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Saturday, September 15, 2012

What men do: bad romance

                                     
Dizem que nós, mulheres, somos ardilosas e difíceis de entender. Em defesa das filhas de Eva, há que dizer que os homens fazem coisas bem estranhas e infantis, quando o ciúme e os mal entendidos levam a uma situação de bad romance:

"Desse dia em diante, fiz sofrer a Margarida uma perseguição de todos os instantes (...)  joguei, fiz enfim todas as loucuras (...)  Esta (Margarida) respondia com grande dignidade às ofensas que eu lhe fazia todos os dias. Mas parecia sofrer, porque, em toda a parte onde a encontrava, estava sempre a vê-la cada vez mais pálida, cada vez mais triste. O meu amor por ela, exaltado a tal ponto que parecia transformar-se em ódio, regozijava com o espectáculo dessa dor quotidiana. Muitas vezes, em várias circunstâncias em que fui duma crueldade infame, ergueu Margarida para mim olhares tão suplicantes, que me envergonhava do papel que representava, e estava quase a pedir-lhe perdão. Então as cartas anónimas tinham sucedido às impertinências directas, e não havia infâmias a que eu não incitasse (...) ou que eu próprio não contasse acerca de Margarida. Só um doido podia ter chegado àquele ponto. Achava-me na situação de um homem que, tendo-se embebedado com zurrapa, cai numa destas exaltações nervosas em que a mão é capaz de um crime sem o pensamento intervir. No meio de tudo isso, eu sofria verdadeiro martírio. A serenidade sem desdém, a dignidade sem desprezo, com que Margarida respondia aos meus ataques, e que aos meus próprios olhos a tornavam superior a mim, ainda mais me irritavam contra ela".


   Alexandre Dumas Filho, A Dama das Camélias


Get the look: dandies are back

A temporada Outono - Inverno que se aproxima impõe um luxo quase severo, a lembrar a opulência de tempos remotos, temperada por pinceladas de graciosa decadência. Pretende-se a qualidade, a sobriedade, a riqueza de cores, a perfeição das peças criteriosamente executadas e usadas com uma certa allure. Roupas que contam uma história, formas novas de coordenar modelos que tanto poderiam vir do atelier mais exclusivo como do sótão de um antepassado excêntrico. Viagens por outros tempos e terras distantes vão invadir os nossos armários. A arte regressou à moda. Quem se arrisca?


















Friday, September 14, 2012

Sobre a colecção de Anna Dello Russo...

                                  
Tanto a Su como a Flor expressaram opiniões relativamente a esta colecção, com as quais concordo em parte. Há aspectos e peças, como as serpentes e o toque retro, que vão ao encontro dos meus gostos. Outras são um tanto excessivas. Em geral, porém, não vejo caso para esgotarem num ápice, e digo o mesmo em relação aos colares statement da Zara (sem dúvida muito giros, mesmo para mim que não sou grande apreciadora de bijuteria): pelos mesmos preços - ou no caso da Zara, um pouquinho mais - há peças semelhantes noutras marcas, ou mesmo de melhor qualidade, sem que corramos o risco de ver meio mundo com adereços iguais. Não digo desta água não beberei, mas só aderi às primeiras edições especiais da H&M; todas as outras me pareceram um bocadinho menos cuidadas. Vou esperar para ver e logo vos conto. E as meninas?

What is love?

                                   
Nunca gostei de definições de amor, nem de me aventurar a explicá-lo. Prefiro deixar isso para quem sabe, e Mario Puzo é um dos poucos autores que o fez brilhantemente, ou não fosse ele full blooded sicilian - salvo seja . Haja o que houver, o amor verdadeiro, genuíno, não pode ser confundido com simples afecto. Para ser a sério (por muita sensatez, moderação e temperança que se procure pôr nele) precisa de ser um caso de paixão prolongada. Intenso, excessivo, hiperbólico. Quem não for amada assim, desejada assim, precisa de acordar e ir à procura - qualquer outra coisa é uma pálida imitação. 

" (...) Michael Corleone viu-se em pé, com o coração batendo-lhe no peito; sentiu uma pequena tontura. O sangue circulava aceleradamente através do seu corpo, através de todas as suas extremidades e chocava-se nas pontas dos dedos das mãos e dos pés (...) Parecia que o seu próprio corpo tinha saltado para fora dele mesmo. E então ouviu os dois pastores rirem.

- Foi atingido pelo raio, hein? - Perguntou Fabrizzio, batendo-lhe no ombro. (...) Você não pode esconder o raio. Quando ele atinge uma pessoa, toda a gente vê. (...) Era a primeira vez na vida que tal coisa lhe acontecia. Não era nada semelhante às suas paixões de adolescente (...) isto era um desejo esmagador de posse, era uma impressão indelével do rosto da rapariga no seu cérebro e ele sabia que ela lhe perseguiria a memória em cada dia da sua vida se não a possuísse. A sua vida simplificara-se, focalizara-se num ponto, tudo o mais não merecia sequer um momento de atenção. (...) Sentiu aquela falta de ar, aquela invasão do seu corpo por uma coisa que não era somente desejo mas uma posse louca. Compreendeu pela primeira vez o ciúme clássico do homem italiano. Estava naquele momento disposto a matar qualquer pessoa que tocasse naquela rapariga, que tentasse reclamá-la, arrebatar-lha. Queria possui-la tão selvaticamente como um avarento quer possuir moedas de ouro, tão famintamente como um meeiro quer a sua própria terra. Nada iria impedi-lo de ter aquela rapariga, possuí-la, trancá-la numa casa e mantê-la  prisioneira só para ele. Não queria que ninguém a visse sequer. A família compreendeu logo que era um caso clássico do «raio»..."

                                                       Mario Puzo, `O Padrinho´





O carro à frente dos bois


Sempre me fez confusão ver pessoas a alardear projectos, novidades ou relacionamentos para quem quiser ouvir, muitas vezes quando a procissão ainda vai no adro - ou nem sequer está convocada, quanto mais. As supostas "celebridades" são useiras e vezeiras nisso, mas há muito anónimo que faz o mesmo. Ensinaram-me de pequena a ser cautelosa e máximas como "guarda o melhor para ti", "o segredo é a alma do negócio" ou "se estamos bem ou mal, ninguém tem nada com isso" eram escrupulosamente cumpridas lá em casa. Por isso aflige-me (ou provoca-me um sorriso de troça, conforme) quando vejo alguém a deitar foguetes antes da festa, ou pior, a fingir foguetes. É quase sempre um sinal certeiro de figura de urso a caminho. Ou chamar a má sorte, para quem acredita nisso. Em primeiro lugar, porque quem sente necessidade de publicitar cada passinho que dá ou cada progresso que faz, não está seguro da sua posição - está claramente a dar um passo maior do que a perna, a pisar areia movediça, a por o carro à frente dos bois. E porquê essa atitude de attention whore? Porque precisa de ganhar apoiantes, de marcar território, de "fazer ver", de atirar o barro à parede, de forçar a barra ou de fazer ferro a alguém. Como desprezo basófias, quem o faz está apresentado: é muito ingénuo, um (a) gabarolas sem remédio, está desesperado ou tem medo de alguma coisa e com certeza, não é uma pessoa de confiança. Em segundo, porque manda a etiqueta que em tudo, como nos nascimentos, não se anuncie nada antes de ter três meses de certezas, confirmações e carimbos. Isto recorda-me aquele provérbio árabe muito batido:

Não diga tudo o que sabes
Não faças tudo o que podes
Não acredite em tudo que ouves
Não gastes tudo o que tens
Porque:

Quem diz tudo o que sabe,
Quem faz tudo o que pode,
Quem acredita em tudo o que ouve,
Quem gasta tudo o que tem;

Muitas vezes diz o que não convém,
Faz o que não deve,
Julga o que não vê,
Gasta o que não pode.

Reza brava

                           
O povo português - tal como o espanhol e o italiano - sempre foi muito agarrado à sua fé, a que se misturava, não raras vezes, uma certa dose de superstição, do maravilhoso popular e mesmo das velhas tradições pré-cristãs. Resquícios de crenças pagãs e de ensinamentos mágicos de raiz hebraica ou muçulmana fundiam-se com as práticas da religião oficial - para grande dor de cabeça do Tribunal do Santo Ofício, que procurava obrigar os fiéis, à custa de avisos, multas, ou castigos piores, a abandonar as "diabruras" e "rezas supersticiosas". Debalde: as crendices, magias e rezas misteriosas perduravam no campo, sobreviviam secretamente pelas ruas da cidade, eram sussurradas nos palácios. Os registos da Inquisição portuguesa são uma delícia de ler - e nem sempre os processos acabam assim muito mal, ao contrário do que se pensa. O próprio Rei D.João V teve o seu nome envolvido em processos do género, nas suas aventuras com freiras que por sua vez, recorriam aos serviços de "mulheres de virtude". Muito curiosamente, num deles está rigorosamente explicado " a diabrura não surtiu efeito"(pessoalmente, sempre achei que o senhor dispensava sortilégios e poções...). Nos seus esforços para combater as coisas prejudiciais à fé (e em alguns casos, os burlões profissionais, que sempre houve como há hoje) os responsáveis optavam quase sempre por registar as receitas dos acusados, permitindo que alguns enguirimanços antigos chegassem intactos até nós. Nas aldeias porém, muitas dessas ingénuas práticas nunca se perderam, e foram passadas de geração em geração. É muito curioso, para quem conhece a simbologia por trás das palavras, observar como alguns elementos se mantêm intactos desde a noite dos tempos e como símbolos velhos como os montes continuam a ser usados, embora as "rezadeiras" não tenham a mínima ideia do seu real significado. As benzelhices, benzeduras e rezas bravas davam um estudo em si mesmas, e algumas são bastante cómicas, tanto no propósito como na fraseologia. Deixo-vos uma, simples e transversal, para antes de sair de casa, a atropelar os princípios de perdão do Novo Testamento (que nestas coisas, o povo não brinca em serviço):

                                                    Bons olhos me vejam
                                                    Maus olhos não vejais
                                                    Caia tudo em vós
                                                    O mal que a mim desejais.


A Princesa Badagaio

A propósito do texto de ontem lembrei-me de uma personagem do meu segundo livro, Crónicas dos Reinos Encantados (2007) que era o protótipo da Mulher da Luta: a Princesa Badagaio. Era a vilã, claro, e fez sucesso junto dos meus leitores jovens nas escolas, como é apanágio das personagens trapalhonas e não muito espertas. Confesso que eu própria, à força de tanto falar nela, acabei por ganhar um certo carinho pela criatura, de quem deixo um esboço aqui:

Para caracterizar a personagem, baseei-me em alguns espécimes que conhecia, e não precisei de inventar assim muito. Rabugenta e desleixada, mas muito determinada, a Princesa Badagaio faz de tudo - sem olhar a meios - para conquistar (e conservar) o seu Príncipe, o Imperador Alexandros, que por sua vez está apaixonado pela bela e romântica Rainha Shane. Ameaças, chantagem, planos infalíveis, cenas de ciúmes, escandaleiras, magia negra, tudo é pouco para alcançar o seu objectivo. Passa a vida a correr atrás dele, a persegui-lo, a espiá-lo, a viver em função de cada passo que ele dá e como todas as Mulheres da Luta, vive permanentemente à beira de um ataque de nervos. Como vê que assim não tem sorte, esforça-se por disfarçar, por mostrar uma aparência zen, de mártir que aguenta tudo e faz tudo por amor. O que destrói o pouco juízo que lhe resta, porque ninguém aguenta representar o tempo todo. É uma triste. Não pensa em viver a sua vida, não se apercebe que há mais príncipes encantados ao cimo da terra, nem se preocupa em cuidar da sua aparência para atrair o amor naturalmente.  Faz da sua vida (e da dos outros) um inferno. É certo que o Imperador Alexandros também não é flor que se cheire, e encaixa no género Homem Cenoura ou Homem Tofu. Não sou boa a criar personagens perfeitinhas, que havemos de fazer? Felizmente, na vida real só me rodeio de pessoas normais e sãs de espírito. É a minha sorte, porque nunca gostei de cenas desse género e embora não seja uma pessoa violenta, em caso de necessidade não luto como uma menina, não. Há que contrariar o estereótipo...
Vide aos 9:30 do vídeo. Ribeirinho dixit: "Eu devo ser muito bonito!"
                           
 Enfim, para fechar o ciclo das mulheres da luta (que davam um bom motivo para uma colecção de t-shirts) quis encontrar um vídeo que caracterizasse a espécie, que mostrasse exemplares em acção, ao melhor estilo National Geographic. Infelizmente, e depois de muito procurar, concluí que foi uma missão impossível: todos os vídeos de raparigas à pancada por causa de um homem acabavam da mesma maneira: com as mulheres sem roupa, sensualmente à pantufada para gáudio do homem-troféu, que assistia à cena deliciado, sem sofrer um tabefe que fosse. O sonho de qualquer machão -alfa, pois, e realmente ilustrativo: o objectivo, o sonho, a realização suprema de qualquer mulher da luta é agradar ao seu homem (expressão horrorosa!) nem que isso implique sujeitar-se a cenas muito pouco decentes e ser muito amiguinha (cof, cof) da pior inimiga. Como isto é um blog lido por senhoras, abstenho-me de mostrar sequências menos elevadas. Escolho assim, uma das melhores catfights da história do cinema, protagonizada pela grande Laura Alves. Um clássico! Reparem no vídeo aos 9:30 minutos. PricelessLuta luta, Badagaio, luta...

Thursday, September 13, 2012

Fujam do Homem Cenoura!


E quem vem a ser o Homem Cenoura? Ao contrário do que possa parecer, não é um homem ruivo, embora haja Homens Cenoura do tipo céltico, assim como os há de todas as cores e feitios. Este espécime caracteriza-se por, com ou sem motivos, achar que é um partidão, a última água do Luso no deserto, um bilhete premiado do euromilhões, o último pacotinho de sal nos bastidores de um desfile cheio de modelos esfomeadas, enfim, percebem a ideia - considera-se um must-have, e por isso mantém um exército de admiradoras, ex namoradas, amigas coloridas, amigas que querem ser amigas coloridas, amantes e ex amantes a gravitar à sua volta a ver se cola, para além de uma entourage de amigos do croquete metediços.  Ou seja, comporta-se perante as mulheres como uma cenoura diante de uma carroça, para fazer andar a cavalgadura. Vulgo "olhem para mim, sou um prémio, sou um troféu, disputem-me".
Como adora ser adulado, é  perito em jogar com as ambições alheias, sendo um dos principais produtores de mulheres da luta. Precisa de massagens ao ego em dose diária, porque é um inseguro de primeira que na realidade não gosta de ninguém, nem confia na própria sombra. Por isso, embora ofenda regularmente a sua corte de admiradoras com desfeitas, despiques e brincadeiras de mau gosto - e seja, por sua vez, alvo das intrigas, intromissões e catfights que elas arranjam - prefere não cortar relações com nenhuma, para não ver diminuída a sua colecção de cromos. É um verdadeiro Ás da manipulação, que arranja sempre maneira de ninguém se chatear definitivamente com ele. Assim, vai mantendo uma série de groupies a gravitar à sua volta, salivando pela sua oportunidade de serem "escolhidas" e talvez - oh, a glória, a felicidade suprema, o plano de reforma - serem a sua eleita. Ver as groupies a esgatanharem-se por causa dele faz o Homem-Cenoura ganhar o dia. Nada o diverte tanto como uma mulher ciumenta, ou humilhada, a perguntar "ficou chateadinho comigo?" na esperança de ter mais uma tentativa de dar o golpe. Por fim, uma nota de cautela - por vezes, um Homem Cenoura pode disfarçar muito bem, fingir-se tímido e discreto, e só revelar a verdadeira personalidade quando acha que a parada está ganha. Pior ainda, um homem normalíssimo pode, de um momento para o outro, transformar-se num Homem-Cenoura, ao melhor estilo lobisomem. Em ambos os casos, é uma surpresa muito desagradável. Felizmente, uma mulher sensata, mesmo que tenha o azar de se envolver sinceramente com um, esquece rapidamente esse infortúnio: ao contrário dos bicharocos de quatro patas com talas nos olhos, quem é racional sabe que há mais cenouras na terra (ou no supermercado mais próximo).

Loulou de La Falaise: três gerações de estilo

Rebelde, boémia, exótica, senhora de uma inteligência de estilo insuperável e de uma elegância inata, Loulou de La Falaise (1948-2011) foi um ícone de moda e uma das principais musas de Yves Saint Laurent, que se inspirou nela para criar peças incontornáveis como as blusas transparentes e o smoking masculino. Após uma juventude selvagem, com a expulsão de dois colégios de elite, conheceu o genial criador no não menos icónico Studio 54, em Nova Iorque, para onde se tinha mudado em consequência divórcio dos pais. A associação entre os dois foi muito próxima a partir daí e Loulou - modelo, editora, artista, criadora de moda, jóias e acessórios - inspirou o mestre com o gosto peculiar e original que imprimia em cada look. Filha de um fidalgo francês, o  Ecuyer Alain R. Le Bailly de la Falaise, e de Maxime Birley (nome de casada, Maxime de La Falaise) manequim de Elsa Schiaparelli,  Louise Vava Lucia Henriette Le Bailly de La Falaise, de seu nome de baptismo, tinha o estilo - e a extravagância - no sangue. 
Lady Rhoda, avó de Loulou
Maxime Birley, mãe de Loulou
A sua mãe, beleza anglo irlandesa apelidada como "a única inglesa chic da sua geração" modelo de sucesso nos anos 50, designer e fashionista, teve uma vida tumultuosa. Criativa, aventureira, Maxime de La Falaise era filha de Sir Oswald Birley (pintor de retratos apreciado pela Família Real Inglesa e por Winston Churchill) e de uma excêntrica beldade irlandesa, Lady Rhoda. Foi colaboradora da Vogue americana, onde partilhava as estranhas e exóticas receitas culinárias que aprendera na casa materna. Max Ernst, Andy Warhol e Diana Vreeland eram algumas das celebridades de quem foi íntima, decerto atraídas pelo seu estilo original e indomável: em pequena, Lady Rhoda vestia-a com " uma mistura de roupas que trazia da India e `tralhas´oferecidas por Elsa Schiaparelli" que enchiam de espanto os colegas dos colégios internos para onde era recambiada de quando em quando. Ficou-lhe a inspiração, mas também uma marca indelével nas suas emoções: Maxime era incapaz de se dedicar a um amor só. Irrequieta, o casamento com o pai de Loulou falhou ao fim de incontáveis affairs escandalosos. Era um espírito livre, em permanente mudança, em constante movimento, sempre em busca da próxima aventura que a vida tinha para lhe oferecer. 

  Três mulheres excepcionais, com vidas extraordinárias...e a prova de que o estilo pode, definitivamente, ser herdado.
                              Foto:  Marisa Berenson and Loulou de la Falaise in 1974.
                                    Loulou de la Falaise com Yves Saint Laurent e Marisa Berenson

Wednesday, September 12, 2012

O que vai na minha cabeça neste preciso instante


 CAMPAINHAS! OUÇO CAMPAINHAS! Ringalim, ringalim, explosão galáctica do tico e do teco. Ou um faniquito prestes a tornar-se oficial. Durmam bem, meus bravos, que eu vou tentar fazer o mesmo.

What not to wear: curvy girls

                                                             
Lara Stone
Esta semana falou-se aqui de curvas, a propósito das "novas" silhuetas deste ano e do Festival de Veneza. Se esta tendência é mais amigável para as mulheres, não abafando nem estrangulando as formas naturais - que, mais magras ou mais rechonchudas, e em diferentes biotipos, a maioria das raparigas tem - também é verdade que é preciso saber tirar partido das que existem ou  simulá-las correctamente. Como uma imagem vale mais que mil palavras, vamos ver alguns exemplos de celebridades de vários tamanhos, e os seus erros e acertos. Escolhi estrelas com figura de ampulheta, que é a mais clássica e a que está presente nas colecções de Inverno.


Kylie Minogue



É uma ampulheta magra, como Brigitte Bardot e Raquel Welch, com formas perfeitas e  pernas longas apesar da pequena estatura. No entanto, mesmo quando se é tão bem proporcionada, há que ter algumas cautelas.




Fabulosa:











Cortes e moldes em tecidos firmes que abracem o corpo e realcem a cintura, decotes que exponham os ombros e a clavícula, deixando "respirar" o colo,  e saias que mostrem as partes mais longas da perna permitem ter o melhor dos dois mundos: curvas e uma silhueta esguia.


Não tão fabulosa:

Tecidos demasiado coleantes, pouco consistentes e  sem forro, ou por outro lado, muito rígidos, são ideais para figuras rectas mas não favorecem quem tem busto, cintura e anca vincados- até em figuras pequenas, como a da Kylie. Uns marcam demasiado as formas e acrescentam centímetros; os outros escondem-nas, dando a impressão de um bloco. A altura da saia também é uma escolha delicada de se fazer, mas em geral um palmo acima ou abaixo do joelho é uma opção mais segura. Os franzidos laterais, como na imagem da esquerda, fazem a saia blusar e subir de forma pouco estética: só se adequam a quem quiser ganhar volume na zona das coxas, e mesmo assim...


Lara Stone

As suas curvas tomaram de assalto a indústria da moda, a fazer lembrar as top models dos bons velhos tempos. No entanto, mesmo um corpo tão perfeito pode ficar um pouco sem graça com o vestido errado.





                      Fabulosa




                                          Não tão Fabulosa
Com o contraste entre a cintura e o busto desaparecido no meio da toilette que "dança" por ali, Lara parece uma rapariga gira, mas normal. Os tecidos "molengões", que não se seguram no lugar, e os cortes demasiado relaxados não são amigos de quem tem formas curvilíneas. Um vestido fluido precisa de ser calculado ao milímetro para funcionar num corpo destes.


Eva Longoria

Uma ampulheta petite, Eva é tão magrinha e bem feita que pode vestir praticamente tudo. No entanto, a diferença entre o maravilhoso e o assim- assim depende de pequenos quês.

Fabulosa:


As aberturas portrait, Bardot, em V e em barco são extremamente favorecedoras, realçando o colo, a clavícula, o pescoço e o busto. Mais vincada, como no vestido preto à direita, ou num modelo mais fluido, a cintura nunca deve ficar escondida. E mesmo que pareçam leves, os materiais devem ter espessura suficiente para não revelar mais do que o essencial.

                                    Não tão fabulosa:




Tentar arrumar uma ampulheta dentro de um rectângulo nunca resulta bem. O vestido da esquerda esborracha o peito, assentando desconfortavelmente perto das axilas e criando uma figura direita: a cintura e o busto desaparecem. As malhas, salvo as bem forradas, também não são elogiosas para as áreas mais arredondadas do corpo. Quanto às alças fininhas, devem apoiar-se no limite dos ombros, jamais a meio - isso achata-os visualmente. 
Os modelos trapézio ou flapper, mesmo que não fiquem mal - como é o caso aqui - dissimulam os contornos do corpo: são úteis para quem tem alguma coisa a esconder ou para criar volume numa silhueta direita, mas num corpo assim, a não ser para quem está de esperanças, há que evitar tais desperdícios. 

Kim Kardashian

Goste-se ou não do seu estilo, a verdade é que a socialite tira partido de uma figura de ampulheta generosa e sui generis. Consegue parecer bastante elegante trabalhando com o que Deus lhe deu, mas numa silhueta tão sinuosa a fronteira entre as curvas bonitas e as abundâncias exageradas -  ou entre o sexy e a vulgaridade -  é muito pequena.

              


                    Fabulosa:
Sheath dresses, jerseys de tecido firme, decotes amplos, assimetrias na diagonal, jumpsuits de qualidade e pinças no lugar certo nunca falham. 
                             
                                      Não tão fabulosa:
Além da atenção aos tecidos, que não devem ser muito coleantes nem de malha  brilhante, um bom soutien é essencial quando se tem um busto volumoso. Com o vestido verde acima do joelho, o calçado devia descobrir o tornozelo e acrescentar sustentação na parte frontal do pé. O mesmo vale para o vestido preto: os sapatos parecem minúsculos em relação às ancas e cortaram a altura da perna. Há demasiada informação e quando se cobrem os ombros, é preciso "libertar" o resto da figura. É necessária alguma cautela para que os cintos largos não fiquem demasiado próximos do peito. Por fim, mulheres com busto generoso não ficam favorecidas com o cabelo tão colado à cabeça - esse é um estilo mais adequado a figuras boyish ou atléticas. A toilette preta teria ficado fantástica com um apanhado volumoso, peep toes compensados e um cinto mais pequenino. Este tipo de mangas, no entanto, favorece quase todas as silhuetas.

Salma Hayek

Tem um corpo do outro mundo, mas repito o que disse: Mulheres com figura de ampulheta não devem permitir que o tecido se afaste demasiado do corpo. Se isso acontecer, as partes mais esguias deixam de estar visíveis e a figura parece um bloco, todo do tamanho das zonas mais largas. Numa silhueta assim, o contorno e a definição são tudo: a toilette não precisa de ser ultra justa, mas os efeitos balão (salvo nas saias) são de evitar.

Fabulosa:

Não tão fabulosa:

                        Enough said. Parece uma pessoa magrinha com uma pipa vestida...

Christina Hendricks
É uma deusa das curvas plus size e uma inspiração para milhões de mulheres. Mas já se sabe: grandes curvas, maior atenção à qualidade dos tecidos e à distribuição de brilho e volumes. 

Fabulosa:



Não tão fabulosa:
Numa silhueta de contornos tão definidos, a roupa tem de condizer. O look desleixado e os modelos que caem "à toa" sobre o corpo são perigosos. Curvas também pedem algum glamour e um ar composto, porque o factor "selvagem" já lá está...





E por fim, uma senhora que é quase imaculada: Eva Mendes. (Gostando mais ou menos dos seus looks, acho que nuca a vi com nada menos que perfeito para o seu corpo...)

Eva Mendes - Lancia On The Red Carpet At The 5th International Rome Film Festival: October 30, 2010





























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