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Saturday, June 23, 2012

Coisas que me fazem urticária #1

                                                              
Há pouco fui a uma loja comprar comida de gato e a senhora da caixa (com unhas falsas de meio metro cheias de bonequinhos e brilhinhos) vira-se para mim e diz: quantos "comeres" (tradução: latas de comida) são?
Esta é uma daquelas expressões que, embora certos especialistas na matéria defendam que não são incorrectas, me arrepiam mais que garras a riscar num quadro negro. A mim, que até emprego vocabulário do tempo da Maria Cachucha e sou defensora acérrima de regionalismos. Não é por mal, mas acho tão feio e tão boçal que me agride mesmo. E lá que se utilize em casa, ainda vá que não vá. Mas numa cadeia de lojas, é uma falta de profissionalismo usar palavreado tão pouco cuidado, eu acho... A única coisa que se equipara no quesito de me fazer encolher automaticamente é o pavoroso hábito de se referir aos filhos ou aos netos, na terceira pessoa, por o menino ou a menina. Vulgo: olha a menina! toma conta do menino! ou já "fizestes" (atente-se ao "s") a papa do menino? Como se os pequenos não tivessem nome, nem identidade, fossem um objecto estranho que por ali anda. Blhec. 

Amnésia

                                               
E eu ter pensado ontem à noite num post giro giro, que não era mentira nem nada, e esta manhã *puf*, gone, varreu-se? Há lá coisa mais desconfortável e esquisita? A continuar assim, tenho de criar um sistema de post-it para o Imperatriz, ao estilo das personagens de 100 Anos de Solidão. Tome o magnésio, Sissi, que com tanta gente a embrulhar-lhe os neurónios e a moer-lhe a molécula não há memória que aguente. (Isto se eu não me esquecer de o tomar, claro).

Friday, June 22, 2012

Agir como um homem em 4 passos


      Vincent Cassel (Vogue)                                              

Já se falou disto aqui, em várias ocasiões. Os sinais dos tempos, a independência feminina e a “sensibilização” do masculino trouxeram coisas boas, mas também baralharam os papéis. Por muito que se diga que as mulheres devem tomar a iniciativa e os homens “estar em contacto com as suas emoções” a verdade é que as senhoras continuam a reclamar e eles a dizer “não entendo as mulheres”. Se as fórmulas de antigamente tinham as suas falhas, a verdade é que as actuais também não parecem funcionar lá muito bem. Não será má ideia reinventar os clássicos e seguir a natureza com moderação. Por mais que se insista no contrário, as mulheres não querem um bebé de 1,80 m nem uma melhor amiga de barba para partilhar a vida. Inconscientemente, homens e mulheres procuram o oposto que os completa. Ficam aqui umas sugestões para traçar a linha entre homens e meninos:

1-        Ser constante, firme e decidido

Dizer uma coisa e fazer outra, afirmar “temos de conversar sobre isto” e desaparecer durante semanas logo a seguir, ora quer ora não quer …fantástico, se pretende dar uma imagem de menino da creche. Não faça na sua vida pessoal o que não faria nos negócios ou na profissão. Saiba o que quer e leve as suas ideias adiante. As pessoas têm mais que fazer. Hesitações constantes são cansativas, transformam-no em poluição na vida alheia, em alguém que não pode ser levado a sério: arrisca-se a passar a material para “Plano B”(aquele caramelo de quem uma mulher só se lembra quando não há ninguém melhor com quem se entreter).
Na vida a dois tomem as decisões fifty fifty, mas não consinta que o manipulem por preguiça ou medo do confronto. Se deixa que seja a mulher a decidir tudo sozinha, do restaurante onde vão passar o serão à localização da vossa nova casa, ela acabará por se enfadar. Nas amizades, pense pela sua própria cabeça: não permita que interfiram demasiado na sua existência, decisões ou relacionamentos. Pense na entourage dos jogadores de futebol, a viver à custa deles e a falar à imprensa: parece-lhe bem? Defina hierarquicamente o papel que as pessoas têm na sua vida – e mostre, sem rodeios, que não se deixa explorar ou controlar. Seja o comandante do seu navio. A primeira característica de um homem a sério é a determinação. A segunda é a força – física, mas sobretudo de carácter.
                                                                                                                                                                     
2-        Apresentar-se como um cavalheiro

Não é preciso parecer um carroceiro para mostrar a sua masculinidade nem transformar-se num dândi do século XXI para provar que tem estilo. O ideal está algures no meio: sem exageros, nem desleixos. Embora as revistas mostrem uma imagem glossy e retocada do homem perfeito, a maioria das mulheres ia perder a paciência se na vida real tivesse de suportar um tipo obcecado com a sua aparência, mais preocupado com as medidas do que em “cumprir os seus deveres”, se me faço entender. Para detalhistas bastamos nós. O lugar dos personal trainers é no ginásio, não em casa.  Uma das coisas fascinantes a vosso respeito é a rapidez e facilidade com que se arranjam para sair. Estilo “ soou o alarme e aqui estou pronto para lutar”(apelo ancestral, anyone? Todas as mulheres precisam de um herói, já dizia a outra…).
A natureza já vos dotou do necessário (como por exemplo, uma pele mais espessa e resistente do que a nossa, que não precisa de tantos cuidados). Um cavalheiro está sempre pronto. As loucuras fashionistas (?) são boas para a adolescência. Num adulto, o mais simples e eficaz é seguir o tradicional: fatos e roupas clássicas que assentem na perfeição para traje social (o estilo inglês é preferível ao italiano, sempre algo risqué) um sortido de peças navy e countryside (polos, calças chino, and the like) e uns quantos jeans e t-shirts de qualidade bastam para estar sempre bem sem matar a cabeça. O mesmo vale para penteados: curto ou médio, escolha um que não o obrigue a passar horas ao espelho. E que permita fazer festas – não há nada tão frustrante como “não me toques no cabelo!”. Uma sombra de barba (na ocasiões certas) também é do mais sexy que há. Cuidado com o excesso de perfume: está cientificamente provado que no vosso caso, menos é mais.

3-        Agir como um cavalheiro

É mais importante sê-lo que parecê-lo. De nada lhe serve dar-se grandes ares, pagar a conta num restaurante da moda ou abrir a porta para uma senhora passar (embora isso seja fofo) se na hora H é incapaz de tomar a defesa da mulher que lhe interessa ou se acobarda nos momentos importantes. Exercite a palavra de honra: cumpra o que diz. A palavra de um homem vale um escrito, ou devia valer. Se tem obrigações, honre-as. Se errou, desculpe-se e aja de acordo. Seja protector (física e emocionalmente) acima de tudo. É para isso que um homem serve, por mais que uma mulher seja auto-suficiente. Se precisa de espaço, explique-se antes de sair de cena. Não se aproveite das fraquezas alheias nem seja manipulador como um garoto. Não procure “safar-se” – isso é desprezível. Não há nada pior do que um canalha: ninguém os respeita. Muito menos uma mulher a sério.

4-        Declarar as suas intenções
             Se está apaixonado, começa a estar ou quer alguém de forma permanente na sua vida, explique-se em tempo útil. Não espere que seja ela a tomar as rédeas (mais uma vez, evite o abjecto acto de se “safar”) porque isso pode nunca acontecer por uma série de razões. Falar francamente não o obriga a fazer promessas que não tem intenções de cumprir ou a declarar certezas que não sente. Dizer “gosto mesmo de ti”, “estou interessado”, “”noto algum sentimento entre nós” , “acho que devíamos avançar para o próximo nível nesta relação” ou caso não esteja certo daquilo que quer (está no seu direito) “sinto-me muito atraído por ti” não mata ninguém, pois não? Se está interessado em alguém, saia rapidamente da friend zone: não quer ouvir a mulher de quem gosta a fazer-lhe confidências sobre outros, ou quer? Isso já no liceu era mau. Acima de tudo, evite equívocos e não mantenha uma amizade se não é isso que quer. É muito desagradável não saber o papel que se tem na vida de alguém e a maioria das mulheres, perante muita indecisão, optará por um pretendente mais despachado: não é que todas procurem à força “caçar um companheiro”, pelo contrário, mas são seres que gostam saber com o que contam. Quer alguma coisa? Consiga-a. É assim que um homem age. Se não quer, vá cavalheirescamente à sua vida. O papel passivo e indeciso é tradicionalmente feminino. Para evitar mal entendidos, cenas de ciúmes desnecessárias ou deitar fora um relacionamento que podia ser fantástico, deixe claro à pessoa em causa se ela é alguém especial ou mais uma amiga no seu grupo. Não iluda ninguém, isso não faz de si o máximo (só parvo). 

Thursday, June 21, 2012

Parabéns, Nação Valente

E acima de tudo, temos ou não temos o mais belo dos Hinos? Marcial. Poderoso. Arrepiante!

O Diabo foi de férias

Julian Sands


Más notícias, meninos. O Príncipe das Trevas pôs os seus trapos Prada nas malas LV e abalou para parte incerta, deixando os seus domínios numa desorganização que só visto. É por isso que há tanta gente que devia ir para o Inferno e não vai. Pior: como o desemprego também já lá chegou, os pobres diabos menos qualificados vieram para o olho da rua: em vez de estarem entretidos a fazer o seu trabalho (mexer caldeirões, tratar das tubagens de enxofre, etc)andam por aí a vadiar à solta, a perder as almas, a provocar o caos. E com a falta de recursos humanos (ou diabólicos) os Anjos Caídos dos quadros superiores estão exacerbados com tarefas e não conseguem tomar conta deles, nem pôr ordem na barafunda. I think we got a problem, ou melhor:  we need a more permanente solution for our problem.

Sou do contra: crazy manicure X tradição italiana


                                                                                                      Eleonora Carisi


Esta semana tenho “cortado na casaca” de todos os modismos que andam para aí. Antes que me passe a vontade, confesso o meu cansaço (que já dura há uns bons meses) em relação à craze das “garras” de todas as cores e feitios. Creio mesmo que o verniz é o cosmético mais desejado do momento; basta reparar na quantidade de marcas que têm surgido no mercado português. Este meu enfado não é propriamente novidade. Torci o nariz quando há uns anos toda a gente (mesmo quem tinha unhas bonitas) aderiu às extensões de gel, que me pareceram demasiado extravagantes, desconfortáveis e bling bling para o meu gosto. Com piercings, brilhinhos e bonequinhos, pior um pouco. Sempre preferi um aspecto natural, embora não negue que o “verniz de gel”, menos invasivo, possa ser útil em alguns casos, particularmente agora que já há máquinas para o fazer em casa (com a minha mania de ser engenhocas, não digo que não me dê para umas experiências “científicas” um dia destes). Em todo o caso, uma senhora conhece-se pelas mãos e com pontuais excepções - como os tons pastel ou melancia que apareceram no Verão passado - sempre me cingi a um comprimento discreto e às cores clássicas: nuances porcelana,  encarnado e rouge noir. Quanto mais simples melhor, principalmente com as inovações que têm surgido a nível de roupas e sapatos, já de si chamativas o suficiente. Não nego que há muita informação valiosa na blogosfera para quem prefere economizar e divertir-se a fazer a sua própria manicure. Mas ultimamente, vendo dezenas de bloggers a mostrar “o verniz da semana” eu que gosto de tocar piano, de desenhar e de jardinar, e que acho que há mais coisas na vida para além de me ralar com um verniz estalado, tenho-me cingido à tradição italiana (não confundir com a espaventosa coisa alcunhada de "manicure italiana"): unhas tratadas com verniz transparente para o dia-a-dia, e pintadas com uma cor intemporal em ocasiões especiais. As minhas “primas” , nativas de um dos países com mais estilo do planeta, sabem o que fazem. É um sossego. Era o que me faltava, mudar constantemente as unhas conforme a toilette do dia…
Claro que isto me coloca na categoria das bloggers pouco “fashion”, mas como dizia Madame de Maintenon, “mais vale passar por circunspecta do que por tola”.

Midsummer




Hoje temos o dia mais longo e a noite mais curta.  O Midsummer marca cerca de três dias (de 21 a 23 de Junho) em que os Deuses, as fadas e os príncipes élficos passeiam livremente por aí. Em que tudo pode acontecer. As ervas da sorte apanhadas nesta altura têm o seu poder multiplicado. O Midsummer, ou Litha, era assinalado pelos celtas com festas e fogueiras – um pouco como hoje, embora as celebrações tenham sido cristianizadas e transformadas na noite de S.João. Nesses tempos, as jovens faziam sortilégios para adivinhar o rosto do futuro marido; alguns desses “truques” chegaram até nós. Contava a avó Celeste que uma alcachofra deitada ao fogo de S.João devia ser guardada. Se voltasse a florir, era sinal que o amor de um pretendente era verdadeiro. Com ela funcionou, digo-vos isto…Quanto a mim, vou celebrar o solstício da forma mais adequada: uma alegre mistura entre a pura tradição Pagã e a devoção Católica Romana, com uma missa familiar em honra dos antepassados seguida de uma festa do solstício cheia de música folk e danças, junto a parentes e amigos. Ou seja, uma festa talhada à minha medida e à semelhança da evolução do próprio Sabbath, que nasceu da Velha Religião e se adaptou à nova sem perder os seus traços distintivos…

Wednesday, June 20, 2012

Uma boa surpresa

A jornalista Joana Emídio Marques (que referi neste post) teve a gentileza de o elogiar e de se juntar ao Imperatriz Sissi no Facebook. A isto se chama ser graciosa, uma qualidade que rareia cada vez mais. E quem é gracioso dá bons conselhos...por isso não se esqueçam de conhecer a página da Joana, Coisas Novas no Cabide.

Short story: Too close for comfort


                                   

Foi a primeira vez que se encontraram após o grande desastre. Um baile de máscaras, com danças em quadrilha, não sonhavam que poderiam cruzar-se. Tarde demais: enquanto os pares se trocavam e rodopiavam alegremente, eis que foram obrigados a dar as mãos, a reproduzir, sem tremer, os movimentos felizes da coreografia. Um sorriso sardónico, um “isto vai mal, hein?”, um toque superficial na pele, o coração quase a parar ali mesmo. Ai, as circunstâncias, única fronteira, única diferença. Tudo o resto estava exactamente na mesma: a velha química, o velho à vontade e cumplicidade que os tinha irresistivelmente empurrado para os braços um do outro, tão espontâneo que era preciso um esforço sobre humano para recordar que já não podiam abraçar-se, nem estar próximos, nem conversar sozinhos, nem nada. Tudo tinha mudado demasiado – por fora – e seria preciso um milagre para colocar tudo de volta nos devidos lugares, um trabalho mútuo e titânico tornado impossível pela muralha de silêncio que tinham construído.  Só quero que o demo da música acabe depressa. Só quero ir para casa. Esta cidade está a ficar pequena para nós os dois. Tenho de sair. Estou a enlouquecer. Não quero estar perto desta maneira, sem que possamos tocar um no outro, não quero olhar indirectamente, mover-me num núcleo diferente, caminhar noutra direcção, com a consciência plena que já não pertencemos ao mesmo conjunto, falar de trivialidades atropelando a única coisa que importa, olhar sem ver, sabendo que no fim cada um vai para sua casa e que desta vez, “parting will not be such a sweet sorrow” e que nem o consolo de “boa noite, mil vezes boa noite” haverá


As coisas que eu ouço: remédio para snobs

Trabalha, malandro!
Um conhecido meu, bem parecido e melhor colocado na vida graças a um pai self made man, sempre levou uma pouco discreta existência de playboy rural -  algures entre o parvenu de carreira e o estroina bem intencionado. 
Ora, certa noite de Verão houve uma festa em que o nosso herói (habituado a ser o centro das atenções) se viu relegado para segundo plano graças a uns convidados da sua idade que eram o supra sumo do dandismo old school, uns verdadeiros betolas de marca maior, para o bem e para o mal. Após as primeiras impressões, ficou claro que se tinham "medido" mutuamente: eles perceberam-lhe o verniz demasiado recente e o seu quê de carroceiro; por sua vez, ele notou-lhes mofo, verdete e uma certa ingenuidade arrogante, própria de quem nunca viveu fora do seu meio e não vê no que se está a meter.
 Ou por inveja, ou porque as peneiras dos outros fossem realmente insuportáveis, a verdade é que lá para o fim da noite o rapaz estava pelos cabelos. E sentando-se numa roda de apoiantes, gritou para quem o quis ouvir:


 O que lhes faz falta é uma enxada na mão de manhã à noite!


 Apesar do que havia de verdadeiro e de sábio naquele repente filosófico, não pude deixar de pensar que a enxada também lhe ficaria a matar a ele...
Then again, acho que seria remédio santo para os males de muito boa gente...

Tuesday, June 19, 2012

Hamlet dixit

                               













               








                    "A infâmia emergirá sempre, ainda que toda a terra a soterre"


                                                    (William Shakespeare)                   
                                                                                                
E lembrei-me desta verdade incontornável porquê? Porque, meus amigos, deitei a mão a um exemplar da colecção "Classics Illustrated", numa adaptação magnifica de Steven Grant e Tom Mandrake. Não olhava para isto desde miúda. Digam lá se não é o Hamlet mais giro que já viram, de uma pessoa se munir de paciência para as loucuras e ajudá-lo na busca pela justiça? That´s right, tive um fraquinho por Hamlet, apesar de preferir a peça escocesa...

Estavas, linda Inês, no Facebook...

A história acabou mal, mas imaginemos como seria se existissem redes sociais naquele tempo: tenho para mim que havia de ser um escândalo bem pior e menos romântico, com a corte inteira a partilhar (literalmente) as intimidades entre o príncipe e a bela "colo de garça" e os detalhes sórdidos ou sangrentos espalhados pela internet. Isto se Pedro e Inês não se chateassem por uma bisbilhotice antes do desastre ( "essa atrevida da Teresa Lourenço andou a pôr Likes no teu mural!" ou "o Afonso Madeira partilhou uma foto tua a namoriscar com outro..."). Não sei se as engenhocas modernas funcionarão como um exterminador ou como um filtro para os amores de lenda que possam nascer nos nossos dias. Parece-me impossível que uma paixão abrasadora, violenta e imortal se desenvolva adequadamente sem uma certa dose de secretismo. Não há amantes que não precisem de se fechar em extática contemplação (pelo menos durante algum tempo) sem receber constantes  estímulos negativos do exterior - inoportunos, mal intencionados ou de pessoas que não se conhecem tão bem como isso. 
As grandes histórias de amor que sobreviverem nesta era de intrusão permanente serão avassaladoras, dignas de aplauso. Ou protagonizadas por gente muito equilibrada, que gere criteriosamente a informação que torna pública. Que saudades da Idade Média, do conceito de "perfeito amor", do amor de lohn...

    

Amors de terra lonhdana,
Per vos tot lo cors mi dol,
                                  E no'n puesc trobar mezina
Si non al vostre reclam
Ab maltrait d'amor doussana
Dins vergier o part cortina
Ab dezirada compahna
.  
  Love of a distant land,
  for your sake all my heart aches
  and I can't find a remedy
  (unless it is your name's reverberation)
  to the ill of lacking sweet love,
  in the garden and behind the curtain,
  of a longed-for companion.

(Jaufré Rudel)








           

Monday, June 18, 2012

Pobre Barbie!


A fotógrafa canadiana Dina Goldstein decidiu, num assomo de cinismo, dar cabo da felicidade da Barbie e do Ken, com o fanado argumento "o boneco é gay". Eis um exemplo de que   
a ironia, quando excessiva, se torna enfastiante. Os retratos são muito bonitos, valha-nos isso. Mas estas pessoas têm trauma de infância por não lhes terem comprado Barbies, ou não aprenderam a sonhar, ou já se esqueceram de como era bom brincar, ou...quê?

Palavras que podiam ser minhas: calções

 Serge Gainsbourg  e Jane Birkin (1976)                                                
Depois de a Vogue portuguesa ter analisado o fenómeno no mês passado, eis que o DN de 15 de Junho apresentou uma excelente e lúcida reflexão de Joana Emídio Marques acerca dos hotpants: " A difícil arte de usar calções com classe". Infelizmente não consigo encontrar o texto online, mas o site do jornal apresenta um vídeo com o mesmo conteúdo. Usar esta peça pode causar danos irreversíveis à sua imagemalerta a autora com muita razão. A bem da verdade,  não os considero práticos o suficiente para serem usados a torto e a direito, pelo menos para pessoas de bom senso. Nem grande novidade, como podem ver pela foto acima. Já vi combinações adoráveis com hotpants, dependendo da qualidade dos mesmos, da ocasião, do coordenado e da figura da utilizadora. Mas são mais os terrores calçudos a desfilar pela rua em situações menos próprias do que os bons exemplos, principalmente quando se piora o cenário com as pavorosas meias brilhantes. Como outras coisas, usar esta pequena peça exige gosto, sentido do razoável e noção das proporções para não cair na vulgaridade. Só discordo parcialmente do texto quanto ao uso de calções com saltos altos: em exagero, é pior a emenda que o soneto. Fica a ressalva, que para bom entendedor...

Dra. Saroyan: smart inspiration


  

                                         
Bones é uma das minhas séries preferidas, embora não a siga de forma tão certinha como gostaria. Está muito bem construída, adoro o tema e identifico-me com a nerdice genial das personagens. E como acontece nas melhores séries, esta não falha em relação ao figurino - que é impecável. Todas as meninas vestem lindamente, mas a Dra. Camille Saroyan é imbatível. Elegante, classy...smart em todos os aspectos. O guarda roupa da personagem (interpretada por Tamara Taylor, que tem uma figura fantástica) compõem-se essencialmente de vestidos bem cortados, especialmente de sheath dresses, e cada um é mais lindo do que o outro:
 


Sunday, June 17, 2012

Trendy, cosmopolita ou parolo?

Eça, não venha cá outra vez que morre de desgosto!
De há uns tempos para cá, parece que a blogosfera ( e por aí, entenda-se um reflexo da população) pensa que descobriu a pólvora e coisas relativamente banais tornaram-se trendy - a começar pelo próprio termo, que começa sinceramente a entrar-me nos nervos.
Foram os cupcakes, a idolatria dos chefs, o gourmet, o glamour, o "fashion", os macarons, o sushi, a palavra "tendência" (e a necessidade febril de aderir a cada dita cuja) milhares de outras que não me lembro e ultimamente, o brunch - palavra prática (por ser pequena) mas intoleravelmente aburguesada para um pequeno almoço tardio e almoçarado. Não tenho nada contra o brunch - pelo contrário, o facto de estar na moda até me dá jeito. Significa que se estiver fora de casa, já há sítios onde possa tomar o meu pequeno almoço em vez de me contentar com um expresso e um pastel. Também gosto muito de sushi, que antes de estar na moda era um petisco para de vez em quando. Sempre achei que por muito que evolua, que seja considerado o cúmulo da sofisticação, é uma "comida engenhosa" como a pizza e a açorda: foi inventado pelos peixeiros japoneses para que o peixe se conservasse mais tempo da lota para o mercado...
É apenas sushi, nada para se deslumbrar ou para publicar num blog com tanto orgulho como se o próprio Vatel lhes tivesse preparado um banquete a sós com Luís XIV (e lá que fosse...). No fundo, as coisas em si não me incomodam nada: há lugar para cupcakes e macarons, tal como para éclairs e pastéis de Belém. O que me faz espécie é o pedantismo bacoco, pseudo noveau riche , de um novo yuppie pelintra e trapalhão, um embevecimento servil de quem nunca viu nada e se acha na necessidade de alardear "gostos adquiridos" na tentativa desesperada de mostrar "eu já não vivo num subúrbio manhoso, ou na província, sou muito urbano e cosmopolita e sofisticado".  Ou como disse Eça de Queirós, 

"(...) este desgraçado Portugal decidira arranjar-se à moderna: mas sem originalidade, sem força, sem carácter para criar um feitio seu, um feitio próprio, manda vir modelos do estrangeiro - modelos de ideias, de calças, de costumes, de leis, de arte, de cozinha... Somente, como lhe falta o sentimento da proporção, e ao mesmo tempo o domina a impaciência de parecer muito moderno e muito civilizado - exagera o modelo, deforma-o, estraga-o até à caricatura..."


Máxima incontornável

O primeiro plano, nascido do primeiro instinto, é sempre o melhor. Alterá-lo ao sabor das circunstâncias nunca funciona. Teimo em esquecer esta regra  infalível, e de cada vez que o faço arrependo-me. Logo eu que não tenho jeito para ser condescendente! Não basta viver e aprender, é preciso colocar as lições em prática. Better to break than bend. Sempre.

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