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Sunday, October 21, 2012

Marie Antoinette regressa às telas

                               
Há dias partilhei convosco via Facebook a notícia dos sapatinhos de Maria Antonieta, uma das mais brilhantes it girls que a História já viu, vendidos por uma soma que faria corar a própria princesa austríaca que perdeu a linda cabeça em França. E é claro que estou ansiosa por ver Farewell My Queen, o mais recente filme que retrata esta figura incontornável. 

É impossível gostar de História, gostar de Moda e principalmente, gostar de História da Moda e ficar indiferente a esta Rainha trágica. Desde a escola primária que sou fascinada por ela. Curiosamente, essa simpatia foi desencadeada por um relato detalhado e arrepiante dos seus últimos momentos, que li por essa altura (lia imensas coisas impróprias para crianças, o que foi óptimo para a minha imaginação e teve como resultado não ter medo de praticamente nada). O seu lado hedonista, o seu apelo estético, só me conquistariam um pouco mais tarde. Tivesse Maria Antonieta vivido uma existência longa e feliz, seria somente um ícone de moda: uma princesa bonita e frívola, produto do seu meio e do seu tempo. Foi a tragédia (e sobretudo, a forma corajosa e serena como a enfrentou) que lhe conferiu dimensão e que mostrou, na realidade, quem ela era. Uma Rainha sabe morrer - e Maria Antonieta, nos seus momentos derradeiros, deixou isso muito claro. 
É com o seu vestido puído e sem cor, o cabelo cortado à navalhada e a morte certa perante os olhos que enfrenta os seus algozes e que atravessa a multidão sedenta de sangue com uma dignidade impressionante. É aí que vemos a força da  mãe, da esposa (o casamento com Luís XVI, se era imperfeito em tudo o resto, foi pautado pelo respeito e afeição mútuos) e da soberana - que foi, embora tarde demais. 
 A maioria das produções sobre a Rainha, ou sobre a Revolução Francesa, falha precisamente nesse aspecto. E Farewell My Queen (Les adiex à la reine), de Benoît Jacquot, parece cair no mesmo erro, dando corpo às horrendas calúnias de que "a austríaca" foi vítima. 
Teve erros, alguns por cabeça leve, outros fruto do ambiente em que viveu. Porém, concretizar na tela o rumor do affair entre Marie Antoinette e a Duquesa de Polignac parece-me esticar demasiado a corda. Madame de Polignac poderá não ter sido  a mais ajuizada das companhias - ao contrário da pobre Princesa de Lamballe, que pagou de forma horrenda a sua fidelidade. Mas orientar todo um enredo em torno de um mexerico maldoso retira seriedade a uma película que à primeira vista, me parece soberba. Tão pouco a Revolução Francesa, com tudo o que teve de erros, de violência e de injustiças, pode ser pintada a preto e branco, ou justificada pelo argumento pueril " a corte era um antro de perdição, os aristocratas eram a peste e o povo era esfaimado, puro e fofinho". Ainda assim, tenciono abstrair-me de questões de perspectiva (o autor lá conhece os seus devaneios) e apreciar Farewell My Queen por aquilo que me parece ser: um filme lindíssimo, com um belo guarda roupa e uma Diane Kruger que aparenta ser uma excelente escolha para o papel. O resto ... brioches.













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