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Saturday, May 19, 2012

Peregrinos zombificados





( Pois, mais ou menos assim!)

Já vos tenho contado que sou campeã de pesadelos disparatados. A minha imaginação acordada já é o que é e a dormir, sem os freios da racionalidade, ultrapassa tudo.  Anteontem  juntei o meu medo de zombies ao facto de me cruzar diariamente com peregrinos de Fátima, nos meus movimentos trabalho-casa. Não posso começar a  dizer o que penso de permitirem um trajecto tão perigoso (e desagradável) para a peregrinação, quando há rotas alternativas, com sombra e mais seguras, para chegar ao mesmo sítio sem desafiar camiões. É caso para dizer, fiam-se na Virgem...todos os dias tenho medo de assistir a uma desgraça!
Isto deve ter-me incomodado de tal maneira que  sonhei que todos os peregrinos na Estrada Nacional eram zombies a caminhar em horda. Sabem as "manadas" de mortos vivos que aparecem na série "The Walking Dead"'? Assim mesmo. (Deus me perdoe, e nos livre de tal...) . Zombies de colete reflector a andar em frente e a rosnar, à beira da estrada, sem atacar os carros que passavam. Só tentavam morder nos cruzamentos e nas saídas dos viadutos. Eu estava siderada e gritava "fechem os vidros, fechem os vidros, vamos pela auto estrada que eles não andam por lá" ( suponho que ainda tivessem a memória de quando eram peregrinos não zombies e tinham o bom senso de evitar as vias rápidas para não apanharem multa).
 O mais estranho é que a série não mostra - para já - o efeito do Apocalipse zombie na Europa, mas se o fizesse, era bem possível que o cenário do Portugal pós zombie outbreak fosse mais ou menos assim, pelo menos se o cataclismo começasse em Maio (vade retro...).
Agora é só esperar que o Romero e os produtores da série saibam disto, reparem que filmar em terras lusas até tem custos simpáticos e queiram aproveitar a minha ideia. Há que pôr os sonhos doidos a render, que o susto já ninguém mo tira. Ou isso, ou começar a planear umas férias no Júlio de Matos.

Pompons assassinos

Podem fingir-se fofinhos à vontade que a mim não me enganam!!!

A Primavera é a estação mais pantomineira do ano. Tudo muito lindo, florzinhas, bichinhos e o amor e o Beltane, mas as alergias provocadas pelos pólens necessários para que tudo isso aconteça é que não são nada simpáticas. Por todo o lado, esvoaçam os malditos pompons branquinhos, fofinhos, macios...e carregadinhos de partículas particularmente inimigas do meu delicado sistema. Não só sujam tudo, como se instalam no cabelo e na roupa das pessoas, garantindo um lugar confortável para incubar as suas malvadezas. O resultado é desastroso: tenho de andar por aí com anti-histamínicos que fazem tonturas - e por mais que se diga que é romântico, não há nada de glamouroso em desmaiar ou parecer "uma flor delicada" como as senhoras do antigamente. Isto se a coisa correr pelo melhor e não se manifestar a "alergia de família" que é ainda pior do que a urticária  que me provocam as pessoas malcriadas e sem noção. É sempre o mesmo - e quando atacam numa semana em que tenho compromissos importantes, como foi o caso desta, pior um pouco.

Tuesday, May 15, 2012

Uma revolta de "it girls" na Roma Antiga



Apesar  de as mulheres romanas gozarem de direitos e liberdades apreciáveis  - que foram aumentando ao longo dos períodos da República (509 a.C- 27 a.C) e do Império (27 a.C - 476 d.C) - era socialmente esperado que cingissem o seu papel aos bastidores, pelo menos na aparência. Uma cidadã romana devia ser um modelo de virtude, elegância e modéstia, demonstrando uma graciosa obediência perante o pai e o marido. De uma maneira geral, era isso que acontecia – mover os cordelinhos às ocultas era o suficiente para as mulheres de famílias poderosas e fazia parte do modus operandi feminino. Porém, houve excepções à regra e o protesto contra a Lex Oppia (195 a.C) foi uma delas. Talvez porque a paciência de uma mulher é longa, mas tem limites. Ou porque esta lei interferia precisamente em "coisas de mulheres": mais concretamente, em assuntos de modas e elegâncias.


 


A Lex Oppia (ou Lei Ópia) foi uma medida económica criada no auge Segunda Guerra Púnica* (218-201 a.C) para dar resposta às dificuldades financeiras causadas pelo esforço bélico após a catástrofe da Batalha de Cannae. Esta medida impôs uma série de restrições não só na posse de riqueza, mas também nos seus sinais exteriores, e viria a delinear a moldura legal para futuras leis sumptuárias. A Lex Oppia (por ter sido instituída por Gaius Oppius, tribuno dos plebeus) criou uma série de limitações supostamente temporárias no comércio e uso de bens de luxo. Uma vez que tantos homens tinham perecido na guerra, muitas mulheres tinham herdado os seus bens e por isso, viram condicionado o uso do seu próprio dinheiro, que ficava de certo modo “à guarda do Estado”: Só podiam possuir determinadas quantias e jóias, estavam proibidas de usar roupas requintadas e de cores garridas (nem mesmo a púrpura em período de luto) e não lhes era permitido circular dentro da cidade em veículos atrelados a não ser em festivais religiosos, entre outras regras que procuravam impor uma certa severidade de costumes.

 A início, esta austeridade foi acatada com zelo patriótico, provocando poucos protestos. No entanto, com o final do conflito e o regresso da paz e da abundância, a sua revogação ou preservação gerou acesos debates.

 Desta feita estava em causa o que era moral e socialmente desejável, mais do que preocupações de ordem económica. Alguns, como o severo Catão, desejavam combater a extravagância, sustentando que a ostentação convidava à ganância, à dissipação das fortunas pessoais e à corrupção "é necessário conhecer as doenças antes dos remédios; as paixões nascem antes das leis destinadas a refreá-las". A indulgência e o luxo também eram vistos como prejudiciais às tradicionais virtudes militares.

  Outros, como o tribuno Lúcio Valério, defendiam a necessidade de acabar com uma lei que ia contra a ancestral elegância feminina ...a elegância, as tinturas, as roupas, eis as insígnias das mulheres, eis o que faz sua alegria e sua glória." Lúcio acrescentou ainda que as mulheres romanas sempre tinham sido sensatas, e que esta era uma lei disparatada em tempo de prosperidade.
      Ideologias à parte, a verdade é que fora da cidade de Roma, há muito que mulheres tinham voltado ao seu antigo modo de vida. Nas cidades vizinhas era-lhes permitido empregar o seu dinheiro como bem entendessem, passear de carruagem e usar as roupas luxuosas que há tantos anos não eram vistas na Capital. Pior ainda: aos homens dentro das portas da cidade não eram impostas restrições semelhantes. As senhoras de sociedade tinham dado o seu contributo para o esforço de guerra, tinham lidado o melhor que podiam com o “chic pauvre” – agora estavam cansadas de modéstia. Queriam de volta as suas heranças, os seus adornos e toilettes elegantes! Ainda aguardaram pacientemente o desenrolar dos acontecimentos, como convinha a matronas e meninas de comportamento apropriado. Porém, vendo que as negociações se inclinavam para a preservação da detestada lei, decidiram agir, contra os costumes que ditavam que uma mulher não devia ser demasiado vista em público, quanto mais intervir publicamente.
 Perderam a vergonha, reuniram-se e saíram à rua em protesto. Roma nunca vira coisa igual! A multidão compacta de mulheres aumentava de dia para dia à porta do Fórum, bloqueando a entrada: mais e mais se juntavam, vindas dos arredores, muitas à revelia dos maridos, entupindo as ruas, atrapalhando o trânsito, atrevendo-se a subir as escadas para interpelar os cônsules, magistrados e pretores que, assarapantados, tentavam entrar ou sair. Colocavam-se junto aos tribunos que tentavam vetar a revogação da Lei e não os deixavam em paz, com imprecações e apupos, até que retirassem o veto.
 Nem os acesos discursos de Catão, que ralhou contra “ a liberdade ameaçada pela fúria feminina” as demoveram. “ Não controlámos as mulheres dentro de casa, e agora tememo-las em grupo!” disse, furioso. “Corei quando vi isto. Que comportamento é este? A correr por aí em público, a bloquear as ruas, a falar com os maridos das outras! Não podíeis ter pedido aos vossos maridos o mesmo em casa? Sereis mais encantadoras e persuasivas na rua, em público, com os maridos alheios? E de qualquer modo, o que aqui se passa não vos diz respeito!”. Mas o discurso foi em vão: a insistência do mulherio foi tal que os tribunos sabiam à partida que tinham perdido a batalha. A Lex Oppia foi revogada nesse ano de 195 a.C como resultado do protesto feminino – prova provada que é muito má ideia intrometer-se entre uma mulher e os seus arrebiques.






Monday, May 14, 2012

Alcunhas para ex


Tropecei nesta imagem amorosa do Monstro das Bolachas, que me fez lembrar uma private joke que tinha com um amigo. Ele era muito vaidoso, bastante namoradeiro e um grande filósofo.  
  Foi quem me ensinou uma frase incontornável : as notas de 50 euros não andam para aí a voar - alguém as agarra rapidamente!  Ou seja, uma pessoa espectacular nunca fica sozinha ou sem emprego por muito tempo.
Também era muito divertido (quando não tinha os seus momentos francamente parvos) e fazia uma imitação extraordinária do Monstro das Bolachas só para me obrigar a rir. Tantas vezes o fez, e tantas vezes se mencionou a máxima da nota dos 50 euros, que uma coisa ficou ligada à outra e "Monstro das Bolachas" acabou por se tornar um eufemismo para ex. Daí a ser adoptado por outros amigos nossos foi um passo, que eu sempre tive um dom inexplicável para pôr alcunhas que pegassem, e com um "parceiro no crime" pior um pouco. "Vamos mudar para o outro lado da rua, que vem aí o meu Monstro das Bolachas"  ;  "Então, estás tão tristinho? Não me digas que  viste o Monstro das Bolachas! " ; "Anda toda contente porque recebeu uma mensagem do Monstro das Bolachas dela". Percebem a ideia. O simpático "Cookie Monster" traduzia, sem cair no insulto, um antigo namoro, actual arrufo, pedra - no - sapato -com -potencial -para -uma -segunda -chance, monstro sim, mas fofo e perdoável. Não era tão ofensivo como o inenarrável o meu falecido, que tanta gente usatão condescendente como esse senhor (a) nem tão drástico como Besta 666 ou Anticristo - private joke reservada às pessoas mesmo mazinhas e insuportáveis, vulgo candidatas a ordem de restrição.

Sunday, May 13, 2012

Where the roses grow

Kylie Minogue, "Where the Wild Roses grow"

A zona onde moro está coberta de rosas: nos jardins onde os pinheiros e sobreiros convivem alegremente com canteiros e relvados, nas escadarias, muros e morros: até as velhas casinhas de pedra da aldeia antiga se enfeitaram de grinaldas escarlate vivo e rosa escuro. Há luxuosas rosas de estufa, com os seus caules longos, formato de tulipa e pétalas espessas, crescendo ao ar livre numa beleza desafiante e gloriosa - branco gelo, branco sujo, amarelo imperial, rosa cálido, rosa chá, encarnadas; opulentas rosas de bouquet, de pétalas envernizadas rouge-noir, quase, quase negro e outras pálidas, de uma fragilidade deslumbrante; buliçosas trepadeiras vermelho sangue, amarelo matizado de laranja fogo, branco puro; pequenas rosas selvagens rosa velho em montinhos de jardim inglês; fofas rosas da velha Albion abrindo como ousadas peónias, ao alcance das mãos. Rodeadas de lírios selvagens azul cobalto, cor de gelo, roxo real; de papoilas gigantes, encarnadas, majestosas; de solenes e coloridas flores de jardim e atrevidos cravos; de cerejas a amadurecer e giestas tímidas; de campainhas púrpura, pervincas húmidas e heras sombrias, sob um fundo de vários matizes de verde luxuriante e doces sombras. Formosura de Maio, sem nada de subtil - adorável, extravagante, evidente, garrida, vaidosa de si mesma. A obrigar os sentidos a estar alerta, a entrar pelo campo de visão sem admitir réplica, a despertar-nos o espírito. Mergulhando-nos em beleza, mesmo sem querer. Sublime.

Reflexão de Domingo - fix what´s broken


Imaginemos que temos em casa uma belíssima peça de estimação: uma relíquia da Companhia das Índias, um espelho veneziano do século XV, um delicado serviço de porcelana inglesa. Num momento de fúria, perdemos a cabeça e atiramo-la  contra a parede, estilhaçando-a em mil pedacinhos. Depois caímos em nós e queremos recuperá-la -  mas rápido, para ontem e sem rachadura alguma, como se nada tivesse acontecido. Creio que nem o maior especialista em restauro seria capaz de tal proeza, pelo menos não de um dia para o outro: é um trabalho de amor, de paciência, de persistência, que exige os instrumentos e meios correctos e o tempo certo (nem mais, nem menos) para reparar os golpes. Atropelando estas fases, dificilmente voltará a ser o que era. Provavelmente, haverá brechas que vão sempre ficar. Assim é tanta coisa na vida...


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