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Sunday, September 9, 2012

Sou uma blogger distraída, é o que é...


                                          
...ou isso, ou ninguém se dá ao trabalho de me contar os mexericos (o facto de eu dizer aqui a torto e a direito que não suporto mexericos talvez contribua para que eu tenha ficado a Leste do Paraíso, ora toma).  Pois só ontem é que - depois de ter começado a interrogar-me que diabos se passava na blogosfera, com toda  gente a queixar-se de anónimos loucos e de uns a ganharem protagonismo por falarem dos outros, e exposição da vida privada para cá e para lá, e de ter indagado junto de quem estava a par - percebi de onde vinha o sururu. Ler de relance os blogs que falam de crianças (porque nessa área, só sei inventar contos que elas muito amavelmente apreciam e já não é mau) e o facto de a minha blog list nunca funcionar como deve ser também deve ter contribuído para que eu pensasse "mas o apocalipse chegou à blogosfera e eu não soube, ou quê?". Estou mais aliviada por se tratar apenas de mais do mesmo, da velha discussão acerca do delicado equilíbrio relativo à exposição (ou não) de crianças e da vida privada na era das redes sociais. Pessoalmente, apesar de acreditar que deve haver a maior separação possível dos assuntos íntimos, mesmo num blog que não é anónimo como o meu, prefiro pensar que este mundo ainda é relativamente normal e que não está um pedófilo/tarado/psicopata a salivar em cada esquina. Sempre os houve (recordo-me de dois que todos os meus colegas evitavam à saída da escola) e duvido que se tenham reproduzido à doida só porque os media falam neles (embora ache negativa a exploração exagerada do assunto). Creio que apesar da necessidade de segurança, e de um controlo do que se divulga na internet, cabe a cada um manter uma atitude de não alimentar a paranóia colectiva. Quando trabalhava num jornal local, não imaginam como o pânico da pedofilia, com pais a não quererem que as crianças fossem fotografadas em eventos públicos, dificultava o nosso trabalho. Com pressa para cobrir a notícia seguinte, lá tínhamos de pedir às educadoras presentes que agrupassem os alunos que tinham autorização parental para aparecer nos retratos, não fosse um processo cair-nos em cima. Chegámos a ter uma reclamação porque uma criança foi fotografada de costas, ao longe, a andar de triciclo. Na minha modesta opinião, o mais importante é ensinar às crianças medidas de protecção, e cumpri-las nós próprios, porque não sei se é mais perigoso ter um retrato na internet ou simplesmente, sair do colégio ou ser visto em público, correndo o risco de ser seguido. É uma questão de cautela, de cuidado, e de ter um bom anjo da guarda. As crianças que ficaram infelizmente famosas por terem desaparecido não tinham perfil na internet, os pais não eram bloggers, muito menos famosos. Quem é cruel, perturbado, ou simplesmente estúpido arranja sempre meios  para atingir os outros. As "desculpas" que se lhes dá, os riscos que vale a pena correr, e até que ponto limitamos a nossa liberdade com medo de gente dessa são coisas que cabem ao juízo individual...

9 comments:

Jedi Master Atomic said...

Detesto quando me media se juntam para criar pânico nas pessoas. Não fazem um bom serviço dessa maneira.

Ilídia said...

Este texto poderia ter sido escrito por mim. Detesto fanatismos e é o que mais se vê por aí. Tenho um blogue, de vez em quando (pronto, muitas vezes) falo no meu filho e publico fotografias dele (sempre sem que se veja o rosto), mas já fui criticada por isso. Há quem ache que nem deveria mencionar o facto de ter filhos, o nome dele, etc. Assim sendo, deveria metê-lo numa redoma e dar-lhe aulas em casa. Parabéns pelo texto inteligente e sensato.
Um abraço,
Ilídia

Imperatriz Sissi said...

Muito obrigada, Ilídia. Os fanatismos, sejam quais forem, tiram-me do sério. Parece que andava tudo mal informado, a viver num mundo cor de rosa onde os tarados não existiam e que só com a mediatização circense de certos casos é que acordaram para a realidade. No melhor espírito "tudo ou nada" desataram a compensar as cautelas que não tinham antes, triplicando-as, exagerando-as...é sempre assim: tudo ou nada. Parecem os Marretas! Infelizmente, não há cuidados que cheguem para nos proteger da maldade e maluqueira alheia, como a de certos comentadores. A não ser que uma pessoa não blogue, não saia de casa e ande por aí com um saco preto na cabeça (e mesmo assim) arranjam sempre alguma coisa para atacar. Beijinho.

Imperatriz Sissi said...
This comment has been removed by the author.
Imperatriz Sissi said...

Jedi, cada vez ouço as notícias com um grão de sal maior. Essa foi uma das coisas que me chatearam no jornalismo de informação: mais do que informar importa o impacto, muitas vezes sem cautela quanto ao efeito que isso vai ter num público pouco exigente, sem espírito crítico e assarapantado, pronto a entrar em histeria por qualquer coisa...

A Bomboca Mais Gostosa said...

Nem mais. Excelente texto. Acho que há que ter equilíbrio em tudo, e cada um sabe a forma como se expõe, mas sei que todas as opiniões devem ser respeitadas.
E sim, seja o que for, já percebi que esses anónimos pegam por tudo. Mesmo com o saco na cabeça, como dizes.

Imperatriz Sissi said...

Obrigada, Bomboca. É a velha história do velho, do rapaz e do burro. Como dizem os chineses "onde há vontade de condenar, as provas aparecem". Why bother? Beijoca

Tamborim Zim said...

Bom, tenho de dizer q em relações a crimes como o da pedofilia, n considero absolutamente q se exagere ao falar do assunto. Pelo contrário, foi muito tempo em vergonhoso silêncio q ajudou a fomentar vidas duplas, indignidades e marcas q nunca, nada, ninguém, tempo algum vai sarar. Guerra a todos os abusadores, violadores e pedófilos. Nunca é demais.

*C*inderela said...

Ainda não entendi o alarido à volta deste assunto. Acho que cada um expõe aquilo que quer e bem entende. Se eu acho que às vezes é demasiada informação? Às vezes sim, sobretudo quando falam de terceiros e entrem na sua esfera privada, mas cada um sabe de si.

Bjokas

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