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Saturday, February 18, 2012

Enamorados

A convite da minha editora e do Município de Lisboa, estive presente na Semana "Enamorados por Lisboa" com uma pequena sessão em que abordei as antigas crenças e tradições europeias sobre o amor para um público de todas as idades. O local (Parque Bensaúde) é lindíssimo e recomendo-vos uma visita ao seu quiosque, que faz lanches  exóticos com arte. Só foi pena o frio não me permitir mostrar o petite robe noire com decote de geisha que ressuscitei da minha colecção. Tive de ficar encasacada - valha-nos a luz de Lisboa, que salva tudo. No dia seguinte, porém, pude levar à rua a minha camisola ai Jesus. Apaixonei-me assim que a vi, pelos seus botões dourados e corte incrível. Estou oficialmente in love com o amarelo.

Wednesday, February 15, 2012

Do vício



A morte de Whitney Houston, como outras de contornos semelhantes, não me impressionou. Não por não ser exactamente fã dela (respeitava o seu trabalho) mas por se tratar apenas de uma questão de tempo. A verdadeira Whitney Houston tinha morrido há muito, esperando ultimamente a ressurreição ou um fim definitivo - ambos dependentes da sua vontade, porque meios não lhe faltaram.
O fim da cantora deixa-me somente a sensação de desperdício. Houston teve tudo: beleza, talento, oportunidade, fortuna. Escolheu ceder às suas fragilidades e desperdiçar os favores que os deuses lhe concederam em abundância. O mundo é dos fortes, aqueles que se mantêm de pé mesmo quando a oportunidade e a fortuna não lhes sorriem.
Tenho uma certa dose de complacência para com o vício alheio. Não interfiro nem dou sermões, porque detesto que sejam paternalistas comigo e a atitude holier than thou. Acho mesmo que as pessoas certinhas demais são um pouco sem graça: quem não fuma, nem joga, nem bebe vinho, leva-o o Diabo por outro caminho, lá diz o povo.
   Mas o Vício, as pequenas falhas, os defeitos e as fraquezas são luxos a usar com moderação. Vícios privados, públicas virtudes. Uma coisa é ser bon vivant, outra é humilhar-se e agredir-se a si próprio, e às pessoas queridas, vezes sem conta. Quando permitimos que o vício tome contade nós, dê nas vistas, se sobreponha à nossa pessoa, aos nossos talentos, ao nosso carácter, fale mais alto do que aquilo que somos e nos transforme numa caricatura...isso já não é vício, é decadência. Quando pessoas elevadas pela categoria, pela fama, pelos dons que possuem, insistem em chafurdar na lama, em sujar a sua reputação, ombrear com maçãs podres para no fim lamuriar-se que a culpa é das más companhias, perdem todo o meu respeito. As más companhias e os parasitas são predadores que procuram algo para sugar, é mesmo assim. Cabe às estrelas, aos iluminados, controlar as suas baixas paixões, evitar os bajuladores e deixá-los na sarjeta onde pertencem. Manter o auto domínio que se espera de alguém que alcançou um certo patamar - e as obrigações que daí advêm. A minha tolerância acaba onde a degradação começa, e a dos Deuses também.

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