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Saturday, May 5, 2012

Crianças, birras e bom senso

Catherine Zeta Jones Actress Catherine Zeta Jones (R) arrives with her husband, actor Michael Douglas and their children Dylan and Carys Douglas, to attend a Royal Investiture at Buckingham Palace on February 24, 2011 in London, England. The 41-year-old Swansea-born actress Catherine Zeta Jones, who became an Oscar-winning Hollywood star was presented with a CBE by Prince Charles, Prince of Wale in honour of services to the film industry and to charity.
Catherine Zeta Jones e Michael Douglas com os filhos, Dylan and Carys Douglas, no Palácio de Buckingham: um amor!
Ao ler este post da Pipoca Mais Doce fiquei absolutamente chocada  com o teor de alguns comentários. Se intervieram muitos pais equilibrados e sinceros nas suas respostas, outros houve que recorreram ao insulto, à ameaça e à má criação maldosa. Tenho mencionado várias vezes que se passou de um extremo ao outro, e que actualmente a questão "crianças" é sagrada, intocável. Pior: muita gente fica histérica à mais leve menção de que alguém possa ter uma visão mais distanciada e racional no que concerne à educação dos filhos.
Pelos vistos, na velha Albion - pátria da rigorosíssima e temível educação à inglesa, com água fria e bordoada- os fundamentalismos do politicamente correcto também já se instalaram. E por cá, não se pode tocar no assunto que não venha o chavão "quando tiveres os teus vais ver!" ou a ameaça "era o que faltava, alguém avisar os MEUS filhos" que servem para tudo, principalmente para dar largas à má criação dos pais.
Pela parte que me toca, duvido que "vá ver" se tiver filhos, por um motivo muito simples: os meus pais eram bastante jovens quando  nasci. Com 28 anos já me tinham a mim e ao meu caro irmão ( cada um uma peste no seu próprio estilo) e responsabilidades que ainda não me passam pela ideia. Ambos fomos extremamente mimados: em afecto, em brinquedos e outros bens materiais, na relação próxima e espontânea com pais e avós, na autonomia para desenvolver e expressar ideias. Gostávamos de conversar com os adultos e era-nos permitida uma liberdade nas brincadeiras que vejo muito pouco hoje em dia. O que não tem nada a ver com indisciplina e atrevimento, coisas que pura e simplesmente não eram toleradas - ponto final. Lá em casa sempre se acreditou que as crianças não são idiotas, logo, não devem ser tratadas como tal com a desculpa "são miúdos".
Na minha família, as regras eram as velhasas crianças são para ser vistas, não ouvidas. Uma criança fala se os adultos se lhe dirigirem. A partir do momento em que é capaz de articular as palavras correctamente, acabou-se a fala à bebé.  Deve ser amável e responder quando lhe perguntam, em vez de fugir com o dedo na boca como uma parvinha. Acanhamento ou ousadia em excesso devem ser corrigidos. Os avisos e pedidos são feitos em privado. Dá-se prioridade aos adultos e às pessoas de idade. Não se permitem queixinhas nem amuos. Não se aponta nem se fazem perguntas embaraçosas. Não se corre em locais públicos, não se salta para cima das pessoas. Em casa dos outros, não se pedem coisas nem se mexe em nada. Uma criança que já se expressa, mesmo que seja pequenina, tem de dizer " por favor", "dá-me licença?", "não se importa?", "posso?", "muito obrigada", "faça o favor", "desculpe", "muito prazer" e "não, obrigada". O ser humano precisa de ser educado para não incomodar os outros e isso só funciona começando de pequeno.
Quer isto dizer que nunca fizemos birras? Claro que não. Podemos minimizá-las mas evitá-las de todo é impossível, embora haja crianças mais atreitas a isso do que outras. Ou porque está cansado, ou com fome, ou com sono, ou doente, acontece. O que se pode - e deve fazer - é minimizar a possibilidade de explosões em público e em caso de calamidade à vista, resolver a questão discretamente .

Ignorar uma birra pode funcionar - mas é uma estratégia a adoptar em casa, onde a gritaria não incomoda estranhos. E já não falo de ralhos in situ, que são um atentado à dignidade.  Há que distinguir a educação de uma criança, que é um assunto relativamente privado, do saber estar em público. Nesse caso já não está em causa a boa ou má criação da criança, mas a dos pais. A única coisa civilizada a fazer é afastar o diabinho e tranquilizá-lo (recorrendo a um sermão, um abraço, uma ameaça de castigo, uma conversa ou um açoite discreto, consoante o caso). Só então se regressa para junto das outras pessoas.
Sou da opinião que há certas reuniões sociais, ou certos locais, em determinados horários, que não devem ser frequentados por crianças, que se aborrecem ou cansam facilmente. Não percebo pais que levam bebés para jantaradas de três horas e perante uma birra quase inevitável ficam surpreendidos, dão -se ao luxo de a ignorar e ainda esperam que pessoas que pagaram bem para ali estar não se sintam incomodadas, ou achem graça ao pobre anjinho. É constrangedor para quem assiste e desconfortável para o pequeno. (Já me aconteceu assistir a situações dessas e pedi pura e simplesmente ao responsável que me arranjasse outra mesa, a  bem dos meus tímpanos).

A introdução social de uma criança deve ser gradual. Havia festas e jantares a que não íamos, principalmente se não havia outras crianças presentes. Em nossa casa, nas ocasiões especiais, muitas vezes armava-se uma mesinha em miniatura (numa saleta à parte, ou ao lado da mesa dos adultos) para que recebêssemos os nossos próprios convidados sem chatear os crescidos.  Eu sentia-me muito grande e importante com isto.
 Para as vezes que jantávamos com os adultos (a não ser em situações de maior formalidade) fomos treinados para pedir licença para nos retirarmos logo que acabássemos a refeição. Nunca saíamos da mesa sem pedir autorização educadamente, mas também não éramos obrigados a estar feitos estátuas e em modo-birra-em-curso. Nas vezes em que as birras aconteceram mesmo (recordo-me de uma vez, tinha eu três anos, que embirrei que queria um estojo de desenho profissional que vi na papelaria, e de outra em férias, com 9 meses, em que foi preciso levarem-me para fora do restaurante) o remédio era esconder-nos, por muito incómodo que isso representasse. Por vezes deixava-se de tomar a refeição em paz, ou de aproveitar a festa, para que os restantes presentes - que não são responsáveis pelos filhos dos outros - o pudessem fazer, como tinham direito.
 E se eu me portasse mesmo mal, estou certa que como pessoas razoáveis, os meus familiares não iam ficar ofendidos se alguém me avisasse, desde que educadamente. Um shut the f*** up! nem pensar, mas um "vamos lá a acabar com isso" era decerto muito bem vindo. Haja humildade e empatia para com os outros, que uma pessoa não se torna um ente sobre humano só porque pôs crianças no mundo. Que mania.

Friday, May 4, 2012

Cintas, saiotes e combinações


Cintas e corpetes dos anos 50

Já vos tenho contado que tive uma avó bastante tradicional quanto àquilo que uma senhora deve ser. Foi ela que me incutiu o gosto pelos tons creme, pelos bâtons nude ( a única cor que usei além do encarnado) e pelas pérolas, entre outras coisas. Também me ensinou a evitar o sol em excesso, a cultivar a modéstia e a não ceder a certos arrojos no comportamento, na linguagem e no vestuário que venha quem vier, nunca hão-de ficar bem. Concordava com ela em quase tudo, mas fartei-me de rir certa vez em que se virou para mim e perguntou se eu ia vestir a roupa "assim junto ao corpo" (estava de jeans e blusa) .

- Então, o que eu que eu havia de trazer por baixo das calças?
- Sei lá! Então sai-se assim, só com o corpo por baixo da roupa? Se algum botão se abre fica a lingerie à vista! - exclamou muito espantada.

Sempre fui cuidadosa com os botões, embora pouco adepta de camisa, camisinha, camisola e camisolão (fico claustrofóbica). Mas fiquei a pensar na conversa.

A avó ainda era daquelas senhoras que acreditavam que a base de tudo era um bom soutien; que por baixo de um vestido ou saia usavam sempre combinação ou saiote  e (caso a figura o exigisse) um corpete modelador ou uma cinta. Isto num tempo em que as roupas eram feitas por medida e bem forradas. Muito tinha ela a dizer nesta era de leggings translúcidas, tecidos finos e molengões, ausência de forros e cintas, cinturas baixas com banhas a abanar e de calcinhas a marcar a saia!

Spanx girdles, 2012

A maior parte  destas máximas de elegância pode adaptar-se aos tempos, mas continua incontornável. Roupas mais reduzidas e macias que se popularizaram a partir dos anos 60, como as t-shirts e os tank tops, reduziram a necessidade de usar tantas peças interiores ou tornaram isso numa tarefa impossível. Por outro lado, os visuais de hoje, sem cintas e combinações obrigatórias, exigem, como todas as liberdades, uma maior dose de bom senso . Não são, como se sabe, adequados a todas as idades e formas.
Nada mais feio do que observar coisas embaraçosas a estragar a beleza de uma mulher, ou uma linda toilette.
Apesar de preferir roupas com tecidos consistentes e um forro adequado, tive vários saiotes para vestir com saias mais finas ou translúcidas . Comprei uma spanx girdle por curiosidade e embora ainda não lhe tenha dado uso, posso dizer que esta peça indispensável para as beldades de Hollywood em dias de red carpet é confortável q.b e teria enorme utilidade para muitas mulheres que vejo por aí (algumas com mais de 50 anos) a exibir abdómens moles de vários andares por baixo de blusas de lycra, ou a mostrar todos os detalhes da roupa interior sob o vestido.
 A spanx girdle é uma versão extensível e maleável das velhas cintas e espartilhos. Não tem costuras nem fechos e existe em muitas cores e modelos, até para usar com um vestido tubo. A sua inventora (que criou a engenhoca a partir de uns collants cortados)  está milionária.
 Este adereço pode ser dispensado por corpos esbeltos e/ou ajudados por tecidos com alguma espessura. Mas é muito útil a quem está menos confiante na sua forma, foi mamã recentemente ou vai usar uma peça coleante: esconde os vincos da lingerie e define correctamente as curvas, sem "altos e baixos" nem tremeliques.
Cantoras, modelos e actrizes, que sabem que vão ter cada centímetro do corpo esquadrinhado pela imprensa, não se cansam dele: Gwyneth Paltrow, Oprah Winfrey, Jessica Alba, Beyoncé, Jennifer Garner e Rebecca Romijn, entre outras, são utilizadoras regulares. As avós têm (mesmo) sempre razão!
 






 

Primark em Coimbra


Parece que lá para o final do ano, vamos ter a Primark por cá, no Fórum Coimbra. Não sou grande fã da  loja para roupas (há de tudo e é preciso paciência) e é sítio onde só entro de manhã e a dias úteis. No entanto, para certos acessórios, como maletas de viagem, roupa interior engenhosa, entre outras coisinhas, é bastante interessante. Resta saber se a Primark vai sofrer do mesmo mal de outras lojas que se instalam na cidade, a nível de stocks: parece que há a mania que esta é "cidade de estudantes" e as marcas apostam mais em enviar para cá as peças "juvenis, desportivas e práticas" das suas colecções. A ver vamos. E já agora, para quando a Sephora, a Kiko e outras que já existem por todo o lado menos aqui?

Thursday, May 3, 2012

Queima das Fitas e o traje malvado


Maio: a cidade está cheia de rosas e a estudantada malcriada (e a bem criada, que isto é um nome carinhoso) entope as ruas. É um cenário que me traz boas recordações, mas saudades nem por isso. Talvez  esse dia chegue, mas para já as memórias são demasiado recentes. Se enquanto estudante já era parcimoniosa nas minhas descidas ao recinto (já lá vamos) actualmente só por grande desafio de gente amiga, ou pelo milagre de uma banda que queira mesmo ver é que dou um ar da minha graça no queimódromo.
 A minha entrada na alegre vida académica começou com o enfiar de um grandessíssimo barrete: o traje académico, que eu durante tantos anos invejara às minhas amigas mais velhas e que a minha avozinha me ofereceu com tanto orgulho. Mea culpa: assim que cheguei à loja, não quis a versão mais baratinha  - e que existia em tamanhos mais pequenos - porque continha fibras sintéticas. Não me apanhavam a vestir uma coisa que me fizesse transpirar e subisse pelas pernas. O traje "bom" só existia do 36 para cima. "Ah, isto aperta-se à medida" disse a senhora da loja, e como roupa por medida é música para os meus ouvidos, foi esse que veio. Aperta daqui, aperta dali, aperta mais um bocadinho (creio que foi ajustado duas ou três vezes) o certo é que a fatiota me saiu um verdadeiro saco de batatas giratório, impossível de manter no sítio- e já o tenho dito, nada me tira do sério como roupa que sai do lugar. As fraldas da camisa passavam a vida a saltar e eu não suporto andar desfraldada. Não havia vez que aquela malfadada saia não se virasse ao contrário. E a capa...bom, foi desenhada para homens e adaptada a nós. Faltava-me amplitude e gingar de ombros para a manter no sítio. A experiência demonstrou-me que alguns tecidos naturais tendem a alargar e que por vezes um bocadinho de strecht tem a sua utilidade. (Mais tarde,  primas minhas optariam pelo traje mais económico e caiu-lhes bastante bem). Enfim, até aprovarem o colete para as raparigas e a saia levar uma puxadela final, o ambicionado traje foi um verdadeiro desmancha - prazeres.
Felizmente, ao contrário de muitas colegas nunca tive quaisquer problemas com os sapatos: saíram impecáveis e não me magoaram nem em dia de estreia. Mas a isso ajudou uma chuva como a de hoje, que nos encharcou até aos ossos em pleno cortejo...
 O meu outro problema - e que tornava cada Queima das Fitas um verdadeiro teste de sobrevivência - era o facto de não ser permitido usar qualquer carteira com o traje. Já viram bem os bolsinhos mínimos do casaco? Arranjei mil engenhocas para conseguir levar comigo um porta moedas com cartão multibanco, um pente, pó compacto, bâton, toalhetes húmidos e meia dúzia de outras coisas sem as quais não saio à rua. O mais vulgar era usar a pasta académica à laia de clutch (onde cabiam collants suplentes, que nunca pude ver estudantes com meias rotas, assim como acho intolerável que se transforme o traje em mini saia).
Mas podem imaginar o jeito que dá dançar com ela debaixo do braço e com a capa a escorregar pelas costas abaixo.
 Por fim, o Queimódromo: aquilo só pode ser o local mais húmido da Terra. Não há onde sentar (é para isso que serve a capa, mas quando está frio como se tapam as costas?) e não percebo porque é que ao fim de tantos anos a saber-se que é ali que se realiza a Queima, não constroem uns WC decentes. Ficava mais barato do que alugar aquelas retretes portáteis e mal cheirosas ano após ano.
Por muita cautela que haja, é sempre uma latrina. E quem não tem o cuidado de se munir de dodots e lenços de papel, hein? Esperam que se limpem às urtigas? Que se refresquem no rio? Está certo que há estudantes desmiolados que se fossem dar um mergulho não se perdia nada, como um conhecido meu que se atirou ao Mondego a gritar que "a Força" estava com ele. Mas não exageremos.



Wednesday, May 2, 2012

Irina, Panikes e bidés


Nham, nham...o que me apetecia era um Panike!

 
Tenho para mim que se eu conseguisse arranjar uma foto da Irina Shayk a comer um panike de chocolate, posando sensualmente ao lado de um bidé, caía-me meio mundo aqui no blogue (ora aí está uma publicidade que literalmente não se pode comprar). Já perdi a conta aos visitantes que cá aparecem por causa desta menina com sangue de espia, que ainda há dias criticou o hotel de 5 estrelas lisboeta que lhe arranjaram como se fosse uma arquiduquesa da Rússia, e no entanto lá vai kizombando com D.Dolores, Ronalda e companhia  sem se queixar muito - um raciocínio deveras complexo para os meus neurónios 100% forjados na Europa Ocidental.
 Enfim, que a Irina atraia visitantes é compreensível. Mas o pessoal dos panikes e bidés (cujas leituras são muito bem vindas) já me dá que pensar. Sei que vêm aqui ter através de pesquisas no Google como " panikes", "panikes de chocolate receita" ou "bidé". Ora, no caso cá do blog, o que aparece nos resultados são dois textos chamados " Eu embirro com Panikes" e "Manifesto Anti Bidé" - claro e inequívoco, que aqui não se engana ninguém. Mesmo assim optam por ler os textos. Será que pensam " como é que é possível que alguém embirre com panikes? Não pode ser, vou tirar isto a limpo" ou " esta só pode estar a gozar! Então não gosta de bidés"'?
É um mistério, do qual tiro duas conclusões:
 
- A Panike e as marcas de louças de banho deviam contratar a Irina: já se viu que é uma combinação de sucesso.
- Se soubesse que não levava com um processo em cima, mandava fazer uma t-shirt oficial cá do burgo a dizer "Eu embirro com Panikes".

Tuesday, May 1, 2012

A Sombra



Waterhouse- Decameron
Dr Jekyll and Mr Hyde, de  Robert Louis Stevenson, Dorian Gray, de Oscar Wilde e o serial-killer-fofo-e-justiceiro, Dexter são - entre outros exemplos -  personagens com algo em comum: um lado lunar, secreto, perigoso. As suas personalidades são compartimentadas e carregam consigo um passageiro sombrio que se atreve a fazer coisas inconfessáveis, que os aconselha para o mal, ou que - particularmente no caso de Dorian- carrega o peso e as consequências de todas as transgressões. Valmont e Merteuil, de Laclos, sofrem do mesmo mal, embora de forma mais fria e consciente: mantêm o "hóspede negro" sob controle, ao serviço das suas maldades. No caso destes dois, não sabemos ao certo onde está Jekyll e onde está Hyde, pois a sua faceta bonitinha e amável é muito mais perigosa do que o monstro que se esconde por trás dos panos de brocado. No final do livro, quando a sedutora dama fica desfigurada pela varíola, diz-se por Paris " parece que a viraram do avesso e que agora é que a sua verdadeira face está à vista".
Todos temos uma câmara secreta onde se esconde o nosso aspecto mais selvagem e sombrio. Este pode ser um alter ego mais ou menos independente ou desenvolvido,  ou manifestar-se em camadas, de vez em quando. Por vezes,  o nosso passageiro obscuro age como um professor, que nos obriga a encarar a realidade, a ser destemidos, a sair da nossa zona de conforto. Para nos encontrarmos, para que nos tornemos em quem realmente somos, é necessário aceitar a sua existência. Só podemos manejar o que conhecemos. O que não significa soltá-lo por aí à vontadinha, aos trancos e barrancos, a usurpar o nosso lugar, como no conto popular ( adaptado por Andersen) da Sombra que acaba por matar o dono.
A Luz e as Trevas complementam-se mas devemos ter um plano detalhado  de nós mesmos, da pessoa que desejamos ser, e misturar os tons claros e escuros (doçura e valentia, assertividade e gentileza, sedução e inocência, paciência e decisão...) para lá chegar. Com muitos exames de consciência pelo meio.
 Digo isto a propósito da data: estamos a meio do ano, no momento em que a Luz e a Sombra se encontram, se aceitam, se equilibram. Daqui a pouco mais de um mês o Verão chega e a luz ofusca-nos para começar a  decrescer logo a seguir. Hoje é o dia para reflectir, para formular desejos, para abraçar as nossas virtudes e defeitos e direccioná-los para algo de bom e construtivo. So be it.



Monday, April 30, 2012

In the lap of the Gods: Beltane

Turin Turambar, por Liga-Marta

Do not stray from the Gods and they won´t shy away from you. Keep your eyes open; light your bonfire, cling to your sword and shield. Look ahead but never forget. The wheel has turned, the rewards shall come. It is written in stone: be patient and never let go...


(Deixo-vos com duas canções que ilustram bem o espírito desta noite: have a merry Beltaine Eve, everyone)

Turn the Page, Blind Guardian:


In the lap of the Gods revisited, Queen:








Mistérios da física‏

Parece que trago um monstro destes...(a isto eu chamo desvirtuar a pobre Birkin que não fez mal a ninguém e tão maltratada é...)

Se houver algum cientista genial entre os meus leitores, agradeço que me esclareça este mistério.

Em geral, no dia a dia uso carteiras médias-grandes e procuro sempre modelos sólidos, mas leves. Também tenho o cuidado de não as "engordar" muito. Mesmo assim, algumas delas, nem que levem só meia dúzia de coisitas pesam que eu sei lá. Muda-se o conteúdo - exactamente os mesmos objectos-  para uma carteira diferente e parece que já não pesa nada.  Claro que a forma como o peso está distribuído, o tipo de alças, etc... tudo isso conta, mas ainda assim a diferença é enorme. Parece o enigma do meio quilo de ferro ou meio quilo de algodão...

Sunday, April 29, 2012

Os homens mais sexy da História

Henry Cavill

Não deixemos que o pó dos séculos nos engane: as páginas da História estão cheias de sex symbols capazes de pôr a um canto os galãs dos nossos dias. Pela beleza, carisma, valentia, e pela aura de romantismo que criaram à sua volta, estes garbosos senhores detêm o direito perene ao título "Your Royal Hotness".




Alexandre Magno


 (356 -323 a.C) Filho do Rei Filipe II da Macedónia e de Olímpia de Épiro, sacerdotisa de Dioniso, tornou-se rei aos 20 anos.  Por altura da sua morte, aos 32, tinha conquistado o maior Império visto até então. A sua juventude e beleza, o mito de uma origem divina ("Filho de Zeus" ou de Dioniso, consoante as lendas) o casamento controverso com Roxana -filha de um obscuro chefe das províncias conquistadas- e as suas complexas relações pessoais fizeram dele o mito sensual de  gerações.





Vercingetorix


(72 - 46 a.C)  Rei dos Arvernos, o seu nome significa, aproximadamente, "Chefe Supremo dos Guerreiros". Carismático, louro, imponente , o jovem nobre personificava a imagem dos grandes e temíveis guerreiros gauleses.
Verdadeiro génio militar, liderou uma das maiores revoltas celtas contra Roma, acabando por ser derrotado na trágica Batalha de Alésia. 
Vendo-se vencido, rendeu-se em grande estilo: vestiu a sua magnífica armadura, montou o seu corcel ricamente ajaezado e deu três voltas ao acampamento de Júlio  César antes de depôr majestosamente as armas. Continua a ser um símbolo do orgulho francês.


Viriato


( ?-138 a. C) O "Rei- Pastor" - título conferido a líderes de origem divina na antiguidade - foi outro chefe celta que causou grandes dores de cabeça aos romanos. Exasperados, os generais romanos terão mesmo comentado " na parte mais ocidental da Península Ibérica vive um povo que não se governa nem se deixa governar!".  Os vários significados atribuídos ao seu nome relacionam-se com "masculinidade, virilidade, honra, nobreza" e com os virae, adornos usados pelos guerreiros celtiberos. Embora a sua figura continue envolta em alguma obscuridade,  predominam as descrições de Viriato como "um verdadeiro príncipe", corajoso, magnânimo, grande estratega, um homem "na flor da idade, de grande força física" e com "todas as características dos lendários Reis celtas".






D. Afonso Henriques


(1109? - 1185) O nosso primeiro Rei, O Conquistador , não poderia deixar de figurar nesta lista. Assumiu o governo com apenas 19 anos e em 1139 proclamou-se Rei - apesar do reconhecimento da independência Portuguesa só chegar em 1143. Pouco se sabe sobre o seu verdadeiro aspecto físico, embora a lenda sobre a sua espada, que nenhum outro homem conseguia manejar, e os relatos das suas façanhas nos tracem o retrato de um perfeito varão medieval.  A sua bravura e o  seu carácter férreo, intempestivo e determinado fazem o resto: não há nada mais sexy que um homem decidido.




Raimundo I de Antióquia 


(1115 – 1149) Filho mais jovem de Guilherme IX (Duque de Aquitânia e Conde de Poitiers) Raimundo tornou-se Príncipe de Antióquia numa aventura digna de romance. Como filho mais novo, era de esperar que construísse a sua própria fortuna ou se contentasse com uma vida obscura. Ao ser apontado como o pretendente ideal para a jovem Constança, herdeira de Boemundo II de Antióquia, aproveitou a oportunidade sem pensar duas vezes. No entanto, foi necessário fazer crer à mãe da noiva, a arrogante viúva e regente Alice de Jerusalém, que seria ela a escolhida. Ainda jovem e bonita, Alice corou de alegria com a proposta - e quase morreu de despeito ao saber o logro de que fora vítima. Mas teve de engolir a afronta e Raimundo, com 37 anos de idade, tornou-se Príncipe de Antióquia ao lado da sua noiva adolescente. Raimundo de Poitiers era considerado um dos homens mais fascinantes da cristandade. O arcebispo de Tiro descreveu-o como "um senhor de ascendência mui nobre, de figura alta e elegante, o mais belo dos príncipes da terra, um homem de conversa e afabilidade encantadoras, de coração aberto e magnífico para além da medida".  Dizem que tinha o hábito de, por fanfarronice, se pendurar em peso na porta do castelo, segurando o cavalo entre as pernas musculosas, o que nos dá uma ideia da sua envergadura física... Em 1148, durante a Segunda Cruzada, foi acusado de ter uma relação adúltera e incestuosa com a sua belíssima sobrinha, a célebre Leonor de Aquitânia. Após muitas aventuras - nem todas coroadas de êxito - o exuberante Príncipe morreu tragicamente  na batalha de Inab.




D. Pedro I, o Cruel ( também chamado O Cru ou o Justiceiro)


(1320 - 1367) Amado pelo povo enquanto Rei, o Príncipe  Até -ao -fim-do -Mundo-Apaixonado era conhecido pela sensualidade -  tanto antes como depois da sua trágica história de amor com a bela Inês de Castro. 
O carácter obsessivo e a extrema lealdade à sua amada conferem-lhe a allure de anti herói romântico, material para lendas. Quando a Madre Abadessa do Convento de Santa Clara, que convivera com o casal antes da morte de Inês, pediu ao príncipe que contivesse os seus furores em nome "da sua honra e do seu bem" D. Pedro terá respondido, apontando para o túmulo da amante " minha honra e meu bem estão ali". A mulher que nunca desejou ser adorada desta maneira que atire a primeira pedra...
 Curiosamente, o seu sobrinho e homónimo D. Pedro, o Cruel, de Castela - que lhe entregaria os carrascos de Inês de Castro refugiados no seu país - também viveu um amor amaldiçoado que foi a sua desgraça, com a fidalga D. Maria de Padilla.





D.Manuel I


(1469-1521) O Venturoso era um dos Reis mais afortunados e bem parecidos do seu tempo: elegante, "de boa estatura, de corpo mais delicado que grosso, (...) os cabelos castanhos,  (...) os olhos alegres, entre verdes e brancos, alvo, risonho, bem assombrado" rico e com poder quase absoluto, gostava de vestir bem e de se divertir.  Em 1498, já duas vezes viúvo e tendo jurado não voltar a casar, desposou com certo escândalo a jovem noiva  do próprio filho -  a linda Leonor da Áustria (irmã do Imperador Carlos V e filha de Joana a Louca e de Filipe, o Belo).  O Príncipe D. João, que se apaixonara pela sua prometida, teve um enorme desgosto.  D.Leonor não foi tida nem achada na decisão, mas não consta que tenha chorado a troca...






César Bórgia


(1475-1507)  Maquiavel inspirou-se nele para a sua obra imortal, O Príncipe. Filho do Cardeal Rodrigo Bórgia (futuro Papa Alexandre VI )e da sua amante Vanozza dei Cattanei, da Casa de Candia, César Bórgia foi um dos homens mais belos e influentes do Renascimento. Inicialmente destinado à carreira eclesiástica, com o assassinato misterioso do seu irmão Giovanni - crime que as más línguas chegaram a atribuir a César - colocou o seu génio militar ao dispor dos interesses da família. A relação conturbada e intensa com a  irmã, Lucrécia, e uma ligação de paixão-ódio com a famosa Caterina Sforza são apenas algumas das peripécias da atribulada vida pessoal do Duque Valentino. Com a morte do pai, perdeu rapidamente o poder. Morreu em combate em Espanha, ao serviço do Rei de Navarra.




Giuliano de' Medici


(1453-1478) Filho mais novo de Piero de Medici, irmão de Lorenzo, o Magnífico, co-governante de Florença e grande patrono das artes, Giuliano era considerado um "golden boy". Bonito, confiante, másculo e atlético, terá sido o modelo para o Marte de Botticelli - a Vénus foi a sua amante Simonetta Cattaneo de Candia, mais conhecida por Simonetta Vespuccio: eterna musa do genial pintor, parente de César Bórgia, a mais bela mulher de Florença - e provavelmente de todo o Renascimento.
Giuliano, o orgulho da casa de Medici, foi assassinado com apenas 25 anos, trespassado por uma espada e apunhalado 19 vezes. Deixou a sua noiva, Fioretta Gorini (que por morte de Simonetta, tomara o seu lugar) grávida do futuro Papa Clemente VII.







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