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Saturday, March 17, 2012

Éirinn go brách, says this lass...

Body language

Ralph Fiennes


Os homens dizem muitas vezes que nós, mulheres, temos defeitos que contribuem para a eterna incompreensão entre os sexos. Entre eles encontram-se a infinita tagarelice, o raciocínio floreado e a capacidade de fazer balúrdios de coisas ao mesmo tempo, que eles não são capazes de acompanhar. Revejo-me pouco nestes ditos ( excepção moderadamente feita ao último, mas não me considero das mais dotadas na matéria: consigo fazer duas a três coisas em simultâneo, mais  do que isso põe-me a cabeça à roda).
Apesar da minha imaginação e da atenção ao detalhe o meu pensamento é objectivo - pelo menos, procuro que seja. Dizem que sou naturalmente expressiva (é genético) mas gosto de dizer as coisas claras e sucintas e se possível, de falar só uma vez. Aprecio uma boa conversa, mas com limites e conteúdo.  Não perco um ror de horas com voltas, tricas e pormenores insignificantes - nem em lojas, nem noutras coisas. Retiro apenas a informação que é útil. Valorizo o silêncio. Numa discussão, não tenho paciência para ir buscar os crimes cometidos em mil novecentos e bolinha, muito menos para dissecar o assunto ad nauseam - se está resolvido, siga a Marinha que tempo é dinheiro.
E (apesar de nunca ter ouvido queixas nesse sentido) sou incapaz de lamechices. Frases inspiradas, sou capaz de as dizer num momento mais emotivo - mas ser dengosa, melosa ou aproximar-me fisicamente de forma pouco natural não é comigo. Ou seja, não preencho o estereótipo reservado ao meu género. 
 Apesar disso - e porque uma mulher, por poucos frenesis que tenha, precisa de uma rocha para  se apoiar - uma das coisas que mais aprecio no sexo oposto é a estabilidade, a atitude tranquila. Um homem pragmático e sereno é sempre digno da minha admiração. Embora o sentido de humor seja importante (gosto de um bom dito espirituoso, e acho graça a caretas) há que ter sprezzatura. Ou seja, saber ser agradável. O cinismo descarado, exagerado, provoca erosão e desconforto. É cansativo, enervante, quando uma pessoa não distingue as horas de brincar dos momentos sérios, ou daqueles em que o silêncio vale ouro. Quando não percebe que servir-se de "bengalas" (fazer pouco deste, daquele, daqueloutro, dizer mal de fulana, de beltrano, mexericar no telemóvel, ligar o Ipad, interromper-se, ir buscar isto e aquilo) não parar quieto na cadeira, não conversar sem artifícios, torna qualquer reunião inquietante e estéril. Por muito especial que seja a embalagem e o conteúdo, é preciso saber comunicá-los com eficácia - puro marketing pessoal. É preferível uma timidez óbvia a saltitar que nem pipocas no microondas. Se alguém tem direito a fanicos e chiliques ainda somos nós. A um cavalheiro, se não se puder exigir decisão e clareza, pede-se ao menos a calma, a graça indolente de uma postura felina, varonil, desempenada: ombros relaxados, aspecto pensativo, ponderação. "Eu só gosto de gente concentrada e com propósito" lá dizia a minha avózinha, com carradas de razão...

Friday, March 16, 2012

Mas a gente entende-se, ou não se entende?

À porta do meu local de trabalho costuma passar um cãozinho (bem grande, por sinal) que é um amor: de longa pelagem dourada, com orelhas fofinhas e cauda a condizer. Suponho que me acha tanta graça como eu a ele, porque cada vez que nos cruzamos faz um "sorriso" e vem atrás de mim. Mas se o chamo na tentativa de lhe fazer festas, reage sempre de maneira estranha: dá um latido de aviso e ó patas para que te quero! Foge, para dali a nada me seguir outra vez. Houve um dia em que andámos nisto cerca de 20 minutos, até eu me dar por vencida. Não sei quais são as intenções do bicho. Se calhar, nem ele sabe. Nunca fui boa a lidar com criaturas que não se definem nem se explicam...

Thursday, March 15, 2012

Ilithyia dixit‏

  Viva Bianca e Craig Parker

"Do not think me the fool. You and I have unfinished affairs"


Eis uma senhora que literalmente não se deixa ficar a gozar as delícias de Cápua enquanto a apunhalam pelas costas. A personagem de Viva Bianca é mázinha, mas com classe. Tem elegância, miolos e poder - condições essenciais para ser uma anti heroina com estilo em vez de uma vilã de meia tigela.

 








O relacionamento com o seu amantíssimo marido, Glaber, é outro ponto de tensão. Muita paixão, muita química, mas estão sempre prontos a tramar-se um ao outro. C ´est la vie.


Wednesday, March 14, 2012

Assim o Céu permita que...


 ...o tempo se conserve risonho e o resto também, porque faço questão de dar um giro medieval este fim de semana. Preparai os alaúdes (e os maravedis) formosas damas e cavaleiros de bom parecer!


O imperador de Roma
Tem uma filha bastarda
A quem tanto quer e tanto
Que a traz mui mal criada.
Pedem-lha condes, senhores,
Homens de capa e de espada;
Ela, isenta e desdenhosa,
A todos lhes punha tacha:
Um é criança, outro é velho,
Este que não tinha barba,
Aquele que não tem pulso
Para puxar pela espada.
Dizia-lhe o pai sorrindo:
- «Inda hás-de ser castigada!
de algum vilão de porqueiro

Te espero ver namorada...

(Garrett, Romanceiro)
 

Frase do dia - Loucos e afins

 

" No Júlio de Matos só está o Estado-Maior, porque o grosso do Exército anda por aí à solta."

(retirado algures da Internet; autor desconhecido)


Tuesday, March 13, 2012

O jacó

Será este o "jacó"?



Em Coimbra é comum chamar-se "jacó do lixo" ao caixote do dito. As primeiras vezes que ouvi a expressão  achei-a deveras cómica. Lá em casa não a utilizávamos: foi sempre caixote, contentor, cesto, lata...
O certo é que ninguém me sabia explicar o porquê de darem ao caixote do lixo nome de gente, embora se levantassem algumas hipóteses (como ideias anti semitas, por exemplo).
Há tempos ouvi uma teoria que me pareceu mais plausível: parece que, quando a Câmara de Coimbra decidiu organizar o sistema de recolha de desperdícios, o responsável pelo projecto era um senhor chamado Jacob. E o povo, vendo os novos contentores, ia dizendo " cá estão as coisas do jacó" ou algo semelhante. Para abreviar, alcunharam-se assim os caixotes, e foi ficando...A isto se chama passar à posteridade de maneira pouco perfumada. Pela mesma lógica, podemos muito bem dar ao caixote do lixo nomes de pessoas desagradáveis. " Vou pôr estes  papéis sujos em fulano, " despeje o conteúdo de sicrana no contentor da rua, por favor" ou até "não atires os pacotes vazios para o beltrano, leva-os ao ecoponto"! É um bom exercício, e nunca se sabe se a criatura passa à história como sinónimo de dejecto....

Pequenas epifanias desta semana:



- Eu embirro com antibióticos. Os antibióticos embirram comigo. É irreconciliável.

- Lembrei-me que sou como a personagem do Sérgio Godinho: tenho as orelhas equipadas com radar. Nem preciso de ter cuidado com as imitações para ver as coisas por dentro e não me deixar levar...

- Já repararam que os morangos estão uma maravilha este ano? A eles, como Santiago aos Mouros!

- Ando a sentir-me rodeada de ostras hermeticamente fechadas, a dar-se ares de ter pérolas. Se alguém tiver um truque que me explique para fazer um "abre-te sésamo" às criaturinhas eu agradeço. Ou isso, ou martelada...Uma pessoa nem sempre está para subtilezas, nem para viver em permanente modo " something wicked this way comes" ou "algo está podre no reino da Dinamarca".


 - Se eu quisesse brincar com fantoches e marionetas, tinha tirado o curso no Chapitô!



Monday, March 12, 2012

A lógica da banana

Carmen Miranda
Em inglês, go bananas é perder a transmontana ou o juízo; em português, diz-se e muito bem que não há coisa pior que um homem banana; em Ançã, ameaça-se "levas um banano!" (como quem diz, um sopapo) e a bananice é considerada um dos piores defeitos que alguém pode ter. Quando acontece algo surpreendente ou violento ficamos abananados...e há quem diga que vivemos numa república das bananas. Ou num bananal, vá.

Tudo isto existe, tudo isto é verdade e o que ainda não é há-de vir a ser, macacos me mordam!


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