Recomenda-se:

Netscope

Sunday, December 30, 2012

O terceiro marido de Caterina Sforza



Já não é a primeira vez que aqui menciono Caterina Sforza, virago crudelissima, como lhe chamava o seu inimigo-jurado-amante - com-toques-de-amor/ódio - o grande e belo César Bórgia - a tigressa de Forli, uma das mulheres mais ambíguas e fascinantes do Renascimento italiano, para dizer o mínimo. Nas palavras da própria senhora, "se a minha vida desse um livro, chocaria o mundo", logo um post sobre a sua vida será demanda para o ano que vem. São muitas as aventuras e peripécias intrincadas, que não se contam em meia dúzia de linhas. Para hoje, importa lembrar que ela era lindíssima, muito bem nascida para o meio em que se movia, rica e poderosa. E que apesar de feminina, vaidosa e orgulhosa da sua beleza (como podem ver no retrato acima) a armadura e a espada eram os seus "acessórios de moda" preferidos.

File:Sandro Botticelli 039.jpg
Caterina Sforza, à direita, como uma das três graças de Botticelli         
          Caterina orgulhava-se da tradição da sua família nas armas, e fazia por honrá-la pessoalmente. Tinha também um sex appeal irresistível, que usava em proveito próprio. Embora vivendo numa época e estrutura social de relativa descontracção no que respeita às questões amorosas (muitas mulheres do seu meio, como Sancia de Aragão, coleccionavam amantes perante a "vista grossa" das cortes e clãs) a Condessa de Forli era menos subtil e manhosa nesses aspectos - dona do seu destino, dirigindo o poderio familiar, apenas questões políticas a faziam retrair-se no que respeitava a amar quem bem entendesse, ou obrigá-la a dissimular os seus romances. Foi o caso do seu terceiro marido, Giovanni 
de´Medici il Popolano. Giovanni conheceu Caterina numa visita para a homenagear enquanto embaixador da República de Florença. Ficaram alojados em aposentos contíguos  e duas pessoas de tão sedutora presença não podiam ficar indiferentes uma à outra. 
         
 A paixão foi rápida e fulminante: dizia-se à boca pequena que passaram a viver em pecado pouco depois, para gáudio dos seus inimigos e escândalo geral. O casamento entre membros de duas famílias poderosíssimas causaria medo e desconforto - entre outras manobras delicadas, temia-se a guerra entre Veneza e Florença-  por isso a união formal teve lugar rápida e secretamente, em Setembro de 1497. O sigilo só foi quebrado a instâncias do tio de Caterina, Ludovico o Mouro, Duque de Milão. Um ano mais tarde Caterina teve um filho do seu amado: Ludovico, que ficaria conhecido como Giovanni dalle Bande Nere. Mas a felicidade durou pouco: o formoso Giovanni adoeceu no campo de batalha e morreu pouco depois, com apenas 31 anos, deixando Caterina sozinha para enfrentar os poderosos Bórgia. Pessoalmente, eu gostaria que César e Caterina tivessem ficado juntos, pois eram almas irmãs - exímios estrategas e guerreiros, belos e cruéis, geniais e intempestivos, semelhantes o suficiente para se refrearem um ao outro. Porém as circunstâncias, o destino, e essa mesma semelhança - que em demasia, é explosiva - ditaram uma sentença diferente. Mas também isso, é história para outro dia...

4 comments:

Urso Misha said...

uma excelente história sem duvida, pena não ter tido continuação, ficaria para a história.
À um excelente episodio dos Borgia que retrata este epiosódio.

Imperatriz Sissi said...

Tenho mesmo de ver essa série com mais atenção, apesar dos disparates e erros de casting que me fizeram murchar o entusiasmo...

Urso Misha said...

é uma boa série, mas isto do histórico tem muito que se lhe diga... basta ver o boardwalk empire para desaprender...
passando-se à 500 anos, à sempre uns fluffs esquisitos que os directores dão. também à uns esquecimentos históricos valentes ou que o produtor não pós ou não quis por, mas vê

Leandra Guerra said...

Lindos e sexys só na série. Na vida real, nessa época todos eram fedorentos.

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...