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Saturday, July 21, 2012

As coisas que eu ouço: tens a mania...



  A senhora minha mãe tem o péssimo hábito de andar às escuras dentro de casa. Quando era pequena meteu na cabeça que saber movimentar-se às cegas era uma táctica de sobrevivência imprescindível para o que desse e viesse, e decidiu agir de acordo. Sempre que pode, é vê-la (salvo seja) a caminhar pelos corredores sem se dar ao trabalho de acender o interruptor...
Se quer relaxar na varanda, nada de acender a luz. Ver televisão? Trevas. O que nos faz certa confusão quando nos pede " por favor, passem-me isto ou aquilo", como e tivéssemos visão nocturna. Cada um com os seus hábitos, que ninguém tem nada com isso...
Mas certa vez - andava eu no liceu -a escuridão deu-lhe que entender. A moradia tinha bastantes quartos e quartinhos, mas a mamã já fazia o trajecto "a dormir" se preciso fosse. Ora, nessa noite ela andava apressadamente a fazer não sei quê  quando alguém a chamou do outro extremo da casa.
 - Já vou - respondeu, seguindo-se um BONC! brutal e um aiiiiiiiiiiiiiiiiiii. Corremos todos e só vimos a Sra. D. Mimi a choramingar com dores, sem conseguir articular palavra.
- Mas que foi? Que foi?
- Bati em cheio na porta! - lá foi capaz de dizer.
E eu e o meu irmão muito aflitos, coitadinha da mamã, a consolá-la como podíamos.
 Acontece que a nossa casa tinha umas portas muito giras dos anos 70, com vidros e  maçanetas elevadas, à altura da cabeça de uma pessoa. Nessa noite a porta que dava para os quartos, ao contrário do que era costume, estava fechada e ela, tadinha, bateu literalmente com a cara na dita cuja, em cheio na bola de ferro.
Na inquietação, só a avó Tina se manteve inabalável, porque já a tinha avisado vezes sem conta. Olhou para aquele escarcéu, abanou a cabeça e disse na maior das calmas:

- Tens a mania que és morcego!!!

Olhei para o meu irmão, ele olhou para mim e tivemos um ataque de riso que contagiou todos, incluindo a "morcega" que tentava rir entre "ais" e "uis".

Certo é que a private joke ficou, e que ainda usamos várias alcunhas carinhosas relacionadas com morcegos e morceguinhos por estes lados...





Friday, July 20, 2012

Um amante! Ela tem "um ámantchi"!***

                          

***choramingado em tom de novela mexicana dobrada em "brasileiro",
           entenda-se...senão não tem graça.


Newsflash, meninas: eles têm ciúmes das coisas mais parvas. Recordam-se deste texto? Ultimamente, tenho assistido a cenas muito estranhas. Uns fazem asneira da grossa e depois ficam cheios de medo que a amada lhes devolva a "gentileza" e fuja com um garboso cavalheiro, mesmo que a desgraçada esteja fechada em casa a chorar as mágoas.
Outros não se explicam mas pedem explicações e começam a imaginar " um amante! ela tem um amante!" (ou uma data deles, como se uma mulher com vida própria tivesse tempo para isso...provavelmente nem lhe resta vagar para usar todos os vestidos que tem, quanto mais para dar confiança a marmanjos). Claro que ainda há aqueles que desaparecem de cena - mas se são substituídos, cai o Carmo e a Trindade.
      E  isto acontece em mais casos, moldes e formatos,  basta olhar para os jornais. Mas está tudo maluco, já ninguém confia em ninguém, ou há um vírus Othello à rédea solta?
 Querendo esclarecer o mistério, "entrevistei" um digníssimo exemplar masculino, um dos poucos homens com H que conheço, que me explicou como funciona a mente dos marialvas: a partir do momento em que um homem sai regularmente com uma rapariga, ou lhe dá uma beijoca, espera exclusividade da parte dela. Nada de jantarinhos nem conversinhas com outros rapazes bem parecidos, ou ferram-lhe com um carimbo " NÃO CONFIAR NESTA BRUXA".

Sissi: Essa sensação de "traição" é válida mesmo que não exista um namoro assumido ou que a relação esteja em fase de interregno? 
O Grande Especialista: Pois. É um acordo tácito.
Sissi: Mesmo nesta era de "relações abertas", sem compromisso, pressões nem explicações?
O Grande Especialista: Sim.
Sissi: Mesmo que estejam zangados e não se falem há semanas?
O Grande Especialista: Sim. É uma questão de vínculo invisível, de posse.
Sissi: E se ele andar para aí com esta e aquela?
O Grande Especialista: Diminui a culpa dela, mas não deixa de ser traição na mesma.
Sissi: Mas não há compromisso nem declaração! Como é que uma pessoa adivinha?
O Grande Especialista: .....é assim. Quem gosta de uma pessoa não tem espaço para mais ninguém. Ou é, ou não é.

E ainda dizem que as mulheres são complicadas! Olhem enquanto se ganha má reputação sem qualquer intenção maldosa. Tudo explicadinho e detalhadinho, e ainda é pouco...cruz credo!


 Bem falava o tio Alice Cooper, que sabe do assunto:



I hear you callin' and it's needles and pins 

I wanna hurt you just to hear you screaming my name

Don't wanna touch you, but you're under my skin 
I wanna kiss you, but your lips are venomous poison



You're poison runnin' through my veins

You're poison, I don't wanna break these chains










Site de moda inestimável...versus futilidade


Hoje em dia é difícil definir ou distinguir um blog de moda, no meio de milhares de imitações - ou esforços pessoais  uns bem conseguidos, outros nem por isso. Já disse várias vezes que a minha ideia de blog de moda é bastante concreta: ou bem que se compõe de looks e conselhos/dicas de profissionais (ou amadores francamente talentosos) ou que é um blog cheio de boa informação, com artigos e opinião, a recuperar uma frescura que algumas revistas da especialidade têm vindo a perder. Cresci a devorar as Elles, Marie Claires, Vanity Fairs e Vogues ( na altura, em edição estrangeira). Ainda na minha meninice apareceu a Ragazza portuguesa, que nos seus primeiros anos era fabulosa: uma revista exigente, com vocabulário rico e fotografias lindas. Falava imenso da cultura pop, de etiqueta, de como coordenar correctamente as roupas segundo o biotipo, da história da moda (e não só) e  transmitia referências, inspiração. Entretinha, mas informava. Fazia sonhar, mas educava também. Não creio que muitas teenagers pretensamente fashionistas dos nossos dias, embora disponham de uma quantidade de informação impensável há alguns anos trás, conheçam o percurso dos grandes designers, a história das principais Casas, quem foram os vultos do cinema, da sociedade e da música que inspiraram visuais chave que ainda hoje usamos,  nem as modelos icónicas como  Jean Shrimpton, Marisa Berenson, Beverly Peele, Verushka ou Penelope Tree. Gostam de roupa e maquilhagem, mas falta-lhes conhecimento. Esse é o grande e eterno busílis da questão entre os amantes da moda e os seus detractores: a moda é fútil, superficial? Não é, se a compreendermos enquanto arte ou indústria - mas passa bem por tal se os meios que a veiculam (publicações, figuras, blogs, profissionais) não se esforçarem por transmitir mais do que "saldos!" ou "comprinhas do dia". Quando é assim a moda é desvirtuada, reduz-se a um materialismo despido de expressão, de inspiração artística e em muitos casos, até de estética e elegância
 Um site que adoro, e que foge completamente a esta tendência perniciosa é o Fashionista. Faz-me lembrar as publicações da velha guarda: recheado de informação útil (de dicas de beleza a conselhos para quem deseja ter uma carreira no sector) publica as últimas novidades, mas não esquece as histórias, factos e personalidades que compõem este mundo fascinante. Essencial. 





A Madeira está a arder...

...e não há meios aéreos! Eis algo que me escapa. Razão tinha o Marco Horácio quando dizia " explode um barracão, e não há aviação no ar". Incrível! Aqui fica a minha manifestação de apreço pelos nossos Bombeiros, que todos os anos dão mostras de verdadeiro heroísmo. Se algum dia a fortuna me bater à porta, eis uma causa que quero apoiar. Afinal, cuidam de todos nós e muita gente só se recorda deles  "quando troveja"...

Thursday, July 19, 2012

Peças que nunca são de mais

                                     Chloé

          sonia rykiel

Tenho mencionado aqui a minha ponderação ao adquirir roupas, e em como é importante ter um closet organizado, de qualidade, sem excessos que só confundem. Mas há peças que acrescento/renovo com alguma frequência:
 porque são mais frágeis e/ou porque nem sempre encontro  modelos bons, e quando os há...é aproveitar para trazer os exemplares que puder, pois já sei que vão dar jeito por bastante tempo. Dois exemplos são as t-shirts simples (brancas e pretas) em puro algodão, ligeiramente decotadas e de comprimento médio, e as calças cigarrette clássicas. Destas últimas, as minhas favoritas são as de cós masculino, forrado a tecido colorido, ao melhor estilo alfaiataria. Parece que nunca tenho o suficiente - ou porque estão na lavandaria, ou porque alargam e preciso de as mandar acertar, ou porque, como alguém comentou aqui no blog recentemente, parece que um buraco negro as engole.
Por mais organização que se tenha, há sempre desaparecidos em combate, que só dão um ar da sua graça depois de me terem moído a paciência em buscas. Talvez por serem todas semelhantes entre si? A verdade é que são peças extremamente versáteis, que fazem uma base elegante para um look giro sem grandes canseiras. Quais são os vossos básicos multi usos?

A coisas que eu ouço: monstras e lagartixas

Espera a vingança do Rei Lagarto, sua monstra!                    
Uma rústica literalmente de todo o tamanho, mal enjorcada que nem um espantalho, a papar bolos a penalty, com nariz de porco, ar de tanque de guerra, vestida de lycra lilás e a conversar de boca cheia com outras da sua igualha:          


- Encontrei uma lagartixa na caixa do correio...matei-a logo! Pus-lhe um pé em cima e prontos!


(e eu, entre a pena da lagartixa e o alívio de saber que só com o susto que tais trombas lhe devem ter pregado, o bicho terá morrido instantaneamente, sem sofrer)


                  *Aplauso das outras, e a miss Piggy prossegue o relato*.


- E a minha mais velha também é assim -  mata tudo! Não lhe escapa nada! - disse, com indisfarçado orgulho no tanque ligeiro de intervenção, alegado descendente do Alfaiate que matava-sete-de-uma-vez.


-  Já a pequenita...


( Sissi a pensar: haja alguém sensível e normal naquela família!)


- A minha mai´nova não é assim! Essa vem-me chamar a correr para eu matar! - concluiu, desapontada.


E pronto, há casas em que não se aproveita nada. Embora a mulherzinha me desse jeito para espantar centopeias que se atrevam a ir além do jardim, fiquei a interrogar-me o que deu a tal criatura o direito de se achar acima dos restantes bichos de Deus. Porque se é pela beleza, discrição ou elegância, já tenho conhecido répteis bem mais simpáticos...










Wednesday, July 18, 2012

Frase da noite: My fearless one






"My fearless one,   
My holy statue,   
My statue outfitted with sword and lapis lazuli diadem,   
How sweet was your allure...."

(Hino Sumério a Inanna e Dumuzi)

Porque há amores assim: perfeitos, imaculados.



Manias minhas: écharpes

Grace Kelly
Expliquei recentemente que não sou grande fã de bijuteria. Se invisto menos em berloques, por preferir simplicidade e nobreza de materiais, há outros acessórios que adoro. Luvas, cintos e carteiras de todos os feitios gozam de um espaço próprio nos meus aposentos. Mas as écharpes rivalizam com as carteiras e têm um lugar especial - em dimensão e no uso que lhes dou. Nisso sou um pouco como a malvada Miranda, do livro O Diabo veste Prada, que tinha uma ligeira obsessão por lenços e lencinhos (infelizmente, no filme não deram destaque a esse pormenor...). A minha colecção não é de desprezar e vou fazendo sempre novas aquisições, de diferentes tecidos, estilos, tamanhos e proveniências. Os meus preferidos são os de seda, mas também  faço maravilhas com um sortido de exemplares vintage dos anos 60. É raro não trazer um comigo, quanto mais não seja amarrado na carteira para o que der e vier. Há lá coisa mais prática? Pode usar-se ao pescoço, como xaile, como cachecol, para prender o cabelo, a fazer as vezes de cinto - como os tenho em imensas cores, costumo coordená-los com os tons do calçado - a dar graça a uma t-shirt branca, para proteger o cabelo de uma chuva inesperada, para disfarçar um decote, ou até para suportar um aborrecimento com elegância, como a Grace Kelly na imagem acima. Para mim é mesmo uma peça-chave e fico triste que só visto quando perco um. Circunstância que é rara, felizmente -sou perita em perder pequenos objectos que se pousam, como óculos e guarda chuvas, mas o que é "amarrável" passa incólume. E as meninas? Qual é o vosso acessório indispensável?

Yay or nay?


              Estou a considerar a hipótese de ter alguns passatempos aqui no blog, mas gostaria de ter a opinião dos meus estimados leitores. O que acham? Devo ou não devo? 

Sejam amorosos e votem na quiz colocada no canto superior esquerdo, por favor. Grazie!  

                                             

Tuesday, July 17, 2012

Extraordinários e brilhantes factos sobre este blog #1

O formato não é original. Mas tenho visto posts semelhantes na blogosfera e concluí que nunca tinha feito nada do género sobre o Imperatriz, que tem vindo a definir o seu posicionamento e...já merece que a Sissi se dê ao trabalho de discorrer um bocadinho sobre ele. Ora aqui vão as primeiras brilhantes reflexões que me ocorrem:


- Este blog é da responsabilidade da Patroa.


- A Patroa decide os conteúdos aqui apresentados, mas aceita sugestões.
- O Imperatriz Sissi tem um editor-mistério (que tem grandes debates com a Patroa)


- Aqui fala-se de moda, mas não se fala de trapos nem se idolatram farrapos.


- Também se fala de Arte, da sociedade,de História, de lifestyle - mas sem modismos - e de de peripécias do dia a dia, entre outros assuntos.
- Apesar de ter um cenário delicado e cor de rosa, não se revê na designação de "blog cor de rosa", até porque não é assim muito fofinho - só quando tem de ser.


- Aqui discutem-se as coisas belas e boas da vida, mas 
crê-se que para isso não é necessário cair em Modo Desmiolado. E também se fala de coisas sérias...mas nunca de forma pesadona, que nem nos bancos da escola havia pachorra.


- Neste blog não aceitamos anónimos, por causa dos Anónimos Parvos. Mas já por cá têm passado Anónimos Fofos que pagaram as favas e agora não podem comentar sem arranjar um pseudónimo amoroso.


- Se este blog tivesse uma mascote, podia ser uma boneca igual à da imagem acima, embora o nome não tenha exactamente a ver com a Imperatriz da Áustria: relaciona-se com o meu petit-nom de infância e é um dos poucos trocadilhos que fiz na vida.


- Este blog é anti centopeias e anti Cavalões.


- Para quem não sabe o que são Cavalões, aqui vai: um ser atrevido, interesseiro, boçal, ganancioso, metediço, sem noção e malcriado; goldigger; mulher vulgar; grosseirão; vil; vigarista reles; pessoa que não conhece o seu lugar.


- O Imperatriz Sissi pauta pela amenidade e delicadeza e embora tenha as suas simpatias e aversões, não ofende deliberadamente ninguém. No entanto, é apaixonadamente contra o Politicamente Correcto Obrigatório e troça impiedosamente de certas modas, pretensiosismos, idolatrias cegas, carneiradas, pinderiquices, paroladas, afectações e arrivismos bacocos. Sem citar nomes e sempre de modo que as senhoras possam ler sem corar.


- Este salão até pode despir-se de certos luxos, pode viver em genteel poverty, mas pugna por uma certa linguagem e delicadeza de modos. Ditos espirituosos e uma certa rebeldia são muito bem vindos, desde que se atente à recomendação acima.


- Este blog fica todo contente quando encontra blogs giros e bem escritos.


- O Imperatriz Sissi não sabia bem como funcionavam os seguidores, mas desde que os descobriu adora seguir e ser seguido - por gente fofa e respeitável, claro.








As coisas que eu ouço: fiada de nojices



Escandalosa, esta? Deixem-me rir!
Costumo passar por uma moça bastante rústica, para usar um termo amável: cada frase, cinco asneiras, e não são das light. E as poucas orações que profere sem palavrões conseguem ser ainda mais badalhocas: ele é trocadilhos, alusões, vocabulário do mais grosseiro, o menu completo. O mais estranho é que olhando para ela até tem um ar bastante normal, que com um makeover poderia ser tolerável. Ontem fui tratar de umas burocracias e lá estava a rapariga à porta de um café, a conversar com um trolha de marca maior (não é insulto, era mesmo trolha de profissão e estava de "uniforme"). Juro que ela se dirigiu ao comparsa com um palavreado de tal ordem que me senti fisicamente mal: nunca ouvi uso mais detalhado e criativo da palavra c****, dita várias vezes, em rebuscadas voltas. Isto para contar ao amigalhaço que uma maluca qualquer das suas relações tinha acabado de ter uma criança de não sei quem. Palavra que nunca tinha ouvido falar da concepção e nascimento de um ser vivo em termos tão chocantes: para citar Octave Mirbeau, aquilo seria "descer ao nível dos bordéis e das casas de correcção". E ao dizer isso, arrisco-me a achincalhar os ditos lugares, que não conheço mas imagino que tenham algumas regras de conduta.
 Na vez seguinte, moderou-se mais um bocadinho: limitou-se, entre muitas palavras f****, car**** e outras, a comentar: ´Tive a pôr o comer no "figorífico". E pronto, sem ter nada a ver com o assunto acho que o meu estômago deu mais mas voltas, o meu pudor foi agredido e alguns dos meus neurónios estão francamente abalados. Será que há pessoas com um dom inato para a nojice pura e literal? É que já conheci algumas - sempre à distância, graças a Deus -  capazes de atribuir conotações repugnantes às coisas mais inocentes, e de transformar a mais inofensiva das conversas  num anúncio de acompanhantes de terceira categoria. E pimenta na língua, não? E daí, ainda fazem trocadilhos com esta também. É melhor usar lixívia.

Calor das arábias



Se soubesse, tinha reclamado mais cedo. Foi só postar e passámos de um tempinho deprimente a um calor das mil e uma noites, ou seja, entrou-se em modo acrescentar- o -kit -de- praia- aos- apetrechos- de- sobrevivência -que -andam- sempre- no -carro. Querem ver que o blog é o génio da Lâmpada disfarçado, com poderes cósmicos e fenomenais, e eu não sabia? Tenho de ter cuidado com o que peço aqui, está provado.

Monday, July 16, 2012

Palavras que poupam muitas chatices

Ava Gardner

Conselho de amiga: se em certas ocasiões eu tivesse empregado o discurso seguinte, mais coisa menos coisa, pouparia meses e meses de aborrecimentos:


Deixemo-nos de fantochadas e de criancices e falemos em concreto sobre o que se passa aqui. Mas andamos aqui a brincar aos cowboys, ou quê? Se sim muito bem, se não vamos a desamparar a loja e para a frente, que atrás vem gente.


E a vontadinha que uma pessoa tem de dizer coisas assim e depois morde a língua, hein? 
Evitai como a peste essa receita para o atraso de vida.

Memoirs of a closet


Eva Longoria
"Ajustar roupas à medida está a revelar-se um desporto muito caro."

( Mamã dixit, esta manhã)

Como tenho vindo a partilhar convosco, ando a levar muito a sério a minha Missão Armário. Não me enganei ao dizer que ia ser um processo longo e minucioso, até porque não disponho de tempo para o fazer de uma vez. Os procedimentos de selecção e separação têm consumido a maior parte das minhas sessões. Depois há a fase de mandar ajustar/reformar o que fica, sim senhor, mas tem andado perdido pelas estantes e caixotes.
  No todo, há momentos cansativos, angustiantes até, mas acima de tudo, é um processo divertido, gratificante e libertador.
Nestas duas semanas, boa parte das calças de tecido e jeans que vão ficar foi definitivamente arrumada. Só pares denim que ficam no meu closet...prefiro não revelar, mas é um número muito apreciável. Conclusão: tenho calças lindas de morrer, griffé, de todos os modelos que uso. Não vale a pena comprar tão cedo. Isto implicou longas horas a experimentar um par a seguir ao outro ( é uma ginástica que não imaginam) e vários sacos que já seguiram para fazer outras pessoas felizes. Tudo o que não cai na perfeição, não desejava vestir outra vez ou arquivar foi oferecido a amigas ou doado. É surpreendente como  as coisas podem assentar de forma tão diferente em pessoas que vestem o mesmo tamanho. 
É um pecado, numa altura destas, deixar roupas bonitas a ganhar mofo! Ou comprar outra vez coisas que já tenho, que os tempos não estão para prodigalidades.
 E há outro tanto para fazer. Os casacos já levaram a primeira volta mas precisam de outra, ainda há caixas na cave e na lavandaria...

  Nisto, foi inevitável encontrar peças com história: o vestido preto decotado que já acompanhou alguns momentos chave da minha vida, e que é uma espécie de talismã. As extravagâncias, como aquele sobretudo faux fur magenta de uma designer portuguesa, que continua como novo e que ainda consigo usar com roupa preta; as skinny Levi´s, mínimas e de cintura baixa que fiz olhos de Bambi para o pai me comprar e que usei naquele encontro. E os jeans franceses  com aplicações que ele adorava ver-me e que vesti na noite em que as coisas deram para o torto (ainda deve haver estilhaços de corações partidos naquela ganga);  a T-Shirt Moschino com animal print a que não resisti, nem um bocadinho o meu estilo mas que me ficava a matar e que tantos elogios me trouxe. 

A Camisola Maravilhástica, uma simples blusa com decote Bardot e manga 3/4, do tempo em que a Bershka fazia coisas giras: tinha duas iguais, uma delas não sei que destino levou. Comprei-as em Lisboa e a minha prima também trouxe uma. Pusemos-lhe essa alcunha porque era uma peça-milagre. Ficava maravilhosa com calças, com saias, sem o mínimo esforço. Fazíamos turnos para não irmos de igual e era sempre um sucesso. Foi das roupas que mais vezes vesti e continua aí para as curvas, com muitas private jokes e memórias associadas.
 Ou as peças tendência que são recorrentes, como o vestido longo com papoilas que usei num dia importante da minha carreira - e que regressa agora ao armário - comprado na extinta Infinito, uma das lojas referência na cidade antes da invasão dos Dolce e Fóruns, altura em que eu aproveitava cada pequena viagem para trazer roupa (hábito que nunca cheguei a perder).


 Há coisas de que não consigo separar-me, mesmo que não as volte a pôr nunca mais, pelas memórias que evocam..




Sunday, July 15, 2012

Iolanda, a Rainha dos 4 Reinos


Chamavam-lhe " a mais bela e sábia Princesa da Cristandade" com ânimo varonil e "um coração de homem num corpo de mulher". Iolanda (também conhecida pelo nome que recebeu no berço, Violante) nasceu em Saragoça, Aragão, a 11 de Agosto de 1348. Veio ao mundo sob o Signo de Leão - num espaço e tempo férteis em magos, profetas e astrólogos - e como nativa do Sol parecia de facto predestinada a brilhar, tanto pelos seus dons naturais como pelas circunstâncias em que, de forma calculada ou não, viria a estar envolvida. O seu papel foi determinante no desenrolar da Guerra dos 100 anos, para a actuação de Joana
 D´Arc e para a subida de Carlos VII ao trono. 

Iolanda (vitral da Catedral de Mans)
    Iolanda era filha de João I de Aragão e da sua segunda mulher, Violante de Bar, neta do Rei João II de França. Apesar de a  sua primeira consorte, Marta D´Armagnac, lhe ter dado um filho por ano em cinco de casamento até à sua morte e da segunda ter feito outro tanto, apenas duas filhas do Rei aragonês vingaram: Joana e Iolanda. À falta de herdeiro varão, o Rei vigiou de perto a educação da filha mais nova, reconhecendo-lhe a brilhante inteligência e a agudeza de espírito, e preparou-a pessoalmente para os desafios que sem dúvida a aguardavam.
 A 2 de Dezembro de 1400 foi selado o seu casamento com João II, Duque de Anjou, como parte dos esforços para encerrar os conflitos que há muitos anos envolviam as duas Casas pelo domínio da Sicília e Nápoles. 
"Maison de la Reine de Sicile" (Loire) onde Iolanda  alegadamente viveu os seus últimos anos
A bela noiva tinha apenas 16 anos e o seu prometido 23 - pouca idade para um cargo tão pesado - mas o casamento revelar-se-ia tão feliz quanto o pode ser uma união deste género, e o casal teve cinco filhos que chegaram à idade adulta: Luís III de Anjou, Rei Titular de Nápoles; Maria, mulher de Carlos VII e Rainha consorte de França; Iolanda, que casou com o Duque da Bretanha; Carlos, Conde do Maine; e René, que sucederia ao irmão Luís como Duque de Anjou e Rei de Napóles, governaria a Lorena através do seu casamento com a respectiva Duquesa,  Isabel, e passaria à história como " o bom Rei Renato". 
"O Bom Rei Renato", filho de Iolanda
A morte do velho Rei de Aragão gerou uma série de atribuladas disputas: uma vez que as leis de sucessão favoreciam os herdeiros masculinos, o seu irmão mais novo, Martim, tomou o seu lugar. Quando morreu sem deixar herdeiros, Iolanda reivindicou energicamente o trono de Aragão contra as pretensões do seu parente castelhano, Fernando de Antequera.
 Como resultado, a jovem passou a ser chamada "Rainha dos Quatro Reinos": Sicília, Nápoles, Jerusalém e Aragão. Outros territórios associados ou controlados temporariamente pela sua família incluíam Maiorca, Valência e Sardenha. No entanto, o seu maior domínio incidia nos feudos angevinos em França -  sobretudo Provença e Anjou, mas também o Bar, Valois, Touraine e Maine.
Carlos de Valois ( Carlos VII)
 Com o marido frequentemente ausente em Napóles, lutando para conservar os seus territórios  italianos, e os interesses dos filhos menores a defender, Iolanda foi obrigada a actuar inúmeras vezes como regente, mostrando a sua sagacidade e génio político. 
Astuta, colocando o dever acima de tudo, podemos considerá-la uma praticante da Realpolitik, não hesitando em recorrer a métodos pouco condizentes com a sua imagem digna e graciosa: dizia-se que empregava uma rede de belas mulheres, amantes dos homens em posições-chave, que actuavam como espias ao seu serviço nas cortes rivais. Logo no início da Guerra dos 100 anos, Iolanda escolheu apoiar os franceses, em particular a Casa de Armagnac, frágil em comparação com as facções inimigas.
Ficheiro:Jeanne d'Arc - Panthéon III.jpg
Coroação de Carlos VII
 Foi graças aos esforços de Iolanda  que o seu genro, Carlos de Ponthieu, o filho do "Rei Louco" pôde subir ao trono: entre 1416 e 1417 morreram inesperadamente o Delfim, Luís, e o irmão do meio , João. Ambos tinham estado a cargo do Duque de Borgonha, João Sem Medo que, juntamente com a mãe dos infelizes jovens - a desmiolada Isabel da Baviera -  era aliado dos Ingleses. Receando que o genro tivesse igual destino, Iolanda tomou-o sob sua protecção, agindo como uma segunda mãe.
 Aos 33 anos, a Duquesa de Anjou via-se viúva, com vastíssimos territórios para gerir, com os seus domínios franceses ameaçados e tendo ainda a seu cargo o destino da Casa de Valois. Jovem e vulnerável aos caprichos do Rei Inglês, Henrique V e do seu primo Sem Medo, e com os seus aliados mais próximos (os Duques de Orleães e Bourbon) feitos prisioneiros na desastrosa batalha de Agincourt, Carlos manteve-se a salvo graças à sua mãe adoptiva, que o levou para a Provença. Quando Isabel, furiosa, tentou reclamar o filho, Iolanda deu-lhe uma resposta bem torta: não o devolverei para acabar morto como os irmãos nem louco como o pai! Vinde buscá-lo, se vos atreveis!
Iolanda manobrou para proteger o genro, rodeando-o de conselheiros leais a Anjou. Foi também responsável por tornar um membro da família ducal bretã - Artur, Conde de Richemont - condestável de França em 1425, e por apoiar Joana D´Arc quando todos duvidavam dela, financiando o seu exército. O resultado é conhecido: Carlos foi coroado em Reims a Julho de 1429 e seria o vencedor final da Guerra dos 100 anos.
   Iolanda de Aragão foi uma mulher marcante - pelo génio, pela beleza, pela extraordinária época em que viveu e que influenciou inegavelmente. No entanto, a forma discreta como manobrou os acontecimentos nos bastidores e a grande notoriedade da "Donzela" contribuíram para que a sua figura se mantivesse numa relativa obscuridade. Não é, como seria de esperar, um alvo de estudo preferido de historiadores e estudiosos simpatizantes do feminismo.Talvez porque sabia jogar como mulher, sem remar contra o poder masculino- com astúcia e subtileza, encanto e graciosidade.


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