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Tuesday, October 30, 2012

E por que é Halloween...falemos de Lista Negra




Em Março passado, reproduzi aqui no IS uma frase que diz muito. "Do 

not think me the fool. You and I have 

unfinished affairs". 

Andava na primária quando uma amiga, que via demasiada televisão, se vira para outra e lhe grita "estás na minha lista negra!". Foi a primeira vez que ouvi falar em tal e pedi-lhe que me explicasse o que vinha a ser isso. Eu, que  tinha sido criada (oficialmente, pelo menos) nas ideias de perdoar 70 vezes 7, achei o conceito estranhíssimo, mas assaz interessante. Comentei o assunto em casa e disseram-me logo que tais pensamentos tão pouco cristãos não eram próprios de meninas pequenas mas apesar de reprovar a atitude da minha colega, tive de reconhecer que não lhe faltou um certo estilo (de mafiosa liliputiana, mas ainda assim, um certo estilo). Felizmente, o rancor passou-lhe depressa e nunca cheguei a ver as consequências para quem estava na famosa lista.  
                                                     
Ao longo do tempo, com muitas leituras, muita aprendizagem, algumas bofetadas da vida, muitas influências e correntes de pensamento diversas, fui-me debatendo entre as ideias " o Perdão liberta" e a Lei de Talião "olho por olho, dente por dente". Se nem o Velho e o Novo Testamento se entendem em relação à matéria, havia eu de ter certeza? O tema tem sido abordado aqui, em posts diferentes, porque me parece que pouca gente tem coragem para o tratar por tu. E concluí que o Perdão é lindo de dar, quando a pessoa está de facto arrependida e quer reparar o erro. Lá está, o Divino Redentor disse "vai, e não voltes a pecar" e não "repete lá a graça, que eu perdoo na mesma". Dizer "eu sou superior a isto, eu perdoo" a quem nem desculpa pediu não é ser magnânimo nem superior, é ter medo do confronto. Ou mentir estrategicamente para esperar a hora certa  de retaliar, mas isso isso já é outra coisa. Escrevi há tempos:

"E muitas das vezes, por muito bem que fique pregar, não se vence "matando por excesso de gentileza" com conversas olhos nos olhos,  bofetadas de luva brancasermões moralistas  e bonitinhos nem bons exemplos. A realpolitiks é um mal necessário. Para quem tem de facto maus fígados, atitudes magnânimas só servem de incentivo para continuar a escalada de agressões. Aos olhos de um predador - seja o bully da escola, o rival doido, o criminoso, o patrão sádico ou o patife empedernido - uma atitude "superior" de "nem mereces resposta" ou aparentemente passiva só tem um nome: convite. Vulgo, "sou um xoninhas. Uma vítima mesmo a jeito. Anda cá fazer-me pior, que eu deixo". 
Como ouvi a um padre, quem dá sempre a face acaba com um torcicolo! Jesus mandou voltar a outra face, mas   não disse quantas vezes!"


A fronteira entre justiça e vingança é ténue, por vezes. De qualquer modo, acredito firmemente no acto pedagógico de "dar uma lição", de repor o equilíbrio das coisas. Não esquecer não significa consumir-se de ódio, dedicar a vida a congeminar a ruína do inimigo ao melhor estilo Conde de Monte Cristo. Pode perfeitamente arrumar-se o caso numa gavetinha até que as circunstâncias se proporcionem ou que a Justiça Divina actue, e seguir alegre e serenamente. Por vezes é doloroso que quem faz maldades passe temporariamente impune, mas há ocasiões para tudo, e nunca se ouviu falar que este prato seja saboroso servido quente. Isto para dizer que era engraçado, já que fazem Moleskines para tudo, criarem um Livrinho Preto para "assuntos inacabados". Era um presente giro para o Halloween - serviria para registar o assunto e seguir adiante, pois o Ano Novo Celta é a altura ideal para nos livrarmos do que não interessa. Para desabafar e pensar no assunto mais tarde. Falando em bom bruxês, já que a época o permite, os piores "bruxedos" nem sempre fazem cair o cabelo, ou coisas tão evidentes, à filme. Sejamos espectaculares só quando não há outro remédio. O tio Maquiavel disse "as armas devem ser usadas em última instância, onde e quando os outros meios não bastem" e " a retaliação  deve ser de tal ordem que não se tema a vingança".  Tudo a seu tempo. 


7 comments:

Maria Pitufa said...

Eu acho que uma pessoa quando fica magoada não consegue logo perdoar!Mas com o tempo é possível, sendo certo que eu acredito que perdoar não é esquecer! Também acredito vivamente que depois de realmente perdoar não lugar a vingança...agora se uma pessoa diz que perdoa, mas pensa em vinganças... então não perdoou!

Ray* said...

Sissi, ola ;)

adorei este post! (podemos tratar-nos por tu? eu faço questão que o faças comigo, mas se não me permitires fazê-lo contigo, avisa-me já e corta-me as vazas sff!)

acho que lista negra não tenho, mas tenho tentado com que não me pisem os calos... ou se mos pisarem, tenho conseguido encontrar a cura perfeita, pois não me fico a queixar deles durante muito tempo! ahah

Quanto ao perdoar, não consigo ficar chateada durante muito tempo. E se ficar, não tenho desejo de exigir vingança.

deixa-me dizer-te que adorei o moleskine ali ^_^ sou doida por moleskines!

O post de que te falei - sobre respeito no blogue - já está online!
e aproveito para te convidar a leres o meu post sobre os moleskines, aqui: http://desejosdealma.blogspot.pt/2012/10/devaneios-porque-moleskine.html

um beijinho*
Ray*

Imperatriz Sissi said...

O perdão vem sempre acompanhado de serenidade em relação ao assunto. Mas também depende da atitude de quem agiu mal...se mostra arrependimento e vontade de se corrigir ou não. Por vezes dar o troco é meio caminho andado para esquecer o assunto.

Imperatriz Sissi said...

Obrigada! Claro que me podes tratar por tu ;) Uso indiferentemente o tu ou você, por vezes de forma igualmente carinhosa.
Vou espreitar o post.
Beijinho:***

Tamborim Zim said...

Apre Sissi, estais inclemente com a pena! Outro maravilhoso post. É isso MESMO. Falo contra mim - consumo-me demasiado, com pouquíssimo proveito. Agir com arte política (termos estranhos se conjugados!)pode dar-nos realmente mais estímulo, e melhores resultados. Mas tb é essencial, por vezes, arriscar forte e feio. Equilíbrio difícil.

Imperatriz Sissi said...

Obrigada, Tamborinzinha da minha alma! Eu diria que é uma questão de subtileza + sentido de oportunidade. O momento certo para atirar o bofetão certeiro nunca falha. É matemático. E confesso me diverte ver a malfeitoria para aí descansadinha, sem saber que tem a espada de Dâmocles sobre a cabeçona...

Imperatriz Sissi said...

"Confesso que", aliás. Beijoca.

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