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Saturday, September 15, 2012

What men do: bad romance

                                     
Dizem que nós, mulheres, somos ardilosas e difíceis de entender. Em defesa das filhas de Eva, há que dizer que os homens fazem coisas bem estranhas e infantis, quando o ciúme e os mal entendidos levam a uma situação de bad romance:

"Desse dia em diante, fiz sofrer a Margarida uma perseguição de todos os instantes (...)  joguei, fiz enfim todas as loucuras (...)  Esta (Margarida) respondia com grande dignidade às ofensas que eu lhe fazia todos os dias. Mas parecia sofrer, porque, em toda a parte onde a encontrava, estava sempre a vê-la cada vez mais pálida, cada vez mais triste. O meu amor por ela, exaltado a tal ponto que parecia transformar-se em ódio, regozijava com o espectáculo dessa dor quotidiana. Muitas vezes, em várias circunstâncias em que fui duma crueldade infame, ergueu Margarida para mim olhares tão suplicantes, que me envergonhava do papel que representava, e estava quase a pedir-lhe perdão. Então as cartas anónimas tinham sucedido às impertinências directas, e não havia infâmias a que eu não incitasse (...) ou que eu próprio não contasse acerca de Margarida. Só um doido podia ter chegado àquele ponto. Achava-me na situação de um homem que, tendo-se embebedado com zurrapa, cai numa destas exaltações nervosas em que a mão é capaz de um crime sem o pensamento intervir. No meio de tudo isso, eu sofria verdadeiro martírio. A serenidade sem desdém, a dignidade sem desprezo, com que Margarida respondia aos meus ataques, e que aos meus próprios olhos a tornavam superior a mim, ainda mais me irritavam contra ela".


   Alexandre Dumas Filho, A Dama das Camélias


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