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Friday, October 12, 2012

Retrato de uma adúltera: a it girl crioula que conquistou Paris


Lembram-se de ter falado nos maravilhosos decotes de ombro-a-ombro da Belle Époque? Eis um dos seus mais belos exemplares, e a prova de que a elegância é intemporal: o vestido no Retrato de Madame X  podia perfeitamente brilhar em qualquer red carpet dos nossos dias.  Porém, quando  foi exposto no Salão de Paris em 1884 o Retrato de Madame X, de John Singer Sargent, causou um escândalo  e acabou de arruinar a já frágil reputação da socialite Virginie Amélie Avegno Gautreau - o protótipo supremo da parisienne sofisticada. Ela era uma beleza profissional (leia-se, uma mulher que usa os seus dotes para triunfar em sociedade) americana, mais concretamente de Nova Orleães - e toda a gente sabe o fatal encanto que se atribui às french creoulesTinha sangue italiano pelo lado paterno; por via materna, descendia de aristocratas franceses. Cresceu numa típica plantação sulista, a Parlange Plantation. Com a Guerra Civil Americana e a morte do pai, a mãe de Virginie levou-a para Paris, onde foi educada e apresentada à sociedade.Uma southern belle com o porte e a astúcia das meninas de boas famílias sulistas não podia deixar de perturbar Paris.  As feições delicadas, a pele alvíssima (que ela realçava com pó de lavanda) e a figura de ampulheta rapidamente a tornaram célebre. Aplicar henna no cabelo e nas sobrancelhas  era outro dos seus segredos de beleza. Os admiradores rodeavam-na, as homenagens sucediam-se: a beleza estranha, elegância e estilo de Virginie fascinavam os salões.
   Casou com Pierre Gautreau, banqueiro e magnata, mas nunca lhe foi fiel. Muito dada a aventuras adúlteras, comentadas à boca pequena nos salões parisienses, as suas indiscrições eram toleradas -  como era de rigueur naquele meio e naquele tempo. Mas a sociedade, que lhe perdoava os desvarios e os modos um tanto estouvados, não perdoou à beldade ter-se deixado pintar - uma senhora de sociedade não devia servir de modelo - muito menos tão decotada (as alças de brilhantes foram acrescentadas ao vestido após a exposição pública do quadro) e numa pose assaz sugestiva para os padrões daquele tempo. O escândalo provocado pelo retrato acendeu o rastilho dos mexericos que já a rodeavam e o bom nome de Virginie não recuperaria do golpe. Mas ela encolheu os lindos ombros e não quis saber: posaria para outros dois retratos. Um deles, de Antonio de La Gandara, era mais conservador e por isso, foi bem acolhido. Mas foi com o nome da obra de Sargent que Virginie passou à história: Madame X.
File:Antoniodelagandara- Madame Pierre Gautreau 1898.jpg
Madame Pierre Gautreau, Antonio de La Gandara, 1898
                                                       

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