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Saturday, June 9, 2012

Vim aqui numa corrida...

...que hoje acordei ao som de fanfarras e foguetes: a cidade de Coimbra decidiu não me deixar dormir porque estão a acontecer quantas festas há ao mesmo tempo. Ele é feiras de curiosidades, do século XIX, medievais e outras; ele é eventos e arraiais. Vou andar numa roda viva até logo à noite para chegar a todo lado, e duvido que seja capaz. Tentemos, para aproveitar ao máximo e não ofender os amigos que tão gentilmente me convidam.  A noite vai acabar na minha terra, onde faço o que eu quero (Ançã, pois, vila de gente boa e valente, que trata de atirar à Fonte quem se porta mal). Venham as gaitas de foles e um vestido rodado, para bailação e cantoria no espaço mais bonito que  se tem feito nos últimos anos.

Friday, June 8, 2012

Oney, desampara-me a loja!

                                  
Esta empresa associada ao maravilhástico Cartão Jumbo (que de resto, nem utilizo) decidiu impingir um seguro qualquer aos clientes. Nesse sentido, deve ser a vigésima chamada, senão mais, que recebo nos últimos dias. Tiveram a lata de me ligar ontem (feriado) de manhã cedo.
 Já lhes disse que não estou interessada. Já lhes cortei as chamadas sem atender. Por duas vezes (uma vez esta manhã e outra agora ao final da tarde) exigi, de forma dura e explícita, que ME DEIXASSEM EM PAZ. Qual quê! Insistem como se nada fosse. Já fora de mim, ligo para a empresa, a pedir que ponham imediatamente fim a este assédio - e a desculpa que me dão, muito malcriadamente por sinal, é que " não é a Oney que está a ligar, é a seguradora com quem temos parcerias, a telefonar da parte da Oney". (O que contradiz os operadores que explicam claramente estar a ligar da Oney). Go figure. Em todo o caso, que tenho eu com esses requintes de linguagem? Não lhes devo nada e estão a  impôr-me um serviço que não solicitei - e que pela amostra jamais ia adquirir, nem que fosse o último seguro à face da terra. Não sei a quem me vou queixar desta, mas deve haver uma entidade que tutele essas coisas. 

Thursday, June 7, 2012

Até que enfim, senhores!

                               
Já não era sem tempo: o novo estatuto do aluno, divulgado na passada Quarta-feira, promete pôr fim à rebaldaria que se instalou nas escolas nos últimos anos. Só quem não vive de perto os factos pode reprovar estes incentivos ao respeito e à disciplina.
As regras que têm vigorado eram, no que não deviam, repressoras para as crianças e jovens: aspectos salutares e normais como os "feriados" e as salas de convívio foram eliminados em prol de aulas de substituição de utilidade duvidosa e alas prisionais nos faraónicos monstros a que deram o pomposo nome de "Parque Escolar". Por outro lado, aquilo que devia ser atalhado - falta de respeito pelos professores, desordem, permissividade, ausência de castigos para os prevaricadores das poucas normas sobreviventes e de protecção a docentes e funcionários - foi tolerado e em alguns casos, incentivado. Ou seja, uma bomba relógio. Tudo em prol de políticas que - vá-se lá entender porquê - pretendiam colocar os professores, "esses malandros" a pão e laranjas, no papel de inimigos públicos. Sempre achei que alguém no anterior governo deve ter levado muita reguada, para um ressabiamento tão grande. Por outro lado, muitos Portugueses têm o trauma da outra senhora e tudo o que cheire a ordem, organização, autoridade ou Igreja é taxado de conservador e "Salazarento". Que é, de resto, o que já está a acontecer. 
Por muito que gostássemos de um País perfeito, essa não é a realidade. Há pais em todos os sectores da sociedade a demitir-se da sua obrigação, que encaram as escolas como depósitos para os seus rebentos - depósitos que têm obrigação de instruir mas pasme-se, também de educar no lugar da família. Basta ver a onda de pânico "onde é que eu os deixo?" em altura de férias. É  bom que haja medidas para evitar o abandono escolar, mesmo nos meios menos estruturados. Sem exageros porque nem todos têm os mesmos desejos, o mesmo ritmo e mais vale procurar alternativas do que penar até à idade adulta, sem proveito para ninguém. Há sempre forma de voltar à escola quando se está pronto.
Mas também é vital reconhecer as características do povo que se quer educar. E encarar a conjuntura: muitos "encarregados de educação" só vão levar a  sério as suas responsabilidades e deixar de ameaçar professores se lhes doer nos subsídios, no tribunal ou no bolso. O resto, minha gente, é wishful thinking.

Kill them all!!

                                   
Lembram-se deste texto? Assim que chega o calor elas atacam de novo. E eu, que não sou pessoa de medos e muito menos de chiliques, que até sou tão vive e deixa viver, que detesto matar bichos, entro em parafuso. É que as aranhas ainda têm receio quando nos vêem, mas as *####% das centopeias avançam para nós. Não têm o mínimo de noção daquilo que valem, de saber estar, do seu lugar. Nem ao menos percebem que a fazer isso se arriscam a  morte certa. Tentam a sorte: são chicas espertas, são atrevidas e descaradas. Ora, combinar o que há de mais repugnante e peçonhento num insecto com as características morais que mais aversão me causam no ser humano é muita areia para a minha camioneta. Lamento, mas não admito criatura alguma com tais traços a interferir na minha vida e no meu espaço. Nisso sou implacável e vingativa. KILL THEM ALL!!!
 Mas como até o adversário mais baixo merece a sentença lida com certa dignidade - não podemos descer ao nível dos vermes - aqui fica algo que me surgiu ao fechar-me com muita água, sabão e desinfectante depois de contemplar um exemplar desses. Não basta eliminar o inimigo, é preciso quebrar-lhe o espírito:


Centopeia peçonhenta
Porque és tão feia e nojenta?
Com tantas e tantas patas
Quase de susto me matas.
Porque é que me atormentas?
E nem sequer tens vergonha
Nem medo de ter peçonha
Se ficasses escondida
A tratar da tua vida
Sem impor tua presença
E não fosses atrevida
Eu talvez não precisasse
De executar a sentença
E usar o insecticida!
Tens tanto jardim lá fora
Tens o mato e o pinhal
Mas não, tens de viver em casa
Armada em grande senhora
Sabendo que fazes mal.
Se tu soubesses estar
E pôr-te no teu lugar
Não sacava de uma bota
Para te esborrachar.
Podíamos viver em paz
No respectivo habitat
Mas fazes mesmo questão
De que eu me zangue e te mate!!!!

Alô, alô bloggers que me seguem!

Ava Gardner

Peço-vos desculpa se sou menos assídua do que deveria nos vossos espaços. Por qualquer motivo que desconheço, recebo sempre as actualizações de alguns blogs (quase sempre os mesmos) aí na barra do lado esquerdo, e de outros é raro ter novas.
Alguns dos que mais gosto e  que gentilmente aqui costumam comentar ficam invariavelmente perdidos algures pelo Google Reader e só quando lá perco um bocado é que sei que postaram. Já tentei resolver o problema mas não tive sorte, por isso espero que não me levem a mal. Não é ingratidão nem desleixo, é mesmo a máquina que tem a culpa!  
 Convido os que tiverem página no Facebook a visitarem-me aqui ou a deixarem na caixa de comentários o link para que eu possa apreciar-vos e assim, manter-me em contacto convosco. Grazie!

Wednesday, June 6, 2012

Má educação passiva, parte II - os maus, os vilões e os perigosos

"Essa mulher é minha, ó franganote!"
               
E no seguimento do post de ontem, vamos analisar os dois piores tipos de pessoas chatas: 

    O (a) invejoso (a) maldoso (a)

Retrato robot: Manhoso e mal-intencionado, pode surgir na forma de um falso amigo que inveja a sua boa sorte, de alguém que gosta de deixar mal os outros porque não tem nada melhor para fazer ou de um amigo/primo/colega que até gosta de si mas sofre de ciumeira crónica ou temporária. (Oscar Wilde dizia que é fácil ser solidário com a desgraça dos amigos, difícil é ser solidário quando eles têm sucesso). O tipo pior, porém, é um (a) rival não declarado: alguém que cobiça o seu lugar, parceiro ou emprego e trabalha activamente, nas sombras, para lho tirar sem no entanto deixar claro que é isso que quer. Este papel também pode ser desempenhado indirectamente, por aliados, amigos ou familiares do invejoso, que assim passa por santo enquanto contempla a sua obra de destruição. De qualquer modo, esta é das formas de má criação passiva mais desagradáveis e dolorosas. Quem o faz procura, sob uma capa de simpatia, ferir, desorientar e magoar os outros – e o que é pior, tirando-lhes a capacidade de se defender. Ou seja, destila veneno parecendo amável, de modo a que o seu alvo, embora sentindo a ferroada, não possa contra atacar sem chamar a atenção e passar por mal-educado. Um Invejoso Maldoso utiliza diversas técnicas para desmoralizar a presa. Pode abordá-lo no intuito de fazer de si bicho de circo – enchendo-o de perguntas sucessivas e embaraçosas na tentativa de o rebaixar, colocar mal ou  encontrar alguma falha ou ponto fraco. Muito provavelmente atacará os aspectos da sua vida que sabe estarem menos bem, e geralmente faz isto à frente de pessoas que a vítima conhece mal ou perante quem não convém armar questões. Como consegue fazer as suas perguntas parecer inofensivas, só quem está envolvido compreende a agressão. Outra jogada é, ao encontrar o alvo, aproximar-se (por vezes fisicamente, abraçando-o como uma cobra ou encurralando-o discretamente) e dar-lhe elogios ou palavras de simpatia/solidariedade que não soam como deveriam. Eis alguns exemplos:

1 - Uma “amiga” a outra: “Quem te viu e quem te vê! Estás tão magra/bonita/rica…tu que eras assim e assado…”(tentativa de inferiorização pura e dura; quem quer de facto elogiar não precisa de recordar aos outros os seus defeitos; antes terá o cuidado de não melindrar ao notar uma mudança grande, do estilo: “estás tão magrinha! Que tens andado a fazer? Vê lá não exageres, que assim estás muito bonita. Também quero!”. Todas as pessoas sabem o que gostariam de ouvir e o que magoa – não se deixe enganar. Pior ainda, demonstrando preocupação com o seu bem estar, podem chamar-lhe a atenção para um pormenor que até então lhe passava despercebido, ou que você espera que ninguém aponte. Não para resolver nada, mas para agredir gratuitamente, do género “meu, estás a ficar careca! És tu e o meu primo Albano…”. A má criação é maior quanto menos íntima de si a pessoa seja.

2 – Um colega que vem com ar de compaixão dizer “ Vê lá que fulano, beltrano e sicrano ficaram furiosos com a tua promoção e passam a vida a dizer horrores de ti…toda a gente te critica. Digo isto isto porque  sou teu amigo, claro…” quando as atitudes das pessoas citadas não confirmam essa informação. Ou um “amigo” que lhe vem contar uma maledicência a seu respeito que não interessa nem ao Menino Jesus, só para o ferir: “ fulana e sicrano (que você nunca viu) detestam-te porque…”. Qual é a necessidade?

3 – Uma amiga (o) do seu (sua) (a) namorado (a) ou marido/mulher que por acaso tem atitudes de demasiada proximidade para com ele (a) como se você não estivesse lá ou pior, procurando isolá-lo (a) de si fisicamente. Só isto, para começar, é um indicador de falta de respeito. Ser “espalha brasas” e “à vontade” não é desculpa – a pessoa em causa está claramente a abusar da sua boa educação, esperando que não arme cenas de ciúmes. E se armar, tanto melhor pois terá pior de si para dizer. Outras manobras incluem chamar a atenção dele (a) para os seus defeitos com muita subtileza, e nas costas dele (a) procurar demonstrar-lhe, a si, o quão chegados são, inclusive contando coisas privadas que ele (a) lhe revelou. Isto na tentativa de provocar insegurança e discórdia, ao mesmo tempo que demonstra “partilhamos coisas que não têm nada a ver contigo. Estás de saída”.

4 – Um conhecido que vem elogiar a sua última vitória profissional/carro novo/namorada nova, terminando invariavelmente com um “mas” ou um “só é pena” seguido de um “detalhezinho” que lhe estraga logo a alegria. Maldade!

Técnica de combate: Pessoas assim são cobardes. Abusam do factor surpresa para deixar as vítimas atrapalhadas e agem convencidas de que não vai retaliar. Surpreenda-as!

 A primeira abordagem, caso o chato esteja a enchê-lo de perguntas, é desatar a fazer-lhe perguntas também. “Então, está no ramo X…? Parece que está em crise porque tem havido tantos profissionais vigaristas nessa área, não é verdade?”. Isso vai obrigá-lo a jogar à defesa, concentrando-se em si próprio. Procure igualmente pontos fracos que possam dar-lhe a provar do próprio remédio. Se já desconfia da pessoa, pode reunir de antemão algumas informações chave (leia-se, embaraçosas) para usar em caso de ataque. Fale claro, não titubeie nem gagueje. Se necessário, respire fundo e fale menos, acometendo com uma frase subtilmente demolidora no momento certo. Porém, esta estratégia não funciona se o agressor estiver determinado. 

Procure com o olhar se algum dos presentes se está a aperceber do constrangimento de que é alvo e em caso afirmativo, troque algum sinal subtil com essa pessoa (erguer de sobrancelhas, rolar de olhos discreto). Talvez alguém desvie a conversa, dando-lhe ocasião de se recompor, ou de sair dali e pensar na resposta. Pode também atirar um ingénuo e sincero “ meu Deus, este (a) senhor (a) faz sempre tantas perguntas? Não estou acostumada (o) a tanta atenção e fico embaraçado (a)”. No entanto, faça-o sem sorrir demasiado. Talvez se toque e no mínimo, virou as atenções para o inimigo. Se já lhe estiver a chegar a mostarda ao nariz, use a versão hardcore. “Posso perguntar-lhe o porquê das suas perguntas? Porque deseja saber isso?”. Perguntas simples: não proponha hipóteses e caso seja capaz, olhe-o firmemente nos olhos. Se não, fixe um ponto entre as sobrancelhas. Obrigue-o amenamente a responder. Provavelmente vai retirar-se. Caso a questão não fique por ali, pode fazer duas coisas: pedir licença sem explicar porquê (por essa altura já toda a gente deve ter percebido) ou dizer claramente ao parvalhão que explique a razão das suas palavras, já que é tão esperto. Provavelmente a conversa azedará, mas ao menos não foi você que provocou, já fica a saber com o que conta, e ele (a) não passa por amiguinho (a).

Para elogios envenenados, ou quaisquer ditos desagradáveis existem várias possibilidades de resposta. Do “que necessidade há de me dizeres isso?”, a um firme “dispenso mexericos, muito obrigada” passando por “esse é o pior elogio que já me deram” até ao bom, velho e very british “creio que isso é algo muito pessoal/ inoportuno/rude/ desagradável/ inadequado para se dizer/ perguntar, não lhe parece?”. Sem sorrisos, sem procurar suavizar a pergunta. Isso vai deixar claro à pessoa que percebeu a sua verdadeira intenção. É bom lembrar que nos países do Sul estamos habituados a uma maior abertura e flexibilidade, que por vezes geram abusos inconcebíveis para um anglo saxónico. Se reagir com inexpressividade e frieza, será óbvio que a conversa já deixou de ser agradável, e que não está a brincar.

 Contra quem corteja o amor alheio, pondere se o seu relacionamento está firme o suficiente, porque é suposto a sua cara metade não o (a) sujeitar a esses constrangimentos. Se está tudo bem mas o seu parceiro (a) não sabe como reagir a tais más criações, actue. Na primeira vez pode ficar surpreendido, mas na segunda…mostre sem rodeios que percebeu a jogada. Pode recorrer a um gélido“ tenha mais cuidado, está bem?” (algumas amigas minhas usam esta táctica com uma perícia incrível) ou a um “ não se faça de sonsa (o)que conheço perfeitamente as suas intenções”. Nunca diga exactamente o que percebeu, nem como. Deixe-o (a) a falar sozinho. Esta também serve para os outros casos. E nunca se esqueça: caso a pessoa o (a) tenha atingido e deixado de boca aberta, sem saber o que fazer, não se sinta mal. Respire, medite, e logo que possa chame-a (o) à parte e diga-lhe “ percebi perfeitamente o que queria dizer – e acho isso uma vergonha. Sei exactamente o que pretende”. Mais uma vez, não diga o quê e vire-lhe as costas, deixando implícita a "ameaça" de  espalhar a notícia da sua má conduta. Touché! Ficará tão embaraçado que das duas uma: ou abre o jogo ou desaparece.
 A sanguessuga

Retrato robot: Tal como a Melga, aparece sob vários disfarces. Mas enquanto a Melga pode sofrer apenas de uma certa falta de noção e não cometer indelicadezas por maldade, a Sanguessuga é mais refinada. Nesta categoria encaixam o amigo da onça que passa a vida a pedinchar favores/empréstimos ou a pôr-se a jeito para obter benefícios que nunca retribui; o papa jantares e o papa croquetes (que só estão presentes nas ocasiões em que podem banquetear-se à borla/ entrar em sítios in/ ser fotografados ou “fazer bons contactos”); o chefe abusador; a entourage de bajuladores, groupies, lambe botas, mortos- de -fome e engraxadores que em geral, rodeiam quem está bem colocado (pessoa no poder, estrela de rock, it girl, director (a) da empresa, atleta famoso, etc); o burlão simpático; ou simplesmente o (a) caçador (a) de fortunas interesseiro (a). Este último tem uma abordagem mais subtil e perigosa, porque procura estabelecer-se a longo prazo ou seja, arranjar um parceiro amoroso que o promova socialmente, que o carregue e a quem possa sugar o sangue até à última gota. Repare que uma Sanguessuga apenas fará alguma coisa por si caso esteja interessada num benefício maior.

 Mas qualquer Sanguessuga é aduladora, egoísta, mal-agradecida e procura despertar pena, solidariedade ou confiança. Assim que a “fonte de rendimentos” seca – muitas vezes com a sua ajuda - e vê que não pode obter mais nada daquela presa, ou que encontra um “hospedeiro” mais gordo e recheado (leia-se mais fácil de manipular, mais rico ou mais importante) desaparece misteriosamente. Por vezes, também se some entre favores: obtém o que quer, evapora-se e dali a nada, você sabe que a sanguessuga andou toda contente em pândegas e festas sem se dar ao trabalho de o convidar para mostrar gratidão. Só volta a aparecer quando está aflita outra vez, fazendo de si parvo (a). E o pior é que consegue dar sempre um ar tão grave à situação e pôr uma cara tão ingénua que é fácil voltar a cair no mesmo erro, ainda que já tenha jurado “aquele (a) não me volta a ver os dentes”.

 
Técnica de combate: A melhor defesa é estar prevenido. Analise a sua personalidade e estilo de vida: receia confrontos e costuma aceder a tudo o que lhe pedem? Está numa posição de destaque ou poder, que lhe permita promover ou “desenrascar” amigos? É generoso (a) e/ou dispõe de meios para demonstrar prodigalidade? Tem acesso a muitas festas, eventos públicos ou redes de contactos úteis? Leva uma existência que seja ou pareça extravagante aos olhos dos outros? Tem fama de Bom Samaritano? A sua profissão, hobbies ou actividades são apelativas para quem gosta de pedir favores ou conselhos gratuitos (médico, terapeuta, artista…)? Quanto mais conhecidas forem estas características, mais possibilidades terá de ser um íman para interesseiros.

 Por isso, para começar, escolha bem as suas amizades e as pessoas que permite no seu círculo; pondere de onde as conhece e há quanto tempo, o que têm em comum, que referências tem delas, o que terão a ganhar com a sua companhia, se estão em posição de devolver as atenções em medida equivalente e se demonstram alguma reserva em aceitar as suas amabilidades – ou se, pelo contrário, procuram aproximar-se com demasiada veemência. Quando algo parece demasiado bom para ser verdade, geralmente é. Ouça o seu instinto: por norma a primeira impressão não engana. 

Mesmo que se julgue uma pessoa simples sem nada a ser cobiçado, pense melhor: toda a gente tem algo que pode ser apetecido- bondade, tempo livre, timidez, ingenuidade, necessidade de ser aceite, paciência, medo de dizer “não” são características atractivas para as sanguessugas. Em segundo lugar, lembre-se que embora a amizade não exija nada em troca, a partir do momento em que há favores a circular, tem o direito de esperar dos outros a mesma abertura que lhes dá. Uma mão lava a outra. Se costuma fazer muito por alguém, peça-lhe ajuda quando precisar (e não é para o acompanhar a um SPA às suas custas – de preferência, solicite a sua presença em tarefas desagradáveis ou chatas, que não lhe tragam benefício ou prazer). Isso vai deixar claro que exige reciprocidade, algo que é natural para pessoas comuns mas repelente para interesseiros. Se recusar sucessivamente com desculpas esfarrapadas, desconfie. Desenvolva também o hábito de ajudar quando é realmente importante: ir buscar alguém ao aeroporto às 3 da manhã quando trabalha cedo e o seu amigo pode perfeitamente pagar um táxi NÃO é o caso. Outra táctica eficaz é acostumar-se a fazer apenas favores que não lhe tragam transtorno. Pode dar o que tem de sobra, mas reserve os favores complicados para as pessoas com provas dadas na sua vida. Se lhe pedem algo que lhe traz muitas complicações e transforma o seu dia num inferno; se o seu estômago se aperta ao ouvir o que lhe pedem, ceda ao incómodo que está a sentir e diga que não. “Desculpe, mas é-me mesmo impossível” é resposta que nunca falha. Se a pessoa for realmente sua amiga, vai compreender sem insistir. Se for uma sanguessuga, quanto mais recusas lhe der, melhor. 

Quem tem afecto por si não será rude ao ponto de exigir coisas que lhe tragam problemas, nem abusará da sua bondade. Tudo o resto é má criação passiva, da pior espécie.

Tuesday, June 5, 2012

Má educação passiva, parte I


Muitos dos meus amigos sofrem de um problema comum nos dias de hoje: incapacidade para lidar com gente chata (entenda-se, despachar gente incómoda). Esse mal moderno advém de um excesso de boa educação que vai rareando cada vez mais. 
Os espécimes com uma formação "à antiga" (moldados na tradição inquebrável do sorriso, da cortesia, do não incomodar, da prioridade aos mais velhos, dos "por favor", "precisa de ajuda?", "com licença", "faça favor" e "desculpe", do não vexar ou ferir os sentimentos alheios, do não atrevimento, da discrição e por aí fora...) são, por força dos tempos ou das circunstâncias, forçados a conviver com aqueles que não cresceram com os mesmos princípios ou que por deformação do carácter, tratam de os ignorar. As antigas tradições de cortesia funcionavam porque a maioria estava habituada a cumpri-las. As pessoas mostravam-se prestáveis porque sabiam que os outros, condicionados pelas mesmas regras, faziam por não abusar dessa amabilidade. Era algo implícito, que encaixava sozinho. No mundo actual, já não resulta bem assim - e quem é chato e abusador confunde amabilidade com fraqueza. Uma fraqueza que procura consciente ou inconscientemente explorar.
                              
 Pessoas cansativas, maçadoras ou maldosas que se socorrem de tácticas passivo agressivas para vampirizar ou incomodar os outros são o tipo que mais me aflige. É fácil lidar com pessoas abertamente hostis ou desagradáveis - geram uma irritação indisfarçável e uma consequente resposta torta que resolve tudo. Cada um diz da sua justiça e o caso fica por ali. Com gente untuosa, toda peçonha e mel, carente ou cheia de indirectas cruéis é preciso ter uma abordagem diferente. Já se viu que pessoas assim não se regem pelos mesmos padrões de gentileza, logo ignorar, ter paciência ou agir com superioridade pode não surtir efeito algum: o chato acaba por conseguir o que quer e vai à sua vida todo contente, enquanto a sua vítima fica a sentir-se exausta, triste ou furiosa por não se ter expressado como o parasita merecia. É necessário praticar uma "má criação polida" para os arredar sem cair na grosseria pura e dura. Afinal, não é fácil ser antipático com alguém que aparentemente está a ser fofinho, não é?
 Com prática, cada um pode ir desenvolvendo as suas próprias técnicas simples de auto defesa para lidar eficazmente com os vários tipos de chatos:


O vampiro 


Retrato robot: É uma pessoa insegura, carente, que precisa de apoio constante, ou que simplesmente está a passar um mau momento que não sabe como gerir e por isso, se pendura como uma lapa. Claro que devemos apoiar os nossos amigos em alturas de crise, mas os vampirinhos partem do princípio que só eles têm problemas e que todos têm obrigação de os trazer ao colo. É o tipo de "amigo" que liga constantemente para desabafar e apesar de saber que o outro está ocupado e já ofereceu todo o consolo possível, fala do mesmo durante três horas, sem dar sequer hipótese ao interlocutor de o interromper. Nunca ouve os conselhos, naquela cabeça não se faz click e insiste em como é desgraçadinho de cada vez que encontra um potencial ombro para morder. É incapaz de ver o lado positivo da situação, de ter paciência, de partir para outra, de perceber que os amigos têm a sua própria vida, que os terapeutas são pagos à hora e que as suas questões não são tão interessantes como julga. É uma companhia desagradável e egoísta, que deixa os outros esgotados quando finalmente sai de cena. Como graças a isso vai perdendo amizades, as que lhe restam estão condenadas a sofrer.

Técnica de combate: Quando o telefone tocar, respire fundo e combine consigo mesmo (a) que a ligação vai ser breve. Fale mais rápido do que ele, com voz clara e firme; não sussurre nem use uma entoação demasiado carinhosa. Pessoas assim farejam a vulnerabilidade. Se o vampiro dominar a conversa, você está tramado (a). Atire o "então, que se passa?" mais desinteressado que conseguir. Diga logo que está com pressa, que vai sair, que tem alguém de porte ameaçador à espera ( o seu pai, caso ele seja pessoa de impor respeito, o marido, uma avó desbocada, o seu chefe...) e que essa pessoa pode interromper-vos a qualquer momento. Se tiver filhos pequenos, recrute-os para fazer o maior chinfrim possível de cada vez que o vampiro telefonar, de modo que tenha de lhe cortar o discurso constantemente para os avisar. Vai dar alguma má reputação à sua família, mas para grandes males, grandes remédios. Se ele perceber que não encontra espaço para ventilar as suas desgraças, acabará por bater a outra porta, já que é extremamente narcisista e incapaz de simpatizar com os afazeres dos outros. Em encontros cara a cara, caso sejam marcados, combine com antecedência com um familiar ou amigo para o ir buscar impreterivelmente a determinada hora, com a desculpa de um compromisso inadiável. Se o encontrar por acaso na rua, vá falando amavelmente mas rápido, sem parar de caminhar ao seu lado, e remeta-o para o Facebook ou para "um café um dia destes". Em caso extremo, aproveite um dia em que esteja com menos paciência e confronte-o. " Já reparaste que nunca me perguntas pelos meus problemas?", " Já pensaste em procurar ajuda especializada?" ou " Desculpa, mas não posso gastar tanto tempo ao telefone". Ou então, deixe simplesmente de o atender. Provavelmente zangam-se de vez, mas não se perde grande coisa.


A melga



Retrato robot: Pode tomar várias formas : a vizinha que insiste em aparecer sem ser convidada às horas menos convenientes, o hóspede que fica depois do terceiro dia, o amigo possessivo e invasivo,  um (a) pretendente ou atiradiça (o) cuja atenção não foi solicitada... em suma, por melga
 entende-se qualquer pessoa que pretenda ocupar demasiado espaço/tempo da vida alheia ou intrometer-se em assuntos que não lhe dizem respeito. Por mais indirectas que lhe dêem, não percebe que a sua amizade, interesse ou intenções românticas não são correspondidos. Ou que os outros precisam de espaço. Falta-lhes sensibilidade para perceber que "mais vale ser desejado do que aborrecido".

Técnica de combate: Existem muitas, consoante o tipo de melga em causa. A regra de ouro é só uma: se não gosta da companhia da pessoa ou tem algum motivo para desconfiar das razões que a levam a ter tanto interesse em si não seja mais amável do que a boa educação exige. Se estar perto de si  não for muito agradável, a melga procurará outro pouso. Para melgas telefónicas, experimente as tácticas contra vampiros. Se a melga se imiscui nos seus assuntos, deixe-a saber o menos possível a seu respeito. Seja firme nas suas atitudes, porque pessoas assim abusam dos indivíduos hesitantes, mas tendem a fugir de quem tem uma personalidade forte. Contra melgas engatatonas, que insistem em arrastar-lhe a asa por mais que você se faça de desentendido (a) e o (a) maçam com ditos foleiros, inadequados e embaraçosos do estilo " és tão sensual" quando nada fez para provocar tais reacções, o único remédio é dizer que não está interessado (a) e mostrar sem rodeios que não gosta dessas aproximações. As velhas desculpas - sou comprometido (a), quero estar sozinho (a) e por aí fora só pioram as coisas. Caso tenha caído na asneira de se envolver num flirt fugaz com uma melga que se convenceu de que iam ser felizes para sempre, o remédio é igual - mas deve ser administrado numa dose mais agressiva, estilo insecticida.


    To be continued...








  











Monday, June 4, 2012

Lacho calad! Drego morn! *

                              
                                       Fingolfin contra Morgoth: se isto não vai a bem, vai a mal...


Vade retro, t´arrenego, Carthago delenda est***!, espiga rodrigo, xô, tó rola, 
molon lave **!, vai-te, corvo de tormenta, vai-te Afonso; sai desta vida que não te pertence; Deus nos livre e nos guarde, Amen. É que há coisas que não podem ser toleradas nem suportadas, sob pena de nos enegrecerem a vida. Há que saltar fora da espiral de negatividade e reconhecer que se não se resolveram, é porque não tinham nada de bom que merecesse ser salvo. Rechaçar as tropas retardatárias e limpar o mato para assegurar que não resta uma única erva daninha. Desinfectar com lixívia, defumar com sal e arruda,  passar por vinagre e queimar uns perfumes com as janelas bem abertas. Pode ser que assim o ar fique limpo. Com sorte, sim.

* Tolkien, Sínadrin para " Flameja Luz! Morre Noite". Grito de batalha dos Edain do Norte. 
** "Venham buscá-las!" gritaram os espartanos aos persas quando estes exigiram que depusessem as armas.
***Cartago deve ser destruída! (Cato, o Velho, durante as Guerras Púnicas)

Base para sombras = iluminador mágico

                                              
Comprei um primer/base para sombra de olhos por mera curiosidade, mas como só utilizo sombras em pó e muito pigmentadas não lhe achei grande piada - até experimentar usá-lo como iluminador. Não sou fã de fórmulas fluidas, que normalmente são demasiado translúcidas, mas o primer líquido adere à pele que é um assombro, tem uma cobertura espantosa e fixa-se o dia todo. Vale a pena ser engenhocas no que respeita aos cosméticos, estou a ver.

Quit playing games

                             
Tinha 12 anos quando vi Dangerous Liaisons de Stephen Frears e pouco mais quando me apaixonei furiosamente pelo romance de costumes que lhe deu origem. Por essa altura também explorei Maquiavel, cujo pensamento frio e desencantado me fascinou para sempre. Até aí só tinha aprendido a sinceridade, a polidez e a diplomacia. Todo o meu esforço mental se concentrava em moderar um pouco a minha impetuosidade e alcançar uma certa serenidade zen,  mas saber que havia personagens (ou pessoas) que viviam o quotidiano como se de um jogo de xadrez se tratasse (e eu tive um ligeiro interesse por xadrez na infância, que mais tarde se transformaria numa paixão por estratégia militar) foi uma novidade abismal para mim. 
Não era a maldade dos intervenientes nem o seu objectivo mesquinho que me encantava. Embora cobertas por uma camada de glamour e estilo, era óbvio que as mesmas motivações em personagens feias e grosseiras seriam repelentes, enredos de taberna ou de bordel. O que me cativava em Merteuil e Valmont era o seu sangue gelado, a capacidade de planear e dirigir os acontecimentos, de observar  desapaixonadamente, como um espectador neutro, o desenrolar de questões que afectavam os seus interesses, o seu auto-domínio implacável. Controlar as próprias emoções e sentimentos daquela forma pareceu-me a mais subtil das artes. Quem quiser dominar o mundo, deve em primeiro lugar ter poder sobre si mesmo. 


  Já sabia  o papel a que estava condenada; calar-me e fazer o que me era ordenado dava-me a grande oportunidade de ouvir e observar. Não o que me diziam, naturalmente desprovido de interesse, mas tudo o que tentavam esconder de mim.
Exercitei a indiferença. Aprendi a mostrar-me alegre debaixo da mesa, espetando um garfo nas costas da mão. Tornei-me… perita em dissimular. Não procurava o prazer mas o conhecimento. Consultei o mais severo dos moralistas para aprender a posar. Filósofos, para saber discernir. Romancistas, para ver o que poderia aproveitar. No final, reduzi tudo a um princípio maravilhosamente simples. Vencer ou morrer.

                                                                                          M. de Merteuil


Não desejava necessariamente aplicar as técnicas -com excepção da inofensiva sprezzatura, posso afirmar que não usei nenhuma delas. Nunca tive desejos de fazer mal a ninguém e sempre acreditei que o que precisa de ser alcançado através de truques não vale o esforço. Mas precisava de as conhecer. Não o fazer seria uma perigosa ingenuidade. Graças a isso, pude defender-me de umas quantas traições e batotas.
Interessada em saber mais, devorei todos os livros do género, os grandes mestres de estratégia, manuais de gestão, de comportamento. Os circuitos em que me movia deram-me oportunidade para observar os movers and shakers e sim, de aprender como o faziam. Porque o faziam em todos os sectores da sociedade, nas mais insignificantes áreas da existência. Nas relações. No mundo do trabalho. Na guerra. Na política. As técnicas de manipular o consumidor pareceram-me tão mirabolantes que acabei por me licenciar na área do marketing e relações públicas. No fundo, estava a exercitar a minha paixão pela antropologia. E concluí que infelizmente, muito poucas coisas são espontâneas nesta vida. No fundo, conheço todas as regras. Mas escolho não as aplicar e um dos motivos para isso é que na maioria das vezes, a estratégia mais eficaz é não usar estratégia alguma. Primeiro, porque por mais auto domínio que haja, poucas pessoas são imunes ao sofrimento. "Mantém os amigos perto e os inimigos mais perto", uma das técnicas da anti heroína, é algo muito doloroso de fazer: exige horizontes estreitos, capacidade para chafurdar na tristeza e no ódio. Ela espetava garfos nas próprias mãos para parecer simpática às pessoas que detestava. A longo prazo, é uma receita para o manicómio.
 Segundo porque, para quem não leu o livro, no final os geniais manipuladores acabam muito mal. Os segredinhos, as insinuações, as intrigas, tudo isso é descoberto, disparando estilhaços num raio de quilómetros. A ruína dos protagonistas é total e vários inocentes são arrastados no processo. Jogos e estratégias são como granadas que podem rebentar na mão de quem as usa e quanto mais amiúde se empregam, pior. Terceiro, porque o cinismo exagerado é das coisas mais maçadoras e cansativas que existem.
 Isto para dizer que eu não tolero jogos. Não os permito, não os alimento. Não porque não os conheça, não porque não saiba como utilizá-los em caso extremo, não por ingenuidade e muito menos por cobardia, mas porque não quero e tenho melhores coisas para fazer com a minha existência. Para tal, elimino da minha vida quem procura envolver-me neles. Sem quartel. E por isso mesmo, sou capaz de antecipar esses movimentos a quilómetros, de perceber tim tim por tim tim todas as jogadas. Lá porque escolho não pisar o tabuleiro, não significa que não reconheça um perdedor quando o vejo - e que não saiba exactamente como a partida vai acabar.

                                                                    

Sunday, June 3, 2012

As coisas que eu ouço - Virado ao contrário

                                                         
Há muitos anos, os meus avós conheciam um senhor, milionário provinciano e estabelecido, "cavalheiro" aparentemente sofisticado mas cheio de manhas. Tinha aumentado a sua fortuna graças a uns quantos golpes menos honestos e nunca perdera realmente o hábito de fazer malandrices, que lhe traziam não poucos desgostos escusados. Ora trapaceava este, ora não pagava àquele: volta e meia, lá andava em litígios com A, B ou C, mais por vício do que por estratégia ou necessidade. Com isso, foi  perdendo amigos e fazendo inimigos jurados. Tinha tanto de mafioso como de trapalhão e as suas vigarices não passavam despercebidas a ninguém. Uma pena, pois noutras coisas não era má pessoa e se não fosse esse defeito, seria um membro estimado daquela pequena comunidade. Mas não havia meio de se corrigir, por mais que a família o prevenisse que aquilo havia de acabar mal. Foram várias as ameaças e agressões que sofreu por sua própria culpa e a mulher, uma santa senhora com uma classe que vai rareando hoje em dia, não fazia senão desculpar-se, chorar e lamentar-se para quem a queria ouvir do casamento que lhe coubera em sorte.
Ora, certa vez fez uma coisa tão grave que a outra parte perdeu a cabeça e juntou uma série de homens fortes e espadaúdos para fazer justiça à moda de Fafe (ou no caso, à moda beirã). Levou uma tareia de tal ordem que foi todo enfaixado para o hospital e só escapou com muito esforço dos médicos. A mulher, farta de o avisar e de se arrepelar, não sabia se sofria mais pela aflição de ver o marido naquele estado ou de vergonha. Acorreram os amigos que lhes restavam, incluindo algumas figuras proeminentes lá do sítio e os empregados que apesar de tudo, lhe davam o desconto, para o visitar e consolar a mulher e os filhos. Mas a senhora, cansada de tanto gastar latim, dessa feita não esteve para o encobrir. E aos que iam chegando, não parava de dizer: foi a última vez que o apoiei! Para a próxima pode estar para aqui virado ao contrário que não quero saber dele para nada!
Lá diz o outro, "é um longo caminho dos lábios de uma mulher para os ouvidos de um homem"...

Hot rollers, papelotes e demais engenhocas


                                                                                                                                                               


                                                                      

 Por questões profissionais tive desde cedo a oportunidade de trabalhar com excelentes maquilhadores e cabeleireiros, que não só operaram em mim um bocadinho da sua magia como me ensinaram uma série de truques. A dinâmica de um profissional que trabalha na indústria de moda, televisão ou cinema é um pouco diferente do dia-a-dia num cabeleireiro normal: o tempo é precioso, há menos mão de obra (e muitas vezes, espaço) disponível, mais gente para aprontar num prazo recorde e exigências distintas para cada situação ou personagem. Um dos recursos a que deitam mão, e que não vejo por enquanto na moda por cá (no que concerne ao uso doméstico) são os rolos quentes, usados em celebridades como Giselle Bundchen e Blake Lively. Já vos tenho dito que gosto muito de ter à mão todo o tipo de modeladores e estes são dos meus preferidos, quer sozinhos quer como complemento para os babylissNos E.U.A foram muitíssimo utilizados a partir dos anos 60 (eram um dos segredos para o famoso penteado de Farrah Fawcett) e nunca perderam realmente a popularidade, muito graças ao hábito dos Beauty Pageants e à predilecção das americanas pelos penteados volumosos. 


                            Farrah Fawcett


O povo americano é adepto do do it yourself e na década de 70, enquanto as jovens portuguesas se esfalfavam para ter cabelos lisos, já as adolescentes de lá dispunham de modeladores práticos para usar em casa - anunciados na TV por Farrah Fawcett, claro.


Também os hot rollers saltaram muito cedo dos salões para os lares americanos, libertando as mulheres da  mise semanal (blhec). Ao longo dos anos foram surgindo em várias versões e tamanhos, desde os rolos tradicionais aos papelotes, permitindo obter em poucos minutos o mesmo efeito de meia hora debaixo de um capacete (o incómodo, o horror) ou de uma noite inteira tentar dormir com bigoudis na cabeça (mais incómodo, mais horror e grande enxaqueca, perguntem às senhoras que foram obrigadas a isso na infância).
No nosso País os ferros de esticar e frisar o cabelo tornaram-se, de há uns anos a esta parte, um acessório indispensável para as jovens fashionistas: vendem-se em toda a parte e poucas são as bloggers de moda que não têm mais do que um. No entanto, os rolos ainda se encontram à venda praticamente só nas lojas de cabeleireiro. Mesmo alguns profissionais, quando não trabalham na TV, preferem rolos comuns -num evento que organizei, tive de me passear com uma dezena de modelos com rolos e redes no cabelo em pleno centro comercial, enquanto aguardavam que o penteado fixasse. Parecia uma parada de caricaturas do tempo da outra senhora (tive sorte, em mim limitaram-se a um brushing normal e fui poupada à provação). Na blogosfera internacional, porém,  os hot rollers começam a voltar à ribalta e a sair dos bastidores dos desfiles para casa das pessoas - basta ver muitos tutoriais de penteados, vintage ou nem por isso, por essa web fora.
                                             
E porquê este regresso dos hot rollers? Fácil: aquecem rápido, aplicam-se num instante (sobre o cabelo seco e tratado com um  protector de calor) e permitem uma série de efeitos diferentes, consoante o seu formato e o tempo que forem deixados a actuar sobre os fios: desde volume num estilo liso a caracóis tradicionais, passando pelas ondas ou efeito saca-rolhas .São feitos de materiais diversificados: alguns têm cera quente no interior, outros são                                                     
de borracha maleável, etc.



O efeito é mais durável, principalmente em cabeleiras resistentes. E sobretudo, são menos cansativos de usar, se compararmos com o trabalho de empregar o ferro de enrolar por todo o cabelo: com prática aplicam-se em poucos minuto e deixam-se actuar enquanto se vai tratando da maquilhagem, da roupa, etc (ou no caso dos cabeleireiros, enquanto se "despacha" a modelo seguinte). No fim espalha-se um pouco de spray fixador sobre os fios ainda enrolados, solta-se e dá-se mais um jeitinho com pentes ou um babyliss, de acordo com o efeito desejado. E já está. Não direi que sejam um acessório para todos os dias ou que substitua totalmente os ferros ou escovas quentes (cada um tem o seu uso e qualidades específicas) mas considero-os um must-have para todos os tipos de cabelo e uma bênção para as Rapunzeis...


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