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Saturday, January 28, 2012

Dos alemães


Salma Hayek (envergando um Dirndl na TV Alemã) e Karl Lagerfeld
A Alemanha é um país de muitos encantos. Por isso não deve, na minha opinião (que vale o que vale)estragar tudo procurando comandar os destinos da Europa.
Poucos povos encerram tantas contradições como o alemão. São grandes músicos e artistas, grandes doceiros, grandes farristas, excelentes fabricantes de automóveis, fantásticos designers de moda, fazem os enfeites de Natal mais fofos que há. Apresentam mesmo uma tendência para o kitsch e o excesso. E por outro lado têm dos índices de suicídio estudantil mais elevados do mundo, são altamente competitivos, disciplinados ao ponto de ser uma doença - note-se que sou pela disciplina, mas tudo tem limites - belicistas e sempre mortinhos para conquistar território alheio. Parece que não resistem. Quando lhe dão asas, o alemão invade, manda e desmanda.
A nossa casa sempre foi frequentada por amigos estrangeiros, por isso tomei contacto com alemães bastante cedo. Nessa idade não percebia patavina do que me diziam, com excepção do " Möchten Sie eine Schokolade?". Essa frase ouvia-a todos os anos a um simpático casal de meia idade que passava férias junto de nós. Eu era um pisco para comer, mas fascinavam-me os bonitos doces que me traziam com um sorriso gaiato.
Por influência de amizades destas, ou porque sempre foi um admirador dos povos tenazes e ordeiros, o senhor pai determinou logo que além do inglês (língua oficial lá de casa) eu havia de falar alemão. Protestei, porque se agora faço justiça ao idioma, que considero do mais majestoso que há, então achava-o um conjunto de roncos e rujidos. Que antes queria francês. Pois sim!
Lá marchou a pequena Sissi para um instituto alemão, logo a seguir à queda do Muro de Berlim. Não achei grande piada às aulas, porque todas as explicações eram dadas em alemão, mesmo a dificílima gramática. A ideia, creio, era que fôssemos "entranhando" o idioma à força - o que passava por conhecer as deliciosas tradições alemãs, cantar em alemão, e por aí vai. Mais tarde, teria alemão no conservatório e no liceu, mas nunca me habituei a usá-lo tanto como gostaria - o mesmo sucedeu com o francês e o italiano, que estão guardados " para ocasiões".
Mas a minha opinião sobre o povo germânico ficou traçada em plena guerra dos Balcãs, quando eu era uma tween impressionável. Indo nós a caminho de Zagreb, fazemos uma inesperada escala em Frankfurt. Ameaça de bomba no nosso avião, viemos a saber mais tarde, porque ninguém se deu à maçada de nos explicar. Homens, mulheres, velhinhos e crianças, tudo empurrado para um perímetro de segurança. Uma vergonhaça que durou duas ou três horas, bebés aos gritos, tudo sem poder ir à casa de banho, guardados por meia dúzia de polícias armados até aos dentes e com metralhadoras apontadas a nós. Já irritada com aquilo, e a mamã a insistir que eu desse uso às lições e perguntasse aos homens ( os exemplares mais altos, e perfeitos que vi até hoje, verdadeiras esculturas, com uns uniformes de morrer; digam o que dissserem, os marotos percebem mesmo de fardas) que palhaçada era aquela.
Lá vou eu, cá de baixo a exigir explicações, a ignorar ostensivamente a G-3 (ou prima) apontada a mim. Contrafeito, mas desarmado (salvo seja) pela minha lata, resmordeu lá de cima o herói "é qualquer coisa com a bagagem".
Para mim ficaram apresentados; gosto muito deles, mas dar-lhes autoridade é má ideia. E quando Frau Merkel fala em coisas como pôr a meia haste as bandeiras dos países incumpridores, revejo logo aquela cena à lista de Schindler. Por outro lado, uma senhora que confunde um vestido de cerimónia com um
Dirndl* e se apresenta em público com decotes monstruosos, é capaz de não ser bom cartão de visita para um povo inteiro.

*vestido tradicional da Bavaria, Liechtenstein, Austria eTirol

Wednesday, January 25, 2012

O presente envenenado de Botticelli

The Story of Nastagio degli Onesti first episode by Sandro Botticelli

Boccaccio, no seu Decameron (um dos meus livros preferidos) conta a história de Nastagio degli Onesti e a Caçada Infernal. Rejeitado pela sua amada, Paola Traversari, o jovem Nastagio retirou-se, pesaroso, para a floresta. Enquanto meditava nas suas penas de amor, surgiu-lhe uma aparição terrível: uma bela jovem nua, perseguida por um cavaleiro enraivecido e os seus cães de caça. Atarantado, o rapaz ainda agarrou um ramo para defender a donzela, mas o caçador precipitou-se sobre a vítima caída, assassinou-a e atirou o coração da infeliz aos mastins.
Nastagio não teve tempo para se refazer do pânico sem que a mulher se levantasse e a horrorosa cena se desenrolasse novamente: tratava-se de um casal de almas penadas. O cavaleiro tinha sido em vida amante da donzela, que o desprezava; a paixão desmedida teve um fim trágico, por isso ambos ficaram condenados à danação eterna. Até ao fim dos tempos, a jovem seria perseguida numa caçada fantasma pelo amante atraiçoado, que teria de a matar, uma e outra vez, sem descanso.
Ao regressar a casa, Nastagio teve uma ideia: convencer a família da namorada soberba a comparecer a um piquenique no pinhal, para testemunhar a assustadora visão.
Apavorada pela aparição tétrica, Paola, que temia um destino semelhante, aceitou finalmente casar-se com Nastagio.
   Sandro Botticelli pintou quatro magníficos painéis que ilustram este conto fantasmagórico, encomendados por Lorenzo di Medici, O Magnífico. A obra seria um presente para o casamento do sobrinho, Gianozzo Pucci, com Lucrecia Bini.
Dizem as más línguas que o pintor amava a noiva e por isso escolheu precisamente este tema para o painel (que originalmente se destinava à cabeceira da cama nupcial) com intenções de amaldiçoar o enlace. Verdade ou não, reza a história que o presente ficou exposto na sala de estar.

Tuesday, January 24, 2012

Não há honra entre ladrões...mesmo!

Gabrielle Anwar


À primeira vez, qualquer um cai. À traição, até Viriato e Júlio César sucumbiram.
   Agora repetir truques sujos... não é só maldade, é estupidez. A sensação de impunidade de certos malandros nunca deixa de me surpreender. Uma intriga, ainda que reles, pode funcionar quando o alvo está desprevenido; mas tem um prazo de validade muito curto. Mandar pombos correio armados em ninja, do nada, com a missão de tirar nabos da púcara (nabos esses que, caso existam e o dono da púcara caia na asneira de os deixar ir, serão distorcidos até à exaustão e atirados ainda a ferver contra a sua cara) é fazer dos outros parvos. Como se não se percebesse de imediato quem encomendou o sermão. Como se não fosse óbvio quem é o infeliz que puxa os cordelinhos por trás do pano. Ou não lhes soubéssemos a crónica toda. Estão a tentar ensinar a missa ao vigário, mas a procissão ainda vai no adro. E como alguém disse, " na água que eles bebem já nós fomos baptizados há muito tempo".

Monday, January 23, 2012

Os homens que me desculpem, mas alguns são umas bestas

Heidi Klum e Seal, que formavam um dos casais mais amorosos do showbusiness, acabam de se separar. Tudo por culpa do marido, que eu até tomava por um cavalheiro, e que afinal foi cometer a foleirada clássica: enrolar-se com a ama.
Já dizia a minha avozinha " Sissi, criadas dentro de casa só velhas e feias" (ela tinha uma, a senhora Molelas, cujas aventuras contarei quando estiver mais bem disposta).
Já Ashton Kutcher estragou o casamento com Demi Moore, outra mulher linda - e porquê? Por uma  oportunista do mais vulgar que pode haver. Se eu não fosse uma senhora, diria que
 por vezes não lhes basta uma bela mulher que os adore, fique bem no retrato, tenha os filhos deles, que seja uma dama na sala e uma deusa em privado. O que muitos homens - aparentemente senhores de classe - querem mesmo é uma criatura ordinária, boçal, oferecida, que os engraxe e que seja uma doida a tempo inteiro. Quando se faz uma panela, faz-se o testo para ela. Eles aproveitam-se; elas, por seu turno, arranjam um diabo que as carregue, um pato gordo e tonto para depenar.
 Lá se avenham.

Como combater a "má cara", parte II


Carolyn Bessette

E agora, para fatiotas à prova de "dia não"


3- Look Zen, mas alerta
Nestes dias é mais importante do que nunca ter à mão peças de confiança, confortáveis mas que não pareçam um pijama. Mais uma vez, é sensato deixar as novidades e extravagâncias para quando se sentir melhor. Roupas  largueironas provocam sensação de moleza, além de darem um ar de saco de batatas (que até pode ser trendy noutra altura mas é do piorio se está com cheia de sono).
Porém exclua roupas apertadas, coleantes ou com costuras rijas, desconfortáveis. Preste especial atenção às zonas das virilhas, cotovelos, axilas, tornozelos e atrás dos joelhos. Impedir a circulação causa um terrível mau estar.

Fuja de informação a mais: meias de fantasia, combinações que nunca experimentou, coisas que ganhem pêlo ou amarrotem facilmente, fechos difíceis, muitos botões, atilhos, brilhos, texturas, cores excitantes ou padrões cansativos, principalmente junto ao rosto.

- Roupinha macia: malhas que piquem, calças justas demais ou jeans que massacrem os ossos pélvicos nunca são boa ideia e se está indisposta pior ainda. Procure tecidos de boa qualidade, se possível de fibras naturais, que deixem a pele respirar e não causem o efeito " mole e transpirado" (blhec!).

- Liberte a cara: golas altas são intemporais, mas nestes dias opte por modelos mais descaídos. Em alternativa, um decote discreto. Cores claras e calmantes como branco, pérola, rosa velho, pasteis ou azul pálido conferem luminosidade ao rosto. Preto ou azul escuro são sempre opções elegantes para o resto do outfit -mais do que o cinzento ou o castanho que embora clássicos, são menos eficazes a  contrariar um aspecto macilento. Se está deprimida e precisa de algo colorido, é preferível escolher uma carteira, lenço ou outro acessório pouco invasivo, que possa pôr e tirar.

- Convém que as peças tenham alguma consistência e estrutura, para que o visual pareça composto.

- Reduza a bijutaria! A última coisa que lhe convém é colares embrulhados no cabelo ou pulseiras a atrapalhar os punhos.

- Alivie o peso da carteira. Escolha uma mais pequena ou traga no carro um saco multi usos, que seja giro, para deixar parte da "tralha".

 Dependendo das exigências do dia-a-dia, pode optar-se por:

- Vestidos simples e fáceis de vestir (mas não demasiado fluidos) que evitam a canseira de combinar várias peças.

- Camisas brancas de modelo clássico; camisolas ou tops de manga comprida simples, de boa qualidade.

- Calças chino ou outro modelo casual chic em cores sóbrias. Se a situação o permite, jeans - sem manchas, bordados ou riscas.

- Um trench-coat ou um sobretudo aconchegante - de preferência com cinto, pelo simples motivo de não escorregar dos ombros nem sair do lugar.

- Calçado confortável, mas elegante. Não convém que seja novo, não vá o diabo tecê-las, nem que lhe dificulte o equilíbrio. Mas não caia na tentação de usar rasos. Quando estamos cansadas temos o impulso de arrastar os pés e curvar as costas. Sapatos com alguma altura obrigam-nos a ter uma postura mais bonita.

E pronto, é só sair de casa, fazer-se valente e rezar para que o dia passe depressa...

Como combater a "má cara", parte I



 
Todas já enfrentámos aqueles dias em que, por mais que se faça, estamos de mau semblante e pronto. Cansaço, TPM, stress, pequenos achaques e excessos deixam-nos com um ar menos recomendável. Nestes dias a pele está mais sensível, parecendo manchada, macilenta, ressequida ou com brilhos indesejáveis; aparecem olheiras e o cabelo fica uma desgraça. Para piorar o quadro, é comum sentirmo-nos incomodadas: a enxaqueca ameaça e tudo nos faz confusão. Eis algumas medidas para minimizar o efeito carantonha que fui aprendendo com quem sabe:



Fresquinha e asseadinha

Em dias destes há que evitar texturas gordurosas e aromas fortes. Um sabonete de boa qualidade proporciona uma sensação de limpeza mais duradoura do que o gel de banho. Convém lavar o rosto com uma espuma apropriada para activar a circulação. Para a maioria das pessoas, não será boa ideia saltar lavagens de cabelo em momentos assim. No entanto, o shampoo deve ser suave e facilitar o brushing.

A não ser que sinta a pele do corpo muito seca, pode fazer gazeta ao hidratante de alto a baixo (um dia não são dias) evitando que se cole e suje o cabelo e a roupa (quando já estamos trapalhonas, mais vale prevenir...). O desodorizante deve ser eficaz, mas neutro. Quanto à cara, prefira um tónico menos agressivo e um creme fresco que não deixe película. Para o contorno dos olhos, a textura em gel é o ideal. Se as olheiras estão mesmo terríveis, use um bocadinho de pomada para nódoas negras misturada com o creme - com cuidado para que não entre em contacto com os olhos.

Produção Clean
Quando estamos maldispostas o visual quer-se sereno, simples mas sem desleixos. Nada de invenções de última hora.
- Use produtos que conheça bem. Uniformize a cútis sem sobrecarregar. Primers não são uma boa ideia para estes dias, por incrível que pareça. Base mate fresquinha, creme com cor ou um simples BB cream bastam. Ao longo do dia, pode ir retocando com pó ou folhinhas de papel absorvente.
- Se tem olheiras severas, use um corrector iluminador. Penteie as sobrancelhas com um gel transparente. Não "polua" os olhos, que podem lacrimejar ao longo do dia. Use a sua máscara favorita e um pouco de delineador - somente junto às pestanas, para não afundar o olhar.
- Blush, pó bronzing e sombras são um jogo arriscado porque a pele não está com sua a capacidade de resistência normal. Se não dispensa um pouco de cor (as peles mates ou morenas, em particular, costumam amarelar ou esverdear quando estão pálidas) não há nada como um pó mosaico pouco brilhante nas maçãs do rosto e pálpebras.
- Nos lábios, basta um bálsamo colorido. Vá repondo durante o dia.
- Quanto ao cabelo, a regra é a mesma: styling o mais natural e rápido possível, sem fixadores, apenas o suficiente para lhe tirar o aspecto desalinhado. Se optou por não o lavar e secar, shampoo seco e um sérum em spray (só nas pontas) são os melhores aliados. Em todo o caso, pode ser uma boa ideia manter as madeixas longe do rosto. A Claire´s tem acessórios fantásticos para fazer carrapitos ou rabos de cavalo com bom aspecto, sem esforço nem puxões. Dão um ar arranjadinho, evitam que andemos sempre a mexer no cabelo e contrariam a tendência para o olhar e ombros descaídos. Cuidado com bandelettes, que quase sempre fazem dor de cabeça. A Vidal Sassoon criou algumas que não oferecem esse problema, também à venda na Claire´s.
- Se a manicure não está perfeita é preferível optar por unhas limpas e verniz incolor.
 
Et voilá, só falta vestir em grande velocidade. De seguida veremos como conseguir um aspecto airoso sem chatices.

Sunday, January 22, 2012

Momento Abóbora 2012 - Globos de Ouro

As abóboras de ouro vão para...
Angelina Jolie (Atelier Versace) e Brad Pitt (Salvatore Ferragamo).
Já gostei mais dela, mas é inegável que está sempre estupenda na passadeira. O tom creme é lindo, adoro os apontamentos encarnados e o vestido não podia ser mais bem executado. Brad Pitt estava muito bem - atente-se ao detalhe Belle Epoque da bengala.

Emma Stone (Lanvin).

Linda! O vestido, muito singelo, não seria nada de extraordinário se não fosse esta cor tão rica. Assim é fabuloso!

Sophia Vergara (Vera Wang)



 O modelo sereia é arriscado, mas Vera Wang dificilmente erra. Adoro-a. Os cortes são sempre irrepreensíveis, e o azul marinho será sempre uma cor nobre.


Kate Beckinsale (Roberto Cavalli).


Estava impecável. Só é de lamentar que use modelos quase iguais em todas as cerimónias, e que não desista do bronzeamento artificial. O seu tom natural, de english rose, cai-lhe muito melhor.

Helen Mirren (Badgley Mischka)


Porque é assim que uma dama de classe se apresenta.

Reese Witterspoon (Zac Posen)


Menos é mais.


Charlize Theron (Dior)


O vestido não é o meu favorito, mas é inegável que lhe fica a matar. Esta mulher tem o porte "de uma Deusa pisando a terra", pelo menos quando se veste para ocasiões destas.

E o piorzito

Andy Mc Dowell - Muito desleixada, uma pena. O vestido estava bambalhão.
Madonna- Não detesto o vestido, mas porque é que adoptou o penteado-caniche para todas as horas? Logo ela, que mudava tanto de visual...
 Salma Hayek - Sei que o vestido Gucci foi bastante elogiado, mas pareceu-me um cabeçudo de Torres Vedras...o corpete era de facto bonito, mas a saia precisava de um tecido mais consistente e menos brilhante.
Jessica Alba - Gucci sem sal. Se alfazema e malva não são cores fáceis, numa morena de cabelo claro pior um pouco. Ficou com um aspecto deslavado. E serei só eu que lhe acho um tremendo ar de sopeira, e não consigo considerar a pequena nada de especial? É bonitinha mas só isso.
Michelle Williams- Jason Wu faz coisas giras. Quem é que me explica aquela coisa em devoré?
Sarah Michelle Gellar - Tye and dye nunca foi bonito, mas num vestido de gala não se explica mesmo. Muito bem estava ela, com o seu ar sempre asseadinho.

Lamparina dixit



Num grito de genialidade e de bom senso, a minha boa amiga Lamparina pôs cá para fora um texto que traduz, sem papas na língua, o que me vai pela alma. "Tenho um pecado. Odeio. (...)  Odeio com tão profunda intensidade que suspeito que se pudesse exteriorizá-lo, vomitaria lava. (....) quando interferem naquele que era o núcleo da minha suposta felicidade, torno-me numa monstruosa e irreconhecível criatura. Esqueço toda a educação, toda a delicadeza e todo o amor nos gestos. Quero assustar, agarrar pelos cabelos (...)partir, rasgar, morder . (...) Talvez por isso proteja os meus num alerta mais que atento. E talvez por isso sofra tanto quando a minha altivez não chega para que tudo corra como pretendo.(...)
Mesmo sabendo que sou maior que o objecto do meu ódio.
Sabem, há quem não se veja como é e por isso não se ponha no seu lugar. Para mim é simples: senhoras em salões de chá e meretrizes em bordéis. A verdade é que não posso continuar a permitir que o ódio me corrompa o ser. E para isso, terei de o lançar cá para fora. Projecto-o para me libertar a mim, porque quando tiramos um peso do nosso coração, colocamo-lo no de quem nos tentou roubar a paz. E não perdemos o nosso lugar na mesa requintada, onde há chá e scones. E elas ficam no lugar de onde nunca deveriam ter saído."
Convido-vos a ler o post na íntegra, que vale bem a pena.
Tal como a Lamparina, não sou mulher de mascarar sentimentos com camadinhas de açúcar. Em geral, gosto superficialmente de toda a gente até provas de contrário. Não permito que entrem facilmente na minha vida, não aprecio multidões, mas tenho uma capacidade quase infinita de "dar o desconto" aos outros, de lhes ver o lado "menos mau". Façam o que entenderem, manias também eu tenho e espero que sejam tolerantes com elas assim como sou com as do vizinho. Até posso embirrar com alguém mas procuro respeitar toda a gente. Desde que não me chateiem, podem andar para aí com os pés no ar e as mãos no chão que eu não me ralo nada. Não sou de rancores mesquinhos. Quando me fazem alguma maroteira parto a louça, sobe-me uma onda cá por dentro e deito a casa abaixo. Mas se o dano não foi grande, a pessoa se mostra arrependida e o caso está resolvido, o que lá vai lá vai. Não volto a confiar plenamente mas dou uma hipótese, como gostaria que fizessem comigo.
Ódio é outro barro, atenção que só concedo a quem tem o atrevimento de entrar pela minha vida adentro, de conspurcar a minha existência com a sua peçonha, de lançar granadas para a minha esfera íntima, magoando os que são do meu sangue ou aqueles a quem quero como se do meu sangue fossem. Para que eu odeie, é necessário que o saco esteja cheio. E o meu saco tem um fundo enorme. Quando rebenta, entro em modo Cosa Nostra. É um caminho sem regresso. Viro para ali e não esqueço. Jamais. Com vontade de fazer tantas e tais que no fim " nem a alma se lhes aproveita". Com rasgos de "hei-de persegui-los até às portas do Inferno, e chegados lá é melhor que implorem para entrar, porque cá fora estou eu". Porque ódio velho não cansa. E ódio justificado não deve cansar, porque se isso acontecer é sinal que o nosso sentido de justiça e de honra está avariado.

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