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Tuesday, December 11, 2012

Os Deuses Lares

                         
Uma casa sem lareira parece-me sempre menos "lar". Não tem a mesma graça, talvez por ter sido habituada desde pequena a casas com pelo menos uma. A própria palavra está associada aos Lares, Deuses domésticos romanos, ligados ao fogo sagrado de Vesta - mantido aceso dia e noite pelas damas romanas e alvo de culto diário. Simbolizados pelas chamas sempre acesas, protegiam a prosperidade e segurança da casa e dos seus habitantes (nessa tarefa eram ajudados pelos penates, génios bons dos antepassados, cujo nome advém de penus, "despensa") . Nenhum artifício moderno pode substituir a magia das labaredas, nem o conforto que o "coração da casa" oferece. A lareira reúne, aconchega, convida, obriga-nos a alimentá-la, a ir buscar lenha para a manter acesa, a agitar as brasas para que não se apague. O ar condicionado ou o aquecedor, para lá ficam a fazer o seu papel. E nunca terão o encanto do cheiro a mato e resina queimada. Não há nada tão relaxante como tomar uma bebida junto à lareira.  E o jeito que dá para queimar velas sem risco de incêndio? Mesmo que hoje já não se cozinhe ou seque a roupa perto do fogo como antigamente  é impossível não reparar nela. Há dias, estive num espaço pitoresco, que tinha um enorme borralho, a antiga lareira portuguesa que vai do tecto até ao chão, numa "cozinha de lume" aberta, junto a um pátio interior. Um encanto. Um velhote simpático, com os seus 100 anos ou perto disso, estava sentado num banquinho, entretido a descascar batatas. Emocionei-me que eu sei lá ao recordar as lareiras dos meus avós, no campo. " Sissi, não mexas nas brasas! Deixa o caldeirão! Larga a tenaz! " avisava a minha bisavó, e eu fazia orelhas moucas, a atirar castanhas, cascas e tudo o que estava à mão para as chamas, que sempre tive um fraquinho pela tenaz, essa engenhoca que dava para brincar com o fogo sem me queimar. Vivo no campo e tenho lareira, mas não há borralho nem avó para ralhar comigo. E com isto, é a primeira vez que me comovo a sério a escrever um post - alguma vez tinha de ser a primeira - e já adicionei um item à minha wish list: casa no campo com borralho, pátio interior e tenazes. Se isto não são os Lares e os Penates a fazer das suas, não sei o que é...

12 comments:

Ao Virar da Esquina said...

Eu também gosto muito de lareiras. Adoro a companhia e o conforto que dá e até do fumo que fica nas camisolas eu gosto!

Imperatriz Sissi said...

É fantástico! Nem me importo de ir ao jardim buscar a leha, com o ar frio a bater-me no rosto.

Senra Usado Reciclado said...

Ao ler este teu post fiquei cheia de saudades da casa da minha avó, com lareira, onde eu "torrava" nas noites de Inverno

Senra
New & Recycled Fashion

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Olinda Melo said...


Olá, Sissi

O assunto deste post aquece o coração e desperta belas recordações.

Um Bom e Santo Natal.

Bj

Olinda

Isto e aquilo said...

Eu, que sou uma citadina, também tenho uma lareira. E adoro! Porque como diz reúne e aconchega! E já nem imagino o meu Natal sem ela. ;)

Beijinho
Isabel Mouzinho

Tamborim Zim said...

Maravilha de evocação. E, Sissi, porta-te bem com as boas das tenazes! :)

João Maduro said...

Sou citadino, tenho uma lareira que gosto e costumo usar nas estações mais frias; faz parte do natal
Bom natal e bom ano ano novo
João Maduro
Coimbra

Imperatriz Sissi said...

São imagens que marcam. O Inverno tinha outra magia nesses tempos...

Imperatriz Sissi said...

Muito obrigada, Olinda. Um Santo e feliz Natal para si também :)

Beijinho

Imperatriz Sissi said...

Natal sem lareira não é a mesma coisa. Um beijinho.

Imperatriz Sissi said...

Muito obrigada, Tamborinzinha. Eu porto-me bem, que para sustos já basta o que basta...mas os meus desaires incendiários são assunto para post :D

Imperatriz Sissi said...

Nada bate a lareira.
Um Santo Natal e Boas Festas :)

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