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Monday, October 29, 2012

Meio termo, consenso, "nim" e outros males

                               
Em muitas áreas da vida - do amor aos negócios - somos às vezes empurrados para situações de compromisso, consenso ou meio termo, em que ambas as partes têm de ceder por um bem maior. Em alguns casos esse "meio caminho" é uma boa solução, que pode levar a que uma relação (pessoal ou profissional) ou uma negociação se intensifiquem, floresçam e avancem gradualmente. Consegue-se um ponto de equilíbrio, normalmente temporário, vulgo "mais vale um pássaro na mão do que dois a voar" que é uma porta aberta para outros progressos. É o caso de vender uma casa com desconto considerável para realizar dinheiro rapidamente e aproveitar outro negócio que surgiu; de aceitar trabalho freelance numa empresa que se gostaria de integrar a tempo inteiro; ou de um casal que, após uma separação terrível, consegue voltar a conversar e a trabalhar, aos poucos, para uma possível reconciliação. Não é o que gostaríamos que fosse (a melhor oferta, um contrato fantástico ou um relacionamento perfeito) mas é um começo. Estas situações acontecem bastante quando não nos convém, por qualquer motivo, fechar portas com um "não" ou um "tudo ou nada", ganhar a inimizade ou má vontade da pessoa/organização em causa. Por vezes, a tolerância e perseverança compensam. 
   Noutros casos porém, só um dos envolvidos sai contente: afinal, obtém o que quer (parcialmente, pelo menos) com um esforço ou investimento muito reduzido. Nesses, para quem cede mais a "meia vitória" tem o sabor amargo de um "nim", de um impasse por tempo indeterminado, de trabalhar para aquecer ou de rendição. É preciso atenção para avaliar quando "mais vale um pássaro na mão do que dois a voar", "o que vem à rede é peixe" ou, pelo contrário, o consenso, a cedência e o compromisso não vão trazer nada além de aborrecimentos. Quando assim é, mais vale dar a "negociação" por terminada e passar a outra coisa. Por vezes, vender-se barato, ou ceder a quem nos dá muito pouco em troca, não nos granjeia respeito - pelo contrário, impede que os outros nos valorizem como deveriam. Em certas ocasiões, é mais sábio optar pela cartada alta, empregar a estratégia "ou César ou nada" do que contentar-se com prémios de consolação. Se correr bem, maravilhoso; se der para o torto, há mais marés que marinheiros. Assim como assim, quem não está disposto a retribuir o nosso tempo, atenção ou dedicação não é um contacto profissional valioso, nem um afecto importante, nem faz falta na nossa vida. É uma questão de coragem, de golpe de vista, e de não ter medo do confronto. Há muita verdade no clichê "se não apontares para o céu, nunca chegarás ao tecto". Atrevamo-nos a exigir o melhor para nós. 


6 comments:

Luiz Alfredo said...

Passei aqui minha imperatriz
para beber de vossa vasta
literatura, conhecimento e
ensinamentos
saiba que sempre ando aqui
e continue praticando
teus escritos
são envolventes e pedagógicos

seja mui feliz
minha bela imperatriz

Luiz Alfredo - poeta

Tamborim Zim said...

Brilhante post! Reluzente, Sissi. Em cheio nesta minha fase, e com tudo o que acredito. Normalmente sou, porém, tentada à não cedência quando esta implica aquele ressabiamentozinho íntimo, aquela discordância relativamente ao q se preza. Muito muito bom!

Just José said...

É verdade Sissi, temos de ser ambiciosos e radicais em defesa dos nossos sonhos e objetivos. E acreditar que podemos ser tão ou mais fantásticos do que a mais fantástica pessoa que alguma vez pisou o Planeta Terra. Porque afinal todos os que pisaram este belo Planeta nasceram e morreram, foram seres humanos como nós, não foram deuses. César era um simples homem que precisava de comer e dormir, Cleópatra uma simples mulher que tinha as suas menstruações. Nada de metafísico. Não pediram para nascer e acabaram por morrer.

Mas por vezes têm de se fazer compromissos em determinados períodos da vida e o Destino tem twists and turns imprevisíveis. Por exemplo Einstein trabalhava como escriturário num obscuro escritório de patentes em Berna, emprego que conseguiu por "cunha" em 1902 depois de estar desempregado e ter tentado empregos que não conseguiu manter. O pai estava falido e Einstein não tinha dinheiro para casar com a namorada. Estávamso em 1902... em 1905 publicou 4 artigos numa revista de Física que mudaram o mundo. Outro exemplo: Freud passou toda a sua vida com dificuldades financeiras, precisando do apoio financeiro de amigos. Lá está, para serem "Césares" tiveram de sofrer as "passas do Algarve".

P.S.: Sabes, a tua foto fez-me lembrar as montras do BPI, que ficariam tão bem com umas pedradas radicais:
http://aventar.eu/2012/10/30/fernando-ulrico-quer-mais-austeridad/

Imperatriz Sissi said...

Fico sempre sem saber como agradecer as palavras bonitas do Luiz...peço-lhe que continue a visitar-me, outro tanto farei eu no seu recanto. Beijinhos.

Imperatriz Sissi said...

Grazie! Veio no seguimento de algumas conversas e raciocínios esta semana. Queria ter essa capacidade para saber exactamente o momento de não ceder. Já o yenho dito; o meu instinto avisa-me sempre mas nem sempre "apita" tão alto a pontos de eu não suportar a barulheira e cortar logo com a situação. Tenho de reprogramar o alarme interior. Felizmente quando corto é de vez, mesmo "ou César ou nada". Bjinho.

Imperatriz Sissi said...

Sim, por vezes há planaltos, situações que servem de trampolim para outras melhores. É o meio termo ou cedência boa, ou aquelas fases da vida em que não percebemos porque estamos ali "presos" mas depois levam a ocasiões que parecem definir o nosso destino. Aqui, no entanto, falo daquelas que não nos fazem evoluir, onde cedemos para servir a outrém, recebendo pouco ou nada em troca.

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