Recomenda-se:

Netscope

Saturday, June 30, 2012

Coisas que me fazem urticária #2 : Luxúria?

 ou         ?


De há uns tempos para cá, vejo citados na imprensa (sem que nenhum jornalista se dê ao trabalho de apontar a confusão) comentários de "famosos"com conteúdos do estilo: 


" Estão a tentar comprar-me com luxúria" ou " não estou para pagar luxúrias" . Ou seja, trocam "bens de luxo" , exclusividade ou ostentação pelo pecado mortal que o dicionário define como: 


luxúria 
(latim luxuria, -ae, exuberância da seiva, excesso)
s. f.
1. Viço dos vegetais (vegetação luxuriante)
2. Lascívia, sensualidade; corrupção; libertinagem; impudícia.

e que em geral, é sinónimo de  concupiscência. Os ingleses foram mais espertos: para não haver enganos, separaram bem luxúria (lust) de luxo (luxury).  Virá daí  o equívoco? Pouco provável, já que as pessoas que o disseram não me parecem ser grandes falantes da língua de Shakespeare. O pior é que começa um e dali a nada os outros copiam-no, como se estivessem a dizer uma grande coisa. Pela exuberância e excesso ainda se percebe, mas nunca vi tal uso para esta palavra e não compreendo a moda nova. Que para mal dos nossos pecados, deve pegar: preparem-se.

Friday, June 29, 2012

Express yourself, don't repress yourself

Se há coisa que me põe fora de mim é que não se expliquem, não me esclareçam, não se discutam os assuntos, e depois fiquem a examinar as minhas atitudes ao milímetro, a emitir julgamentos e a amuar, muito chateados porque não faço isto ou aquilo. Tira-me do sério. Sempre ouvi dizer "quem tem boca vai a Roma", "quem não pede, não ouve Deus" e trá lá lá, mas há quem espere que os outros antecipem os seus desejos, adivinhem, lhes leiam a mente e se lancem à aventura, poupando-os assim a qualquer responsabilidade. Quereis tudo resolvidinho? Desembuxai. A vida já tem tantos enigmas, não me inventem mais charadas.


You wouldn't let me say the words I longed to say

You didn't want to see life through my eyes

You tried to shove me back inside your narrow room
And silence me with bitterness and lies


[express yourself, don't repress yourself]




Rui Reininho dixit: ratos de esgoto



"Adoro esses ratos de esgoto
que disfarçam ao dealar**
como se fossem mafiosos convictos habituados a controlar"

(Not!!!)

** E quem diz dealar, diz outra vigarice qualquer...

Thursday, June 28, 2012

Tentação do capeta


(Al Pacino em O Advogado do Diabo) E Lúcifer disse: vamos lançar muitos sapatinhos sobre a Terra, para perder as almas...



Não há fome que não dê em fartura. Se no ano passado me queixava de não encontrar calçado giro em parte nenhuma, agora ele está por toda a parte. Parece que as minhas preces foram ouvidas e já se sabe que é preciso cuidado com o que se pede. Haja meios e sobretudo, paciência e tempo para experimentar um a um, de modo a distinguir o trigo do joio e não fazer (demasiados) disparates. Estou cercada. Must…fight…Satan. ..

Frase do dia

"Pois...estou parva!", diz a alma

Se as idiotices de que certas pessoas são capazes não fossem o prato do dia, eu diria “ a minha alma está parva”.       




                                                        

Veste-te, que ainda te constipas: Kylie Minogue

                                 


Esta semana falou-se aqui de desespero e competição desnecessária, e eis um belo exemplo. Que se passa com este não- vestido de Mark Fast que parece ter saído de uma lojinha do chinês lá dos subúrbios manhosos? Kylie foi uma das responsáveis pelo regresso dos calções curtinhos no início do milénio com o vídeo de Spinning Around, e por lançar a trend das superstars escassamente cobertas com aquele outfit  Fee Doran (reduzido, mas uma obra de arte) que usou em Can´t get you out of my  head. Mas nesta fase do campeonato era escusado imitar as suas imitadoras. Até porque é impossível sobressair (mesmo sendo mais famosa do que elas) no oceano de wannabes que se despem todas da mesma maneira. Isto é entrar pela porta de serviço no salão onde se reinou, acho eu…a música tem piada, valha-nos isso.

Wednesday, June 27, 2012

(Too) fast Fashion?


Michelle Williams usando vestido H&M na gala BAFTA  deste ano                                   

A noite passada partilhei no Facebook o link para uma entrevista que me deu que pensar (publicada por um blog de moda realmente inteligente, em termos de conteúdos e opinião). O livro a que se refere (ver imagem abaixo) analisa o fenómeno da fast fashion, cada vez mais popular e frenética, e os inconvenientes do seu consumo exagerado. Ultimamente Primeiras Damas e representantes de Casas Reais têm dado o exemplo, usando marcas acessíveis dos seus países (Mango, H&M) em eventos oficiais.  
 O hi-lo fashion (arte de combinar peças requintadas com outras mais económicas) que a par com a introdução do vintage era até há pouco um hábito típico da scene fashionista e dos stylists de celebridades, saltou para o mainstream. Em geral, estou de acordo com a autora: se por um lado, a aceitação das marcas acessíveis em arenas usualmente reservadas a griffes exclusivas tem as suas vantagens (os tempos não estão para ostentações e há coisas francamente interessantes nas grandes cadeias) por outro, corre-se o risco de perder de vista a tradição e a qualidade.
    Pessoalmente sou apologista do hi-lo fashion, e sê-lo-ia igualmente se dispusesse de recursos ilimitados. Exige equilíbrio para saber quando investir mais ou menos- mas a mistura e a variedade conferem um estilo único, colar-se unicamente a marcas “seguras” não garante sofisticação numa época em que o luxo é cada vez mais comercial e há produtos que não faz sentido nem diferença comprar em marcas caras.
Michelle Obama com vestido Target (cerca de 35€)
       No entanto, eu nunca considero uma peça, seja qual for o seu preço, como descartável. Se vem comigo para casa é porque é única no seu género. Compro-a para representar um papel junto das outras e para ser igualmente estimada. É claro que para que isso funcione é preciso saber distinguir um artigo bom de um mau, e aí reside o busílis da questão: há coisas de qualidade e coisas péssimas nas cadeias acessíveis, que têm diferentes linhas, diferentes moldes e trabalham com materiais diversificados. Isso acontece pouco nas griffes de referência que por mais comerciais que se tornem para apelar a novos públicos, investem numa execução minuciosa e em tecidos seleccionados.
   O problema não reside tanto em apreciar a evolução das cadeias low fashion: algumas, como a Zara e a Mango (que trabalha com materiais nobres) têm-se aperfeiçoado notoriamente. Os danos advêm de uma nova dinâmica na introdução de produtos. As casas exclusivas não têm como competir com a reposição constante e cada vez mais rápida de stocks.
A intenção é não dar ao consumidor tempo de reflectir: aquela peça gira e baratíssima chega num dia e desaparece no outro. Enfatiza-se a aquisição semanal de roupa nova e não a construção de um guarda-roupa pensado ao detalhe. Falando por mim, prefiro mil vezes o formato tradicional de colecções Primavera-Verão e Outono-Inverno, que permite conhecer o que quero de cada uma e planear as aquisições. Mas isso é exactamente o oposto do que as cadeias de fast fashion pretendem actualmente.
 Claro que peças massificadas a preços irresistíveis surgindo a toda a hora não são feitas para durar: imperam o poliéster e as costuras “a martelo”. E em última análise, comprar com frequência artigos de qualidade inferior poderá não sair tão barato como isso… é tudo uma questão de prioridades.

Lagarto, lagarto!



                               
O meu gato Chiquinho, kido bichinho para os amigos, ganhou uma mania nova: salta pela varanda para dentro de casa, carregando entre os dentes ratinhos, lagartixas e osgas que vai buscar ao pinhal. Vivos. Para nos mostrar com ar de triunfo e perseguir portas adentro. E só não traz toupeiras e coelhos porque são um tanto pesados. Não me perguntem porque é com um gato com um jardim e uma floresta largos o suficiente para brincar até se cansar decide fazer isto. O resultado é que nos põe a nós, humanos com sentido de dignidade pessoal, a caçar ratos**. Felizmente não somos gente medrosa. Mas ontem de manhã quase nos atrasámos para apanhar um pobre lagarto já sem rabo, e não nos apetece nem um bocadinho ter ratos do campo a roer fios eléctricos e sapatos. Julgava que já tinha visto tudo quando o meu persa apanhou um morcego que levámos ao veterinário e viveu uns tempos pendurado no sótão. Cada dia, uma novidade.



** prontamente devolvidos ao mato, se dúvidas houver…afinal, a culpa não é deles!

Tuesday, June 26, 2012

Não percebo a MTV


E porque é que as miúdas que entram neste clips têm todas o mesmo ar? 
Tão politicamente correcta numas coisas e tão permissiva noutras: censura o trocadilho “getting higher than the empire state” e depois passa na íntegra, de 20 em 20 minutos, este horror de música, com um dos innuendos mais badalhoquinhos e explícitos de que há memória. Não quero entrar em detalhes sórdidos mas acho que o primeiro é relativamente inofensivo (getting high pode ser interpretado, sei lá, por estar louco de felicidade) , enquanto o segundo é das coisas mais objectificantes que já ouvi. Mal por mal, quando 50 Cent dizia I´m into having sex, I´m not into making love era mais honesto ( e muito menos específico). Ou seja, para a MTV as “drogas lúdicas” são um perigo, mas andar pelos cantos a fazer de porn star com um chauvinista pançudo que ataca tudo o que mexe é um comportamento seguro e adequado a adolescentes. Volta Quim Barreiros, estás perdoado…

Do desespero



                                           
Ontem mencionei as estranhas desvantagens do sangue frio que Deus me deu. Porém, não é à toa que se pregam aos quatro ventos os benefícios do autodomínio: como em tudo na vida, quer-se o equilíbrio…

 Por motivos profissionais estive em contacto desde muito cedo com competições, tanto na qualidade de concorrente como de jurada, membro da organização, etc. Embora nunca fuja a um desafio, não sou uma pessoa competitiva. Acho que uma disputa de qualquer tipo, embora possa aguçar-nos o empenho, deixar as paixões à flor da pele e obrigar-nos a dar tudo por tudo não é a melhor forma de demonstrar as nossas qualidades. O stress envolvido, o factor sorte, circunstâncias aleatórias, as limitações impostas em qualquer forma de jogo e em última análise, a dificuldade em julgar pessoas ou performances muito diferentes através de moldes rígidos dificultam escolher com absoluta justiça. Basta ver alguns formatos televisivos em que se gera um conflito entre o objectivo do certame (o “ídolo” comercial, a manequim para o mercado high fashion, o melhor imitador…) e o concorrente mais popular junto do público, ou aquele que é, numa óptica realista, superior (o melhor cantor, a modelo esteticamente “perfeita”, etc).

As eventualidades do meu lado profissional acabaram de certo modo por se cruzar com o aspecto pessoal, pelo que atravessei e testemunhei indirectamente inúmeros casos de competição, alguns escusados e bastante feios. Sempre preferi comprovar as minhas qualidades tranquilamente, através do esforço inerente à tarefa, dos resultados ou daquilo que eu era, what you see is what you get. Ou há empatia, identificação de parte a parte, ou somos a pessoa certa para ali ou não vale a pena andar em pontas nem  provar o que quer que seja. Não fui educada para procurar desesperadamente a aprovação de outrem (não importa o quão “proeminente” seja a pessoa, situação ou organização) e nunca me consegui identificar com a atitude de quem se esgatanha - fossem colegas, concorrentes, amigos ou mulheres da luta. Afastava-me dessas situações antes que começassem, ponto final.
A atitude angustiada e humilhante, cheia de cobiça doentia (própria de quem nunca teve nada, nem viu nada) de deslumbrados que lêem em todo o lado “a oportunidade da sua vida”, que se obcecam com coisas ou pessoas (ou com o que podem tirar delas, porque quem é obsessivo nunca é desinteressado) e fazem a sua vida girar à volta disso, sempre me mereceu um certo desdém. Uma pessoa mundana, habituada a observar o triste espectáculo da “caça ao amor”; alguém que conheça os bastidores do mundo artístico ou que esteja na área dos recursos humanos conhece à légua os desesperados e carenciados: de joelhos, a chamar a atenção sobre si mesmos, em bicos dos pés, a apontar o dedo aos outros, a empestar o ambiente, a tentar estabelecer “proximidades e contactos”, a subir na horizontal atrás da cortina, a guerrear entre si, a fazer panelinhas, a criar intrigas, a tentar tirar vantagens, enfim, a fazer tudo menos cuidar do que devem. Se têm uma vitória, dão saltos e pulos, vangloriam-se para quem quer ouvir, provocam os outros e mostram a má criação que possuem em todo o seu esplendor. Inevitavelmente, pisam em falso,acabam mal e é bem feito.
 Pela minha experiência, enquanto as hienas guincham, se mordem umas às outras e se babam pela savana fora, triunfa aquele que ali chegou para fazer “a sua cena” confiante e sereno. Aquela pessoa que quer mais trabalho e menos conversa, que não vende a alma por amendoins e que no meio da peixeirada se manteve imune a provocações baixas, concentrada e quieta no seu canto para brilhar na hora certa. Porque sabe o que vale e não tem qualquer necessidade de fazer figuras tristes ou piruetas. Afinal, não nasceu numa toca e não precisa daquilo como de pão para a boca: os elogios, os holofotes e as lantejoulas valem o que valem e não são, de todo, nada de novo ou extraordinário.

Monday, June 25, 2012

E esta?



Começo a achar piada a duas coisas que não me aqueciam nem me arrefeciam: a sabrinas e flats (já me tinha rendido às botas e sandálias rasas, ao resto nem tanto) e aos Coldplay. Esta última canção com a Rihanna é um amor e o vídeo ainda é mais bonito. A moça até está cheia de classe e tudo! Terá havido mãozinha da Gwyneth Paltrow no clip do marido amantíssimo? 

Explosão galáctica


Zhang Ziyi
O  Verão costuma ser um tempo de intervalo, uma altura para reflectir antes do salto seguinte. Nesta fase, será um salto de fé. Em alturas assim surgem epifanias. Várias vezes tenho mencionado o meu lado zen, a minha dificuldade em saber quando me devo chatear e o meu grande alforge que só rebenta quando está cheio. O que me faltou perceber ao longo de um período de dois anos (a iluminação só pode usar lâmpadas de baixo consumo, para demorar tanto) foram as alturas exactas em que o saco devia ter feito “boom” e surpresa das surpresas, houve várias oportunidades para isso, ocasiões que me escaparam ou que vi por um prisma totalmente errado. Situações em que para que não me coubessem carapuças injustas, me calei consentindo sem querer – afinal, quem não se sente não é filho de boa gente. Para salvar o brio, acabei por feri-lo mais ainda. Em nome da tolerância, de dar o desconto, de não transmitir uma ideia errada da minha pessoa ou das minhas intenções, acabei por não fazer bem a mim mesma nem a ninguém. Ser demasiado gentil e demasiado tolerante, agir como uma fortaleza inexpugnável, optar pela diplomacia acima de tudo, é o maior gerador de equívocos que conheço.
Os enganos cometidos por excesso de doçura só podem ser corrigidos tomando a atitude radicalmente oposta. Quando se erra dessa maneira, o único remédio é queimar todas as pontes que permitem que as consequências continuem a atingir-nos. Não há mudança sem fogo, sem um valente pontapé, sem uma explosão galáctica que agite o nosso pequenino cosmos interior. Só assim as mini galáxias que temos cá dentro deixam de girar sempre na mesma direcção, de nos obrigar a repetir padrões, de nos atrasar a vida uma e outra vez. Disse “ o que deixo para trás não dou como perda” mas não tinha compreendido que há mais para deixar, nós górdios mais pequeninos e mais velhos, cegos pelos puxões que aguentaram. E são esses que é preciso cortar, as traves mestras que urge demolir. Sem medo que o céu nos caia em cima da cabeça – porque a bem da verdade, não há nada lá em cima a pairar sobre nós, nenhuma ilusão, nenhuma ameaça, nenhuma promessa. It´s not over ´til it´s over. It´s over when I say it´s over.

Daddy's Girl


Hoje o meu querido papá faz anos. Todas sabemos como é importante para uma rapariga ter boas referências masculinas na sua vida, e no quesito de pai e avós (bisavós incluídos) fui afortunada. Não só por me amarem incondicionalmente (condição incontornável para a construção da auto estima feminina) por me terem mimado, cada um a seu modo, mas pelos exemplos e por terem puxado por mim. Neste caso, além de parecer invencível, de ser uma das pessoas mais inteligentes que conheço, com uma capacidade de sair vitorioso em tudo o que empreende, o senhor meu pai fez-me o favor de não me dar palmadinhas nas costas. Em vez disso, sempre me viu por aquilo que eu era (tradução: uma peste) e tratou de exigir de acordo com as minhas qualidades e defeitos. Uma das coisas que me disse na idade do armário (que para ser franca, talvez graças a isso, não me atingiu com os seus clichés: as complexidades que tinha na altura são as mesmas que tenho hoje) foi que se fizesse disparates o mal era só meu. Wake up and smell the coffee! Ficou logo ali explicado que arranjar sarilhos na tentativa de chatear o papá e a mamã, como tanta gente, não ia funcionar. Liberdade com responsabilidade. Nunca senti a necessidade de ser “rebelde” até porque a minha rebeldia natural era encorajada e dirigida no sentido construtivo. Não passei a fase idiota de achar que os amigos eram tudo na vida, em detrimento dos pais. O sentido de clã era cultivado, e felizmente para mim, confiava em quem podia realmente confiar. Jamais me foi permitido armar-me em engraçadinha, nem em cobarde, tão pouco que insultasse a minha inteligência fazendo menos do que era capaz. Exigia-me um comportamento irrepreensível – costumo dizer que fiz a tropa na infância – de pessoa crescida nos modos e nas leituras, mas quanto a acrobacias e a expressar a minha criatividade, tudo me era permitido, ao melhor estilo Afonso da Maia. Zangou-se comigo quando percebeu que eu tinha ganho medo (ou juízo) de me pendurar no balouço de pernas para o ar (tive uma fase em que queria ser artista de circo, que foi apoiada entusiasticamente). Escusado será dizer que voltei logo ao “trapézio”. Quando dei a minha primeira queda ao tentar uma habilidade equestre, mandou que continuasse antes de ganhar medo. Porque os cavalos, tal como os seres humanos, farejavam a cobardia. Quando a bully da primária me sovava, encorajou-me a espancá-la de volta apesar de ela fazer duas de mim. “Vais ver que nunca mais se atreve!” e assim foi. Podia continuar por aí fora… foi também dele que herdei boa parte da minha paixão pela música, pelas línguas e um irish temper que me dá imenso jeito. E por mais que isso nos faça andar carinhosamente às turras (vocês são duas pedras ásperas! dizia a avó Celestina) não posso ficar mais feliz quando me dizem “és mesmo Moura! És bem filha do teu pai!”. Porque significa alguém que não se impressiona com nada. Nem se deixa abater com duas lérias. Mais do que tudo, com um sentido de família inquebrável (rápida a disparar, mais rápida a perdoar os disparates) que está à vontade em toda a parte, porque sabe de onde veio. Resta dizer que a educação continua: nesta casa não se tem cerimónia com os filhos, por mais crescidos que sejam. Era só o que mais faltava!


Sunday, June 24, 2012

Frase do dia: empatia

          
"Pensar nos sentimentos dos outros dá muito trabalho"

        (Visto de relance na TV)

Compras, looks, aquisições, saldos, e compras...


...Não se fala de outra coisa. Eu cá prefiro cometer as minhas asneiras, aliás, comprar o necessário, porque eu sou uma pessoa muito equilibrada e sensata (cof, cof, gaba-te cesto roto...) caladinha e quietinha. Só vos digo que por enquanto, acabou a brincadeira e que as minhas simpáticas aquisições casam lindamente com o resto do acervo do meu closet. Não tenho nada contra partilhar fotos (e há bloggers que as têm tão lindas!) ou looks propriamente ditos uma vez por outra, mas há "colegas" que exageram. Como dizia aqui há tempos a uma amiga, quem inventou essa do look do dia não sabia o monstro que estava a criar. Não percebo a necessidade e parece-me muita pressão montar visuais marcantes a toda a hora, ou exibir cada nova aquisição. Até porque deve ser complicado, por muita roupa, calçado e acessórios que se tenha, mostrar todas as peças. Ó invasão de privacidade! Dar a conhecer cada vestidinho, calcinha e camisolinha? Não me parece. Imaginem-se a andar na rua muito descansadas e passarem por alguém que vos diz: oh! outra vez com esses sapatos? Esta anda a perder qualidades! 
Pode resultar bem no caso de blogs com um conceito corajoso e muito específico, como o Um Ano sem Zara, que é fantástico, ou em blogs de stylists e produtoras de moda, que têm imenso material digno de registo. Em tudo o resto, acho mais saudável partilhar somente os momentos mais inspirados. Até porque (salvo no caso das fashion bloggers que têm de agradecer e divulgar as peças que lhes são oferecidas) uma pessoa arrisca-se à história do velho, do rapaz e do burro. Se as compras são frequentes, não tens vergonha de gastar tanto com a crise que por aí vai? Se são acessíveis, sua pindérica e pelintra! Se são luxuosas, sua perdulária, egoísta, a fazer inveja aos pobres! ou pior: deixa-me ver onde esta mora para planear um assalto! (Nunca sabemos quem está do outro lado). Pessoalmente, sou contra a ostentação e muito a favor de um certo resguardo. Uma vez, andava eu no liceu, descobri  um belo golpe de x-acto no meu lindo casaco de camurça cor de malva e novinho em folha, em circunstâncias que nada tinham de acidental. Naquela altura não havia blogs, era tudo mais directo. Hoje os x-acto são outros, mas não é por aí que se deixa de cortar nas casacas....just my two cents here.

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...