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Friday, September 14, 2012

O carro à frente dos bois


Sempre me fez confusão ver pessoas a alardear projectos, novidades ou relacionamentos para quem quiser ouvir, muitas vezes quando a procissão ainda vai no adro - ou nem sequer está convocada, quanto mais. As supostas "celebridades" são useiras e vezeiras nisso, mas há muito anónimo que faz o mesmo. Ensinaram-me de pequena a ser cautelosa e máximas como "guarda o melhor para ti", "o segredo é a alma do negócio" ou "se estamos bem ou mal, ninguém tem nada com isso" eram escrupulosamente cumpridas lá em casa. Por isso aflige-me (ou provoca-me um sorriso de troça, conforme) quando vejo alguém a deitar foguetes antes da festa, ou pior, a fingir foguetes. É quase sempre um sinal certeiro de figura de urso a caminho. Ou chamar a má sorte, para quem acredita nisso. Em primeiro lugar, porque quem sente necessidade de publicitar cada passinho que dá ou cada progresso que faz, não está seguro da sua posição - está claramente a dar um passo maior do que a perna, a pisar areia movediça, a por o carro à frente dos bois. E porquê essa atitude de attention whore? Porque precisa de ganhar apoiantes, de marcar território, de "fazer ver", de atirar o barro à parede, de forçar a barra ou de fazer ferro a alguém. Como desprezo basófias, quem o faz está apresentado: é muito ingénuo, um (a) gabarolas sem remédio, está desesperado ou tem medo de alguma coisa e com certeza, não é uma pessoa de confiança. Em segundo, porque manda a etiqueta que em tudo, como nos nascimentos, não se anuncie nada antes de ter três meses de certezas, confirmações e carimbos. Isto recorda-me aquele provérbio árabe muito batido:

Não diga tudo o que sabes
Não faças tudo o que podes
Não acredite em tudo que ouves
Não gastes tudo o que tens
Porque:

Quem diz tudo o que sabe,
Quem faz tudo o que pode,
Quem acredita em tudo o que ouve,
Quem gasta tudo o que tem;

Muitas vezes diz o que não convém,
Faz o que não deve,
Julga o que não vê,
Gasta o que não pode.

6 comments:

Ao Virar da Esquina said...

Tb eu fui educada assim, principalmente no que diz respeito a relacionamentos e trabalho. Nada ase diz até estar tudo certo e tão seguro quanto for possivel.

Urso Misha said...

Os "socialités" figuram bem nessas personagens.
No dentista a ler uma revista e Isabel Figueira com 2 meses de namoro (2 meses), asparece nas revistas toda contente da vida, epah esta gente só viste disto, é muito triste.
Mas sim também à uns anónimos que desbroncam a sua vida toda, seja no FB, seja em encontros, mas pior é uma amiga vira e diz sempre:
"Não digas nada ao XXXX, mas isto e aquilo", normalmente é informação demais, demais mesmo, as pessoas têm desiquilibrios e não se controlam.

Imperatriz Sissi said...

Mas há quem prefira badalar, nem que se sujeite ao ridículo.

Imperatriz Sissi said...

Falta de equilíbrio mental é a palavra certa. É uma insegurança danada, uma vontade de se exibir...enfim.

Urso Misha said...

@É uma insegurança danada
Sem dúvida alguma, mas não junto esta à outra nalguns casos...

@uma vontade de se exibir
Um bocadinho de vaidade não faz mal nenhum (digo eu), agora o olhem para mim que sou o/a maior, enjoa-me.

Alexa ML said...

Durante os últimos meses tive alguns amigos chegados a tentar tirar nabos da púcara, a ver se eu lhes contava o que iria fazer da minha vida. E acabei contando, depois de ter a certeza que havia lugar para mim, que entrava para onde concorri. Antes disso para mim não fazia sentido abrir o véu, mas realmente há muito ser que atira tudo ao ar sem certezas de nada.
Eu sonho, bastante alto até, mas tenho por hábito guardar as coisas para mim até saber se vão para a frente ou não.
Antes isso que cair no ridículo. Mas é como dizes, parece que a insegurança é tal que precisam demasiado de atenção..

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