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Saturday, September 8, 2012

O regresso das curvas (mas com equilíbrio)



Tamara Lazic no desfile F/W da Intimissimi 
Em meados dos anos 90, as figuras esguias e andróginas começaram a competir com as deusas como Claudia Schiffer, Helena Christensen ou Eva Herzigova. Os primeiros sete anos do novo milénio impuseram o reinado da linha arrapazada, com uma evolução gradual para os corpos triângulo invertido como o de Gisele Bündchen ( busto generoso, cintura pouco vincada, ancas e glúteos estreitos).  Aos poucos, com muitas polémicas associadas à anorexia, muitas campanhas pela suposta "beleza real" e a imposição da cultura hip hop ao mainstream, as figuras generosas ganharam terreno ainda como força paralela, de uma forma quase caricatural, e o derrièrre regressou à ribalta (Shakira, Beyoncé). Associadas a esta onda de sensualidade vieram os visuais girly de uma sexyness óbvia, com Kim Kardashian e a sua silhueta sui generis à cabeça, estabelecendo uma forma alternativa: os rabos grandes estavam na moda e as raparigas não tinham medo de os mostrar. Mas havia um problema: nem todas as mulheres, independentemente da forma física, se reviam na imagem hiper sexualizada e de certo modo, menos sofisticada das novas porta estandarte da figura " verdadeiramente feminina".  Previa-se uma viragem: iria a "ditadura" dos corpos magríssimos contra atacar, reclamar a imagem oficial da mulher elegante ? Nas passerelles desta temporada tivemos a resposta, com as principais Casas e designers a ditar o fim do sexy gratuito em prol de uma elegância requintada. E novidade, apresentando modelos com curvas acentuadas mas equilibradas, num regresso à figura de ampulheta ideal. Este Inverno tudo terá a ver com delinear o busto, a cintura e as ancas (em evidência na maior parte dos vestidos) mas com discrição, já que esse é o único elemento de sensualidade presente em visuais que se querem maduros, de um luxo depurado.
Calvin Klein Dress
Calvin Klein
Ventos que nos chegam por influência do sucesso de séries como Mad Men e de estrelas curvilíneas como Scarlett Johansson. O requinte dos anos 50/60 tem estado presente nas últimas colecções, com saias balão e pencil e vestidos cingidos, a modelar as ancas mais arredondadas dos últimos dez anos. Curiosamente, esta é uma tendência que cairá bem à maioria das meninas e senhoras, já que as curvas dependem das proporções e não do tamanho ou peso. É uma questão de as tornar harmoniosas (para quem tem muitas) ou de as criar visualmente (para quem tem uma silhueta recta). As peças bem cortadas e/ou os estampados colocados estrategicamente podem, inclusive, ajudar a esconder contornos excessivos. Pensar em  Brigitte Bardot, Sophia Loren, Marilyn Monroe, Monica Bellucci, Penélope Cruz, Gina Lollobrigida, Claudia Cardinale, Raquel Welch ou nas supermodelos de Balenciaga, Givenchy ou Dior nos anos 50 (magrinhas, mas de contornos hiper definidos) é uma excelente inspiração para adoptar este look- que-festeja-as-formas-naturais da maneira certa.

Daphne Guinness, profissão: ícone


Racé. Elegante. Única. Com traços finos, o glamour de outras épocas e um porte de morrer. Não é uma it girl, é uma it woman - aos 45 anos tem a figura e a beleza de uma rapariga com as vantagens da experiência. Se há um moderno ícone de moda que eu admiro - e que aposto, vai resistir ao teste do tempo - é Daphne Guinness, a mulher que tem os maiores designers e celebridades do mundo elegante, da indústria de moda e do meio artístico a seus pés. E não é para menos: Kate Moss, ela própria um ícone de pleno direito, é sua fã. Esta irish lass ( de nacionalidade britânica e irlandesa) tem tudo para ser uma lenda de estilo: imaginação, talento, berço e a capacidade de fazer tudo o que lhe apetece, cada vez mais rara nos dias que correm. É feita da mesma fibra de um David Bowie, com o encanto rebelde e a excentricidade dos antigos dandies e das lendárias mulheres de sociedade do século XIX. Oscar Wilde disse "one should either be a work of Art, or wear a work of Art". Uma máxima que assenta na perfeição a Daphne. Ela é uma original. Pode fazer o que quiser, e dá-se plenamente a esse luxo. O que não é de espantar, considerando o seu pedigree e educação. Descendente e herdeira de Arthur Guinness (que no século XVIII inventou a famosa cerveja irlandesa) o pai de Daphne é Jonathan Guinness, 3º Barão Moyne, e a sua mãe foi musa de Salvador Dali, uma das muitas celebridades com quem a futura diva passava férias em pequenina. Daphne é neta da controversa beldade Diana Mitford Mosley - comparada à Venus de Botticcelli -  filha do 2º Barão Redesdale e uma das  célebres irmãs Mitfordit girls que encantaram e escandalizaram a sociedade dos anos 30. Daphne é muito amiga da irmã Mitford sobrevivente, a sua tia-avó Deborah, Duquesa viúva de Devonshire.
Diana Mitford, avó de Daphne
Daphne -  criadora, artista, stylist e mãe de três filhos- brinca com os looks espampanantes (é fascinada por pumps e armaduras) mas sabe usar a simplicidade, o requinte e o rigor como base. Se quiser brilhar com um visual clean, consegue-o. Mas domina a difícil arte de usar (com classe) roupas extravagantes sem ser usada por elas. Quando não encontra um determinado artigo de moda, perfumaria ou joalharia, gosta de o criar. E de arranjar o próprio cabelo. Defensora de um guarda roupa completo e de uma elegância cultivada, com "mais qualidade e menos quantidade", é dona de um dos closets mais fabulosos e cobiçados da scene fashionista. É também uma conhecida benemérita, e recentemente doou boa parte dele para ser leiloado com fins solidários. Amigos famosos como Lady Gaga licitaram as suas peças, arrecadando-se mais de 700 mil dólares num dia para a fundação Isabella Blow, que apoia os jovens talentos. No entanto, seguindo as passadas de mitos como Lord Byron, ela afirma, sempre blasé, "eu abomino o mundo. Tornou-se despido de significado". 



















Fazem-me impressão...



Não se toleram fariseus nem hipócritas,
que Deus Nosso Senhor não gosta...nem eu!
...pessoas que, a propósito de uma porcaria qualquer, de um dito mais cínico ou espirituoso, de uma imagem controversa que apareça - enfim, de trivialidades sem importância alguma, saltam logo, puxam dos galões, desconversam e adoptam, muito graves e muito sérias, a atitude
 " holier than thou". Do inenarrável "sabes lá o que é a vida!" que já aqui foi discutido, às mais rebuscadas discussões ideológicas, tudo lhes serve para descarregar ressabiamentos e traumas de infância e dali a nada, a small talk que começou a propósito do tempo ou de batatas já vai no governo, no capitalismo, no Salazar, no 25 de Abril e na Maria Cachucha. Há gente que gosta muito de se ouvir a si mesma, Deus lhes dê juízo que eu não lhes dou tempo de antena...

Friday, September 7, 2012

Get the look!


Happy birthday mom!




É muito bom ser abençoada com uma mãe que além desse pesado cargo (ser mãe nunca é fácil, e minha ainda por cima..requer coragem) também tem as funções de  amiga, colega de equipa em todos os projectos e aventuras, maior admiradora (mas capaz de dizer " não sais assim de casa"  e de me colocar no sítio, o que também dá muito jeito) inspiração de estilo e talismã.
 Mimos, muitos mimos, é o que ela merece.



Elle dixit: Kate Middleton

"Sinto pelos peplums o mesmo que por Kate Middleton e os collants de pele. Percebo porque existem mas não quero ter nada a ver com isso". 

Elle, Setembro de 2012

Não tenho nada contra a Duquesa de Cambridge, mas não percebo tanto deslumbramento nem tanta graxa por parte de uma certa imprensa e por esta blogosfera fora, em relação a ela e à irmã mais nova. Filha de um self made man casa com Príncipe herdeiro; é bonita, elegante e veste de acordo com a sua recém adquirida posição com a ajuda de profissionais, nem mais nem menos. O povo gosta dela e transfere para ela algum do élan da sogra, que Deus a tenha em descanso. Está geralmente apresentada como deve, com outfits clássicos mas actuais que lhe caem bem, e só não gostei de a ver de encarnado num dia em que todo o protagonismo devia ter sido dado à Rainha. Fora isso, nada de novo. Vitória, vitória, acabou-se a história. Cabeças coroadas e assim assim com estilo é o que não falta por aí... podemos ser um bocadinho mais originais, please?

Os burguesinhos

                                 
Snobismos cada um tem os seus. A definição de snob é amplamente discutida, com várias obras publicadas sobre o assunto, mas quase todos os autores que se debruçam sobre o tema concordam que é algo transversal,  multifacetado, presente em todas as camadas da sociedade - com cada uma dotada dos seus preconceitos em relação às outras "tribos", e mesmo aos seus pares - e  profissões. Um velho ditado reza que " não há ninguém tão snobe como a criadagem". Há formas de snobismo simpáticas, com certa graça ou originalidade - as ideias irreverentes de ícones como Oscar Wilde, Lord Byron ou Baudelaire são um bom exemplo - outras são simplesmente para rir ou desprezar. Em todo o caso, observar a snobbery alheia é sempre interessante, desde que estejamos conscientes de que ninguém está livre dela. Porque a própria ausência de pretensão pode ser uma forma de snobismo...é demasiado complicado. Anyway, um género que infelizmente pulula bastante para os meus lados, e cujo pretensiosismo (falemos sem rodeios: peneiras) não cai de todo nos snobismos com piada é o casal - pequeno-burguês. Os burguesinhos da treta.  É uma praga enjoada e chata, relativamente fácil de identificar, com origens mais ou menos delimitadas - do novo rico ao remediado assim assim -  e vários graus de gravidade. Ressalvo que não pretendo generalizar, nem ofender os leitores que se revejam em algum dos itens aqui explicados: para encaixar na definição é preciso ser azarado o suficiente para preencher todos os requisitos abaixo (e creio que quem encaixa em todos não faz o género de passar por aqui, logo estou a salvo). Ora vamos lá identificar o bicharoco:

Caracterização e modos:

 - Situam-se entre os 20 e muitos e os 40 e picos. Os seus pais, os burguesinhos-mais-velhos, têm maneirismos mais óbvios, um arrivismo mais acentuado e uma parolice mais evidente e genuína. A segunda geração "beneficia"  da burguesice estabelecida, por isso pode dar-se ao luxo de lamber botas de forma um pouco mais discreta e de franzir o nariz a tudo o que vê. 

- Como bons burgueses são infinitamente moralistas, bastante conservadores, respeitáveis e febrilmente politicamente correctos. Defendem tudo o que é "saudável": não fumam, não bebem, são avessos a tudo que soe boémio ou rebelde  e reagem com histeria se alguém se atreve a fazê-lo à sua frente - nem que tenham sido uns gandas malucos na faculdade e toda a gente saiba disso. A desculpa pronta, que santifica tudo? "Agora tenho filhos". Muitas vezes são ressabiados, como seria de esperar...

- Têm uma atracção louca pelo novo, pela novidade, pelas tendências, pelos modismos. Aderem a tudo assim que se torna mainstream, mesmo que no fundo isso não lhes diga nada: há uns anos experimentaram os legumes biológicos, o veganismo e obrigaram as crianças a enfardar leite de soja com Mocambo ao pequeno almoço, agora diz que a carne está in outra vez.

- São incapazes de alguma expressividade, a não ser quando lhes estala o verniz: qualquer dito espirituoso é recebido com desprezo; esforçam-se por falar muito baixinho, com ar enjoado, a encolher as vogais e a soprar as consoantes. Qualquer opinião sincera ou mais arrojada é encarada como subversiva, logo, motivo para pânico.

- Morrem de medo da opinião alheia. Mas nunca morrem, falecem. Morrer é "de mau gosto". Pretendem dar-se ares (por isso falam pelo nariz, tratam os filhos por você e dão-lhes nomes repetitivos, à moda e supostamente tradicionais como Madalena, Tomás ou Matilde, mesmo que nunca tenha havido tal nome na família ) mas são demasiado dados a eufemismos, têm as prioridades trocadas e deixam escapar pérolas como o "fostes; "viestes" ou mesmo "o comer". Usam "sanitas", mas atenção - não pode ser um penico qualquer, tem de ser de designer


   Família e manias:

 Obrigatoriamente, os burguesinhos são casados e têm duas a três crias. Mesmo que não gostem de crianças, elas são um acessório indispensável.
Gostavam de ter mais, como as grandes famílias das revistas do coração, mas o orçamento não o permite e é preciso pensar no custo dos tratamentos de beleza pós parto. 

- Idolatram os filhos ("a menina" e "o menino", nota bene) a quem criam como pequenos ditadores que arrastam para toda a parte e deixam fazer birras a bel prazer: lêem cada novo best seller de psicologia infantil permissiva, adocicada e peganhenta. 


- Tal como os pais o mini burguesinho tem de ter, porque tem de ter, cada novo brinquedo, além de fraldas, cuecas, biberons, chuchas e trapinhos de marca, mesmo que a griffe não seja grande coisa nem de grande qualidade. Os pais burguesinhos também preferem um mau colégio desde o infantário ( a pré, como fazem questão de dizer) e subsidiado pelo Estado, de preferência -  a uma boa escola pública, mesmo que esta fique a dois passos de casa e o colégio onde Judas perdeu as meias porque as botas ficaram para trás. Como não podem pagar um colégio de elite, escolhem um que não é grande coisa só para dizer " o colégio". Nesses antros de educação, os mini burguesinhos aprendem desde muito cedo a atormentar quem não traz calcinhas "de marca" por baixo do bibe e a dizer " o meu pai ganha mais do que o teu".

- Assim que os pequenos nascem, os pais deliciam-se a azucrinar quem os ouve com conversas de vomitado e cocó verde. Quando crescem mais um bocadinho, adoram contar como o tenro prodígio vai para medicina ou tem aulas de mandarim.

- Os seus filhos são inevitavelmente crianças índigo. Quando não são - a tragédia, o horror! - é porque sofrem de hiperactividade.

- "Metem" os filhos no ténis ou qualquer actividade que considerem "fina" (que horror!). E usam imensamente o verbo "meter".




Materialismo e Lifestyle

- Sofrem de um materialismo, arrivismo e exibicionismo desgovernado, ou daquilo que o povo chama "mania das grandezas". Não importa tanto de onde vem o dinheiro (que confundem com prestígio) desde que venha e se exiba. Têm uma contida simpatia pelos chicos espertos. Politicamente, embora lhes fuja o pé para a "esquerdite aguda" (porque cai bem defender os oprimidos em público ao mesmo tempo que se ataca quem tem mais dinheiro do que eles) falta-lhes a coragem para sair do armário. Além de tudo, a esquerda é para os pobres e ser de direita parece mal. Por isso vão mudando consoante lhes convém ou escolhem, gloriosa e radiantemente, a opção partidária mais assim assim que houver. 


- Adoram as estrelas de televisão, acham a Catarina Furtado o cúmulo do chique, conhecem de cor os concorrentes da Casa dos Segredos, mas só o assumem como quem não quer a coisa.

- Baptizam e casam pela Igreja, mas raramente lá põem os pés.

- Procuram copiar os looks "benzocas" que aparecem nas revistas, mas falta-lhes o gosto, o porte e o hábito. Eles parecem betos mal enjorcados; elas usam madeixas, bronzeado e outfits à moda de 2004. Não assumem gostar de feiras, mas passam por lá para comprar artigos contrafeitos que alimentem o seu amor por logótipos.

- Além dos filhos, o carro é o acessório sine qua non, por isso adoooram os leasings.

- Espatifam os desgraçados dos cartões de crédito.

- Descobriram o gourmet e o sushi e não querem outra coisa. Idolatram os chefs e pagam para fazer coisas esquisitas, como cozinhar com eles.


- Pelam-se por ser "urbanos", morar num local da moda e muitas vezes vivem em apartamentos supostamente "chic". Se calha residirem numa moradia, a primeira coisa que fazem é assassinar qualquer árvore num raio de   quilómetros "para não tapar a vista da vivenda" e matar qualquer insecto que se aproxime porque "a menina faz alergia a isto". No entanto, são acérrimos praticantes da reciclagem

- Ouvem as bandas da moda, principalmente as mais batidas na rádio e que as crianças sabem de cor.

- A única coisa mais importante do que as crianças são os amigos: meia dúzia de casalinhos chatos com filhos, iguais a eles, que os acompanham nas férias, no jogging (que praticam na urbanização, a levar com o fumo dos escapes nas trombas) ao ginásio (tem de ser in) e a quem cortam na casaca pelas costas. 

- Em termos de decoração e limpeza, a jovem dona de casa pequeno burguesa é muito exigente: não põe os pés no IKEA, que isso é para o povo, mas adora  A Loja do Gato Preto e similares, como tudo quanto venha de centro comercial (go figure). Velharias, nem pensar. E as tupperwares são uma instituição sagrada, têm de ser mesmo Tupperware senão o caldo está literalmente entornado. Sabe-se lá o efeito que uma taça de plástico barata pode ter na sopa (sem sal, minha gente! Sem sal!) do menino...
 Poupam em coisas parvas para gastar noutras ainda mais parvas: o detergente tem de ser "do bom" mas usado a conta gotas. E ai da empregada (nunca "a criada", que isso é feio) que se atreva a esticar-se com o precioso líquido. Maltratar os subalternos é  apanágio de quem "subiu na vida"...

- Enquanto sobem e não sobem, vão-se juntando a associações locais, para passarem por bons cidadãos enquanto fazem aquilo a que chamam "connects". Perante qualquer figurão, pseudo famoso, ou pessoa "que lhes dê a a mão" desfazem-se em amabilidades, com um servilismo abjecto.

-São doidos por viagens, mas tem de ser um sítio que esteja na moda, se não não tem graça nenhuma contar que lá estiveram. E não "vão à Tailândia ou a Miami". Fazem Tailândia, fazem Miami. Consideram o agente de viagens como um terapeuta de casal e adoram hotéis recentes com "experiências" maçadoras.

- Podem dispensar o queijo e o fiambre, mas o cabeleireiro, jamais: porém, tem de ser um cabeleireiro in, que faça as madeixas 2004 e que tenha montras a toda a volta. Deus nos livre de pagar centenas de euros para não ser vista com uma toalha enrolada na cabeça e o rímel a escorrer pela cara abaixo...







Thursday, September 6, 2012

Sabemos que andamos a blogar demais quando...#2







... construímos mentalmente os posts enquanto andamos pela rua. É como ter o grilo falante a fazer de pegamonstro.
É isso e reparar em todas as coisas giras, horrorosas, disparatadas ou originais que aparecem e pensar "isto dava um texto daqueles".

Já tenho Physalis no jardim...





...at last! Há lá frutinha mais saborosa, mais bonitinha e mais cuti-cuti? E tem muitas utilidades, desde enfeitar bolos a fazer uma compota absolutamente divinal. Agora é torcer para que se desenvolvam à séria os meus jovens tamarilhos, maracujás, groselhas, framboesas e mirtilos...

Das amizades femininas

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Apesar de escolher muito bem as companhias e da minha reserva natural (que me pode fazer parecer menos amigável à primeira vista) sempre tive tantos amigos rapazes como raparigas. Nunca fui a maria rapaz (embora gostasse de brincadeiras que envolvessem artes marciais) nem a menina que só se dá com as meninas. Estava algures no meio e ainda hoje mantenho os mesmos amigos de infância. O conceito de frenemies, de amigas-rivais, soava-me assaz estranho porque tenho muitos defeitos, mas não sei ser invejosa. Fui habituada a acarinhar e elogiar as pessoas de quem gosto e não poucas vezes ouvia meninas ou senhoras dizerem-me muito espantadas " ah! tu fazes com que as pessoas se sintam bem com elas mesmas!" e eu...mais espantada ficava, porque cresci a acreditar que se temos algo de simpático para dizer, escondê-lo não faz de nós superiores aos outros... o que é bonito deve ser elogiado e aquilo que é bonito mas as pessoas não vêem precisa de ser trazido à luz do dia.
Depois de adulta, nunca percebi as mulheres que alimentavam os mitos urbanos "detesto trabalhar em equipas femininas!", "trabalhar para uma chefe, Jesus!" ou "muitas mulheres juntas...credo". É certo que há raparigas que já partem do princípio " só há lugar para uma" e fazem tudo para perpetuar a lenda. São pessoas que competem porque sim, e exigem um grande jogo de cintura ou tornam mesmo a cooperação impossível. Outras, piores ainda, só querem o que é dos outros e envergonham o nosso género. Com essas, não pode haver contemplações - como com todas as más pessoas. Mas em geral, com diplomacia e tacto, procurando deixar cada uma agir à sua maneira e não se ofendendo com qualquer coisa, o barco lá chegava a bom porto. No fundo, não é difícil fazer com que as mulheres se entendam: basta que haja solidariedade feminina em vez de crítica gratuita e que se fale de coisas de que todas nós gostamos. E eu nunca fui forreta quando se trata de partilhar dicas e segredinhos de beleza, de toilettes, de relacionamento. Talvez por isso ache o ambiente da blogosfera tão acolhedor. Decerto existem as invejas, receios e rivalidades de que tanto se fala, mas as experiências boas têm sido muito superiores às menos agradáveis. É muito bom escrever para quem nos compreende, encontrar textos com que nos identificamos e trocar mensagens com "colegas" bloggers e leitoras amorosas...seria a minha maneira de estar um pressentimento do que viria a ser a blogosfera?

Peplum, sim ou não?

Zara combinando quatro tendências deste F/W
num só vestido: peplum, pele, noir e renda. Risky business?
 A revista Elle de Setembro traz um artigo, daqueles que só por si vendem uma edição, sobre as (des)vantagens do peplum e como o usar (ou não). Pessoalmente, tenho uma certa simpatia por esta tendência retro: chegou na cauda da trend dos anos 50 e remete -nos imediatamente para Christian Dior; exige alguma engenharia da parte dos designers e costureiros, obriga-os a trabalhar com materiais minimamente bons (caso contrário, o "folho" não terá efeito) e eu gosto de ver roupa bem pensada, bem construída. Quando aplicado correcta e estrategicamente cria proporções interessantes e dependendo de onde é colocado, pode criar curvas numa figura direita ou dissimular contornos demasiado voluptuosos. No entanto, sendo um detalhe com certo impacto, se mal calculado pode passar de fantástico a desastroso, e por isso tem gerado alguma controvérsia. Cá em casa, por exemplo, há uma certa pessoa que detesta apaixonadamente o peplum:  designa -o de "abanico-saiote-inútil-e-horroroso" e já me fez desistir de um vestido preto que parecia saído de um episódio de e que caía que era um amor (em promoção, ainda por cima). Troquei-lhe as voltas durante uma viagem com um modelo que tem um ligeiro folho lateral. No entanto, sou mais fã deste pormenor em vestidos do que em tops e tratando-se de uma tendência passageira, não sinto grande necessidade de investir em mais do que uma ou duas peças destas. É preciso notar também que algumas roupas que temos visto ultimamente, quando acessorizadas da maneira certa, simulam lindamente um peplum, como a Papoila explica neste excelente post. Quem se arrisca?

Wednesday, September 5, 2012

Jealous guy

                                 

Não sei o que anda no ar mas tenho assistido, nos últimos tempos, a exageros machistas totalmente despropositados. Os leitores que já me conhecem um  pouco sabem que não sou de feminismos -  por isso, para eu reparar é porque a situação está mesmo feia. 


Sim, eu acho que devemos deixar aos homens o seu papel de conquistadores. Dar-lhes razão ou protagonismo q.b. E ser delicadas, subtis e agir com a astúcia tradicional, em vez de nos pormos a gritar, a estalar chicotes e a queimar soutiens. O que defendo é tudo verdade,  tudo muito lindo e viva a lingerie de renda francesa, desde que estejamos a lidar com gente sã e equilibrada. Quando há honestidade de parte a parte, confiança e transparência. Quando assim não é, talvez uma atitude tão diplomática não funcione, e seja preciso despertar a amazona que vive em cada mulher. Ou antes fazer as malas, porque nenhuma pessoa sã consegue gerir um relacionamento com um ciumento empedernido, que desconfia de tudo e procura provas que alimentem as suas expectativas delirantes. 

  Não quero dizer que o monstro de olhos verdes não exista no feminino - há mulheres insuportáveis - mas o ciúme masculino vem de um lugar diferente. 

De um sentimento de posse completa, de uma perspectiva rígida quanto ao que o relacionamento deve ser, de uma inferiorização da parceira relativamente à sua autonomia, discernimento e modéstia. Um homem desse género não vê a mulher que julga amar como um ser humano capaz, nem como um indivíduo com quota parte de responsabilidade e direitos dentro da relação. E isso dá azo a ofensas graves, que ferem a dignidade e minam a confiança no seio do casal. 

A mulher de um ciumento é (na cabeça dele) uma criancinha ou uma desmiolada, incapaz de resistir ao primeiro galanteio que lhe façam. Se põe um vestido um pouco mais revelador -ainda que honesto-  não é para si mesma, mas para os homens com quem se cruza. 

Se a elogiam, é porque ela provoca isso, e tanto ela como quem inocentemente dirige uma palavra amável estão com segundas intenções. Se sai com as amigas, é para o engate. Na mente do ciumento, a sua "amada" não pensa noutra coisa, nem que na realidade, se trate da mais virtuosa das mulheres.  O ciumento vê um rival em cada canto e no fundo, deseja que isso seja verdade para justificar os seus impulsos agressivos. Em alguns casos, se o ciumento sabe que não tem razão ou direito de agir assim, fica-se por insinuações, alfinetadas e quezílias. Não há nada que a companheira possa fazer - justificar-se, explicar, chamá-lo à realidade (sempre ouvi dizer "quem se explica diminui-se").
 Mesmo que caia na asneira de entrar no jogo dele e mudar os comportamentos que o "ofendem", que procure transmitir-lhe segurança, que lhe prove por A + B o disparate daquilo tudo, nada é suficiente. Um pequeno detalhe basta para ele gritar aos quatro ventos "nunca mais confio em ti!" e fazer da paixão o Inferno de Dante. 

São comportamentos de domínio, questões de poder muito  desagradáveis que quanto a mim, nem deviam colocar-se quando duas pessoas estão juntas por livre e espontânea vontade. Uma mulher frágil, insegura, pode conservar uma relação assim à custa da própria felicidade. Já uma mulher forte, com o orgulho e a auto estima no lugar, não tem hipótese - nem quer. Tal como diziam os antigos gregos, " não há amor onde não há confiança". 

Querido bâton: o drama

 De x em x anos - luz, apaixono-me por um produto que se torna insubstituível. E eu não gosto disso, porque já sei que atrai sarilho. Durante muito tempo, foi o translucent red da extinta Gemey (que deixou de se fazer ainda a marca existia com esse nome). Tinha um brilho cristal lindo, super natural - comprei quantos podia e andei a poupá-los até já não ser possível. O OUI-NON da Kookai, que é o que se sabe, foi outro caso; a base adaptável da Bourjois, o primer branco da Galenic e mais recentemente, o Serpentine de Roberto Cavalli, todos me deram o desgosto de sair de cena. Continuidade e confiança do consumidor, anyone? Olha se a Chanel decidisse descontinuar a carteira 2.55, ou o Chanel nº 5. Ou a Hermès acabar com a Kelly Bag. Mas estas empresas não aprendem com quem sabe, ou quê? Depender de um produto específico e conceder-lhe o título supremo de meu kido batonzinho, kida basezinha, kido perfuminho ou kido qualquer coisa nunca acaba bem.  Desta feita foi um bâton  que me ofereceram e que nunca vi à venda por cá: o volume up Margaret Astor nº8, encarnado clássico estilo anos 50 com uma ligeira nuance laranja. Normalmente prefiro os tons morango ou cereja, mais profundos e subtis, mas este escarlate foi amor à primeira vista. A textura é cremosa, espessa mas não demais, confortável, um amor. A cor não é viva ou transparente em exagero, faz exactamente o que quero que ela faça. Por fim, a embalagem é bojudinha e resistente, o que significa que não a perco dentro da carteira com duas lérias. Ainda tenho alguma quantidade mas vai a meio; já procurei por toda a parte e não encontro, é uma chatice. Se souberem de uma loja online que ainda tenha alguns exemplares, please let me know. E vós, meninos e meninas? Costumam depender de um produto com tendência para desaparecer da vossa vida, ou são mais sensatas (os) do que eu?

Hail Freddie: in the lap of the Gods



"I won't be a rock star. I will be a legend".

"I dress to kill, but tastefully".

"I want to lead the Victorian life, surrounded by exquisite clutter".


"What will I be doing in twenty years' time? I'll be dead, darling! Are you crazy?"

Freddie Mercury dixit

Hoje faria anos o meu querido Freddie, o músico mais amado cá em casa e talvez a única pessoa a quem eu poderia chamar "ídolo". Não porque o considerasse perfeito. Era imperfeito à semelhança dos antigos Deuses Gregos, com falhas que lhe davam graça e o tornavam vulnerável como nós. Era genial, carismático, imbuído de um talento divino, de uma centelha que ardeu com demasiado brilho,  demasiado fulgor, e que se apagou cedo demais. Freddie Mercury era uma estrela, porque não sabia ser outra coisa. Tinha o seu quê de Oscar Wilde no discurso, nos gostos, no ambiente que criava à sua volta.  Sendo de origem persa, carregava no sangue a magia dos seus antepassados. Era Virginiano, como eu e a mamã (que foi quem me incutiu a paixão pelos Queen, ainda andava eu à espera de nascer) e embora não acreditasse na astrologia, escolheu o seu planeta regente, Mercúrio, para nom de guerre. Mercúrio, o belo e sagaz mensageiro dos Deuses, protector de artistas e salteadores, o que dá e tira  a sorte, abre e fecha portas e caminhos, o único com permissão para viver no Olimpo e caminhar pelo Submundo, bom e mau, compassivo e maroto, cheio de dualidades e contradições. Também usou os signos de cada elemento dos Queen para criar o brasão da banda, mas só por uma questão de estilo. Divertia-se com a moda, com a astrologia, a arte e a literatura, brincava com todas essas referências, mas não se regia por elas. Não precisava. Era um ser de outro tempo, feito de outra coisa, eterno. Freddie Mercury brilhava com luz própria, bastava subir a um palco ou sentar-se a um piano para que a arte lhe fluísse dos dedos e a voz dos anjos se fizesse ouvir. Só tinha de ser quem era, ora raiando a Lua ora roçando a terra. Talvez tivesse pisado demasiado o chão. E os Olimpianos não gostaram, porque querem perto de si aqueles que amam. Está como sempre esteve, no colo dos Deuses. Dissimulado por uma nuvem dourada, porque é assim que Hermes - Mercúrio gosta de aparecer aos mortais.




Tuesday, September 4, 2012

O "cestinho" de Olivia Palermo




Não sou a maior admiradora de Olivia Palermo, mas é inegável que é bonita e se apresenta lindamente. Nos últimos tempos a it girl não tem largado esta carteira de crochet de Gerard Darel (faz ela muito bem, que as criações desta marca francesa são adoráveis e duram anos).

                
Achei graça porque a minha colecção de carteiras inclui alguns exemplares, de vários tamanhos e tipos, em palhinha, entrançado e crochet  (dos sacos às clutch, incluindo uma envelope que é um amor) que adoro usar no Verão. Curiosamente, há duas que se parecem bastante com este fetiche-bag da menina Olivia. Uma delas foi passear comigo ontem, como podem ver aqui no IS Facebook.  Para quem ainda não tem uma e não deseja investir na Gerard Darel, o modelo da Zara é acessível e fofinho:

                                                            

Verdade do dia: segredinhos

 

"Nada há de oculto

 
que não se torne

 manifesto, e 

nada em segredo que
 
não seja 

conhecido e venha à

 luz do dia." 

                      Evangelho de S. Lucas 8, 17



Até lá, nada a fazer a não ser seguir adiante. Um dia - provavelmente tarde demais, mas as informações por vezes têm esta mania - talvez se conheçam os mistérios que nos intrigaram meses a fio, e tudo pareça simples. Uma vez aberta a caixa de Pandora, uma pessoa pensa "o que eu me chateei por uma treta destas!" ou " bah, agora já não serve para nada, mas enfim". Em todo o caso a quem, como eu, não tem pachorra para enigmas intrincados nem puzzles, só resta, muito queirosianamente, virar-se para a esfinge, ou para o detentor da sabedoria, e gritar-lhe o bom e velho "Fica-te para aí!". Depois é andar para a frente, que atrás vem gente e essas frases assim. 




Michael Clarke Duncan: o Bom Gigante


Michael Clarke Duncan in The Green Mile Vou sentir falta de ver Michael Clarke Duncan na televisão e no cinema. Não seria um actor muito mediático, mas era daqueles que trazem o ingrediente final a qualquer projecto. Antes de alcançar nas telas trabalhou como stripper e segurança de estrelas como Will Smith, tirando partido dos seus quase dois metros de altura e 130 quilos. "Big Mike" era conhecido pelo seu talento (foi nomeado para um Oscar pelo seu papel de prisioneiro com poderes sobrenaturais em Green Mile, filme baseado numa obra de Stephen King) mas também pela bondade e boa disposição que irradiava para todos. Era vegetariano, adorava gatos ( tinha cinco, além de uma chinchila) e participou em várias campanhas da PETA. Numa época em que a bondade está cada vez mais desvalorizada, um só homem bom faz falta. Godspeed.

Monday, September 3, 2012

Será só o meu cabelo...



Que varia conforme as luas nas texturas dos leave in que "prefere"? Há alturas em que adora, porque adora, fórmulas em spray. Agora está na fase dos séruns e afins. Quanto lhe puser, quanto ele absorve e fica maleável, nada pesado e com um brilho que dá gosto ver. Vale-me que já lhe conheço as manhas e tenho sempre alguma variedade cá em casa. Estes dois meninos são insubstituíveis:

A nobre arte de tratar de si primeiro

                    

A avó Tete contava muitas vezes a história de uma conhecida sua, nos nostálgicos anos 50, que lhe ficou como lição. Essa pequena era a esposa perfeita para os exigentes padrões da época: excelente dona de casa, uma cozinheira impecável e muito devotada ao marido, a quem adorava apaixonadamente. Todos os santos dias que Deus deitava ao mundo a jovem orientava as tarefas domésticas e preparava um soberbo jantar com os petiscos preferidos do Chefe de Família. Punha a mesa com requinte e depois, já cansada e a cair de fome, ia embelezar-se para lhe dar as boas vindas. Uma verdadeira Stepford Wife! Por mais esgotada que estivesse, não provava uma migalha até que se sentassem para comer juntos. O marido, no entanto, saíra-lhe um embirrento e ingrato do piorio. Era rara a vez que ao chegar à mesa não peguilhava por isto, quezilava por aquilo, refilava por aqueloutro e provocava a pobrezita da mulher até ela começar a chorar e perder o apetite para as iguarias que tinha preparado com tanto carinho e esmero. Só então, já apaziguado (ou seja, depois de ter descarregado o seu mau humor) é que se sentava a saborear a refeição. Ele andava cada vez mais satisfeito e ela, coitada, a empalidecer e a emagrecer, em tempos que muita magreza não era formosura...
As coisas estavam neste estado quando a mãe da recém casada - senhora sensata e experiente - se inteirou da situação, e a ensinou a contorná-la sem um confronto directo.
 - Quando a comida estiver pronta - explicou - antes de te ires arranjar, tratas de ti primeiro! Come metade do teu jantar. Assim, se quando ele chegar começar a 
infernizar-te, ao menos a refeição já ninguém te tira e tens energia para o enfrentar. E se correr tudo bem, como já não estás com muita fome, ficas na fama de comer como um passarinho, que é sempre coisa que cai bem a uma senhora delicada. Ela assim fez e a partir dali não teve mais problemas. A avó guardou o conselho para seu governo e apesar de ter arranjado um marido que a tratava como uma rainha, tratou de o pôr em prática, just in case. Hoje em dia a dinâmica dos casais já não é a mesma, mas dá sempre jeito saber que (numa relação ou noutra situação qualquer) por mais altruísta, empenhada e carinhosa que se seja, uma mulher não se deve esquecer de si própria. E a máxima "trata de ti primeiro" vale para os homens também. Quem se sente mal, ou fragilizado de alguma forma , não pode cuidar dos seus interesses nem dos dos outros...

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