tea, prefiro o romantismo de antigamente, mais em contacto com os instintos da natureza e a tradição, mas é uma opção individual. :)

Diligentia said...

E uma opção extremamente válida, atenção.
Apenas creio que os homens são preguiçosos e as mulheres competitivas 'per se' e não necessariamente porque a mulher toma o controlo da conquista e o homem nada faz.
Enfim, quantos posts poderíamos escrever sobre isto? :)

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