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Thursday, December 27, 2012

Cheaters: trash TV versus vida real

                                          
O canal CBS Reality, não sei se já espreitaram, tem alguns programas interessantes sobre ciência forense, genealogia e locais assombrados. Depois há o reverso da medalha, como as séries sobre médiuns que (devidamente equipados com o kit completo de caça-fantasmas) vão investigar casas atacadas por poltergeists ou almas penadas de serial killersarregalam os olhos, afirmam "ai que ele está aqui, ai que eu estou todo arrepiado", juram aos pés juntos "o espectro do Ted Bundy puxou-me o cabelo" mas nunca provam rigorosamente nada porque os fantasmas, como quaisquer membros da sua classe que se prezem, só aparecem quando não há câmaras por perto - ou pelo menos, quando não estão devidamente prevenidos pelo escarcéu que estes "profissionais do outro mundo" fazem na sua "pesquisa". Fosse eu fantasma (cruzes) e também me escondia...isto se não adormecesse, porque além de pobre, o formato é aborrecido de morte.
                                   
 Mas o piorzinho dos seus programas, tão mau que ainda não decidi se supera a Casa dos Segredos no top do trash TV ou se andam empatados, tem de ser Cheaters - espécie de agência de detectives dos classificados Correio da Manhã, investigamos (nada) discreta e honestamente casos de infidelidade conjugal, versão reality show. O modelo é simples: amantes ou esposos desconfiados (todos com o pior e mais carenciado ar possível, comme il faut) recorrem à "agência" para comprovar as suas suspeitas. Digo comprovar porque do pouco que vi - com a mesma curiosidade mesclada de horror que se tem por qualquer visão assustadora  - nunca houve um "suspeito" que passasse o teste.
 Esta pérola é apresentada por um autêntico malandro com cara de fuinha e aspecto de cangalheiro misturado com vendedor agressivo de colchões ortopédicos, que faz um ar compungido mas está claramente mortinho por atirar achas para a fogueira. Encenado ou não, parece que já foi apunhalado no cumprimento das suas "funções", por alguém que lhe quis ensinar a não meter o nariz onde não era chamado...
 O que mais me intriga, no entanto (ainda que as histórias sejam criadas por guionistas) é o discurso dos supostos enganados: homens ou mulheres, a conversa é a mesma.

" Já não me liga... não é a primeira vez que o (a) apanho...passa as noites todas fora e gasta-me o dinheiro todo...vem para casa a cheirar a perfume alheio...apanhei-lhe mensagens da Maria ou do Manel... ainda por cima não me trata bem e dá -me tareia...mas quero salvar o meu casamento" blá blá blá, por aí fora.

O caricato é que já ouvi muita conversa desta na vida real, e que não vinha de pessoas com mau aspecto como os integrantes do programa. Se faz quá quá como um pato, anda como um pato e nada como um pato, provavelmente é um pato. Uma pessoa que trata mal, não presta para coisa nenhuma, já deu provas de não ser de fiar e só falta comprovar se ainda por cima é infiel, não é "tesouro" que valha a pena guardar. E no fim - quer na TV, quer realidade -  ainda há os que dão ao traidor(a)-apanhado(a)- com -a-boca-na-botija a hipótese de escolher "ou eu ou ela (e)", como se isso fosse hipótese em cima da mesa numa situação dessas. Viva o luxo, e a vocação de muito boa gente para tapete, ou para salvar o que não tem salvação possível. 
Precisam de quê? De um desenho? Ou do golpe de misericórdia para caírem na realidade?  De ir ao fundo da questão - chamando um detective, ou por conta própria, fazendo em todo o caso figura de urso - só para ter uma certeza que a lógica confere sem muito trabalho? Palavra que não percebo a paciência (ou o medo da mudança, ou a fé cega) de certas almas...





4 comments:

Colour my life said...

A tuas questões são pertinentes, mas as coisas, embora se possa ser levado na certeza de que são brancas ou pretas, têm muitas outras cores. E cada caso é um caso. Que há gente que não merece nem a bateria do nosso telemóvel, isso é verdade. Mas que, muitas vezes, vêmo-nos seduzidos, nem que temporariamente por essas alminhas, também é verdade. A propósito, lembrei-me de um moço, de muito reles personalidade e de figurinha ordinarota, por quem me engracei há uns tempos. Hoje, quando penso no sujeito, envergonho-me. Tive, felizmente, o discernimento, de cagar para o indivíduo e de já muito raramente me lembrar de tal alma. Mas falo de relações de semanas. As coisas mudam um bocadinho quando há toda uma vida juntos. O segredo é entendermos a natureza da pessoa antes de colocarmos o pé na argola.

lena said...

Já vi um programa parecido ao cheaters mas noutro canal e foi mesmo muito mau nunca mais vi.
Beijinhos grandes

Imperatriz Sissi said...

Por vezes é verdade que uma pessoa se vê enredada por outra, de tal maneira que já nem distingue onde está o ar e o chão, e acaba por cair em disparates que no seu perfeito juízo acharia inadmissíveis. A minha questão é sobretudo quando, com tantos sinais de alarme, as pessoas precisarem, como de pão para a boca, de saber se o outro trai ou não - quando no meio de tantos desastres e faltas de respeito com direito a bilhete só de ida, isso é apenas a cereja venenosa em cima do bolo...

Imperatriz Sissi said...

E havia um qualquer por cá, um pouco diferente, apresentado em brasileiro, que era o fim e o degredo...há sempre quem goste de rir com as desgraças e a degradação alheia que vão por aí. Beijinhos.

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