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Saturday, July 7, 2012

Molière dixit

                                                   
"A estima assenta sempre em qualquer fundo, e não se estima ninguém quando se estima todo o mundo".

"Os erros mais breves são sempre os melhores".

"Todos os vícios, quando estão na moda, passam por virtudes"





Os Deuses que façam orelhas moucas a estas duas, mas...

                                                                Quem nunca teve um livrinho destes em pequeno?                                                                                          
1 - ...por vezes dá vontade de uma pessoa reclamar com Nosso Senhor. Meu Deus, porque não me fizeste uma pateta alegre, uma cabeça oca, de alho chocho, sem noção, daquelas que não medem os seus actos, não calculam as consequências, não pensam no passado nem no futuro, cujas ambições não vão além dos instintos básicos e andam sempre contentes? É que há ocasiões em que dava tanto jeito ser desmiolada, não ter orgulho nem brio, não considerar o que está à volta, não se aperceber da mediocridade que por aí anda,  pairar pela vida sem pensar no bem próprio nem no alheio, fazer as coisas conforme a gana se lembra; não ter espírito suficiente para distinguir as subtilezas, nem cabeça para reparar em questões de qualidade nem de gosto; não ver um palmo além do próprio nariz...


2- Deus me perdoe, que eu até sou boa pessoa e gosto de ver toda a gente contente. Mas fico tão satisfeita quando vejo uma interesseira rústica a bater de nariz no chão e a rastejar para o buraco de onde saiu - como tem andado a surgir numa certa imprensa - que não imaginam. Será pecado uma pessoa torcer pelas criaturas honestas e decentes deste mundo e alegrar-se com o castigo justo das carraças doentiamente gananciosas, que passam por cima de tudo e se acham com direito a tudo - principalmente àquilo que é dos outros - sem que tenham nada a oferecer em troca, nem contemplar ao espelho a figura grosseira e parasita? You tell me, mas eu acho que só se perdem as que caem no chão.  Pelo menos, do pecado da hipocrisia estou bem livre :

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundície. 

Mateus 23:27


Simplicidade e bom senso

Christopher Lee

 Num dos seus deliciosos livrinhos (que recomendo para não levar a sério) Antonius Moonen relata uma estória atribuída a um dos Duques de Norfolk (infelizmente não detalha qual deles, mas voto no 13º, conhecido pela sua excentricidade). A família desesperava-se para que o cavalheiro se vestisse como quem era, mas ele, senhor de si mesmo e de uma descontracção absoluta, não estava para se maçar. Como se instassem com ele pela milionésima vez para que se ataviasse condignamente em público, encolheu os ombros e respondeu impávido e sereno: mas para quê? Em Londres ninguém me conhece...e no meu ducado toda a gente sabe quem eu sou...
Moral da história: mais do que andar elegante e à moda, por vezes o cúmulo é borrifar-se para isso tudo, que de pretensiosismos já basta o que basta. Ou como diz uma pessoa cheia de estilo que eu adoro, quando alguém refila com uma toilette menos bem conseguida: deixa lá, que ninguém te dá outra!

Friday, July 6, 2012

Casórios e desastres


                   
Com o calor, multiplicam-se os casamentos, baptizados e afins -  e com eles, chegam opções de toilette bastante cómicas (ou trágicas, conforme a perspectiva). Estas são algumas que me ocorrem off the top of my head:

 Vestidos de baile, minissaias e grandes decotes:
Um vestido para usar num casamento pode (consoante a formalidade do evento) ser mais elaborado do que um vestido de cocktail comum, contendo algumas aplicações discretas, padrões ou bordados – sem cair todavia na categoria traje de noite, salvo obviamente em cerimónias nocturnas. Convém que não seja totalmente branco nem preto. Porém, num evento de dia, que comece antes do pôr-do-sol, não é aconselhável usar vestido comprido (“estilo” Óscares ou Baile). As saias demasiado curtas não são aconselháveis, especialmente em cerimónias religiosas.  A bainha “tea” ou “ballerina” (de 5 cm a um palmo acima do tornozelo) pode ser aceitável, dependendo do ambiente e das tendências vigentes; mas regra geral, quanto mais tardia a festa, maior poderá ser o comprimento. O ideal é o 3/4, ou um pouco acima do joelho. A excepção é feita em cerimónias na praia, ou de inspiração hippie/campestre, em que se pode adoptar um modelo longo e esvoaçante, nunca pesado. Para o dia as lantejoulas, lamés, organzas, tafetás e musselinas (principalmente as sintéticas, do género Modas Milu, com o seu brilho característico) são igualmente de evitar. Em eventos nocturnos são permitidas cores ricas e escuras, aplicações mais vistosas e maiores decotes.


Jeans
É escusado dizer que por mais descontraída que a cerimónia seja, há que respeitar a solenidade do momento. Ocasião especial, look especial. Em todo o caso, jeans jamais se coordenam com gravata, mesmo que se usem com blaser. E ténis, nunca, qualquer que seja a idade.






                                          Salto Alto
Eis uma ocasião em que as senhoras podem realmente calçar aqueles pumps ou stilettos muito altos que insistem em usar no dia-a-dia. Mas atenção à gravilha e grama, comum na maior parte dos locais onde se realizam estes eventos: não há nada tão feio como passar o dia a saltitar. Se vai estar num jardim, escolha um salto mais largo: as lojas têm sido pródigas em modelos festivos, mas confortáveis. Também não é má ideia levar uma sabrina bonitinha para ir calçando aos poucos, às escondidas. Em todo o caso, cautela com os sapatos demasiado atrevidos, ideais para a discoteca mas pouco adequados à solenidade que a situação exige.





            Bofetada de luva branca
Embora a maioria dos vestidos para noivas se baseiem nos trajes de outros tempos, há regras que convém cumprir: as luvas longas, tão apreciadas, são mais indicadas para cerimónias que comecem depois das cinco. Para o dia, luvas curtas. O mesmo vale para as convidadas.


Ai a minha cabeça
Causa-me sempre estranheza ver uma noiva transformar-se noutra pessoa para o casamento. Em muitos casos, nem sei como o noivo não foge ao ver uma estranha a chegar ao altar. E nem falo da criatividade de muitas convidadas…Penteados demasiado rígidos, ou com brilhantes, não são boa ideia. Na dúvida, menos é mais; e sempre de acordo com o seu estilo habitual. É preferível um upgrade no visual do costume a parecer um gremlin desconfortável. Fascinators e chapéus estão reservados a cerimónias mais formais, com muitos momentos ao ar livre. As senhoras mantêm-no até ao pôr-do-sol. Convém que o penteado seja pensado de modo suportar um chapéu na cabeça o dia inteiro, e a não se desmanchar quando este for retirado mais tarde. Quanto ao véu, se a cerimónia é descontraída é de evitar o estilo catedral. Quanto mais informal, mais curto deverá ser o véu.

Colos descapotáveis
Um vestido festivo não tem de ser obrigatoriamente decotadíssimo, de alças ou cavas: felizmente os designers começaram a reparar nisso e a deixar de lado as tolices dos últimos 10 anos, colocando no mercado opções compostas e muito sofisticadas (manga justa até ao punho, ¾, solta…) para quem não se sente à vontade a expor a parte superior do corpo - ou pretende apenas variar - e celebridades de todos os tamanhos têm-nas adoptado com grande elegância. Senhoras muito fortes não ficam bem a mostrar excesso de pele e écharpes translúcidas só pioram o caso. Os boleros a condizer com o vestido, como Glenn Close costuma usar, são perfeitos. Decotes chamativos são melhores para a noite – e nunca para a Igreja, Sinagoga, etc. Se insistir num modelo ousado, aí sim pode adoptar um elemento amovível (lenço, boá, echarpe, bolero, casaquinho…) de boa qualidade, para usar na cerimónia e retirar mais tarde.


Cabeçudos

                                  
Esta noite sonhei que a minha cara mamã queria, porque queria, levar a família a passar férias à Ilha da Páscoa – ela, que tem terror de andar de avião. Um voo de duas horas a seu lado é uma aventura e um desafio para qualquer assistente de bordo com brio no seu papel, quanto mais uma viagem longa para trás do sol-posto.
Ainda por cima, Rapa Nui foi sítio que nunca me despertou curiosidade por aí além: há lugares paradisíacos e menos inóspitos por essas bandas e nunca tive especial interesse em tirar retratos junto dos cabeçudos e misteriosos Moais. Mais estranho, há imenso tempo que não vejo nada sobre o assunto.
Como acredito que os sonhos querem dizer alguma coisa, só posso concluir que ando a ficar afectada pelos cabeçudos que me rodeiam sem sair do lugar, cheios de enigmas e enterrados até ao pescoço em mistérios. E se forem tão insondáveis como os da Ilha da Páscoa, bem posso arranjar um banquinho e sentar-me, porque armar em Indiana Jones não vai servir de nada. Obrigadinha, subconsciente, pela mensagem animadora.

Thursday, July 5, 2012

Do ciúme



 DESDEMONAAlas the day! I never gave him cause.

  EMILIA: But jealous souls will not be answer'd so; 

         They are not ever jealous for the cause, 

         But jealous for they are jealous. It is a monster 
         Begot upon itself, born on itself.


                                 (William Shakespeare, Othello: Act 3, Scene 4)

Contradição do dia: lamechice boa


Jane Austen é que sabe!
Eu sei que refilo contra a foleirada, que implico com lamechices e que embirro com coisas pirosas. Espero com isto não ter induzido em erro nenhum leitor (supondo que alguém leve a sério as minhas reflexões, o que é pouco provável já que o Imperatriz não pretende ser um espaço ao estilo Dr. Phil). Ou não ter dado a entender que rejeito automaticamente coisas fofinhas e românticas - o que quem conhecer os livros de que gosto, as roupas que prefiro e alguns temas que escolho aqui para o blog sabe que não é verdade.
 Isto para dizer que às vezes, só às vezes, há pieguices que dão jeito, nomeadamente quando se trata de pôr sentimentos cá para fora. Contra mim falo, porque sou um terror a demonstrar que me importo. Só sou capaz de o fazer quando tenho total confiança nas pessoas (e isso demora e é raro) ou quando não há outro remédio. Sou uma nódoa a expressar emoções rapidamente: para terem uma ideia, se fossem todos como eu, estávamos tramados; a humanidade já se tinha extinguido há séculos, porque ninguém dava o pontapé de saída e os equívocos haviam de ser tantos que não se chegava a lado nenhum.  

Façam como eu digo, não façam como eu faço, diz a Patroa...

Ou seja, uma lamechice no momento certo pode fazer a diferença entre a felicidade e um desgosto ("não te vás embora que eu não vivo sem ti, buáaaaaa) entre o sucesso e o fracasso ("quero tanto este cargo que mataria por ele!") entre uma conclusão e o pára- arranca (vamos lá a ver se a gente se entende, que eu não quero ficar teu amigo...antes um bad romance!). Desde que não se agrida a gramática nem as marcas da decência com algo tão horrendo como "vou tentar te esquecer" ou "te amo". Há limites  para tudo, até para a pieguice funcional.

Dos critérios da blogosfera


I´m following you, William. Please follow me!
A noite passada estava a dar uma vista de olhos pelos blogs que sigo. São bastantes- gosto de variedade e fico sempre contente quando descubro um espaço interessante para ler, o que me tem proporcionado boas surpresas mas também alguma "tralha" no reader : há sempre aqueles que seguimos "para ver melhor" e depois nos saem um grande barrete.
 Nisto, cheguei a uma conclusão estranha. Melhor dizendo, não cheguei a conclusão nenhuma, antes me apercebi de uma dúvida. 
 Reparei que há uns quantos espaços excelentes com seguidores a menos. Sem querer apontar nomes, descrevo um blog de moda criado por uma profissional da área com ideias, conteúdo, posicionamento próprio, originalidade...enfim, relevante para quem de facto gosta de moda e não de trapos, de comprar trapos, de se fotografar com trapos. Não se entende como não é mais conhecido, já que a sua autora faz tudo correcto: tem savoir-faire, tem piada, pode ensinar alguma coisa, escreve bem, interage com outras bloggers.
Logo a seguir deparei-me com outro, esse com uma popularidade considerável,  que pouco mais é do que sucessivos "looks do dia" à base das Inditex da vida, sem nada de especial. Alguns visuais, gostos à parte, estão francamente errados. 
Não significa isto que não haja blogs estupendos dentro do género "lookbook" - há. Mas porque têm tão pouca informação, precisam de ser realmente diferentes para transmitir alguma coisa, eu acho...
Falei em blogs de moda porque neste momento estão na berra, mas o mesmo se passa com blogs pessoais, de opinião, de contos, de crónicas, you name it. Ainda estou para saber quem dita as tendências nestas coisas. Ou será que nos espera uma blogosfera estilo "Morangos com Açúcar" em formato instantâneo? 

Wednesday, July 4, 2012

Corte, costura, crise e fashion consciousness


Coco Chanel

Ontem passei pela costureira para ajustar uns vestidos e tive uma conversa interessante. Diz ela (confirmando algo que tenho vindo a pregar há muito) que ultimamente surgiu um regresso aos antigos hábitos de reciclagem, com muita gente a recuperar, actualizar, consertar ou modificar roupas com 20 anos. Há dias, um workshop de costura foi muito publicitado pela blogosfera e as tendências dos últimos dois anos têm apontado no sentido de misturar peças novas com elementos que já não se viam há uma ou duas décadas (saias longas, casacos estilo “Dinastia”) e fazê-lo de formas inesperadas. Um dos meus desgostos é saber muito pouco de costura, um pecado imperdoável numa família com  verdadeiros árbitros das elegâncias e mulheres prendadas. Talvez se deva a isso a minha exigência quando o assunto são tecidos, moldes, tayloring e acabamentos. Está-me no sangue e mais dia, menos dia lanço-me à máquina de costura. Até lá, prefiro confiar as minhas esquisitices a quem sabe. Por muito boa que seja uma peça de roupa, fica sempre melhor se for acertada à medida; há outras que só têm a ganhar com algumas modificações. Para não falar da construção e materiais das roupas vintage, que actualmente só se encontram no mercado over the top da Haute Couture.

A moda, como qualquer outra coisa, é afectada por fenómenos sociais: na Primeira grande Guerra as louras falsas aderiram às madeixas porque toda a água oxigenada era pouca para acudir aos feridos; durante a Segunda Guerra Mundial a escassez e a necessidade de substituir os homens no mercado de trabalho obrigaram as mulheres a adoptar materiais simples e modelos práticos. A desforra veio nos anos 1950, com o optimismo e abundância a possibilitar saias de balão que levavam metros e metros de tecidos luxuosos. A crise actual tem duas consequências: por um lado, o incremento da fast fashion, numa tentativa de manter o ritmo de consumo dos anos de vacas gordas. Por outro, a disseminação do hi-lo, da reciclagem, de uma consciência de moda de acordo com as regras de antigamente.

 Esta semana reflecti sobre o bom e mau da Fast Fashion; têm sido vários os posts do género aqui no blogue: conhecer o potencial daquilo que temos e tirar o máximo partido dos nossos recursos não só evita compras por impulso como o visual massificado. Numa volta aos seus armários, a fashionista média (entenda-se: quem compra com certa regularidade e em quantidade considerável) descobrirá sem dúvida coisas que já nem se lembrava que tinha. No meu caso, tenho encontrado tesouros que já não me recordo de onde saíram e revisto velhos amigos que ficaram guardados à espera que as tendências “dessem a volta” para regressarem ao armário sem parecer datados. Bons investimentos passados, alguns ainda com etiqueta. Mas entre os “tesouros” e a  “tralha” está o uso que se lhes dá. Basta tirar um tempo para isso e criar os coordenados certos com peças novas que inevitavelmente vão chegando. Tudo tem um lado positivo, e o da crise será um regresso aos clássicos with a twist. A necessidade aguça o engenho e vai decerto obrigar as mulheres de bom gosto a analisar os seus roupeiros, a reflectir sobre o seu estilo pessoal e a criar visuais mais planeados, com um requinte que há algumas décadas não se via. 

Se estás farto de lamechices no Facebook, cola isto no teu mural

                                                 

Não me levem a mal o desabafo: que se passa com o Facebook, que vejo tanta gente -  gente que tenho por culta e com alguma inteligência - a partilhar histórias "bonitinhas", bonequinhos, frases feitas supostamente animadoras e coisas a puxar à lágrima que terminam com "se te importas, partilha", "se amas alguém, cola isto no teu mural" ou pior ainda " se não partilhares isto, não tens coração" ? Sei que muitos o fazem com a melhor das intenções. Compreendo que prefiram fazer isso a divulgar aspectos da vossa vida privada que agradeço não saber.  Não tenho nada contra partilhar coisas engraçadas que encontro espontaneamente ou chamar a atenção para um problema da sociedade, mas lamechices de pacotilha não, obrigada. Quando me importo com alguma causa ou com alguém escrevo-o de coração, não preciso de poluir o mural dos meus amigos com um "cromo" mal ilustrado (e muitas vezes, mal escrito) para demonstrar o que quer que seja . Um bocadinho de originalidade e moderação era muito bem vindo e só rezo para que esta moda foleira passe depressa. Estou certa de que são capazes de escrever coisas bem mais bonitas - qualquer coisinha é melhor do que aquilo -  ou de procurar citações espirituosas e fora do vulgar. Agora insinuar que não me importo com as crianças doentes, ou que não amo fulano ou beltrano porque me recuso a espalhar a mediocridade nas redes sociais quando já há tanta neste país, isso é que eu não consinto. E com esta, vai haver muito facebooker a deixar de me falar. Then again, a importância do Facebook é tão relativa que o mínimo que posso exigir é que não sirva para me matar neurónios. Sorry about that.

Tuesday, July 3, 2012

Considerações pop do dia



                                                         

Definitivamente tenho de manter os canais de música desligados quando me sento ao computador. Sinto que os meus neurónios estão a ficar afectados…

1 -Acho uma certa piada ao vídeo End of Time da Beyoncé. Só mulherio naquele palco, à excepção de dois dançarinos. Parece uma cerimónia pagã à Deusa da Fertilidade. Até a baterista é uma black mamma grande e poderosa, daquelas que metem respeito. Giro, gosto. Só me intriga onde a cantora terá arranjado tantos clones de si mesma para o corpo de baile. Deve ter sido um super casting em busca de bailarinas da coxa grossa, o que considerando que as dançarinas profissionais costumam pautar por uma certa magreza, não há-de ter sido fácil. Aprecie-se ou não o género (tenho dito muitas vezes que acredito na diversidade da beleza) há ali uma verdadeira homenagem às curvas. Se há alguma coisa que se deve a Beyonce e às celebridades do seu género é a democratização das micro saias, para o bem e para o mal. O excesso de esbeltez nem sempre cai bem, mas o outro extremo também é mau: há por aí exageros que eu preferia não ver…

2- Eu a julgar que as girlbands e boybands tinham ficado enterradas nos anos 90, e eis que nos sai outra. Não falo do regresso dos Take That e das Spice Girls (curiosamente nunca gostei dos Take That no tempo deles, nem do género, mas acho alguma graça às canções que lançaram no ano passado). Refiro-me aos One Direction, essa formação que nos presenteia com uma dose extra de Justin Biebers de uma assentada. Cruzes, canhoto. Apesar disso, se pusermos de lado a lamechice, o romantismo em pó e o facto de fedelhos daquela idade não terem tamanho nem autonomia para passar a noite fora com quem quer que seja e sair de madrugada conforme reza a letra, esta cantiga é muito engraçadinha e a melodia não está má: fiz porcaria e agora estou a morrer porque a minha amada está a passar a noite com outro. Vou para debaixo da janela dela carpir as mágoas, coitadinho de mim. Ai os homens…começam cedo.

3- Jennifer Lopez ainda não percebeu que incluir os namorados/maridos do momento nos seus videoclips é mau agouro. Se calhar não é supersticiosa, mas devia. Ou não: o boy toy que arranjou é do piorio, por isso talvez neste caso o presságio até dê jeito. Não tenho nada contra quem se apaixona por pessoas mais novas. Não acho piada ao fenómeno cougar, mas desde que as mulheres que se inserem na categoria se saibam divertir com uma certa classe, é lá com elas. Vícios privados, públicas virtudes. E é claro que há relações como a de Demi Moore e Ashton Kutcher, em que ambos são giros como o raio e igualmente bem-sucedidos: nessas a idade não conta mesmo. Mas quando uma mulher se envolve emocionalmente com um escroque e se deixa explorar, o caso já é outro. Isso num homem não fica nada bem, mas vemos exemplos desses há séculos e já nem choca. Agora numa senhora, com filhos ainda por cima…ná.
O moço em questão, além de pequenino, feiinho e de ter ar de rufia, é mesmo rufia, velhaco e dançarino. Ao lado dele, Kevin Federline é um rapaz honrado. Tem todo o tipo do vigarista, por ele abaixo e por ele acima: de badalar intimidades grosseiras no Twitter, do estilo “ estou a fazer e a acontecer com a J-Lo neste preciso momento” a ser preso por condução perigosa e outras maroteiras, passando por se gabar dos presentes e do dinheiro que a pateta da namorada lhe dá, é um prato cheio. Se era para sustentar malandros, ao menos que arranjasse um de encher o olho. Tanto médico de Leste, alto e louro, a trabalhar nas obras por aí…
Talvez por influência das más companhias, a senhora apresenta-se no videoclip com este fatinho que além de parecer saído do armário das Spice Girls em 97 a faz parecer um traseiro gigante e ambulante com cabeça de alfinete adornado de pirilampos. Tantos anos a ser o derrierre mais famoso de Hollywood e ainda não lhe explicaram que corpo tipo pêra não vai bem com tops de gola alta? Será que ela precisa de uma assistente que lhe ponha os pontos no ii? Conheço boas candidatas, e nem cobram tão caro como o pequeno buldogue que a acompanha…

Retrato de uma Beldade: Agnès Sorel





    Agnès Sorel não foi uma heroína, não governou um território e não teve um papel político relevante, a não ser  o tradicionalmente reservado às mulheres que são brinquedos dos homens no poder. Neste caso, o homem poderoso era Carlos VII de França ( 1403 – 1461) o Vitorioso,  o "amigo" de Joana D´Arc, o monarca que conduziu França ao Renascimento.


 Se ouvimos falar dela hoje, é apenas pela sua beleza estonteante, perfeita, desafiadora de épocas e cânones. Ela tinha magníficos cabelos acobreados, pálpebras em meia lua, um rosto imaculado, olhos dourados e um corpo oh-oh O seu aspecto rendeu-lhe o cognome "  Dame de Beauté" .


 Agnès pertencia à pequena nobreza e conquistou o coração do Rei ao ajudá-lo a sair de uma grave depressão. Tinha 20 anos quando o conheceu, e o resto é história: foi a primeira amante real a ser oficialmente reconhecida. De gostos extravagantes, ficou famosa por   lançar na corte a moda dos decotes escandalosamente abertos - uma tendência que ela suportava bem, já que o seu busto escultural era quase tão célebre como ela própria... 
 Porém é também lembrada  pela bondade, meiguice e generosidade para com os pobres, qualidades que devem ter ajudado a cimentar o seu ascendente sobre Carlos e que lhe asseguravam certa estima geral.


         
File:Fouquet Madonna.jpg Descontraída quando se tratava de usar roupa reveladora, foi musa  de vários pintores, como Jean Fouquet (que a retratou como Virgem com o Menino). La Belle Agnès morreu aos 28 anos em circunstâncias misteriosas - sabemos hoje que a causa foi envenenamento por mercúrio - possivelmente por uso dos cosméticos perigosos disponíveis na altura. A hipótese de homicídio não está, contudo, descartada, já que Agnès tinha ferozes inimigos na corte. Deixou três filhas bastardas, reconhecidas por Carlos de Valois. Pouco tempo depois, a sua prima Antoinette de Maignelais substituía-a no leito real.


Curiosamente, um dos netos de Agnès, Louis de Brézé, senhor d´Anet, seria o marido da celebérrima (e maravilhosamente bela) Diane de Poitiers, a amada de Francisco I.

Agnès era uma mulher da sua época, um ícone de moda do seu tempo e representou o papel que lhe estava destinado. Nela há que a louvar a beleza, que foi fruto do acaso e de um certo sentido de estilo. Agora admirar realmente é outra história, e há um vulto da mesma época a quem tiro o chapéu: a sogra de Carlos VII, Iolanda de Aragão, Duquesa de Anjou e Rainha consorte de Nápoles. Mas essa grande dama é assunto para outro post e outras cavalgadas, pois não se limitava a ser linda de morrer.

Monday, July 2, 2012

Bicho Venenoso


Tipo, assim.

Acho que as centopeias se estão quase a tornar uma mascote aqui do Imperatriz. Eu não gosto delas, mas dei-me conta de que me inspiram bastantes meditações (como todas as coisas eu nos provocam emoções fortes, boas ou más) e eu ando numa fase “ conhece-te a ti próprio” como já devem ter reparado. Ninguém tem poder sobre nada se não tiver sobre si mesmo, e só podemos dominar aquilo que conhecemos. Ora vejamos: eu sou uma pessoa muito simples de entender. Dada à paz, amiga do meu amigo, vive e deixa viver e com um grande saco de paciência de que já vos tenho falado. Se eu vir uma centopeia na rua, a tratar da sua vida, não vou lá esborrachá-la por me achar no direito de varrer a espécie da face do planeta. Era bom, mas não me cabe decidir quem tem direito à existência ou não. No outro dia vi uma no jardim e tentei afastá-la com a mangueira: juro que a estúpida gostou de tomar banho, ficou agarrada ao muro a gozar a hidromassagem. Desisti – desde que não vás para dentro de casa…
Se desprezamos uma coisa ou alguém é só não nos darmos com ela e pronto.
Mas aí acaba a minha tolerância: se invadem o meu espaço, se conspurcam a minha vida ou têm o azar de roçar de leve nas pessoas (ou mesmo coisas) que eu estimo, torno-me implacável, a roçar a crueldade, de Mafu em punho para combater o visível e o invisível. E esborracho o que apanhar no meu caminho até sentir que a ameaça foi eliminada e que estou em segurança. E depois ai que a Sissi é má. Claro que quem diz insectos diz outra coisa.
Como dizia o outro, caminha suavemente mas carrega um grande bastão; se te provocarem, avisa-os; se te atacarem, destrói-os. Fácil, fácil.

Sunday, July 1, 2012

Dannazione, Italia!!!


Paolo Maldini
A minha costela da Terra da Bota está triste. Oh well, os espanholitos lá levaram a melhor. Estou aborrecida que eu sei lá e nem gosto de futebol, que faria se gostasse....

Romance


Tenho escrito pouco aqui no blogue, a correr, de fugida. Isto porque nos últimos dias dei as pinceladas finais no meu novo livro. Se tudo correr pelo melhor, será o quinto (e o primeiro romance não dirigido ao público juvenil). É uma história baseada em antigas memórias de clã, porque à semelhança de uma célebre autora com a qual não ouso comparações, " com uma família como a minha não preciso de imaginação". Apesar das peripécias, das viagens, das paixões e dramas, o tema é um pouco close to home e será preciso uma certa coragem para o pôr cá fora. Veremos o que acontece e entretanto, espero que o Imperatriz volte à normalidade dentro de momentos.

Alcunhas, partidas e outras maldades

Não sei se já vos contei que tenho um dom temível: sou excelente a colocar alcunhas nas pessoas. Vitalícias, pegajosas, daquelas que pegam mesmo e perseguem uma criatura desde os bancos da escola até ao lar de 3ª idade. É um talento que herdei do lado paterno, desenvolvido numa terra fértil em tachas e apelidos. Muitas nem foram postas de propósito: disse-as num acesso de raiva, os outros ouviram, acharam graça, repetiram e dali a tempos, pessoas que eu nem conhecia tratavam o (a) pobre coitado (a) (ou não) - pelo nome jocoso da minha autoria.  E apesar de ser uma pessoa séria, saí à família no humor cáustico. Gosto muito do Carnaval, dos caretos, dos cabeçudos e gigantones, de ironizar, de bailes de máscaras...e de pregar partidas de vez em quando.
 Este clássico é, sem sombra de dúvidas, a melhor partida de todos os tempos. Um verdadeiro terror! Dá vontade de a reproduzir, mas como é tão mázinha, só escolhendo pessoas que estejam mesmo a pedi-las. Por outro lado, gente malvada a precisar de uma boleia para o Inferno é o que não falta por aí. Decisions, decisions...



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