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Friday, December 28, 2012

Balanço do Ano: muralhas de prata

                                       
                               
                                       
O ano está quase a ir embora e como de costume, nesta altura fico com um certo nervoso miudinho. Há sempre aquela sensação estranha de deixar uma coisa para iniciar outra (embora, se considerarmos o calendário celta, o Novo Ano já tenha começado a 1 de Novembro... o que aligeira consideravelmente a responsabilidade imposta pelo Reveillon). 2011 foi, como escrevi na altura, um ano iniciático. Abriu-me os olhos e obrigou-me a levantar a espada e o escudo, pois vi lados da vida - e das pessoas - que nunca julguei que existissem. Jamais me considerei ingénua, mas a minha serenidade, o "deixai ir, deixai passar" e o "não aborreças ninguém e ninguém se mete contigo" que tinham sido até então boas linhas de orientação, permitiram que baixasse - demasiado - a guarda. E num tempo record, ainda aturdida pela chuva de flechas que parecia vir de todas as direcções, precisei de me pôr de pé, de gritar "lutaremos à sombra", de conduzir o exército para fora dali com um mínimo de baixas e de procurar refúgio para começar de novo. 2012 foi o tempo de encontrar uma fortaleza, com as ameias um pouco amachucadas ainda, e de estabelecer ali um quartel-general: começar a cura, receber boas novas, arar campos, plantar sementes, reconstruir (parcialmente, pelo menos) estruturas, criar fundações mínimas para criar coisas novas e recomeçar outras. Sobretudo, foi um ano para análise: algumas das estratégias do ano anterior já não se aplicavam. Percebi que nem o mais exímio dos guerreiros pode andar constantemente em guarda, só porque há sempre nações inimigas prontas a invadir e roubar o que lhe pertence. O mundo é louco, mas nós não temos de enlouquecer com ele: há que atacar ou contra atacar quantas vezes for preciso, mas a pureza interior, se é condição para estar vulnerável a investidas, também não pode ser descartada, por mais explosões que haja lá fora. A destruição que os outros provocam no seu próprio território basta a si mesma, não é possível controlar tudo. Temos de ser quem somos - mais fortes, mais atentos, mais ágeis é certo - mas manter a fé em nós mesmos, nos aliados fiéis, por poucos que sejam, e na sabedoria divina que nos orienta, cuida de nós e nos ajuda a triunfar na adversidade ou no nevoeiro. E houve alguma nebulosidade este ano, intercalada com momentos luminosos. Algumas das coisas que construí ganharam asas; outras estruturas provaram ter os alicerces demasiado afectados para que eu as possa reerguer sozinha. Certas coisas não dependem de nós e não vale a pena uma pessoa afligir-se por causa disso; há aspectos que só os Deuses, Todo Poderosos, vendo perto e longe no cosmos e no coração dos homens, podem resolver. Eles, o Tempo...e aqueles que connosco carregaram as pedras, e que podem querer continuar o processo ou não. Um dos sinais de evolução espiritual é precisamente não as prender, teimosa e egoistamente. Há que saber deixar ir: o que voltar estava no nosso caminho.  No todo foi um ano tranquilo, com a serenidade e poder de decisão que para mim, são as maiores bênçãos. O que deixo para trás, é por escolha própria e consciente. Estou grata por todas as alegrias, por todos os êxitos, pelos pequenos começos, pelo quartel general. Deixo que a Luz brilhe sobre aquilo que de facto me foi dado, e sobre as Torres de mármore branco da minha cidade. Pequenina, mas bonita e em expansão. Com bandeiras e estandartes coloridos, ondulando conforme o vento que vier das montanhas e do mar adiante, cristais nas janelas para apanhar a luz do sol e das estrelas, e grandes florestas à volta. Há que olhar para a frente com  esperança, pois quem semeia trigo e rosas não pode de modo algum colher cardos....e vice versa, o que só nos deixa com uma certeza tranquila: what goes up, must come down. O que traz consigo no regresso à Terra depende de cada um - não podemos controlar a colheita nem o clima, mas a sementeira é sempre da nossa responsabilidade. E quanto a isso, estou tranquila comigo e com o pelotão. Acima de tudo, há que estar resguardado - mas com passagens secretas para as coisas boas, que o armamento não é tudo. E com um mapa: porque o mais complicado, antes de mais nada, é saber exactamente o que queremos e para onde desejamos ir, iluminados pelos astros. Godspeed.

3 comments:

Maria Pitufa said...

Adorei a forma como conseguiste criar aqui um mini romance histórico! Que 2013 te traga coisas boas e que uses muito as passagens secretas de coisas boas!

Tamborim Zim said...

Imperatrix dixit, e reluzentemente!

Imperatriz Sissi said...

@Maria Pitufa, muito obrigada :D Entusiasmei-me com a ideia do exército, I guess...que as passagens secretas para tudo de bom estejam abertas para ti, e que as tuas muralhas sejam firmes e acolhedoras! Beijinho.

@Tamborim, muchas gracias. Um grande beijinho.

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