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Thursday, December 27, 2012

Santa Isabel de Aragão: the Once and Future Queen

                                                
Ontem entretive-me nos meus afazeres até tarde e por acaso tinha a televisão ligada. Qual não foi a minha surpresa quando, na RTP Informação, me deparei com um documentário muitíssimo bem construído sobre uma das mulheres - e Santas - que mais admiro: a muito nossa Sta. Isabel de Aragão, padroeira de Coimbra, a Rainha Santa. Com uma fotografia excelente, testemunhos bem fundamentados e alguns dados menos conhecidos sobre a biografia desta Rainha extraordinária, este é afinal um dos episódios de uma série que é um verdadeiro serviço público para bons Católicos ou para quem, simplesmente, se interessa pela nossa História: Santos de Portugal
 Em primeiro lugar, pergunto-me como um programa de qualidade, ao nível do melhor que se faz no género - e que deve ter tido custos de produção consideráveis -  não passa na RTP generalista, em horário próprio (se não nobre, como devia, pelo menos a horas de família). Mais ainda, questiono-me sobre os motivos da escassa (ou inexistente) promoção da série. Soube por acaso, ao fazer zapping. Faz-me confusão porque cresci a ver na Televisão do Estado, ao serão, programas fantásticos sobre a História de Portugal, apresentados por grandes vultos da nossa cultura, e isso não me fez mal nenhum (lembro-me de ter uns quatro anos e vibrar com um documentário sobre Inês de Castro apresentado por, creio, Natália Correia. Se não se absorvia tudo, ficava-se pelo menos com umas luzes e ganhava-se o "bichinho"). Para mim, isso é que é televisão estatal, por muito que o entretenimento (escolhido, nota bene) não ocupe lugar...
 Sendo de Coimbra, a Rainha Santa é uma devoção familiar. Esteve sempre presente na minha vida, por uma questão de fé (a quem acredita, posso dizer que lhe devo mais o que um milagre, um deles logo que pus os pés neste Mundo) e através de um sem-número de coincidências. Foi um exemplo de coragem, de incansável abnegação, de constante assistência aos mais pobres e desprezados. Esse é essencialmente, o verdadeiro papel de uma Rainha consorte: esquecer-se de si mesma e cuidar desveladamente do seu povo. Mas Isabel de Aragão superava o que era esperado dela, talvez por vir de uma família que contava vários exemplos de santidade como a sua tia materna, Isabel da Hungria.
 Esposa modelo, chegou a  desobedecer ao marido para estabelecer a paz ou assistir aos mais necessitados. Por iniciativa própria abriu inúmeros hospitais e asilos para órfãos, mendigos e prostitutas, desfazendo-se das suas jóias para acudir aos famintos nos momentos de maior crise. Tomava importantes decisões políticas e diplomáticas. Se ao contrário de outras consortes da sua época, nunca aceitou as sucessivas infidelidades do marido  - que conta a lenda, amava muito -  acolheu e educou com todo o carinho os seus bastardos. (Diz-se em Coimbra que por ter sofrido tanto com o Rei seu marido, não concede graças relacionadas com o amor conjugal, embora atenda a tudo o resto...).
Procurou incessantemente - mesmo com risco da própria vida -  o entendimento entre o marido e o filho, que nunca perdoou essas mesmas bastardias e a preferência demonstrada por D.Dinis aos seus meios-irmãos. Era uma mulher bela e inteligente, revestida de uma força interior inesgotável, que levava ao extremo o seu desejo de auto aperfeiçoamento, a pontos de tolerar com seráfica paciência o que era para si, como mulher, insuportável. Nobilíssima, impunha-se pela dignidade e respeito que inspirava, mas apresentava-se com humildade: após enviuvar, usou o resto da vida o hábito de Clarissa
  Foi uma grande senhora, uma Rainha exemplar e para quem tem fé, uma grande santa - o que significa que continua a reinar e a velar, de certa maneira, pelo país cujo Trono ocupou...






5 comments:

Olinda Melo said...


Precioso este seu post sobre a Rainha Santa.

Gostei muito.

Votos de um Bom Ano.

Bj

Olinda

Imperatriz Sissi said...

Muito obrigada, querida Olinda. Um Ano Novo muito feliz para si. Beijinhos.

Cristina Torrão said...

Programas desses deviam ser mais divulgados, sim!

Imperatriz Sissi said...

Mesmo! É uma pena.

Pusinko said...

Desde que, na 3a classe, interpretei a personagem da Rainha Santa numa peça de teatro da escola, fiquei fã dessa Senhora. Há pouco tempo cruzei-me com uma biografia dela e a dmiração cresceu ainda mais. Mas não nego que também tenho 1 fraquinho pelo rei D. Dinis. :)

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