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Netscope

Saturday, June 16, 2012

O efeito Cinderela

                                   
Apesar de ser muito cuidadosa na escolha do calçado, já não é a primeira vez que me acontece isto: arriscar num modelo diferente de sapatos, muito bonitinho, aparentemente confortável, do tamanho exacto, de uma marca segura e blá blá blá e depois não ser capaz de o usar porque não está desenhado para se manter nos pés. Este é um daqueles defeitos que me irritam solenemente no calçado – nenhum design devia ser complicado de utilizar. É compreensível que certos estilos ofereçam menos conforto ou estabilidade. Mas dentro do possível, os moldes devem ser ergonómicos e/ou ter as engenhocas certas para que uma pessoa não fique descalça em plena rua com poucos riscos de ser perseguida por um príncipe doido mas muitos de:

a) Ter de caminhar como uma gata para que os sapatos não caiam e ficar cheia de dores no peito dos pés devido à oscilação do material contra os tendões (lindo);

 b) Enfiar uma tira de cabedal com toda a força entre os dedos (uma dor que só desejo à minha pior inimiga, e mesmo assim…);

 c) Torcer o pé;

 d) Ver o sapato disparar em grande velocidade para debaixo de um autocarro;

     e) Partir um salto;

     f) Tropeçar no sapato saltitão e cair de uma escada abaixo em cima de alguém.

     g) Perder um dos sapatos, cair do outro abaixo e estatelar-se;

Moral da história? Uns Fornarina, uns Paulo Brandão e mais uns quantos na oficina do sapateiro, para acrescentar fivelas no tornozelo. Desconfio que o senhor me dá um cartão de cliente VIP mais dia, menos dia.

Frase do Dia - Trabalho

É necessário trabalhar: ainda que não seja por gosto ao menos por desespero, uma vez que, bem vistas as coisas, trabalhar é menos aborrecido do que tentar divertir-se.

  Charles Baudelaire 

Friday, June 15, 2012

Já basta o que basta


Ontem perdi, de forma muito triste e inesperada, uma das minhas gatas. A Farolina foi um bichinho que recolhemos da rua e que só recentemente tinha começado a ser educada e a expressar-se como uma gata de família. Ganhou esse estranho nome por ter uns olhos tão grandes como um extraterrestre, verdadeiros faróis de nevoeiro: quando a conhecemos só sabia explicar-se arregalando-os enquanto berrava um “miiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii” agudíssimo que nos furava os tímpanos. Ultimamente, já habituada a nós, sabia brincar sem cravar as garras e tinha desenvolvido uma panóplia de miados diferentes para cada necessidade. Engordou e ficou tão bonita que parecia uma boneca de arminho. Infelizmente, não estava saudável como aparentava e sofremos um súbito desgosto.

 Já sabemos que quem gosta de animais tem de estar preparado para estas coisas, demais a mais quando se trata de gatos abandonados cujo background raramente é feliz. É certo que a vida, acredite-se mais ou menos em qualquer forma de controlo sobre o nosso destino, nos reserva imprevistos e partidas desagradáveis. A grande questão é que já bastam os problemas e tristezas que não podemos mesmo evitar. Não percebo é quem faz questão de acrescentar mais alguns, a si mesmo e aos outros. É como se adorassem uma boa dose de sofrimento recreativo, na própria pele e na de quem os rodeia. Parece que gostam mais das dificuldades que do resultado final, de viver numa tortura gratuita. Às tantas a felicidade entedia-os. Ou só encontram alegria na angústia. Queria entender, mas se calhar não tem simplesmente explicação e temos que nos conformar com isso – e suportá-lo como qualquer aborrecimento inevitável.

Xô, atrasos de vida!


  
Certos hábitos só nos prejudicam, mas por vezes estão tão enraizados que já nem damos por eles. Mecanizam-se criando padrões negativos, ciclos viciosos e um desconforto permanente cuja causa esquecemos: apercebemo-nos de que algo não está bem, mas não sabemos porquê. De tempos a tempos é útil fazer um troubleshooting à existência para moderar ou eliminar de todo esses atrasos de vida. Reparar neles é meio caminho andado. Estes são alguns exemplos, mas cada um tem os seus e terá de fazer o seu próprio trabalho de Dr. House para os identificar:


Má postura: corcovar, sentar-se em má posição, cruzar as pernas de forma errada e andar carregado (a) são hábitos responsáveis por mazelas como dores nas costas, torcicolos, um abdómen menos bonito, má digestão, má circulação, desânimo…
Mesmo quem foi habituado de pequeno a cultivar um porte de cisne pode, por ossos do ofício ou mudanças de rotina, cair na tentação de se posicionar mal. Há que prestar atenção, evitar essas posições e fazer os exercícios necessários para eliminar de todo esse hábito e as suas consequências.

Relações tóxicas: por muita personalidade que se tenha, em relacionamentos amorosos ou amizades é mais fácil do que parece cair nas garras de pessoas manipuladoras, que sabem exactamente como jogar com as emoções daqueles que dizem “amar”. Quanto maior a duração do relacionamento, mais difícil se torna estabelecer limites e distinguir o certo do errado. Há que ponderar se vale a pena estar perto de quem é um constante factor de stress, angústia ou desilusões.

Dizer que “sim” a tudo: ser demasiado gracioso (a) e evitar confrontos a todo o custo acarreta tantos atrasos de vida que um dicionário não seria suficiente para os enumerar. Quem não se defende não se pode queixar ou, como dizia a minha sábia avozinha, “ Deus Nosso Senhor não gosta de palermas”.

Excessos, guloseimas e alimentos “mentirosos”: Neste caso impõe-se a moderação. Ouça o seu organismo e conheça o seu corpo. Nem toda a gente reage da mesma forma e coisas tidas como inofensivas ou saudáveis podem estar a fazer-lhe mal à beleza e à saúde. Excesso ou falta de sal, bebidas gaseificadas, gorduras e hidratos de carbono complexos exigem atenção e tal como os “vícios” que fazem mal mas sabem bem, devem ser geridos e contrabalançados com medidas saudáveis.

Stress desnecessário: o que não puder ficar pronto não valia a pena ser feito em primeiro lugar, dizem os ingleses. Estabeleça prioridades, delegue, organize-se o mais possível para evitar correrias escusadas e elimine os factores de stress gratuito, como fazer constantemente três coisas ao mesmo tempo. Precisa mesmo de escrever ao computador, ver TV e atender três telefones em simultâneo? Aproveite cada momento e concentre-se nele.

Tralha inútil: no guarda-roupa, na papelada, na garagem…ocupa espaço, não permite tirar partido das coisas que tem, desarruma, ganha pó, complica as limpezas, inutiliza móveis, obriga-o a andar “de lado” em divisões pequenas ou a mexer nas estantes com cuidado para não atirar tudo para o chão e é o maior causador de desaparecimento de objectos importantes (passaporte, documentos, chaves do carro) dentro de casa.

Aturar pessoas chatas: Para quê, Senhor, para quê? Combata-as com energia e  se possível, vá-as expulsando uma a uma da sua vida.

Thursday, June 14, 2012

Quanto ao caso "Luciló"...

                               
...só tenho duas coisas a dizer: primeiro que nada me surpreende nisto, a não ser que para fazer um comunicado daqueles o rapaz deve estar pelos cabelos, ou no caso dele, por aquela poupa no alto da pinha (e quando um homem não se importa de prejudicar publicamente a ex, a coisa está preta). Segundo, que estou a rezar para que se lembrem de outra notícia depressa - ou palpita-me que ainda vamos ouvir muita asneira e brejeirice dita por essa menina. É que os ditos infelizes e grosseiros têm aumentado de semana para semana e se eu, que vejo pouca TV não lhes consigo fugir, que farão os outros? 

Sou do contra: bijuteria, yay or nay?

Heidi Klum
A propósito dos statement necklaces, tão em voga nesta temporada, pus-me a pensar no regresso "em grande" da bijuteria a que temos assistido. Ao percorrer a blogosfera e algumas publicações da especialidade constato um entusiasmo sem precedentes com berliques e berloques criados em materiais mais ou menos alternativos, sobretudo pulseiras e pulseirinhas. Parece-me que tal como as cores candy e neon, esta será uma reacção à austeridade em que nos encontramos mergulhados. 
    Nesse aspecto creio que estou contra a corrente, apesar de gostar francamente dos statement necklaces e cuffs.  E não obstante admirar o estilo de Coco Chanel e Jackie Kennedy, partidárias de algumas "jóias de fantasia" com qualidade, fui habituada no velho conceito de que uma mulher deve usar materiais nobres  ( não necessariamente caros) ou então, nada.
 Depois, fui uma adolescente do millenium, o que significa que apanhei as correntes do minimalismo e dos stealth affluentials, tão discretos que usavam anéis com os diamantes virados para dentro para não ofenderTalvez por isso, demasiados ornamentos provocam-me uma certa irritação visual - prefiro apontamentos úteis e centrais para o look, como uma boa pregadeira que simultaneamente enfeita e modera o decote, aos abanicos aqui e ali. Em mim, bem entendido - porque há pessoas que os usam com resultados soberbos. 
Em termos de bijuteria, confesso a minha negligência absoluta. Ainda tentei aderir e além disso fui alvo carinhoso de algumas ofertas (que se traduzem por algumas caixas guardadas) mas poucas foram as peças que integrei realmente no meu dia a dia.  Entre a minha bijuteria ma non troppo contam-se pulseiras e colares (especialmente egípcios, indianos e de outras paragens, como a Hungria) de metal e com pedras, alfinetes e camafeus antigos, algumas coisas feitas por artesãos venezianos e nacionais em materiais interessantes ou semi preciosos, strass de boa qualidade ou cristais swarovski e  gargantilhas de tecido com contas de vidro. No meio deles, claro, há cuffs e statement necklaces, incluindo  um de jade já bem velhinho que eu considerava extravagante, mas que empalidece em comparação com os novos modelos. 
A vantagem deste costume less is more é que direcciono os meus "investimentos" para outro tipo de acessórios e dificilmente me desgraço com novidades. A maioria das meninas não estará de acordo comigo nesta, mas é por isso que o mundo "não se tomba"...

Frase do dia: deslumbramento barato

Keira Knightley

"Aqueles que do Mundo não têm nenhuma experiência deixam-se surpreender por coisas sem qualquer importância"

                                                                     La Fontaine

Wednesday, June 13, 2012

Tanto blogue famoso por aí...

Marilyn Manson - ele também detesta ninjas de feira
E os anónimos parvos têm de parar aqui? Já há uns tempos que isto andava muito aprazível e frequentado por gente de bem, está visto. Será possível que haja alminhas que dediquem o seu dia a correr a blogosfera para chatear a molécula a pessoas que não conhecem de parte alguma (ou para fazer comédia, conforme a perspectiva de cada um)? Ou algum dos tipos psicológicos que volta e meia aqui são retratados serviu como uma carapuça de campino bem assente a alguém? Tanta coisa gira para fazer por esses lados, dançar o fandango, passear a cavalo...

10 Mandamentos do Smart Shopping, parte II


                                 
4- Custo-benefício, qualidade-preço e Valor por uso (VPU).  Considere as peças pelo que elas valem, não pelo que elas custam. Isto é verdadeiro para as pechinchas e para as aquisições significativas. Repare na execução, costura, molde e material do artigo em causa: justificam o preço, tornam-no irrisório ou pelo contrário, o custo está inflacionado considerando a qualidade? Vai preencher uma necessidade específica? Em que situações tenciona usá-lo? E sobretudo, quantas vezes? Se dividir o preço da peça pelo número de vezes que poderá usar um objecto vai obter o seu custo real. Por exemplo, uma gabardina de 250 euros que vista seis vezes por mês durante meio ano sai-lhe a cerca de 7 euros por cada – sem contar que a poderá usar nas temporadas seguintes. Uma carteira de pele que esteja barata é um achado. Uma blusa que custe 20 euros e vista só uma vez, pelo contrário...Quanto mais passageira, extravagante ou de menor qualidade a peça seja, menos deve investir nela.


5- Conheça o que tem…e o que precisa.                                                                                                                     
Para não acumular "tralha" convém fazer uma triagem periódica do que está a faltar no roupeiro, e elaborar uma lista antes de ir às compras. Assim é mais fácil concentrar-se no necessário em vez de se dispersar com “amores à primeira vista” que só duram até chegar a casa. Pense na sua roupa como um todo e pondere, antes de comprar, de que modo pode combinar as peças novas com o resto da sua colecção. 


6- Varie as suas fontes...É mais fácil ter um estilo pessoal e original se misturar peças e acessórios com origens diferentes. Comprar tudo nas mesmos locais pode ser limitativo e aumenta as probabilidades de ver mais pessoas com roupa igual à sua. Um pouco de hi-lo fashion, combinando elementos de marcas prestigiadas com outros mais acessíveis, é uma forma interessante de sair da zona de conforto se tem o hábito de se cingir a peças muito caras ou pelo contrário, exagera nas pechinchas (que nem sempre se justificam). Pode experimentar coordenar o novo com o vintage, os grandes armazéns com comércio e boutiques tradicionais, lojas online, estabelecimentos "alternativos", flea markets, outlets e feiras (desde que se afaste de produtos contrafeitos) comprar quando viaja ou mesmo conhecer novas lojas dentro do chamado fast fashion...
Isto não só abre horizontes e permite descobrir coisas mais invulgares, que tenham realmente a ver consigo, como evita o "efeito stress" de cada vez que a Zara lança um modelo novo.




7- ...Mas conheça as especialidades das lojas.
Embora actualmente todas as marcas se esforcem por fabricar todos os artigos (de lingerie a sapatos) há sempre coisas que fazem melhor. Em geral, esses foram os produtos que lhes deram renome, mas nem sempre. Apesar dos preços equivalentes, alguns designers ou marcas fabricam jeans estupendos, outros são melhores nos vestidos ou fatos, em certas lojas os casacos são óptimos noutras não. Os moldes e modo de execução costumam repetir-se entre colecções. Escolha os "fornecedores" certos para cada tipo de produto.


8- Conheça o seu tipo de corpo. Por muito que esteja em voga, uma saia bandage dificilmente favorece um "tipo pêra" ou um vestido cintado cai a matar num corpo "coluna". Há sempre forma de "dar a volta" às tendências e actualizar o guarda roupa sem desperdiçar meios em peças que não assentam tão bem.


9- Tire partido dos saldos/promoções Aproveite-os para adquirir "caprichos passageiros" se o desconto for mesmo grande; para renovar básicos, clássicos e roupa social; e para comprar elementos ou acessórios que refresquem o visual sem fazer uma grande mossa no seu orçamento. Normalmente nesta altura compra-se em maior quantidade, por isso procure não arrumar a roupa nova no closet sem antes mandar fazer os arranjos necessários em ajustes ou bainhas - assim evitará "trapos em coma". E já se sabe - aderir a ajuntamentos e confusões de "super descontos" leva a enganos. Escolha os horários mais calmos. Se está mesmo apaixonada por uma peça e não quer arriscar-se a esperar pelo meio da época de promoções talvez valha a pena comprá-la antes. É tudo uma questão de prioridades.


10 - Interprete as tendências com subtileza...e antecedência. Em geral, quanto mais prática e confortável uma tendência é, maior a sua longevidade. Os modelos que se mantêm actuais por mais tempo quase sempre correspondem a uma necessidade que não estava a ser explorada. 
























10 Mandamentos do Smart Shopping, parte I


                                         
Ter estilo próprio (ou tirar o melhor partido dele) exige fazer compras equilibradas, que enriqueçam o roupeiro sem gastos excessivos nem criar confusão no armário. Quantidade nem sempre é bom sinal. Por vezes usamos efectivamente uma pequena parte da nossa roupa: o que está sub aproveitado deve ser revisto e incorporado no uso quotidiano ou encaminhado para quem lhe dê utilidade. Em tempo de crise, maximizar o que temos e compramos torna-se mais necessário do que nunca, mas tanta oferta (aposta das marcas no desenvolvimento da fast fashion, lojas online) e menos recursos exigem que se aguce o engenho. Cada consumidor poderá desenvolver as suas estratégias para o conseguir, mas é útil observar as regras de antigamente, quando a roupa era feita para durar e mais facilmente se investia em pessoal competente para cuidar dela do que em comprar com tanta frequência. 

1– Clássicos para um “enxoval” de qualidade. Em tempos idos pensava-se mais num enxoval adaptável que contivesse tudo o que era necessário (fatos de dia, de lazer, de missa, de noite, etc) do que em ir adquirindo peças com tanta frequência. Para não lhe faltar nada e minimizar as compras por impulso, adopte este conceito e pense no seu guarda-roupa como um investimento a longo prazo, em vez de um conjunto efémero de coisas. Os elementos intemporais como o trench coat, calças clássicas, o little black dress, etc– quanto mais tradicionais, melhor – e roupas adequadas a situações distintas devem estar sempre presentes. São a base para combinar tudo o resto e nunca passam de moda, logo não precisam de ser constantemente substituídas. Estas peças representam os gastos mais importantes e consoante as suas posses, deverão ser de bons materiais e de uma casa de confiança.

2-“Ó linda costureirinha...” Se não tem uma, encontre-a. Nada pior do que acumular, sem usar, roupa que “foi um achado” mas precisa de ser apertada ou tem as bainhas, alças, etc muito compridas, ou ir a correr comprar calças iguais às vinte que já tem em casa quase novas porque nenhuma delas está operacional. Além disso, todas as roupas resultam melhor quando são adaptadas ao corpo. O mesmo vale para um bom sapateiro à moda antiga, que pode remediar algumas compras disparatadas e assegurar que o seu calçado preferido dura mais tempo.

3-Compre quando háe pode. Para isso, precisa de se conhecer. Provavelmente existe um tipo de calças, vestido ou sapatos que lhe fica bem e gosta sempre de usar. Consoante as tendências e as demandas do mercado, por vezes mesmo os modelos mais clássicos desaparecem misteriosamente das lojas (por exemplo, eu adoro sobretudos a ¾, que têm rareado nas últimas colecções). Canalize os seus gastos para se abastecer dessas peças nas temporadas em que elas aparecem em quantidade – e preste atenção aos saldos das mesmas. Quando visitar um outlet, procure os seus modelos preferidos. Provavelmente gastará mais nessas alturas, mas não vai precisar de “torrar” dinheiro mais tarde, à pressa, em coisas que não lhe ficam bem porque “todos os seus casacos estão velhos” ou "precisa de um vestido para casamento com urgência". Esta regra, claro, aplica-se a roupas ou acessórios que não fiquem datados. Também deve empregá-la em relação às suas finanças: vá às compras quando estiver monetariamente mais à vontade, mas reserve 80% desses gastos para itens que possa usar durante bastante tempo.

 To be continued...(clique aqui)

Tuesday, June 12, 2012

Rednecks, sulistas e hillbillies




                                     
Confesso que sempre achei graça à scene dos campónios Norte- americanos. Sim, os rednecks e hillbillies, satirizados em comédias e filmes de terror. Gosto deles, gosto dos sulistas – then again, eu gosto dos sulistas em geral e de tudo o que lhes diz respeito, menos no horroroso hábito do racismo. Quando limitam o seu saudosismo pelos tempos do antebellum a isso mesmo e a bandeirita da Confederação serve só para enfeitar, por uma questão de tradição, são do mais adorável que há.                                                             
Por alguma razão séries como True Blod, The Walking Dead ou mesmo Bones retratam personagens deste tipo. Gosto da sua música, do costume enraizado da hospitalidade e do respeito pelos mais velhos, da valentia, das histórias de hoodoo e  voodoo, dos mistérios crioulos, do facto de serem gente que se desembaraça no mato sem problemas, que resolve tudo ao soco ou ao tiro se preciso for mas dali a pouco já não se passa nada, das Southern belles e do que elas representam. Gosto que não se importem de ser botas-de-elástico e tementes a Deus, que sejam sinceros ao ponto de admitir o quão conservadores são, que mesmo quando são uns brutamontes não procurem passar-se por outra coisa.
 Aprecio a sua candura e autenticidade, a ciência que empregam em serem encantadores, a forma como dizem “yes, Sir” ou “No, ma´am” a toda a gente, como conservam as velhas formas de tratamento, como ainda valorizam as antigas redes de parentesco até à 5ª geração e fazem o mesmo com as amizades. 
Admiro aqueles que perderam tudo o que possuíam na Guerra Civil e souberam reerguer-se, e acho extraordinária a altivez dos que apesar de terem ficado reduzidos a camponeses desde essa época nunca esqueceram (o que quando não se traduz em violência contra inocentes, é uma coisa boa) nem admitiram misturar-se ao white trash, embora materialmente já nada os distinguisse uns dos outros. Admiro as suas complexas hierarquias e códigos de honra, na mais arcaica tradição europeia que por cá se foi extinguindo. E não há nada tão encantador como o estilo de vida antigo que procuram, contra os sinais dos tempos, preservar. 
                                                          
É tudo muito confuso, único e estranho para um estrangeiro. Mas se os Nova Iorquinos são considerados o protótipo da sofisticação e os elementos WASP (White Anglo Saxon Protestant) das localidades Ivy League caracterizam a nata das tradições do Old Money Americano, é no Sul que podemos encontrar a mais exótica paleta de representantes da melhor aristocracia do Velho Mundo, que importaram para o outro lado do Atlântico aquilo que recordavam da sua pátria e não obstante as contrariedades, conservaram hermeticamente a sua essência. Quanto aos rednecks, são gente orgulhosa e genuína – quem me dera poder dizer o mesmo dos “parolos” de cá. Isto para dizer que se algum dia me der para fazer as malas e virar as costas ao velho e cada vez mais decrépito Continente, dificilmente me apanharão a viver na Big Apple ou em Los Angeles, que de repente se tornaram o dolce far niente para um certo tipo de portugueses citadinos à força de pulso.
Mais rápido me encontrarão num alpendre florido de magnólias a bebericar ice tea de pêssego, usando um sundress e com uma carabina à mão para o que der e vier, feita uma estranha mistura de dona de plantação com ladies who lunch.




Que desperdício!

                                              

Eu simpatizo com Katy Perry: é gira, tem sangue português e até lançou temas pop com a sua piada, como Hot N Cold. Mas fazer um vídeo tão engraçado (e caro) para uma canção tão feia como Part of Me, é coisa que sinceramente não percebo. Aquela cantiga é um berreiro completo: fabricada a martelo, claramente para encher chouriços, com uma temática do mais cliché que pode haver, sem emoção, letra, beleza melódica nem um ritmo que desperte interesse. E não vale a pena dizer que o mal é da música “light”, porque no género também há pérolas. Para tirar a prova dos nove basta pegar num tema da moda e dar-lhe um arranjo totalmente diferente (como neste da Rihanna). Se continuar audível ou melhorar consideravelmente, então a canção tem mesmo qualidade. Simples, não é?

Monday, June 11, 2012

Casacos orientais: Kimono x Cheongsam

   
  

Ultimamente tenho visto um grande entusiasmo na  blogosfera com os pequenos "kimonos" (imagem da direita) que se usam tanto com roupa casual como a compor um traje social. Confesso que não lhes dei grande importância, em parte porque já tenho uma colecção grande de peças orientais legítimas (ou seja, anteriores à invasão dos bazares chineses que inundaram o mercado de versões mais baratuxas) em parte porque sempre preferi usar esse tipo de roupas um pouco mais cingidas ao corpo. Assim largueirões lembram-me um pouco robes -de-chambre ou pijamas, coisa que também tem andado a passear pelas ruas em versão trendy. E por fim, porque valorizo a autenticidade. Ora, os "kimonos" que tenho visto são de poliéster e por mais fofos que sejam, ao olhar para eles vem-me logo à cabeça o valor e o material dos kimonos japoneses à séria (verdadeiras obras de arte) e já não consigo achar-lhes piada.
Ora, andava eu nas minhas arrumações quando dei com um casaco Cheongsam tradicional das primeiras décadas do século XX, fabricado em Hong Kong e com a chancela de uma boa casa de Nova Iorque. É parecido com o da imagem à esquerda (que é dos anos 20) mas mais sólido e mais giro. Não é um kimono, mas tem um formato semelhante - a direito, mangas largas, 100% seda negra devorée, com forro encarnado. Apesar de ter alamares e gola chinesa, usado aberto faz o mesmo efeito. Posso ainda apertá-lo com uma faixa, se o quiser cintado - ou se me apetecer ser mesmo dramática, usar um obi belt. Comprei-o em viagem, num flea market, usei-o meia dúzia de vezes há anos...e por ali ficou.
Escusado será dizer que vai regressar ao closet para tomar o seu lugar, logo que o consiga "desamarrotar" como merece. Não faço ideia como deixei uma coisa tão gira a amolgar-se num caixote, eu que tanto gosto de ter casacos bonitos para usar com vestidos de noite...

Já cá faltava o shopgrifting: usar sem pagar


                     
Diz uma revista levezinha da nossa praça que a prática do Shopgrifting (que se traduz mais ou menos por "intrujar as lojas") se está a popularizar por cá. É curioso como tudo o que seja malandrice ou manha conquista rapidamente adeptos, enquanto as boas práticas são consideradas apanágio dos parvos que não sabem viver...
E para quem não sabe, o que vem a ser o Shopgrifting? Trata-se da prática intencional de adquirir um artigo, utilizá-lo e devolvê-lo aparentemente intacto no período concedido pelos estabelecimentos, obtendo um reembolso total. Ou seja, usufrui-se do produto sem efectivamente o pagar. Como seria de esperar, os acessórios e as roupas são os alvos favoritos dos shopgriftersIsto soa-me a moda nova - sempre ouvi que a maior parte das casas permitia apenas trocas, precisamente para evitar devoluções fraudulentas.  Mas ao que parece a maioria das cadeias de lojas, ansiosa por fidelizar clientes em tempo de vacas magras, deixou de dificultar a devolução de artigos. E se o encarregado de loja colocar obstáculos, há sempre quem ameace pedir o livro de reclamações. Este "fenómeno" não é exactamente ilegal, mas é de certeza pouco ético . Primeiro, porque a loja deixa de vender efectivamente o produto. Segundo, porque graças ao "chico esperto" peças cobiçadas por clientes a sério poderão não estar disponíveis (e estes "artistas" costumam atacar nas alturas em que há eventos, como veremos a seguir). Terceiro, porque é muito chato adquirir uma peça julgando-a nova, quando afinal já foi "alugada , passeada por aí e sabe-se lá o que mais (blhec! ) por outra pessoa. O mais disparatado é que as lojas do Grupo Inditex (Zara, Stradivarius, etc) são as preferidas dos espertalhões portugueses, incluindo uns quantos "famosos" não patrocinados por marcas ou designers, que recorrem a este esquema para fazer boa figura, salvo seja, em Globos de Ouro e afins. Segundo a publicação, uma sub-celebridade qualquer devolveu à Zara um "fato de gala" com os bilhetes do evento esquecidos no bolso. Pessoal, Inditex, seriously? Nem sequer em dias de festa conseguem ser um bocadinho mais originais, e ainda por cima até em coisas baratas precisam de dar golpes? Não tenho nada contra a Zara, mas a roupa deles é acessível, nem sequer representa um investimento que justifique devoluções. Fazê-lo noutro sítio já seria indecente e de um mau gosto atroz, mas assim ultrapassa a desonestidade: é pelintrice, tacanhez e ganância pura. 



Sunday, June 10, 2012

Ser "fashionista" (?) dá muito trabalho

Apesar de preferir visuais depurados, sempre achei que um estilo espampanante (desde que bem definido e próprio) tem mais mérito, e é mais interessante ao olhar, do que a ausência de estilo. Há pessoas que fogem ao que se convenciona como bonito ou elegante e que no entanto, são consideradas gurus de elegância: é preciso conhecer as regras para poder quebrá-las. Ao longo dos anos, como qualquer apreciadora de moda, fui recebendo e seleccionando influências, que na sua maioria ainda se mantêm em menor ou maior medida  no meu guarda roupa. Experimentei coisas diferentes, tive "fases" em que certos elementos ou inspirações predominavam, aderi a algumas tendências, escolhi os clássicos que haviam de ficar. E embora admirando acima de tudo os looks limpos, elegantes, com materiais de qualidade (independentemente da discrição ou ousadia das roupas) fui sempre achando que mesmo isso rareava no nosso país, a que faltava uma certa cultura de moda. A maior parte das pessoas era absolutamente banal. O "estilo consciente" não era generalizado, mas apanágio de grupos informados e específicos: uns campeões da elegância clássica, outros pioneiros na exploração de looks alternativos, associados a certos estilos de vida ou subculturas. No círculo que conheci, tanto os rebeldes como os que se cingiam ao Bon Chic, Bon Genre tinham uma vantagem em comum: cultura geral e uma certa educação que conferiam autenticidade e motivo à forma como se expressavam visualmente.  Para fazer brilhar um visual simples é preciso um ar racè, elegância - que não passa apenas pela forma física - peças boas, espírito crítico, prática, um porte bonito e bastante imaginação. E por estranho que pareça, suportar um visual excêntrico com graça exige exactamente o mesmo. 
 No entanto, num par de anos, a moda ficou na moda. O interesse dos adolescentes e jovens adultos na indústria, na beleza, no street wear, tornou-se mais transversal. Já não interessa apenas "andar na moda" mas "ter um look fashion". E para muitos, "parecer fashionable" ou ser "fashionista" implica chamar a atenção, não necessariamente como os góticos e vanguardistas dos anos 90 ou os fashionistas do início do milénio, que desejavam acima de tudo expressar-se. Os novos "fashionista wannabes" portugueses, que descobriram agora as maravilhas dos blogs e das redes sociais especializadas ( ? chictopia, lookbook) querem simultaneamente usar todas as peças tendência, de preferência todas ao mesmo tempo, ser diferentes entre si e destacar-se na colorida panóplia de visuais. Tarefa difícil, já que embora compitam a ver quem sobrepõe mais  shorts, turbantes, laçarotes, sneakers (termo velho que está em voga) mullet skirts, calções de renda, Foxy Woods, Ticks e Litas, muitos parecem clones com fatiotas muito desconfortáveis. Ser e parecer fashionista à força dá demasiado trabalho para ser divertido. O estilo, seja simples, composto ou extravagante, é effortless: relaxado, natural, apoiado em referências e inspirações próprias. Um ícone usa as roupas como se fossem a sua própria pele. E procura a individualidade ao interpretar as tendências.
A vantagem desta disseminação da fashion consciousness   é que vemos, de facto, pessoas que apetece fotografar na rua pelos melhores motivos. Mas essas, claramente, não se põem em bicos de pés: são da velha guarda ou tiveram bons professores. Meninos e meninas: relax.




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