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Saturday, June 2, 2012

Tu não me dás valor!!!

Michael Fassbender

Se o mulherio peca por usar o lugar comum "eu vou lutar por ele" a torto e a direito, os homens levam a palma pela quantidade de frases-chave que empregam.
"Não és tu, sou eu", "foi ela que me provocou", " juro que ela não significa nada para mim"," se te quiseres ir embora, ainda vais a tempo", " a culpa não foi minha" e " foi uma tentação, não volta a acontecer" são apenas amostras de um longo dicionário de provérbios a usar em caso de emergência (entenda-se, quando fazem asneira ou andam em "modo sacana"). Bem dizia a minha santa avozinha que os homens lêem todos o mesmo livro...
 Porém, poucos chavões masculinos são tão versáteis como o bom e velho " tu não me dás valor" também conhecido por " tu não me aprecias" ou " tu não me sabes agarrar". Certos senhores adeptos de um linguajar mais típico poderão dizer " tu não me sabes dar o balor".
Esta é uma estupenda desculpa passivo-agressiva para sair airosamente de apuros, fazendo quem está do lado da razão sentir-se culpada e insegura. Claro que há mulheres maldispostas, rezingonas, críticas e ingratas que não dão um minuto de sossego ao parceiro e gostam de o fazer sentir-se abaixo de zero - em casos destes, o estribilho tem razão de ser.  Ou aquelas que, coitadas (por masoquismo ou porque não têm opção) se mantêm ao lado de maridos que só fazem disparates e insistem em ralhar-lhes todos os dias, por mais que saibam que não resolvem nada com isso - ganhando injustamente fama de refilonas e autoritárias, quando se limitam a estar pelos cabelos. Mas não é desses casos que vou tratar aqui. 
   Falo de cavalheiros que, por mais que conheçam a mulher por quem estão apaixonados e saibam que não têm a seu lado uma mulher da luta, nem uma aventureira disposta a suportar todas as faltas de respeito para chegar a um objectivo, insistem em ir fazendo tolices, em esticar a corda mais um bocadinho, pensando"ora! falas, falas, mas aposto que na hora H acabas por andar atrás de mim". Não importa o quanto a namorada lhe demonstre por A+ B que é uma mulher com os pés assentes, serena, independente,  que gosta dele mas pode lindamente viver sem ele e que há mais homens à face da terra caso se arme em esperto. Vai mantendo a má atitude, prometendo emendar-se e continua exactamente na mesma. Até que a moça se cansa e o manda passear. E ele, em vez de se corrigir de uma vez ou desistir e ir à sua vida, empenha-se em tentar ter o melhor dos dois mundos: vai-lhe fazendo juras de amor e ao mesmo tempo  pregando mais uma partida aqui, outra ali, como quem diz: 
" Ora! Não é possível que esta não corra atrás de mim. Todas o fazem, todas! Isto é basófia com certeza. Deixa cá ver, agora vou fazer-lhe ciúmes a ver se ela fica tão furiosa que confessa que não pode viver sem mim: vou convidar a colega que ela mais detesta para jantar no nosso restaurante preferido. Aposto que ela aparece lá e parte a louça toda. Boa! Sou um génio!". E não percebe que na sua teima cada vez a vai afastando mais, porque mulheres que não foram feitas para correr atrás não correm mesmo, por mais provocações que lhes  ponham à frente. Não competem, não se digladiam, não insistem com quem não tem juízo nem se matam pelo que não tem remédio. Passam a borracha e seguem em frente, porque quem quer proceder com hombridade e resolver o que estiver pendente resolve-o logo, não anda por aí em joguinhos, a mudar de ideias nem a fazer fosquetas.
 Vendo que não leva a sua avante o nosso herói vai chorar no ombro da mulher da luta mais próxima, que tem assim um triunfo temporário e umas migalhinhas. Porque essas estão sempre disponíveis: dizem que sim a tudo, desculpam todas as afrontas, esquecem todos os desgostos e ainda lhes dizem " meu querido, ela não te merece. Quem julga ela que é? Tu que és tão lindo e querido e bom partido e mimimi". Mas entretanto ele lá percebe que a farsa não está a funcionar, que as mulheres da luta não dão luta e logo não têm graça, e temos teatro outra vez.
- Se aconteceu o que aconteceu, a culpa foi toda tua! - diz ele.
- É boa! que culpa tenho eu que quisesses andar em trampolinices com "senhoras" desse estilo? - responde a sua amada.
- Deixaste-me ir! Não mexes uma palha por mim! Tu não lutas por mim! Tu não me dás valor! Tens o rei na barriga! Nunca me defendes!
E ela fica-se a olhar, pensando que lhe dá valor sim, mas não a pontos de ir parar ao manicómio por causa dele; que não tem filhos daquela idade;que só lhe faltava andar a guardar um homem tão grande e a ensinar noções de cavalheirismo e civilidade a alguém maior e vacinado, com obrigação para saber o que quer. Mais ainda, fica sem perceber para  que quer ele transformá-la numa "mulher que luta por ele" quando há tantas dessas a dar sopa por aí, aos montes. Há mistérios sem explicação.











Friday, June 1, 2012

A Lua do Centauro

Na próxima Segunda feira teremos uma Lua Cheia em Sagitário. O nono signo do Zodíaco, associado ao Fogo e à imagem do centauro, remete-nos para a ideia arquetípica do cavalo como símbolo de poder. É um dos quatro signos mutáveis e a sua natureza dual recorda que tal como os lendários centauros - metade animais, mas grandes sábios e artistas - até o mais refinado dos humanos encerra uma besta selvagem dentro de si. Por muito que a ciência e a racionalidade procurem impôr-se, o nosso instinto primordial está sempre lá. Dependendo da natureza de cada um poderá vir à tona na hora certa, ajudando na tomada de decisões rápidas ou actos de bravura, ou (como força bruta que é) ser mal direccionada e deitar tudo a perder.
 Qualquer poder é potencialmente destruidor... e o do centauro é luminoso, sensual e intenso. Em tempos idos, o cavalo estava intimamente ligado à fertilidade, à vitória, à riqueza. A Lua de Sagitário encerra os dois extremos: a luz e as trevas, o caos e a ordem, a gentileza e a crueldade. Uma energia impossível de refrear, mas focada num objectivo claro. O centauro aponta as flechas para o prémio e não se detém em nenhum obstáculo - desbravando caminhos, cruzando fronteiras, alvejando sonhos.
 Não há altura melhor para meditar no caminho a seguir: usando o nosso lado instintivo, livre das pressões do ego, e capitalizando a energia crua e incontrolável que se vai fazer sentir para fazer girar a Roda do Destino. Ou seja, uma influência astrológica que vem mesmo a calhar numa altura de encruzilhadas, escolhas importantes e novelos que teimam em rebolar pelos cantos...

Desenganem-se!

                         
Meninas que usam saias e calções curtos sem ter confiança nas próprias pernocas, não me levem a mal o reparo: usar collants de vidro extra brilhantes e apertados não é a solução. Eles não são invisíveis, não bronzeiam, não escondem vasos dilatados, nódoas negras e poros encravados e lá por comprimirem horrores, não fazem desaparecer a celulite nem adelgaçam. Pelo contrário, tudo o que brilha dá a ilusão de volume, fazendo pernas que até são apresentáveis parecerem chouriços com vida embalados em película plástica. Além disso não deixam a pele respirar, fazem imensa comichão e com este calor, nada dá tão mau ar como parecer transpirada. A única coisa que conseguem com isso é agravar os problemas de circulação. Por isso, das duas uma: ou prescindem dos hotpants até estarem com uma forma mais ao vosso gosto, ou recorrem aos collants (ou meias, conforme) de Verão. Aquelas que se usam em ocasiões formais, quando não se pode prescindir de meias, e até permitem calçar sandálias. São muito fininhas, macias, quase imperceptíveis, sem brilho, permeáveis e funcionam como um "filtro" para dar um aspecto muito mais saudável e bonito. Experimentem lá, que eu fico com calor e urticária alheia só de vos ver nesse sofrimento.

Thursday, May 31, 2012

D. Leonor - o martírio de uma grande senhora

                           


(Nos momentos difíceis, costumo fazer o exercício de me lembrar de pessoas de muito mais mérito e categoria do que eu que passaram por transes bem piores e os suportaram com bravura. Não para me comparar, mas para me conduzir de acordo com bons exemplos e suportar as provas do dia a dia com paciência...).

Naquela fria manhã de 13 de Janeiro de 1759, Portugal perdia, da forma mais trágica e sangrenta, uma das suas últimas grandes damas: D.Leonor, 3ª Marquesa de Távora.
 Tinha sido uma longa luta - ainda bem que findava. No cárcere não sentira o alívio das lágrimas; a força necessária para resistir de cabeça erguida tinha-a consumido até à exaustão, como uma corda demasiado esticada. De consciência limpa e despojada dos bens vãos deste mundo, não possuía sequer a desgraçada necessidade de fazer quaisquer disposições. A única coisa que a molestava, que lhe recordava que vivia ainda, era a dor infinita pela sorte dos seus.  Todas as emoções que experimentara -  medo, enxovalho, brio ferido, a mágoa da ingratidão pelos valiosos serviços prestados a El Rei seu Senhor, revolta e indignação de ver tudo aquilo em que acreditava esmagado aos pés daqueles que mais desprezava, por amor de desvarios que a repugnavam até às fímbrias do ser - à hora derradeira mereciam-lhe apenas um sorriso de ironia e desdém. Se algum pecado cometera, fora o do orgulho: nem ela, nem o marido, tinham sabido dissimular e fingir, vergar-se aos que não conheciam senão ambição e cobiça com mesuras e sorrisos, deixar que a honra da sua Casa fosse arrastada pela lama para atender ao capricho sensual de Sua Majestade. Outros que fossem, teriam incitado a paixão do Rei pela sua bela nora, e colhido os benefícios da vergonha. Poderia ter feito outra coisa? Poderia ter agido de outro modo? Conseguiria fazê-lo? Morreria mil vezes, mas procederia de modo igual. Porém, fora também o orgulho, mesclado de cândida confiança, a razão da sua perda: se não tivesse insistido em lutar contra forças tão maiores que a sua, se tivesse convencido a família a exilar-se longe da corte, se não esperasse um comportamento honrado e digno de quem mais devia dar o exemplo...

Muito podem o furor e o vício! 

Que força imparável é um homem determinado a arrastar-se para a perdição - mesmo quando lhe corre nas veias sangue real.

 Via agora que ela e os seus não morriam sozinhos - com eles partia um velho mundo para o qual já não havia lugar. Os valores de antanho arderiam no cadafalso e também eles seria lançados ao vento. Das cinzas às cinzas, do pó ao pó. Honras e grandezas pouco lhe importavam, maculadas como estavam naqueles tempos de pecado e de vaidade. Não tinha mesmo a certeza se desejava estar no mesmo pé dos novos senhores do Reino: os inimigos da Fé, da pureza, das leis mais sagradas. O triunfo deles não chegava sequer a feri-la por dentro. O seu coração habituado a não quebrar também não aprendera a torcer.
   Ao atravessar em silêncio e olhando em frente, sem nada ver, a multidão furiosa, mantinha ainda a beleza que lhe valera o título de uma das três "graças da corte". Gasta, cansada, abatida, com o mesmo vestido que trazia no dia em que começara o seu longo martírio, os cabelos já grisalhos em que ainda se viam vislumbres da esplêndida cabeleira loura, havia na sua resignação evangélica, na sua serenidade inquebrável, uma majestade sobrenatural - como se, privada dos atavios e sinais de grandeza deste mundo, a beleza da sua alma fosse mais evidente.
 Alguns desgraçados, amontoados para a ver passar, escarneciam-na e insultavam-na, abanando a cadeirinha em que a transportavam de mãos atadas, apesar dos esforços da Guarda para conter a populaça. Pela primeira vez, tinham a oportunidade de achincalhar um alvo - habitualmente inatingível-  da sua inveja e ressentimento. Anos de ódios contidos, de injustiças sofridas, de insinuações veladas eram expiados naquele instante, lançados no rosto daquela senhora, mãe e avó, que nenhum mal lhes causara.

                                          "Perdoai-os, Senhor, pois não sabem o que fazem..."

Também o Divino Redentor tinha sido torturado, injuriado, escarnecido e arrastado ao patíbulo...Também Ele não soltara um queixume mas carregara a sua Cruz, sem ter sequer o privilégio - como ela, D. Leonor -  de uma liteira que o conduzisse à morte. 
E no entanto, na assistência que se juntara eram muitos os olhos cheios de lágrimas e os que teriam gritado palavras de conforto ou tirado o chapéu à sua passagem, não fosse o pavor que lhes tolhia a caridade. 
Também o verdugo não sabia o que fazia, quando a passeou pelo patíbulo para lhe descrever, em detalhe, os horrores que iria praticar dali a pouco sobre os seus entes queridos. Quanta crueldade, quanto sofrimento será preciso para deformar uma alma a tal extremo? 

            "Deus permita que saibam morrer como quem são"

Foi a sua resposta numa voz tranquila, clara, firme. E foi sem um lamento que se sentou, como num trono, para enfrentar a eternidade. 

                              " Não me descomponha" - disse ao carrasco que procurava  destapar-lhe o pescoço, para melhor desferir o golpe. 
Foram das últimas palavras que lhe ouviram. Uma oração murmurada e partia para sempre, com a dignidade e bravura da sua estirpe. Apenas quando tudo estava acabado, quando  lhe retiraram a venda, viram que havia lágrimas nos seus olhos cerrados. Finalmente.







Wednesday, May 30, 2012

Cannes, o bom e o óptimo



                                     
O Festival de Cannes é a Meca anual da moda. Se os Óscares são a jóia da coroa, Cannes ganha pela quantidade de eventos que proporciona, criando oportunidade para  uma verdadeira parada das criações mais fantásticas do ano, desfiladas por algumas das mulheres mais belas e elegantes à escala planetária. Do traje social aos vestidos de gala, passando pelos outfits casual chic para circular pelas imediações, aqui fazem-se estrelas, lançam-se ou ressuscitam-se carreiras e em geral, esta é a ocasião para deslumbrar. Algumas senhoras estiveram à altura da ocasião ou impressionaram à boa moda antiga- uma lufada de ar fresco num ano bastante sem graça no que diz respeito a galas. Houve imensos vestidos muito bonitos e adequados: Eva Longoria, com um Marchesa ao estilo Old Hollywood, Jessica Chastain, Tilda Swinton, entre muitos outros - mas destaco os que realmente me surpreenderam.
Nina Ricci, Chanel, Christian Dior
Diane Kruger levou a sério o seu papel de jurada: não houve um único vestido inadequado ou banal. Esteve sempre estupenda, com looks criados ao pormenor para as suas medidas. O meu favorito foi o Giambattista Valli Haute Couture em verde água, a lembrar Grace Kelly, mas até o Vivienne Westwood dourado lhe ficava a matar (e eu que embirro com lantejoulas...).
                                    diane-kruger

Nicole Kidman parece estar a recuperar o jeito e fugiu dos tons pálidos que embora sejam bonitos e elegantes, têm invadido demasiado as galas nos últimos tempos. Encarnado, Lanvin e inspiração grega são sempre uma opção segura. Flawless.

Lanvin
                           Antonio Berardi

Marion Cotillard foi de preto Dior. Menos é mais e quando se tem uma pele peaches and cream e um rosto daqueles não é preciso muita coisa.


                                           
Mas a verdadeira estrela do festival foi a actriz chinesa Fan Bingbing: dizer que trouxe o glamour de volta às passadeiras será pouco. Elegante, principesca, magnífica...não posso elogiá-la demasiado. Conseguiu o impossível - encantar e surpreender sem exagerar em nenhum ponto. Das proporções impecáveis dos vestidos (que se nota, foram provados e ajustados até à perfeição) à delicadeza das opções, a maquilhagem, as jóias, os acessórios, os penteados inspirados na dinastia Tang, a forma como combinou os elementos da sua terra natal com o melhor que se faz no Ocidente, esteve imaculada sempre que deu um ar da sua graça e acredito que faça escola. Apenas tive pena de não ver os seus lindos cabelos soltos em nenhuma das fotografias, mas algum dos  looks pode ter-me escapado.

   tumblr m4dnp9pSdy1qe1yemo3 400 Cannes 2012 - Fan Bingbing's Ravishing and Refreshing Styles
                    Vestido Christopher Bu, brincos de esmeraldas Choppard e clutch Elie Saab
                                                               

                   L'oreal Paris Ambassadors at Cannes 2012 Red Carpet : Fan BingbingL'oreal Paris Ambassadors at Cannes 2012 Red Carpet : Fan Bingbing
                Vestido  e capa de renda Elie Saab com brincos, cuff e anel de cocktail Chopard; clutch Ferragamo


 
                                                                                                           Oscar de La Renta

 fan bing bing cannes 2010 elie saab Fan Bingbing at Cannes Film Festival   Beauty Beyond WordsBo Kewan
                                                                 Elie Saab

Nunca mais me apaixono!!!‏

                                                                                                    

Rumor has it que um dos meus perfumes de eleição está a sair do mercado. As empregadas de duas cadeias de perfumaria diferentes confirmaram-mo: ao que parece, os negócios de messer Roberto Cavalli não estão a correr pelo melhor e ele vai desistir de todos os aromas que lançou, com excepção do último, que creio, tem o criativo nome "Roberto Cavalli" um frasco e uma publicidade com símbolos de dólar ou euro a voar (muito discreto) e não se compara ao maravilhoso Serpentine.
 Sou sincera: nunca me importei com as roupas de Roberto Cavalli; muito menos com os seus vestidos ultra reveladores, coleantes, cheios de tigresse  e brilhantes . Demasiado bling bling para o meu gosto mais understated. Mas havia duas coisas que me fascinavam nele: a imagem das serpentes e o perfume a condizer, Serpentine.
 Geralmente prefiro os clássicos de Yves Saint Laurent (Opium, Rive Gauche) Chanel, Hermès (que também só me tem dado desgostos ao descontinuar perfumes sucessivamente) ou Van Cleef, mas preciso de ter sempre um aroma que seja fresco e descomplicado e outro frutado e sensual. Não atrevido, mas escorregadio, misterioso, privado, tentador, arriscado e perigoso. Como as serpentes. Como as mulheres sicilianas. E para isso, nada como os italianos. Serpentine cheirava a flor de laranjeira, a jasmim, a rosas, a tangerina, a pomares da Toscana, a rendez vous diurnos num palazzo da Florença renascentista. Era subtilmente provocador e conseguia fazer isso sendo um perfume alegre, que dispunha bem. Mais do que tudo, combinava comigo. Em termos de mensagem, de notas, de aroma, de visual, era absolutamente perfeito. Foi amor à primeira vista e tornou-se quase uma segunda pele. Maledizione, o que é que eu faço agora? Claro que posso comprar as embalagens que encontrar e ficar com stock para uns tempos. Mas isso será prolongar a agonia, porque mais tarde ou mais cedo acabou-se. O melhor é recompor-me do golpe e começar a procurar outro italiano sexy, poderoso e subtil. Que se adapte às curvas, cabelos, detalhes e a todas as complexidades que compõem  l´dentificazione di una donna

É por situações destas que prefiro os aromas clássicos, seguros, que não nos atraiçoam nem desaparecem. O Roberto partiu-me o coração, foi o que foi. Sem um bilhetinho, uma explicação, um " foi bom enquanto durou", nem nada. Traidor.

Tuesday, May 29, 2012

Spartacus, escravos e lacaios‏

                                              
Finalmente consegui deitar a mão a um exemplar do Spartacus de Howard Fast, que deu origem ao filme de Stanley Kubrick. Tinha lido excertos há muitos anos e a prosa 
fascinou-me na altura, mas nunca o encontrei à venda e por um motivo ou por outro, não me lembrei de o encomendar. Enfim, só tenho pena que os meus afazeres desta semana me tenham impedido de me sentar a ler como gosto, de uma assentada e todo de uma vez. Poucas coisas são tão frustrantes para mim como "petiscar" um livro.
 Fiquei surpreendida pela paixão posta no romance - julgava-o mais asséptico, mais poético, bonitinho. Enganei-me: é cru, visceral, violento, de uma sensualidade brutal. Nada esconde dos corpos nem das almas das personagens - os jogos e regras sociais em que se movem, as suas feias paixões, os vícios degradantes, as aspirações mais nobres - tudo isso desfila ante os nossos olhos com admirável fluidez e poder de análise. Quanto ao rigor histórico, haveria algumas coisas que dizer, começando pela necessidade de isolar os sentimentos políticos do autor para realmente apreciar a sua narrativa. E esta é soberba, se nos abstrairmos das metáforas que pintam Spartacus como uma mistura entre Jesus Cristo e Che Guevara. Sempre achei que saber demasiado sobe o contexto em que um romance é escrito destrói o prazer de o ler, e este é bem o caso. Se o apreciarmos como simples novela histórica, partindo para a sua leitura com um misto de ingenuidade e espírito crítico, Spartacus é arrebatador. De resto, um grão de sal é indispensável para apreciar qualquer adaptação de factos reais, como a  série da Starz  (que apesar de tudo, segue mais de perto a escassa biografia do gladiador, limitando-se a preencher as lacunas históricas com licenças poéticas).


Spartacus- Escultura de Denis Foyatier, 1830 - Museu do Louvre 

  A verdade é que  pouco se sabe sobre o verdadeiro Spartacus: dizem que era Trácio, mas isso também podia dever-se ao estilo em que lutava, o Thraex. Terá nascido livre (o que explicaria muita coisa) ou sido um cativo de guerra; insistia-se que servira como auxiliar no exército de Roma, tornando-se mais tarde desertor e salteador. Foi escravizado com a sua mulher, sacerdotisa de Dioniso (o que aponta novamente para a Trácia ou pelo menos, uma origem helénica). Esta tinha previsto que o marido estava destinado a feitos trágicos e grandiosos. A certa altura, escapou com um número apreciável de gladiadores e outros escravos da escola de Batiatus, em Cápua, iniciando a Terceira Guerra Servil, que faria tremer a República.  
Supostamente morreu em combate, mas o seu corpo nunca foi encontrado. É certo que a maior parte das fontes disponíveis foram escritas muitos anos após a morte de Spartacus - aos seus contemporâneos, não interessava divulgar as tropelias de um simples escravo que andava a virar Roma de pantanas. Como qualquer história excepcional, à falta de dados concretos ganhou contornos de lenda. Ninguém sabe em pormenor como seria Spartacus, o que deixa lugar à imaginação e permitiu que ao longo dos anos, as morais do conto fossem sendo reivindicadas como inspiração pelas mais variadas áreas e ideologias - da política ao desporto. 

            O mito de Spartacus tem apaixonado gerações, e apela a cada um de modo diferente.
A mim encanta-me a figura de um homem que embora forçado à escravatura, nunca cedeu ao servilismo abjecto da condição que lhe foi imposta. Talvez Spartacus fosse um nobre chefe de clã na sua terra, obrigado a servir novos ricos romanos, indignos de lhe limpar as sandálias. Nunca saberemos - mas sabemos que agiu como tal.
 Ninguém está livre de cair numa eventual "escravatura" - situações de força maior em que somos obrigados a tolerar coisas que consideramos injustas ou desagradáveis. Um emprego detestável, um revés de fortuna, pessoas mal formadas em lugares de destaque que esmagam os profissionais sob o seu comando, muitos deles de melhor índole e educação do que a sua. Felizmente estes momentos são transitórios e não uma sentença para a vida, mas o sentimento é semelhante. O que distingue a cepa de cada um é a sua incapacidade para vestir a pele do escravo, para agir e pensar como um.
 Indivíduos criados com sentido de brio, que possuem uma certa distinção inata e um sentido do próprio valor poderão ser obedientes quando as circunstâncias o exigem e até obedecer com graciosidade - não há nada de humilhante em saber estar no seu lugar. Conscientes da dignidade humana, sabem como Sun Tsu que ser humilde com os superiores é uma obrigação, com os colegas uma cortesia e com os subalternos, nobreza. Em casos extremos poderão ter o espírito quebrado, mas nunca caem na baixeza. Sabem estar em toda a parte, porque têm a certeza de quem realmente são e de onde vieram. Mas jamais se rebaixarão à subserviência ignóbil e tão pouco ficarão de joelhos, deslumbrados, ante o primeiro figurão que lhes aparecer. Comportamentos desprezíveis não os atingem nem os contaminam, pois vêem que quem os pratica só pode ter vindo da lama e dela dificilmente sairá, por mais alto que suba. 
  "Nunca sirvas quem serviu, nem peças a quem pediu" lá diz o povo. Quem abriga sentimentos vis de lacaio absorveu-os no berço, deu-lhes muito uso ao longo da vida e não os perde por mais que a fortuna lhe sorria. Gosta de humilhar quem tem o azar de se encontrar às suas ordens e não hesita em humilhar-se a si próprio (engraxando, bajulando e lambendo botas) perante quem lhe possa trazer vantagens. Como dizem os americanos, podemos tirar a rapariga do bairro de lata, mas não podemos tirar o bairro de lata da rapariga. Há quem nasça escravo, goste de o ser e assim continue, sem haver Spartacus que lhe acuda... 

Arginina resist - gloss para o cabelo‏



Tal como tinha mencionado há uns tempos, quis experimentar a nova linha da L´OREAL, tão badalada pela blogosfera. O conceito pareceu-me interessante porque embora os efeitos sobre a fibra capilar sejam importantes para o resultado final, nada se faz se as raizes não estiverem saudáveis. Nos últimos dois anos tomei a resolução de me deixar de maluquices e voltar ao meu cabelão original - longo, acobreado e ondulado. Por isso, tudo o que o trate, deixe as pontas sedosas e o mantenha a crescer rápido desperta a minha curiosidade. A relação qualidade preço também me pareceu muito simpática.
 Usei o champô e a loção, porque acho que são os produtos que mais fazem a diferença. Tenho a mania dos tónicos, tanto para o rosto como para o cabelo...
 O champô é agradável e não encrespa os fios, o que nos dias que correm é uma raridade entre os produtos do género. Mesmo sem usar amaciador, consigo pentear-me logo a seguir. Outro aspecto positivo é o aroma frutado, que dura imenso tempo. Quanto à loção, tive de esperar mais de um mês para poder opinar, mas considerando que esta tem sido uma altura de stress, estou bastante satisfeita. Confere um brilho adorável e corpo à cabeleira, e sem dúvida ajudou a acelerar o crescimento que andava um bocadinho preguiçoso depois do último "pulo". Com certeza vou manter-me fiel a este produto. O champô também deve ser regular lá por casa, apesar de eu não conseguir usar a mesma fórmula muitas vezes seguidas. Há umas quantas marcas que tenho sempre à mão e uso conforme o efeito que desejo para o dia, e esta será uma delas. No todo, aconselharia às minhas amigas esta linha como fórmula a longo prazo - para fortalecer, contribuir para um crescimento rápido e dar aquele efeito espesso e glossy ao cabelo.

Monday, May 28, 2012

Retrato de um playboy


           
O Conde de Guiche, Guy Armand de Gramont, ficou célebre como um dos homens mais belos da corte de Luís XIV e um dos maiores libertinos do século XVII. A sua curta vida - morreu em 1673, aos 36 anos - foi repleta de fausto, aventuras e escândalos. O belo Armand, flor nefasta e venenosa, era uma estranha combinação de beleza e maldade, ingenuidade e depravação, futilidade e espírito, requinte e crueldade, gosto e rudeza.
 Nasceu em 1637, filho do Duque Antoine III de Gramont-Toulongeon, Marechal de França e de uma sobrinha do Cardeal Richelieu,  Françoise-Marguerite du Plessis de Chivré. A sua irmã, Catherine Charlotte, tornou-se Princesa do Mónaco ao casar com Luís I, mas apesar de lhe ter dado seis filhos, preferia viver galante e desregradamente na corte francesa: foi uma das muitas amantes do Rei-Sol.
  Podemos especular que Armand tinha uma certa tendência para a malandrice a correr-lhe nas veias, uma inclinação familiar para a imoralidade. De porte militar e garboso, o estonteante jovem parecia-se, segundo testemunhos da época, com "um herói de novela, em nada semelhante aos outros homens".  Este encanto marcial, a que aliava uma extrema elegância no modo de vestir, não mascarava a sua perspicácia: ele não era uma cabeça de vento, embora gostasse de o aparentar. De resto, nem sempre dirigia a inteligência de que era dotado para os propósitos mais edificantes; bem pelo contrário.
Apesar de ser bem vindo em toda a parte pelo nome ilustre e linda presença, a sua companhia não era das mais agradáveis: mordaz e espirituoso, tinha um verdadeiro prazer em ser mau para os outros, vexando-os com observações acutilantes e grosseiras. 
  O seu humor negro e arrogância contribuiam para uma certa allure superficial, mas o modo autoritário e desdenhoso como tratava os seus pares ofuscava-lhe as qualidades: era apenas uma cara bonita, que ninguém levava a sério. A própria mulher, Marguerite-Louise-Suzanne de Bethune Sully, com quem casou em 1658, não o podia aturar senão de vez em quando.  Isto porém, não parecia incomodar a maioria dos  amantes  - homens e mulheres - que lhe caiam nos braços em ligações fugazes. Armand juntou-se à entourage do irmão mais novo do Rei, Philippe de França. 
A preferência do Duque de Orleães por homens bonitos era bem conhecida e o Conde de Guiche rapidamente conseguiu cair-lhe nas boas graças. 
File:Henriette d'Angleterre as Minerva holding a painting of her husband Philippe de France, Antoine Mathieu.jpg
Henriette e Philippe, os amantes de Armand 
Não satisfeito com isso, a sua voracidade estendeu-se à esposa do amante, a bela e volúvel Henriette de Orleães - que carregava consigo o encanto trágico dos Stuart e um desregramento moral a condizer com o do marido. Foi uma fácil conquista e entenderam-se às mil maravilhas. Philippe, porém, era extremamente ciumento em relação à mulher - e ficou louco de fúria ao ver-se duplamente traído, para divertimento da corte inteira. Nesses jogos de intrigas, ficaria prejudicada a ingénua Louise de La Valliere, camareira de Henriette (e entretanto amante do Rei) de que ambos se queriam vingar: Armand, porque ela não tinha dado troco aos seus avanços; Henriette, por ciumes do cunhado. Louise foi afastada como desejavam, mas quando o Rei descobriu a verdade ficou tão furioso que castigou Armand por ser alcoviteiro e meter-se onde não era chamado: em 1662 foi exilado por conspiração.
Esta queda em desgraça acabaria por trazer à superfície a sua coragem inata e grande talento militar: lutou pela Polónia contra os Turcos e combateu os Ingleses ao lado dos Holandeses. Dez anos depois da sua expulsão, juntar-se-ia finalmente ao Rei na Guerra da Holanda, em que se cobriu de glória. Finalmente ultrapassados os erros da juventude, cumpria a missão para que fora educado, a condizer com o seu nome e figura de Apolo. Foi sol de pouca dura, porém: um ano depois morria na Alemanha, ainda jovem e belo. A sua mulher não o chorou: pouco depois, casava com o Duque de Lude e assumia uma importante posição na corte. É que os playboys são como os acessórios: brilham, mas não são essenciais...


Sunday, May 27, 2012

Ode a um banana

Hans Matheson
Este post gerou uma série de reacções e conversas privadas, de ditos estilo "sua anti feminista!" a manifestações de apreço. E pus-me a pensar com os meus botões, a meditar nos textos que tenho escrito à volta dessa temática: o papel do homem e da mulher nos dias que correm, os desafios que os dois géneros enfrentam, o que se espera actualmente de um homem e de uma mulher, o papel tradicional de cada um e de que forma esse se entrelaça na dinâmica actual dos eternos jogos de poder entre os sexos. 
 Não convém que a equação os homens são de Marte, as mulheres de Vénus venha a ser  decifrada por completo- isso seria quebrar o mistério e o encanto. No entanto, com tantas mudanças, e a banalização de alguns dos comportamentos que aqui têm sido tratados, não se sabe bem para que lado está Marte, nem quem realmente é de Vénus. 
Porque aquilo que se quer é honestidade, firmeza e sinceridade - de parte a parte. As mulheres que não prometam ligeireza quando querem coisas sérias, eles que não enrolem nem prometam mundos e fundos se o que lhes apetece é esvoaçar por aí. 
 Tudo aquilo que muitas vezes é apontado como "defeito" no sexo oposto não é uma falha, é falta de jogo de cintura. De compreensão. E de sentido prático. O resultado de muitos anos a jogar com os pontos fracos uns dos outros. E no caso das mulheres, das "mulheres que lutam", que competem abertamente, que se matam e esfolam para obter de forma egoísta e obcecada aquilo que julgam ser o amor de fulano ou beltrano, o que lhes falta é uma educação para a auto estima, para o amor próprio.
   Um homem feito que se comporta como se fosse um bilhete premiado do Euromilhões, que se deixa disputar, que entra em circos e se sente feliz com isso, merece um bilhete só de ida para a creche. Claro que há que reparar no tipo de mulheres que concorrem pela honra da sua presença - e se forem de ar duvidoso, teremos um rápido cálculo da sua "cotação no mercado", o que por sua vez nos dará uma ideia clara do valor da preciosidade. Na maioria dos casos, se está deslumbrado pela atenção de "senhoras" pouco dignas de admiração, a coisa está preta para ele.  Tudo ilusão, que cada um se auto promove como pode e alguns gostam de fazer de James Bond nem que o orçamento para Bond Girls seja paupérrimo. E vai uma mulher enervar-se com isso, ou juntar-se a tais elencos? Não creio que valha a pena. Adeus, cresce e aparece, um dia em que te faças homem pode ser que eu cá esteja, ou não.
 Este foi o ponto de vista em que fui educada, nunca tive outro. Graças a ele, pude observar esses espécimes sem me aproximar muito. Mas como até o mais intrépido explorador corre o risco de se deixar influenciar pelos selvagens que estuda, não me livrei de ver de perto um ou dois exemplares do homem-que-é-banana-e-gosta-de-o ser: fraco, influenciável, inseguro, que adora rodear-se de atenção venha ela de onde vier, o homem não - me - responsabilizo, incapaz de ser claro, de se explicar preto no branco e de ter uma palavra só, que adora que decidam por ele, com um ego frágil a precisar de constantes massagens, indeciso de todo, um dia é do Benfica e noutro do Sporting, desleal mas a exigir uma lealdade a toda a prova - e se lhe pagam na mesma moeda, aqui D´el Rei que esta mulher é o diabo, sua má, sua bruxa, sua falsa e sua judas! A culpa é tua, tu é que estragaste tudo!
Uma pessoa só pode rir destas coisas e em tempos, compus uma cantiga de escárnio e mal dizer a propósito de alguém assim (com as pessoas que tenho conhecido, não preciso de imaginação...). É impressionante como continua actual, a julgar pelas estórias que tenho visto e ouvido. 



Para Páris, ou o seu homónimo

Dizer que te amei, seria pouco,
Pois se a palavra “amor” é tão banal
Que a devassam no ciberespaço oco
Sem as brasas do fogo passional
Amei-te, pois, à boa moda antiga
Com tragédia, catarse e vendaval
Amei-te com noites mal dormidas
Como se deve amar- ponto final.

Quis chamar a mim as tuas feridas
Quis abrasar-te de pecado venial
Trair e magoar, sair dorida
Como em qualquer combate, afinal.
Amei como se amava em Corinto
Sem gentileza alguma, puro instinto
Fui pira, e Medeia e temporal
Beijei cada pequeno espaço e defeito
E tu, meu grande asno, meu eleito!
Foste como um Páris em pleno Carnaval.
Fizeste da tua força Efialteza;
Fizeste-me troçar da minha reza
À Deusa dourada de Citera.
Pois não é então, que de Odisseu
Me sai um vendido Filisteu
Vergado ao vil metal- que ainda impera?
E eu que já me via em vapores de Hamã
Nos braços de um homem com H
Achei à minha frente…um pudim flã!

Mas não me arrependo deste meu embrulho
Pois aprendi que nem o próprio Zeus
Pode tirar néctar de simples sarrabulho.
Amei-te mesmo assim…simples e fero
Fraco e imoral, mas bom no fundo.
E a lição que me ensinaste, ó Macedónio
Não a perderei jamais, nem que o demónio
Venha mil vezes para ganhar o mundo!



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