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Saturday, March 3, 2012

Feeds actualizados e outras modernices

Um feed será parecido com isto???



Eu Sissi me confesso: sou verdadeiramente azelha com tecnologias que mudam constantemente. Até acho piada a engenhocas mas gosto de saber com o que conto, coisa difícil numa época em que as geringonças ficam obsoletas à velocidade da luz. Como se não bastasse o zunzum que anuncia o fim do Google Friend Connect, soube que muita gente não tem recebido os posts por e-mail. 
Temendo transformar-me num Robinson Crusoe da blogosfera fui conectar-me no Networked Blogs. E percebi que o meu feed (esse gambuzino que faz montes de coisas mas não se sabe bem o que é) não funcionava. Morto da silva, morrido de morte matada. Depois de meia hora a descabelar-me lá arranjei um novo. Por isso, agora o Imperatriz Sissi já é automaticamente actualizado na sua página do Facebook (se quiserem ser fofinhos passem por lá, façam um like e troquem impressões com a minha pessoa). Podem segui-lo também na caixinha do Networked Blogs, aí no lado esquerdo da página. E - espero eu- quem subscreveu as actualizações por e-mail voltará a receber os posts na sua caixa de correio. Se quiserem voltar a subscrever (por via das dúvidas) é só inserir o vosso e-mail no botão abaixo do header.

Friday, March 2, 2012

Praguejar é preciso



A minha família divide-se entre o máximo da discrição e o cúmulo da expressividade. O lado materno é todo ele sorumbático, voltado para dentro e noctívago; o lado paterno, emocional e explosivo. Em comum têm um orgulho inato, uma altivez que nuns é serena e noutros, fanfarrona e a incapacidade para guardar rancores no seio do clã (com forasteiros o caso é outro, como já disse aqui). Não me recordo de parentes que andassem anos sem falar: mais facilmente nos pegamos forte e feio para esquecer tudo logo a seguir. A forma de exteriorizar a raiva é que difere: na família do avô Aníbal, "falso" era o pior insulto que se podia dar a alguém. Contra os de fora, "ladrão" era a mais grave das ofensas. Rogar pragas, nem em último caso. Um simples "raios o partam" era logo seguido de um "nunca" ou "Deus me perdoe".
No lado do pai, a música é outra. A influência italiana foi muito forte naquela terra, pelo que à mínima coisa, se ouviam as vozes das mulheres a vociferar "maldito" "danado" ou "desgraçado". Rai´s te partissem, rais´t comessem, alma danada, cão danado, porca miséria, males ruins te consumam, ou - caso o infeliz já tenha batido as botas - que a terra lhe seja bem pesada, maldito, que arda no inferno para todo o sempre, amen e assim queira Deus, etc" eram alguns mimos comuns para inimigos externos, com gestos específicos a selar o impropério. Versões mais ou menos light das antigas maledizioni, que por aquelas bandas sempre foram menos tímidos a desejar a danação ao próximo do que os portugueses. Algumas tocam a blasfémia, outras foram caindo em desuso (para ser franca não sei qual é a última moda por lá, terei de perguntar):
Maledizione! Dannazione! dannato!  Maledetto! Porca Madonna! (Esta é uma verdadeira blasfémia,  mas há versões ainda mais feias) Vai a morire ammazzato !te pòssin'ammazzàtte ! ( "Vai e vê se morres assassinado"; semelhante a "vai-te matar")
Che mammata ne senta la mala nuova ("que a tua mãe receba más novas") ; Che Dio ti dea la mala notte ("Deus te dê uma má noite" - também se usava "Deus te dê um mau ano") Che te vangano mille malanne ("que apanhes mil doenças")
Che non ce vide lo primmo de maggio! ("que não chegues a ver o primeiro de Maio")
Li mortacci tua!(sua, vostri, loro)/ li murte tuue( Uma "parolaccia" malcriada que insulta toda a família e os antepassados do visado; há muitas variantes e regionalismos, mas também se usa como interjeição, do género "raios!")mal n'aggia", forma antiga que corresponde ao velho "mal hajas", já em desuso por cá.  O mais curioso é que todas estas expressões, entre centenas de outras, servem muitas vezes de desabafo, não pretendendo realmente desejar mal a alguém.
Para isso, nada como o Bom Livro: a Bíblia está pejadinha de maldições para rogar aos ímpios com permissão divina. Entre as passagens mais "mazinhas" contam-se os chamados Salmos Imprecatórios. Ó Deus da Vingança, resplandece (...)o Senhor nosso Deus os destruirá (Salmo 94) ;  Põe sobre ele um ímpio, e esteja à sua direita um acusador.Quando ele for julgado, saia condenado; e em pecado se lhe torne a sua oração!Sejam poucos os seus dias, e outro tome o seu ofício!Fiquem órfãos os seus filhos, e viúva a sua mulher!Andem errantes os seus filhos, e mendiguem; esmolem longe das suas habitações assoladas.O credor lance mão de tudo quanto ele tenha, e despojem-no os estranhos do fruto do seu trabalho!Não haja ninguém que se compadeça dele, nem haja quem tenha pena dos seus órfãos!Seja extirpada a sua posteridade; o seu nome seja apagado na geração seguinte! (Salmo 109). Nada agradável...

Thursday, March 1, 2012

Consideração desta manhã

Carteira Braccialini





Por vezes os humanos são tão maus que não me espanta que os bons coubessem todos numa arca...( e boa parte dos passageiros fosse bicharada).

Tuesday, February 28, 2012

Monday, February 27, 2012

Momento Abóbora- Óscares 2012


 A cerimónia de entrega dos óscares deste ano pecou pela falta de looks surpreendentes. Foi uma longa sucessão de vestidos Melhoral (não faz bem, nem faz mal) com tons nude, lantejolas e cortes previsíveis. Isso não é necessariamente mau - é preferível monótono e honesto a extravagante e horroroso - mas não impressiona. Na minha opinião, as senhoras abaixo conseguiram brilhar com pequenos pormenores. Houve outros visuais bem conseguidos (Michelle Williams em cor de melancia e Penelope Cruz, que é raro errar) mas parece-me que estes looks vão ajudar a divulgar algumas tendências úteis para ocasiões festivas. 

BEST: Drama Queen
Jessica Chastain (Alexander McQueen)
 
Estou a gostar muito desta ruiva talentosa. Com o vestido, parecia uma modelo de Klimt. A casa McQueen continua a somar pontos: raramente fazem algo menos que perfeito. O ouro velho em padrão intrincado é muito mais interessante, usável e intemporal do que os dourados abertos, tipo lamé.
 

WORST: Caped Crusader

Gwyneth Paltrow (Tom Ford)
 
Houve quem adorasse a capa, houve quem detestasse. Claro que eu aplaudi, mas sou suspeita. Gosto de Gwyneth, de capas e de Tom Ford. E ninguém usa o minimalismo como ela.
 

BEST: Hobnobbing

Glenn Close (Zac Posen). Perfeição: o corte, a cor, a cinturinha. Nem demasiado juvenil, nem matrona. Flawless. Espero que apareçam no mercado vestidos com bolero ou abafo a condizer - por vezes, essa é a parte mais difícil para compôr um look formal e as pessoas só reparam nisso tarde demais.

BEST: Cream Dream
Shailene Woodley (Valentino Couture)
 
O decote e o material não me apaixonam, mas gosto do estilo (revivalismo dos anos 60 - pessoalmente, faz-me lembrar a fatiota da Princesa Leia de Star Wars) da cor e sobretudo, das mangas compridas. Adoro mangas, mas parece que nos últimos 10 anos se tornou obrigatório que qualquer vestido de cerimónia mostre os braços, mesmo para as senhoras mais gordinhas. Não tem de ser assim, antigamente não era assim e este vestido prova-o. Nada como a possibilidade de variar!

Cuchulain e a ríastrad celta



O céu está sobre nós, a terra abaixo, e o mar à nossa volta; a não ser que o céu caia sobre o nosso acampamento num chuveiro de estrelas, ou que a terra seja sacudida por um sismo, ou que as ondas do mar azul  cubram as florestas do mundo dos vivos, nós não cederemos um palmo.
Palavras dos Heróis do Ulster ao seu Rei - Táin Bo Cuailgne, the Book of Leinster

Michael Fassbender vai interpretar o lendário heroi celta Cuchulain, o bravo do Ulster, filho de Lugh, uma espécie de Aquiles ou Beowulf irlandês. Estou ansiosa para ver o filme. Michael é um dos actores mais interessantes dos últimos anos e esteve fantástico como Stelios em 300 - tem tudo para interpretar um belo guerreiro de outros tempos.
Cú Chulaind/Cúchulainn (pronuncia-se "kiu kolln") era filho de um Deus, extremamente corajoso e foi treinado pela deusa guerreira Scáthach, na Escócia - senhora que só aceitava ensinar quem sobrevivesse a uma luta consigo. 
   Mas Cuchulain sofria de uma bênção e de uma maldição: em combate era tomado por um furor assassino, ou ríastrade derretia tudo. 
Quando isso acontecia, era de fugir: de belo mancebo ( tão bem parecido, aliás, que os seus pares temiam que todas as mulheres fugissem com ele, e o obrigaram por isso a casar depressa) tornava-se num monstro. A boca fendia-se-lhe até às orelhas, o cabelo ficava em chamas, um olho saltava para fora da órbita, o outro enterrava-se pelo crânio dentro e lançava gritos assustadores, chacinando quem lhe surgisse à frente, sem distinguir amigos de inimigos. Uma vez desencadeada, a ríastrad só cessava com a total aniquilação do alvo.
Esta lenda é ilustrativa do carácter dos povos celtas: verdadeiros valentes, tão dados à sensualidade, ao culto da beleza e à subtileza de discurso como à brutalidade mais feroz. Guerreiros que só temiam que o céu lhes caísse em cima da cabeça. Os próprios romanos ficavam pasmados ante o espectáculo das tropas de elite celtas à cabeça dos exércitos - "os formosos selvagens", homens na flor da idade, admiravelmente feitos, que se apresentavam como os Deuses os haviam deitado ao mundo, com o sol nos longos cabelos e nos adornos de ouro, exibindo a sua masculinidade numa provocação (como quem diz "vamos raptar as vossas mulheres"!) . Outros havia, que arrancavam as roupas na fúria do combate, acreditando-se possuídos pelos Deuses, sem temer pela vida por um segundo, matando e espezinhando enquanto a fúria durasse. 
Foram vários os grandes líderes e exércitos do período clássico que contaram com guarda costas e mercenários celtas nas suas fileiras (Aníbal, Cleópatra, Herodes...). E nem falemos das mulheres, que eram tão independentes e dotadas como os homens nas artes do amor e da guerra - e igualmente de temer, lutando como feras no campo de batalha e habilíssimas a coleccionar cabeças.
 No seu tratado sobre as virtudes femininas, Plutarco conta a história da bela Rainha Chiomara, que foi violada por um centurião romano.  Ao regressar a casa, queixou-se ao marido - com a cabeça do agressor na mão.


Nota: Algumas destas histórias, e muitas outras, são contadas em maior detalhe num blog que recomendo verdadeiramente: De Reyes, Dioses Y Héroes.

Sunday, February 26, 2012

Vergonha




"Ai se eu te pego" encheu o Campo Pequeno. Nunca esse recinto assistiu a uma tourada tão grande! Pior do que isto só o acordo ortográfico. 

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