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Sunday, September 23, 2012

Malandrices que eles fazem #1: arranjar "pés" ou arrufo estratégico

"Ai é assim? Pois considero-me livre e desimpedido!" - "Olha-me este...em modo Zanga Estratégica. O que tu queres sei eu!"

É um facto da vida: a maioria dos homens tem o feio hábito de mentir e fazer malandrices que enervam as mulheres. No entanto, sendo menos habilidosos do que nós a concentrar-se em várias coisas ao mesmo tempo, não dominam tão bem as artes da astúcia e da manipulação - talvez porque as raparigas tiveram, durante séculos, um papel de bastidores que as obrigava a engendrar verdadeiras tácticas militares para vencer com subtileza.

 Enquanto eles caçavam, batalhavam e davam a cara na política o mulherio ficava em casa, com tempo de sobra para pensar e observar. Dito isto, se eles tinham a força, a impunidade para fazer "rapaziadas" e a basófia autorizada, também é verdade que não adquiriram grande habilidade para contar patranhas. As suas "técnicas", aos olhos de uma mulher sagaz, são bastante ingénuas e trapalhonas. Livros antigos como o Decameron provam que não raras vezes, o belo sexo levava a melhor. No fundo, eles são eternas crianças apanhadas com a mão no pote dos bombons, e chega a ser divertido assistir às trampolinices que tentam fazer passando por muito espertos.  Nem vale a pena uma mulher arreliar-se com tais criancices e conhecendo-as, atribui-lhes apenas a importância que merecem. Por isso, tentarei enumerar algumas de vez em quando aqui no Imperatriz Sissi. Sendo eu natural de uma cidade de estudantes e com uma avó que me ensinou tudo quanto havia para saber sobre os "galifões" locais, tive a oportunidade de estudar, de uma perspectiva antropológica, algumas dessas "tácticas de guerrilha" masculinas. Desculpem lá, queridos leitores, mas não resisto a descobrir-vos a careca. 

"Podemos ir para a pândega à vontade, minha linda, que já `arranjei pé´ para despachar a namorada!"


A primeira malandrice que vamos analisar é, precisamente, muito usada todos os anos, em época de Queima das Fitas - mas também se aplicava sempre que se aproximava a temporada de festas e bailes, e usa-se um pouco por todo planeta ainda hoje, creio. Calculo que tenha séculos, apesar da sua simplicidade: quando um rapaz era comprometido mas queria andar à sua vontade para conquistar raparigas de virtude fácil, ou namoriscar aqui e ali sem que a legítima tivesse que lhe apontar (e sem que o pai e irmãos da menina lhe dessem uma merecida tareia) tratava de se pôr maldisposto, peguilhento e embirrento, amuando por tudo e por nada. Para funcionar, era preciso começar a encenação a cerca de uma semana do início das festas. A minha avozinha chamava a isto "arranjar pés", ou seja, pretextos, para se zangar. Quando a rapariga perdia a paciência, ele tratava de dizer " você não gosta mas é de mim, só me trata mal, é melhor ir cada um para seu lado" e lá ficava livre durante uma ou duas semanas para "pular a cerca" sem culpas nem explicações.  Acabada a "silly season" só tinha de pôr fim ao Arrufo Estratégico e retomar o namoro. Dependendo do carácter da futura noiva, as técnicas para isso podiam ir dos pedidos de mil perdões às técnicas passivo -agressivas, do estilo "a culpa foi tua, zangaste-te comigo e por isso fiquei tão triste que andei na má vida. Se fiz loucuras de rapaz, é pelo amor que te tenho". E pronto, caso resolvido, pelo menos até a namorada abrir os olhos, ou ser avisada por amigas mais experientes. É uma estratégia velha como os montes, mas perdi a conta às vezes que a vi usada e comentada entre as amigas nos tempos de faculdade - e que a observo noutros contextos pouco ou nada estudantis. Se notarem o vosso mais-que-tudo lacónico e embirrento antes das férias, temporada de festas ou ida a qualquer sítio abundante em saias, desconfiem de um movimento de Arrufo Estratégico: aí anda perfídia, meu menino.
                                                    

4 comments:

S* said...

Não há pretexto para a cobardia e falta de respeito.

O Sexo e a Idade said...

Ahahahahahahahah
Conheço um ou dois blogues para onde devias exportar este texto!
Ahahahahahahahahah
A ver se abriam a pestana!

Imperatriz Sissi said...

Pretexto eles arranjam, se forem parvos. O que não pode haver é tolerância. "As pessoas onde acham mole, carregam" era outra coisa que a avó me dizia, e é bem verdade.

Imperatriz Sissi said...

Blogues de mulheres da luta ou de galifões? Venham eles! Há que espalhar a Boa Nova :D

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