Recomenda-se:

Netscope

Saturday, August 25, 2012

My Love Songs #3: Maria Magdalena



Quando era pequenina adorava esta canção. Embora obviamente não abarcasse o sentido da letra (achava que era uma rapariga a ser confundida com outra, ou coisa semelhante)  a voz da alemã Sandra Cretu - que mais tarde integraria os Enigma - era qualquer coisa de especial. Hoje, apesar da aparente leveza de um clássico da pop, a história de bad romance sugerida pela canção encanta-me. É certo que há várias interpretações possíveis para este hit dos anos 80: Maria Magdalena reverte imediatamente o ouvinte para a temática da "pecadora arrependida" and so on. Pessoalmente, não a vejo de uma forma tão literal e dramática. Parece-me relatar uma situação bem mais abrangente, mais comum, mas não menos angustiante para quem a vive. Ou seja, a de um homem tradicional que se apaixona por uma mulher forte, independente, senhora de si, do seu destino, do seu corpo e das suas ideias. Isso fascina-o, mas assusta-o. Ele não quer uma posse superficial: deseja ser o senhor absoluto.


You take my love
You want my soul

 Ela não é  leviana, mas livre: capaz de partir quando os limites que impõe são atravessados, confiante o suficiente para não se deixar dominar a não ser nos aspectos em que esse papel cabe efectivamente ao homem. Feminina, voluptuosa, capaz de aparentar docilidade e submissão  - não precisa de empunhar a bandeira do feminismo nem da igualdade, porque a consciência da sua individualidade, do seu valor, lhe é inerente. Usa-a como a sua pele. Encontra o protagonista da história - forte, decidido, poderoso - e deixa-se lentamente escorregar para uma paixão aguda, dolorosa. Mas vê-o como ele é: habituado a mulheres fracas, inseguras, que não amam cada amante por ele mesmo, mas pela figura que representam ou pelo estatuto que lhe proporcionam - e por isso, capazes de se deixar pisar, humilhar, cortar às postas para não o perder. Ela conhece esses jogos, sabe-lhe todas as regras, mas também sabe que é feita de uma matéria diferente. Que por mais que goste dele, não pode moldar-se à escrava que ele julga desejar. Arriscar partilhar uma existência ao seu lado é tentador - mas um risco. O de se destruírem um ao outro...ou o da aniquilação dela mesma, da sua personalidade.

I would be crazy to share your life
Why can't you see what I am
Sharpen the senses and turn the knife
Hurt me and you'll understand

Quando tenta explicar-lhe isso, ele reage acusando-a. É possessivo e ciumento, não a compreende; na sua óptica, a mulher que recusa anular-se deseja ser livre para levar uma vida desregrada, saltitar de flor em flor. Não por si mesma, mas para agradar à ala masculina...como todas as que ele conheceu antes. Que a pureza e a autodeterminação coexistam no sexo feminino é novidade para o apaixonado desta história. Controlar a própria vida, ser dono dos próprios pensamentos, ser insubmisso, é apanágio do homem. Uma mulher que o faça é volúvel, infiel, perigosa. Apaixonada, mas dotada de um espírito avisado, a protagonista conclui que são demasiado semelhantes...mas querem coisas diferentes. Ela é como é, ele não aceita; ela não quer passar a vida a mentir, a arranjar escapes. Por isso, não pode render-se a ele, entregar os pontos, precipitar-se na relação, realizar o que de facto deseja. A canção capta precisamente esse momento de angustiante frustração. Resistir a uma tentação boa é a pior coisa do mundo - especialmente quando bastava tão pouco para que nada houvesse de mal na concretização desse anseio. Só um bocadinho de compreensão e menos teimosia.  Ficamos sem saber o fim do romance, mas paira no ar um espírito "das duas uma": irão destruir-se mutuamente? Será que cada um vai para seu lado? Fica à nossa imaginação...

I'll never be Maria Magdalena
(You're a creature of the night)
Maria Magdalena
(you're a victim of the fight)
(you need love)
Promise me delight
(You need love)

Why must I lie
Find alibis
When will you wake up and realize
I can't surrender to you
Play for affection and
Win the prize
I know those party games too


Look icónico do cinema, #1 : Pretty Woman



Nunca me importei nada com o filme - uma versão xaroposa e disparatada do Pygmalion, de Shaw, e do consequente My Fair Lady. Além de conferir uma aura glamourosa à prostituição, venha quem vier ninguém me convence que uma streetwalker consegue fazer-se passar por uma senhora em dois dias, assim, sem umas aulas do Higgins nem nada. Ser bonita, ter bom coração, umas ensaboadelas do gerente do Hotel  e umas fatiotas novas parecem-me fraco argumento para uma transformação tão rápida. Mas enfim, é Hollywood, mundo onde as leis da física, da moral e da probabilidade são artisticamente distorcidas à vontade do realizador. Mesmo quando não a vemos, lá anda a fada madrinha. No entanto, Pretty Woman (1990tem alguns momentos giros e sobretudo, um belo figurino.
A equipa de figurinistas liderada por Marilyn Vance-Straker esmerou-se na criação de um guarda-roupa elegantíssimo e intemporal, um feito considerando a época: são poucos looks de filmes dessa altura, mesmo os mais marcantes, que não parecem datados. O frock encarnado para a Ópera, o cocktail dress preto, o blazer salmão, todos são encantadores. Mas o meu preferido é sem dúvida o vestido castanho com polka dots, que é imaculado. Reparem como o cinto parece actual, e as luvas (curtas, como devem ser num evento diurno) foram bem escolhidas. Um amor!

A Rua dos Gatos sem Rabo

Isto não é "O Macaco do Rabo cortado"
que dá para voltar a colar, suas bestas!

Anda um anormal, às ocultas, a cortar a cauda aos gatos da minha rua. Vai uma pessoa morar para uma zona supostamente civilizada e encontra coisas destas! A verdade é que a par com as propriedades novas, há por aqui quintas antigas cujos donos talvez não gostem de invasões de domicílio felinas. Mas reagir com selvajarias destas é revoltante, aviltante, faz-me pensar em todo o tipo de retaliações violentas. Em pouco tempo, é o quarto gato que cá aparece sem cauda. Primeiro, foi o Mata Gatos: Cauda partida. Seguiu-se o "Hitler", o gato do vizinho que mora defronte
( alcunhámo-lo assim porque tem um bigodinho igual ao do dito cujo, mas o bicho é um bom serás). Meio rabo. Depois, o Gato Feio - um bichano giríssimo de olhos esbugalhados e focinho achatado, estilo mogwai, que ganhou esse cognome graças aos traços invulgares e à mania de assustar as pessoas olhando fixamente para elas. Zero rabo. Nada de cauda. Rentinha. E agora, o gato do vizinho do lado, que apareceu cá em casa (julga que esta é a casa dele...) com o "apêndice" cortado a meio, cheio de dores. A isto adiciona-se o meu gato Chiquinho ter voltado, há umas semanas, com a anca deslocada (a cauda escapou, felizmente) e uma consequente conta simpática do veterinário. Se apanho o bruto que anda a fazer isto, esse Serial Killer de Rabos, à falta de cauda vou aparar-lhe as orelhas. Ou coisa que o valha. Não haverá por aí um raio sobressalente que parta pessoas assim?

Mistério do dia: verniz





Porque é que a base, ou verniz transparente, seca num piscar de olhos... e os vernizes coloridos demoram séculos, testando a paciência a qualquer mulher que tenha mais que fazer além de estar imóvel dezenas de minutos?

Friday, August 24, 2012

Casaquinho Tartan: literalmente um mimo

De regresso de Terras de Sua Majestade, o meu querido papá trouxe-me algumas lembranças. A minha preferida foi este blazer  adorável de lã e cachemira com gola Tartan, da marca inglesa Eliz Scott. Um casaquinho escocês para uma lass com costela escocesa, portanto. Ainda por cima, quem me quiser ver em modo Nirvana... é oferecer-me algo com cachemira. Não resisto. Esta casa é uma firma familiar, que trabalha apenas tecidos da melhor qualidade 100% produzidos no Reino Unido e com mão de obra nacional . Fiquei encantada com tudo o que fazem (especialmente as capinhas e canadianas) e com a relação qualidade -preço que praticam. Vale bem uma visita se passarem por Inglaterra, mas também vendem online. Como podem imaginar, já estou a magicar combinações para me divertir com ele na próxima temporada. Algo com umas botas fabulosas, para começar. Sugestões?

Brilhante carreira que me passou ao lado: criminal profiler

Há dias perdi umas horitas de sono (olhos a piscar, "vou-me sentar a ver se não caio para o lado que já não aguento", etc) a ver um interessante documentário sobre o ex agente do FBI e autor Robert Ressler, um dos responsáveis pelo termo Serial Killer e pelo método de psychological profiling de criminosos actualmente utilizado nos E.U.A. Embora eu tenha uma crença limitada na psicologia, em alguns aspectos pelo menos, sempre achei que esta foi uma brilhante carreira que me passou ao lado. Ressler iniciou o seu percurso no Exército. Quando mais tarde entrou para o FBI as experiências que viveu na infância associadas aos seus estudos no campo da mente humana levaram-no a pugnar para que o perfil comportamental dos assassinos mais violentos fosse estudado e registado. Nos anos 70, a investigação concentrava-se sobretudo nas provas forenses: mas Robert considerou, e bem, que definir e isolar atempadamente os traços essenciais dos criminosos ajudaria a limitar o número de suspeitos, facilitando a sua captura e impedindo-os de continuar a matar. 
Sempre achei que, em circunstâncias diferentes, eu adoraria desempenhar esse trabalho. Apesar de distraída, tenho um olho de falcão para traçar o perfil às pessoas. Misto de um certo sexto sentido espontâneo e inexplicável, de muitas leituras em diversas áreas - do "feng shui facial" a disciplinas mais científicas ou esotéricas - do hábito de observar os sinais exteriores e de um instinto aguçadíssimo que já tenho mencionado, a primeira impressão pouquíssimas vezes me enganou. Há sempre algo nos traços faciais, no olhar (sobretudo o olhar; se for parado, de "tubarão" ou de peixe morto é um sinal inequívoco de sarilhos) nas primeiras atitudes (abusos insignificantes, ou pequenas intromissões, põe-me logo em alerta) na entoação da voz, no vocabulário utilizado (por muito que a pessoa procure disfarçar, há sempre algo que denuncia o seu background) na escolha das roupas, dos acessórios, do veículo e em inúmeros outros pormenores aparentemente disparatados que permite compor um retrato bastante fiel do ser ou situação que tenho perante mim. Não creio a 100% nas microexpressões - e falta-me paciência para as observar com detalhe - mas há algumas que denunciam, em segundos, as intenções alheias. Olhos enviesados e endurecer de maxilar, acompanhados de um "esverdear" súbito da tez são um sinal de perigo iminente. Se não houver nada disto, uma indisposição, desconforto, sensação de enjoo, de receio ou irritação inexplicável perto da pessoa ou circunstância tratam de me avisar. 

                                        
Por exemplo, por vezes sinto que "não me apetece ir àquele sítio, não quero e não quero". Se contrario a minha vontade para agradar, ou porque é mesmo preciso, 90% das vezes acontece algo de desagradável. É matemático. De seguida, a leitura das atitudes e dos "jogos de poder" que o meu "suspeito" ponha em prática permitem-me calcular com certa precisão o seu próximo movimento. Nessa fase já não se trata de instinto, mas de pensar racional e estrategicamente. Quero dizer com isto que sou uma juíza infalível do comportamento alheio, que nunca me desiludo com ninguém? Claro que não. Mas as vezes em que me deixei enganar foram aquelas em que optei por ignorar os sinais, por ouvir a razão em vez do "gut feeling" inicial ( como é que é possível? Era um bocado rebuscado, pensava eu) ou o coração (vou lá chatear-me com uma pessoa de quem gosto por causa de algo que me cheirou a esturro!). Por experiência de vida - e pelo que leio dos especialistas, e de testemunhos de pessoas bem sucedidas em diferentes campos - o instinto, os pressentimentos, as inspirações, ou o que lhe queiram chamar, são desvalorizados na sociedade actual. O que é uma pena. Muitas vezes, o nosso primeiro impulso, escolha ou impressão fazem a diferença entre a segurança e o risco, o sucesso ou o fracasso, a paz ou uma fiada de aborrecimentos que leva meses a resolver. Quando na dúvida, recomendo que se ouça o coração - ou mais frequentemente, o plexo solar. Não falha.


Sissi em modo tropical

Sapatos de Carmem Miranda



A partir de hoje, sou oficialmente colaboradora do portal brasileiro de moda, estilo e cultura pop be style. Ora espreitem.  How cool is that? Fico muito contente porque há muitos bloggers, escritores e cronistas do País - irmão que admiro. Mas também porque todos os meses, passam por aqui milhares de simpáticos leitores brasileiros e faz todo o sentido que eu também "passe" por lá. Valeu!

Casacos: a estrela da estação




Miu Miu, Prada, Burberry ou Louis Vuitton, entre outras, não podiam ser mais claras: o casaco é a grande estrela desta estação. Está para a temporada F/W 2012/13 como a saia esteve para a Primavera. De peles, militar, de tweed ou príncipe de Gales, com aplicações, de tecido estampado, de brocado, dark, perfectos, blazer, em versão capa, retro, em formato de sino, longo e minimalista, em camurça ou cabedal brilhante, anos 70, assertoado, estampado, trench coat with a twist, com cortes mirabolantes, usado com sobreposições, de alfaiataria, largo ou simplesmente ajustado com o cinto que nos apetecer, este Outono -Inverno o casaco não se limita a agasalhar: é uma verdadeira afirmação. Quem tem uma boa colecção em casa, agarre-se a ela e faça por se inspirar. Quem não tem, aproveite este ano para investir em peças quentes e dramáticas, porque vai haver casacos -statement e revivalistas, sobretudos e casaquinhos para todos os gostos e estilos. A maior surpresa é o regresso em força dos blazers longos, abaixo da coxa, ou mesmo "casaco de grilo" - sozinhos ou em fato. Muitos com calças curtas, e estampados, como podem ver abaixo. Estive quase, quase a cometer um fashion faux pas ao arrumar alguns casacos antigos. "Blazers longos já não são vistos há mais de dez anos" dizia eu.  Contive-me a tempo e surprise, surprise, aí estão eles, a permitir uma panóplia de coordenados. O mais importante, na hora de combinar, é respeitar a palavra de ordem: a aparência de luxo e rigor regressou à moda.  Assegure-se de que o seu look tem um aspecto pensado e de qualidade.

  

                               

200!


200 leitores queridos seguem este blog. Tem sido uma jornada muito feliz e já só nos faltam 100 para rivalizarmos com os 300 espartanos que fizeram a vida num Inferno ao Rei da Pérsia! Já somos um exército, hein? Que responsabilidade, meninos. Muito obrigada por acompanharem as minhas alegrias, por lerem as minhas sugestões, estórias e ideias, por aturarem as minhas embirrações que não lembram a ninguém, por partilharem as vossas opiniões, pelos vossos comentários amorosos. Obrigada também às milhares de pessoas que ainda não me seguem oficialmente mas que por aqui passam todos os dias, lendo apenas ou deixando palavras simpáticas. Quem tem leitores fofinhos, quem é?

Thursday, August 23, 2012

A Princesa Ameerah

  Há dias, a propósito de um artigo sobre chapéus e fascinators, reparei com mais atenção na Princesa Ameerah Al Taweel, que faz parte da (bastante numerosa e fértil em princesas) Família Real da Arábia Saudita. Com todo o respeito, penso que lhe caberá representar a mulher muçulmana perante o mundo ocidental, já que Lalla Salma de Marrocos parece ainda não ter encontrado a sua imagem pública e a Rainha Rania da Jordânia se tem visto envolvida em algumas notícias menos abonatórias - além do facto da sua (inegável) beleza ter sido, de alguma forma, pensada e retocada ao milímetro.  Ameerah é tudo aquilo que uma princesa deve ser ( culta, elegante, discreta, bem nascida e a combinar tradição com modernidade) mas bem podia passar por uma estrela de cinema italiana, de tão naturalmente bonita que é. Não só tem um gosto quase irrepreensível como o alia a uma silhueta va-va-voom  e a um rosto lindo. Destaca as suas melhores qualidades sem disfarçar os traços característicos das mulheres da sua terra, como as sobrancelhas vincadas (e usa o cabelo preto como ele deve ser usado: natural, glossy, com volume e um aspecto saudável, sem desfrisagens estranhas nem tonalidades artificiais). 
Como sabem, o Reino da Arábia Saudita , onde o Rei governa de acordo com a Sharia, a Lei Sagrada do Islão, é um dos países do Mundo Árabe com normas mais restritivas em relação às mulheres: a Lei Islâmica é rigorosamente observada em todos os aspectos do quotidiano. As mulheres sauditas (e mesmo as estrangeiras que residam no país)  não conduzem e em público são obrigadas a usar a abbaya, entre outras proibições. As pressões internacionais e uma nova geração da elite saudita, mais moderna e informada, têm contribuído  para que se façam esforços no sentido de atenuar uma tradição tão rigorosa. 

O marido da Princesa Ameerah, o Príncipe Al Waleed Bin Talal, magnata, sobrinho do Rei e considerado por algumas publicações " o árabe mais influente do Mundo" é precisamente uma das figuras que tem pugnado por essas ideias: dedica-se a várias causas como o combate à pobreza, auxílio em desastres naturais, o diálogo inter religioso e a educação e direitos das mulheres. Nos seus escritórios as funcionárias são encorajadas a não usar o véu e a sua esposa é conhecida por preferir as peças ocidentais. Ameerah graduou-se Magna Cum Laude em Administração de Empresas na Universidade de New Haven (Connecticut) e é vice presidente da fundação do seu marido, a quem acompanha nas suas visitas humanitárias por todo o planeta. Um casal unido em torno dos mesmos objectivos, que irradia cumplicidade - e que é um bonito exemplo...




 




 



Quem te viu e quem te vê: Cameron Alborzian




                
Nos meus anos de tween, o top model de origem persa Cameron Alborzian agraciava com a sua beleza exótica as páginas das maiores revistas de Moda. Tinha ascendido à fama depois de participar no icónico vídeo Express Yourself, de Madonna. Os retratos eram bastante artificiais (nunca gostei de ver um homem com lip gloss, nem em poses)  e eu nem era a maior fã de morenaços, mas os persas são, em geral, um povo belo e não se viam por cá traços assim. Parecia-se com um príncipe das mil e uma noites e tinha a figura masculina que eu acho ideal: grande, máscula, saudável, natural e desempenada. Na minha adolescência o menino trocou-me as voltas: começou a perder peso, deu uma tesourada nas melenas negras e adoptou um visual mais ou menos assim:

                                                                                  

 Big turn off. Não ficou feio, mas parecia igual a todos os outros. Lá se foi o ar exótico. Mas o pior veio depois. Após terminar a sua carreira na moda tornou-se Yogi e terapeuta de Ayurveda. Tudo maravilhoso, se não se apresentasse nestes preparos:

                                                   





A partir de agora






Vou passar a abrir a minha lista de leitura diariamente, para ter acesso às novidades dos vossos blogs amorosos. Por mais que faça, o "directório" aí do lado esquerdo não me dá as actualizações de todos. Acabo por perder posts giros e passar por antipática, que nem lê nem comenta. A culpa não é minha, juro. E já agora, sabem de blogs realmente estupendos e maravilhosos que me andem a escapar?

Wednesday, August 22, 2012

Real leather


Givenchy - Autumn / Winter 2012-2013
Neste Outono- Inverno, uma das tendências mais marcantes é o regresso em força da pele macia, ou mesmo brilhante, principalmente em tonalidades ricas de preto e castanho (a camurça também dá um ar da sua graça, a acompanhar o british style) tanto em versão real como na alternativa faux. Vestidos, casacos, hotpants (fãs de calções, preparem os collants escuros) perfectos, saias lápis ou mesmo balão, luvas, botas lindas...haverá de tudo.
Fiquei toda contente ao reparar nos vestidos Fendi e Versace, porque tinha dois muito semelhantes, guardados sem uso ( saldos, amor à primeira vista) da colecção passada. Pareceram-me bastante elegantes para leather dresses, mas faltou-me arrojo para usar tal coisa. O Versace (Jessica Alba, abaixo) é parecido, mas com mais aplicações do que um dos meus, pelo que fiquei bastante mais inspirada (e descansada). Quando me aventurei a organizar a estante das peças-que-não-são-casacos em pele, deparei-me com coisas muito fofas. Sobretudo saias lápis pretas, porque nunca fui apologista de grandes ousadias num material que, já de si, é chamativo. Uma pencil skirt de pele com uma camisa branca, um bonito relógio e um bom par de saltos altos é uma toilette que não precisa de mais nada. As minhas últimas aquisições foram duas, em verde- inglês ( semelhantes às peças apresentadas por Yves Saint Laurent e Lanvin) e castanho. Quanto a calças, tenho algumas mas mais por graça. Há quem crie outfits incríveis com elas, mas causam-me algum receio e poucas vezes as usei. Desta feita, além das skinny do costume, encontrei umas que a mãe trouxe "porque eram de boa qualidade" e com um formato francamente estranho: com uma faixa na cintura, pinças à altura da bacia e corte semelhante ao saruel, sem dúvida inspiradas nas calças de montar. Mas quem é que se lembraria de fazer disto em cabedal? Perguntou a Sissi aos seus botões. Qual não foi a minha surpresa ao ver mais atentamente a colecção F/W de Riccardo Tisci para a Givenchy - a das botas giras (ver imagens).  Lá estavam elas (só encontrei a imagem em encarnado e castanho, mas existem pretas, como as minhas). Assim que haja frio para isso, vou testá-las e logo vos conto.


A nobre arte de pôr o coração ao largo

Sophie Marceau e Sean Bean


                                                                     Que sera, sera...


A avó Tete ensinou-me muitas lições valiosas, mas uma das mais importantes foi "põe o coração ao largo!" ou, se a coisa estivesse realmente preta " põe o coração ao largo e pega-te com Deus!". Era uma senhora muito serena, muito sábia, com uma classe à prova de bala. Nos seus tempos de rapariga fora a incontestável " bela do baile". Fazia os bons partidos das redondezas andar num virote, mas apaixonou-se irremediavelmente pelo meu avô - paixão correspondida que nem a morte separou - que era um bon vivant de primeira. Jovem e bem parecido, o avô punha tanto as meninas casadoiras como as "raparigas doidivanas" de cabeça à roda. Era muito popular, convidado para toda a parte. Como o futuro sogro, altivo como uma águia e vigilante como um falcão, só deixava as filhas assistir a festas muito escolhidas, de quando em vez, em muitos bailes ele não podia contar com a companhia da namorada. Com a desculpa de que " não se dança sem par" lá ia recebendo as atenções desta e daquela admiradora, facto que deixava a minha avó à beira de um chilique. Antes que fosse tarde demais e que ele " fugisse com uma maluca qualquer" ela não foi de modas: pôs-lhe um par de patins que quase o matou de desgosto. Andaram dois anos nisto, sem se falar, fazendo fosquetas e partidas um ao outro - e ela sem se ralar nem perder a compostura - mas o amor acabou por levar a melhor. Graças a essa e a outras experiências que passou ao longo da vida, ela sempre me disse " o que tiver de ser nosso, à mão nos vem ter". Seja o amor, o sucesso, o trabalho...não vale a pena uma pessoa consumir-se, desesperar, correr atrás, andar em ânsias ou fazer força. Quanto mais intensidade colocamos em desejos que não está na nossa mão realizar, pior: estraga a pele, atormenta a alma e não resolve nada. E como se consegue essa calma, essa tranquilidade transcendental, perguntava eu? É pôr o coração ao largo! Seja o que Deus quiser! Deus lá sabe o que é melhor!  Não era fácil explicar porque é uma coisa que só se consegue praticando, fake it ´till you make it. Passa por pegar na coisa que mais queremos, ou que mais nos preocupa, e separar-nos mentalmente dela: tratá-la como se não seja nada connosco; não querer saber e ter raiva de quem sabeo que for será, o que não tem remédio remediado está, há mais coisas na vida, mais marés que marinheiros e muito peixe no mar. É uma táctica de desapego com algo de oriental, que exige esforço, mas uma vez dominada nunca nos deixa na mão. Depois de anos de prática, em diferentes sectores da existência, atesto a eficácia dessa filosofia de vida quase zen, que me poupou  muitas angústias e desgostos e me permitiu reagir com uma calma diabólica a situações de deixar qualquer um em parafuso. Se calhar devia haver workshops destas coisas, para quem não teve uma super avozinha.

Está tudo chateado com o Pingo Doce




Não percebo tanto sururu. Todos os Pingo Doce que conheço têm um ATM escarrapachado à entrada, por vezes dois. Os especialistas em poupança até recomendam que se paguem as compras com dinheiro vivo, para controlar melhor o que se gasta. Quanto ao cartão de crédito, quem é que faz compras inferiores a 20 euros com ele? Estará a escapar-me alguma coisa, ou as pessoas andam a irritar-se por dá cá aquela palha? Expliquem lá a ver se eu entendo.

A twist in the dress



Ontem partilhei no Facebook da Sissi uma frase que podia ser minha, retirada de um blog excelente:

"(...)Making or buying only top-quality, beautiful clothes, and making do with a limited wardrobe . . . like most people did for centuries. We should bring the emphasis in fashion back to having a few quality ite

ms, rather than amassing a huge quantity of synthetic items that we grow weary of or that go out of style after a few months".


Defende a autora, e muito bem, que é necessário devolver o verdadeiro estilo à moda, e que para isso, é importante investir na qualidade do guarda roupa, conhece-lo a fundo e tirar partido do "acervo" que temos em casa. Como sabem, essa é uma das ideias mais presentes aqui no IS. No processo de seleccionar o que ficou, o que chegou de novo e o que foi embora no meu closet, os vestidos foram talvez- a par com os jeans - as peças que mais protagonismo tiveram. Tenho uma relação afectiva com os vestidos, e há muitos que associo a etapas ou momentos marcantes. Um deles é este castanho de algodão e seda, maxi, com um ligeiro estapado, que comprei nos meus tempos de liceu e que me acompanhou numa fase particularmente emocionante. Nunca fui realmente capaz de me desfazer dele e guardei-o à espera que as saias compridas (neste caso, "tea lenght") voltassem a invadir as ruas. Ao contrário de peças clássicas como a saia lápis, a maxi parece demasiado "alternativa" se não estiver em voga. Os novos usos, de que já falei, também a tornaram mais versátil. Assim, foi só juntar ao vestido do tempo dos Afonsinhos uma carteira de palhinha (italiana, vintage, anos 70) e uns zapatones estilo Foxy para lhe dar o "upgrade" necessário. What do ya girls think?

                         

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...