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Saturday, October 27, 2012

Laranjinha Mecânica: 50 anos


"I was cured all right"

 Alex The Large, o Psicopata Mais Adorável da ficção (queira desculpar, Hannibal Lecter; continua a deter o título de Mais Encantador, mas o Mais Adorável é o Alex) está um respeitável senhor de meia idade: o romance de John Anthony Burgess, que deu origem ao filme de Stanley Kubrick, faz 50 anos. Laranja Mecânica é um dos meus filmes preferidos. O decor louco, o excelente argumento adaptado, a fotografia, as falas inesquecíveis, a interpretação do angelical Malcolm McDowell e o facto de mexer com a cabeça do espectador, levando-o a simpatizar com o "pobre menino" apesar das suas maldades tornam-no uma obra incontornável. O visual do gang liderado por este enfant terrible na versão cinematográfica também é inesquecível (e uma inspiração clássica para máscaras de Halloween, já que estamos em época disso). 
Alex tem consciência, intelectualmente falando, de que os seus actos são reprováveis. Reconhece que se todos fossem como ele, não se podia viver em sociedade. É culto, educadinho e amável com quase todos e quando o tentam reformar, não acha má ideia; apenas considera que as suas tendências são outras. Comete crimes como uma cerejeira dá cerejas; é a sua natureza, mas torna-se inevitável esperar que se regenere. Debalde - apesar dos tratamentos terríveis que lhe são impostos, o nosso (anti) herói (que acaba por ter um final feliz...para ele, pelo menos) volta gradualmente aos velhos hábitos, numa posição bem mais perigosa: empregado pelo governo e considerado pela mesma sociedade que brutalizou alegremente. O ar amoroso e a excelente interpretação de Malcolm McDowell contribuíram largamente para o êxito (e controvérsia) do filme de 1971, mas a polémica gerada - e a participação no escandaloso Calígula - prejudicaram a sua carreira, condenando-o a interpretar vilões com carinha de anjo, muitas vezes em produções indignas do seu talento. Felizmente, nos últimos tempos temo-lo visto em séries de renome: mais velho, mas sempre com um certo ar mefistofélico e malandreco que não consegue evitar. Cada qual é para o que nasce...






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