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Saturday, September 29, 2012

Filme da noite: Palhaços Assassinos


                           
Hoje veio-me à memória uma grata recordação de infância: um daqueles telefilmes de terror despretensiosos, muito kitsch e muito engraçados, recheados de humor negro, que por vezes passavam na RTP: Killer Klowns from Outer Space. Não era muito assustador, mas eu adorava-o e assim como assim, sem ter fobia a palhaços como algumas crianças, sempre lhes achei o ar sinistro de quem está a tramar alguma.  Talvez porque nunca gostei de engraçadinhos, apesar de não desgostar de circo, pelo menos do circo desempenhado por bons artistas...os circos da vida real, esses são outra história. Anyway, estes palhacitos malvados, de grandes dentes, eram um spooky pleasure para mim, o meu irmão e os meus primos. Era o máximo ver como lançavam o pânico na pequena cidade e transformavam as pessoas - principalmente as mais idiotas - em casulos de algodão doce para as devorar com uma palhinha, como se fossem um milk shake. A ideia dos autores nunca foi fazer uma grande filme (isso soube mais tarde, quando apareceu a internet...) mas conseguiram um trabalho divertidíssimo, a que juntaram uma banda sonora inesquecível. Alguém se recorda?


Eu embirro com...a palavra "miga"

                              
                                                           "Migas" só destas...

Acho ridículo, pronto. Complica-me com os nervos. Usar "amiga" para se dirigir à dita, sem um "minha querida amiga" ou coisa assim, ainda passa. Agora "miga", "miguinha", "migucha" e coisas semelhantes só é superado, em patetice e foleirada, pelo inenarrável "môr" ou o inconcebível "paixão" ou "babe" que muita gente usa para se dirigir à cara metade. É quase um atestado de pinderiquice automático. "Miga" não existe, a não ser numa conjugação do verbo "migar" (cortar aos bocadinhos) muito usado pelo povo, ou  então, nas MIGAS, que vão fazer parte do meu jantar hoje. Nunca hei-de entender porque é que tendo nós uma língua tão bonita, as pessoas arranjam expressões tão feias.

A (pouco) nobre arte de ser patética - em sete lições


                              
Há mulheres que não só causam aborrecimentos às outras como dão mau nome ao belo sexo. Raparigas assim só têm dois possíveis objectivos: arranjar um marido, qualquer marido (desde que preencha o requisitos mínimos e que lhes dê troco) ou conquistar um determinado homem por quem acham que se apaixonaram (ou que lhes dá jeito por outras razões) mesmo que já lhes tenham dito, demonstrado e comprovado por A+ B que não têm hipótese. Para governo dos homens (que assim ficam avisados contra este género) e das mulheres (não vá uma pessoa fazer figuras de urso sem querer) aqui fica uma breve lista para profiling. A mulher-tapete, histérica e patética pode vir em vários formatos (pretendente perseguidora, ex-namorada, ex-mulher, eterna amiga colorida que não se conforma com o papel, etc) mas o seu comportamento reconhece-se claramente:

1- Por mais desfeitas que lhe façam, está sempre disponível. Ele cancela no Sábado, aparece atrasado no Domingo, sai com outra à descarada na Segunda, mas a mulher patética aproveita cada oportunidade como maná caído do céu. Se depois de duas semanas a portar-se pessimamente ele lhe mandar um SMS a dizer "queres vir ao cinema daqui a 10 minutos?" ela vai, nem que seja de pijama ou que precise de cancelar os planos que fez entretanto.

2- Põe o carro à frente dos bois: manipula o rapaz para lhe apresentar os pais, para que a leve a todas as reuniões de família (principalmente hospitais e enterros, para melhor servir de ombro) e à primeira oportunidade anuncia ao mundo, via Facebook, que estão comprometidos, mesmo que ele não pareça entusiasmado nem lhe tenha formalmente pedido namoro. E movimenta amigas e familiares para fazer Like e manifestar o seu apoio com frases do género " tu mereces, depois de tudo o que sofreste por ele" sem reparar que só embaraça o pobre coitado. Quando corre mal é uma vergonha, mas não aprende e repete a graça à primeira oportunidade. Mais do que construir uma relação, importa-lhe a opinião dos outros e marcar território. Essa é a sua obsessão: parecer mais íntima do que é, agarrá-lo sempre que pode, fazer-lhe festinhas à frente das outras, para que percebam " este é meu". "Prender", "agarrar" e "conquistar" são os seus verbos preferidos.

3 - Como não o seduz pelos seus encantos femininos, recorre a outras técnicas: está sempre à mão para o ajudar com qualquer trabalho ou tarefa chata, engraxa-lhe os amigos (os aliados dão sempre jeito) vai visitar a avó dele ao lar de terceira idade (nem que lhe apeteça estrangular a velhota) faz de baby sitter para os irmãos mais novos (por muito que deteste crianças) e está constantemente a convidá-lo para aqui, para ali e a perguntar como ele está. Acha que para conquistar um homem tem de se tornar indispensável. Desconhece o conceito "antes desejada do que aborrecida" e que se ele quiser uma assistente contrata uma, não vai casar com uma.

4 - Desenvolve uma série de tácticas para lidar com as rivais (ou com as mulheres que encara como rivais). Se são pouco inteligentes, adopta a técnica " mantém os amigos perto, e os inimigos mais perto" ou seja, torna-se amiguinha delas por mais que lhe doa. É capaz de acompanhar o ex e a nova conquista num fim de semana com amigos, fazendo o papel "eu já ultrapassei a separação; somos bons amigos e só quero que ele seja feliz" enquanto se morde de raiva às escondidas. Faz tudo para ganhar a confiança da rival ou rivais e assim, na  primeira oportunidade, pode usar as informações que obteve para as eliminar. Se lhe parecem mais perigosas, enceta uma campanha de provocações e maledicência na sombra, usando todos os trunfos, intrigas e aliados que conseguiu reunir.

5- É macaca de imitação,  incapaz de originalidade, e ferozmente competitiva. A rival aparece de vestido curto? Ela usa uma micro saia, mesmo que lhe fique um horror. Tira o casaco porque está muito calor numa festa? Ela tira a camisola. Se estão a conversar, faz tudo para provar que é especialista nisto e naquilo, ou para chamar a atenção. Em casos extremos da "doença" é capaz de copiar o estilo das mulheres que detesta - nunca para melhorar, mas sempre no sentido de provocar ou "fazer ferro". Em geral, estas mulheres são tão obcecadas pelos outros que se esquecem de si, e  bastante desleixadas (estatisticamente falando, pela amostra que me foi dado ver). Quando começam a tentar embonecar-se (muitas vezes com resultados desastrosos) é mau sinal.


6- Acredita em duas máximas: "com paciência tudo se consegue" e " agarra-o antes que ele tenha tempo de acordar". Ou seja, aguenta o tempo, as afrontas e os ciúmes que forem precisos e à primeira chance que tiver para se aproximar (se ele estiver solitário, a superar uma separação, doente ou fragilizado) aposta numa falsa meiguice e humildade. Assim que o vê minimamente disponível, faz o que pode para o comprometer, quanto mais rápido melhor e publicamente, para que ele não tenha tempo de reagir nem descaramento para voltar atrás com a palavra dada. Viver com um homem contrariado que está sempre a suspirar por outras? Who cares?

7- Recorre à família (é preciso uma família a condizer para criar um ser destes) para ajudar na campanha de engraxamento. Se o pai é dentista, oferece-se para tratar o namorado em potência e a família toda de graça, por exemplo. Se vende automóveis, o rapaz passeia-se num bólide antes de um credo. É um grande empresário? Oferece-lhe sociedade. Este tipo de mulher não descansa enquanto as duas famílias não convivem alegremente, com laços que seja "chato" ou inconveniente quebrar com duas lérias. 

Quantos de vocês já tropeçaram em  alminhas assim?










Canção do dia: Lord Randal, ou o amor venenoso

Arthur Hugues, La belle dame sans merci
Lord Randal, ou Lord Randall, é uma balada anglo-escocesa medieval, uma das mais antigas em língua inglesa e uma canção que adoro, mas que andou arredada da minha memória por demasiado tempo. Acredita-se que seja baseada num episódio do século XIII. É uma canção de amor, assim parece ao início. O jovem e belo senhor chega ao seu castelo, cansado da caça e queixando-se à mãe que o interroga, preocupada, de "dores de amor".  Como todas as mães, a de Lord Randal não descansa enquanto não descobre a história toda. Ficamos assim a saber que houve um rendez-vous apaixonado nos bosques e que a amada, por motivos não explicados, o terá envenenado. Se o "veneno" é literal ou uma metáfora fica à nossa imaginação, mas a inspiração para a trama terá sido Lord Randolph, 6º Conde de Chester, que morreu em 1232, alegadamente envenenado pela esposa amantíssima. Lord Randal é, pois, uma murder ballad, embora mais romântica e menos assustadora do que outras no seu género. Os versos prosseguem com o infeliz protagonista cada vez mais enfraquecido, a fazer o seu testamento. À mãe deixa o gado, à irmã ouro e prata, ao irmão as suas terras e domínios, e ao seu "verdadeiro amor", "fogo e inferno". Assim acaba a história, sem sabermos se Lord Randal sobrevive e se esta "belle dame sans merci" é culpada ou inocente. Pessoalmente, imagino sempre um final feliz para o enredo, e que a "dor de amor" não passou disso mesmo...



"O where ha you been, Lord Randal, my son! 

And where ha you been, my handsome young man!" 
"I ha been at the greenwood; mother, mak my bed soon, 
For I'm wearied wi hunting, and fain wad lie down."

"An wha met ye there, Lord Randal, my son? 
An wha met you there, my handsome young man?" 
"O I met wi my true-love; mother, mak my bed soon, 
For I'm wearied wi hunting, and fain wad lie down."

"And what did she give you, Lord Randal, my son? 
And what did she give you, my handsome young man?" 
"Eels fried in a pan; mother, mak my bed soon, 
For I'm wearied wi hunting, and fain wad lie down." 

"And wha gat your leavins, Lord Randal, my son? 
And wha gat your leavins, my handsome young man?" 
"My hawks and my hounds; mother, mak my bed soon, 
For I'm wearied wi hunting, and fain wad lie down." 

"And what becam of them, Lord Randal, my son? 
And what becam of them, my handsome young man?" 
"They stretched their legs out and died; mother, mak my bed soon,
For I'm wearied wi huntin, and fain wad lie down." 

"O I fear you are poisoned, Lord Randal, my son! 
I fear you are poisoned, my handsome young man!" 
"O yes, I am poisoned; mother, mak my bed soon, 
For I'm sick at the heart, and I fain wad lie down." 

"What d'ye leave to your mother, Lord Randal, my son?
What d'ye leave to your mother, my handsome young man?"
"Four and twenty milk kye; mother, mak my bed soon,
For I'm sick at heart, and I fain wad lie down"

"What d'ye leave to your sister, Lord Randal, my son?
What d'ye leave to your sister, my handsome young man?"
"My gold and my silver; ; mother, mak my bed soon,
For I'm sick at heart, and I fain wad lie down"

"What d'ye leave to your brother, Lord Randal, my son?
What d'ye leave to your brother, my handsome young man?"
"My houses and my lands; mother, mak my bed soon,
For I'm sick at heart, and I fain wad lie down"

"What d'ye leave to your true-love, Lord Randal my son?
What d'ye leave to your true-love, my handsome young man?
"I leave her hell and fire; mother, mak my bed soon,
For I'm sick at heart, and I fain wad lie down"

Red, red wine...


...and past times with good company têm o condão de me cansar. Vamos preguiçar frente   a um chá com especiarias, que a noite está de chuva - amanhã há mais pois é Sábado, benza Deus. Bon weekend, queridos e respeitáveis amigos .

Friday, September 28, 2012

Coisas que me irritam nos portugueses #2 : anúncios de emprego ridículos

                                   
Este post podia inaugurar outra categoria - "Que desgosto, o meu país é pelintra" mas a tristeza já é tanta que mais vale usar o eufemístico "pimba", que dá para tudo. Os anúncios de emprego em Portugal (na sua maioria pelo menos) são matéria para estudo e dizem imenso da mentalidade pelintra e chica-esperta do português. Todos sabemos que Portugal vai mal e ser "remediado" ou andar falido não é vergonha nenhuma, é coisa que se resolve. Mas ser pelintra é outra coisa, e não tem cura. Se juntarmos a isso não ser pobre a pedir e querer galinha gorda por pouco dinheiro, como diz o povo, isso já é desfaçatez. E pobreza sem dignidade é a coisa mais miseranda que há. Há tempos referi as empresas que vivem à custa de estagiários, e que de tempos a tempos lá colocam um anúncio a pedir mais um. (Se soubessem a imagem de ursos que passam cá para fora eram mais discretos, mas como não pagam a ninguém não serei eu quem lhes dá conselhos de comunicação gratuitos...). Tão más como essas são as que exigem este mundo e o outro num anúncio de emprego, sem se ralar em explicar o que oferecem. Ora vejamos um anúncio típico de uma empresa inglesa:



Location:
London
Distance:
0 miles
Salary:
£30000 to £40000 per annum
Date posted:
18/09/2012
Job type:
Permanent
Company:


A vacancy has arisen for an Account Manager specialising in legal PR at an award-winning consultancy. The Account Manager will have day to day responsibility for running accounts, looking after an exciting portfolio of professional services clients, including international law firms, leading regional law firms....


Tudo explicadinho, a começar pelo ordenado, que é para uma pessoa saber exactamente se interessa candidatar-se ou não. Afinal, não vamos fazer perder tempo aos Recursos Humanos, gastar horas preciosas e dinheiro na deslocação para uma entrevista, eventualmente noutra cidade, e só no final - timidamente, como se estivéssemos a cometer um crime - perguntar quanto é que pagam. Agora vejamos um anúncio comum em Portugal:



Pretende-se pessoa criativa, polivalente e dinâmica
Com experiência em assessoria de comunicação, press, marketing e relações públicas .
Forte sentido de argumentação, capacidade de trabalhar sobre pressão, grande sentido de responsabilidade e liderança.
Flexibilidade total de horários (inclusive fins de semana), e aptidão para comunicar.
Carta de condução
Responder só se cumprir estes requisitos.

Empresa: Anónimo
Local:
Tipo: Full-time;

Ou este ainda:

web marketing e social media (m/f)

Agência de Publicidade procura um profissional em Web Marketing e social media, que se enquadre dentro dos seguintes requisitos:
Perfil pretendido
– Formação superior em Marketing, Publicidade, Comunicação ou Gestão.
– Mínimo de 2 anos de experiência em funções semelhantes.
– Excelentes conhecimentos de digital marketing e social media.
– conhecimentos da plataforma Syncapse (importante)
– Perfil proactivo, com elevada capacidade de análise e de apresentar soluções criativas, inovadoras e que acrescentem valor.
– Domínio da língua Inglesa
– Disponibilidade para viajar.

Principais responsabilidades e funções:
– Definição da estratégia digital de uma carteira de clientes, com especial destaque para a componente de social media (principalmente facebook).
– Terá também que apresentar soluções ajustadas às necessidades dos clientes, sendo responsável pela definição e implementação de campanhas.
– Gestão diária de páginas de facebook
– Reporting do meio digital

Empresa: Anónimo
Local: Lisboa

Isto quando não utilizam o verbo "exige-se". Exige-se viatura própria (say what?exige-se domínio de inglês, espanhol e russo; exige-se licenciatura/mestrado na área XPTO;
 exige-se disponibilidade total; exige-se excelente apresentação (com essas condições terão sorte se contratarem um camafeu). Algumas lá têm a lata de publicar um ordenado pequenininho, acompanhado de uma medonha lista de responsabilidades, expectativas, condições EXIGIDAS, não se esqueçam, que isto é gente que se dá ao luxo de exigir muito, e diplomas de virtude. E poucas vão sendo as que colocam, ao menos, coisas do género "pacote salarial atractivo" (comparado com quê?) "regalias" (não será "direitos"?) como quem diz: exigimos o que nos der na fantasia e levantem as mãos para o céu se vos dermos emprego nesta baiuca miserável a que chamamos empresa. Das duas uma: ou trabalham muito mal, ou comunicam muito mal e precisam urgentemente de quem vos assessorize. Mas isso custa dinheiro, certo? E a crise não é desculpa para todo o descaramento de que se lembram. Pelo menos imaginação não lhes falta...

Less is more, sempre

Ontem vi passar uma senhora que é um bom (mau) exemplo de um estilo que já mencionei, e que se vê bastante num certo círculo cá nas minhas bandas. Não que não tenhamos mulheres de uma elegância refinada e clássica, ou com um estilo giro e normal - que temos - mas a par com elas, há muitas "aves do paraíso". Senhoras muito bem, quase todas, com mais de 40 anos, a obedecer ao estereótipo da super tiazoca.  

Gostam de roupas "boas" - geralmente compradas em boutiques multi-marcas desconhecidas (mas quase tão caras como as griffes melhores) a que eventualmente misturam qualquer coisa Dolce&Gabbanna, mais uma coisita Versace, com uma pitada de Ana Sousa e um tiquinho de Miss Sixty ou coisa que o valha. 
Junte-se a isto um louro queimado ou um preto retinto, quilos de maquilhagem e pele um pouco estragada pelo sol.
Até aí enfim, se não tivessem parado nos anos 80/90. Ou seja, confundem tudo: gostam de peças chamativas, com berloques e logótipos, e se possível, todas ao mesmo tempo. Veludos, cetins, aplicações, calçado ou casacos de verniz, nada é demais para usar em pleno dia e o resultado raramente é lisonjeiro. A consequência é um look datado, com imensa poluição visual. O exemplar de ontem trazia nem mais nem menos do que umas skinny jeans escuras - muito giras, nada a apontar - com um blusão curto (elas adoram blusões curtos) preto, de tachas, com letras; peep toes altíssimos, de veludo, acompanhados de meias de rede estilo anos 50; por fim, uma carteira com estampados coloridos, quase barrocos, a destoar totalmente do resto...para além de outros enfeites que só serviam para confundir.
Materiais ou formatos impactantes devem ser doseados e coordenados com elementos simples para que a peça - ou peças - "statement" falem por si. Não convém levar à rua todas as "peças tendência" ou preferidas ao mesmo tempo.

 Estas senhoras são um exemplo, mas vejo gente de todos os estilos a cometer essa gaffe: looks muito elaborados, cheios de elementos e acessórios, podem ficar bem a certas pessoas, e para a fotografia. Mas são difíceis de suportar com graça ao longo de um dia movimentado. Exigem um corpo elegante, uma boa postura - para que nada fique amarrotado ou fora do lugar. Nada de roupa menos que impecavelmente passada,  nada de olheiras nem poros, cabelo limpíssimo, com aspecto "dispendioso" - e muitas destas senhoras só lavam o cabelo no salão, pelo que ao segundo dia a coisa já não está tão bonita. Ao escolher peças com impacto - uma ou duas, no máximo -  convém orientar o visual à volta delas, para as deixar brilhar, e manter o resto simples, clean e despretensioso
É sempre bom lembrar também que veludos, cetins, devorés, brocados, lantejoulas e aplicações, são originalmente materiais para usar para depois do por-do-sol, e não muito cómodas. Hoje há formas de as vestir durante o dia sem cair no ridículo, mas convém ter em mente que menos é mais.
 Há dias, passeando no mesmo local, vi outra senhora que levava umas calças de cetim castanhas. Juntou-lhes uma camisa simples, um pullover rosa-chá, uma carteira bonita, brincos discretos e cabelo bem arranjado. Não me lembraria de usar aquelas calças em plena luz do dia, mas ela estava um amor e com imensa classe. Decerto, tinha um ar muito mais "caro" do que as suas amigas árvore de Natal. Por muito extravagante que seja o estilo de cada um (e um estilo excêntrico é, ainda assim, melhor que nenhum) demasiada informação compromete irremediavelmente a beleza ou expressão de um look...

Diana procura-se, ou como ainda há amores à moda antiga



Desconheço o grau de sinceridade desta história (com o que temos visto nos últimos dias, volto à boa e velha desconfiança, não vá ser obrigada a contradizer-me mais tarde) não sei se será um caso de amor à primeira vista nem como acabará, mas gosto do pressuposto. Rapaz conhece rapariga dos seus sonhos, rapariga coloca desafio impossível para ver se ele gosta mesmo dela, rapaz aceita.  Noutros tempos, o nosso herói recorreria às alcoviteiras das redondezas,  pagaria aos mendigos que por ali andassem por informações, correria as tabernas e capelinhas: hoje, serve-se das redes sociais e da câmara do telemóvel. Não tem um lenço estrategicamente caído ao chão como penhor da sua Dulcineia, mas um retrato tirado à pressa e às escuras. Não escreveu longas cartas - criou uma data de posts e ligou para os jornais. Mas é bonito ver que na era da facilidade, dos encontros fugazes e  sem significado, ainda há raparigas capazes de fazer andar um homem num virote e homens que sejam homens que chegue para se esforçarem pela mulher certa... nem que isso signifique fazer figura de parvo. Ele podia pensar " ai não me queres dar o teu contacto? naquele bar  há 100 raparigas como tu" e agir como tantos outros, que se deixam estar à espera que elas vistam as calças. Ela podia julgar vou-me embora daqui a uns dias, vamos mas é aproveitar antes que ele mude de ideias - mas foi mulher, e valente: se valer a pena, ele encontra-me. É um pouco extremo, mas gosto de ver uma rapariga que escolhe em vez de ser escolhida, e um homem que ajuda o destino. Ainda dizem isto e aquilo das francesas...o sangue gaulês não está extinto, é o que é!
O desafio colocado pela Diana fez-me lembrar as estratégias de coquetterie que as minhas avós contavam e as cruéis (e impossíveis)  provas de amor exigidas pelas donzelas medievais aos seus cavaleiros, imortalizadas em cantigas como (as muitas versões de) Scarborough Fair. Bravo, meninos!


Oh find me, find me a cambric shirt
parsley, sage, rosemary and thyme
with neither seams, nor needle work
then he will be a true lover of mine



Thursday, September 27, 2012

Dos cabeleireiros com vitrine

                               
Esse tema já foi comentado aqui, mas não há vez nenhuma que não me espante. Os cabeleireiros e corners de estética, abertos ou com vitrine, têm para mim o atractivo de um jardim zoológico. Ou de um oceanário, que é mais aproximado. Que querem, fui educada na lógica cabeleireiro/esteticista/maquilhador vem a casa e se isso for de todo impossível, vai-se a um salão discreto. Uma das minhas tias nem lá punha aos pés, com medo que soubessem que ela pintava a cabeleira ruiva para lhe conservar a cor. Por isso, se calhar o defeito é meu, que só em último caso suporto que me vejam  com o cabelo molhado, toda despenteada ou com mistelas na cabeça enquanto o "stylist" faz a sua magia, pagar para isso e ainda servir de cobaia para atrair mais clientela. Quando olho para cenas assim, vêm-me à cabeça os pobres doentes dos "dentistas" em feiras medievais. Mas de há alguns anos para cá qualquer procedimento de beleza, nem que seja uma operação dolorosa, tornou-se símbolo de poder económico e por isso as pessoas não se importam. Umas fazem questão de exibir, mas creio que outras já nem sequer pensam nisso ao sentarem-se, todas contentes, num cabeleireiro de shopping. O mais caricato é que há uns tempos, num centro comercial cá do burgo, abriu um novo cabeleireiro - aquário, comme il faut. E ao lado, vitrine com vitrine...uma loja de animais que na parte de trás tem um cabeleireiro para cães e gatos. Só reparei no absurdo da coisa quando vi de um lado, o cãozinho na banheira, e do outro, a senhora com uma toalha na cabeça, à espera da sua vez de ser penteada...

Os perigos dos "pobres diabos"

Uriah Heep, personagem de Charles Dickens, é um dos vilões mais subtis e bem conseguidos de sempre. Magro e desengonçado, com a aparência e os modos de uma enguia, cresceu a acreditar que fazer-se de coitadinho era o caminho mais eficaz para subir na vida. O seu discurso é sempre melífluo, cheio de peçonha e finezas. É incapaz de ser frontal e passa a vida a gabar-se de ser " uma pessoa muito humilde", de enorme desinteresse e desvelo pelos assuntos das pessoas a quem suga o sangue. 
Parece - tanto fisicamente, como nos actos - carecer de espinha dorsal. Não mostra um pingo de dignidade, como um verdadeiro lambe botas; mas é tudo encenação, uma máscara para a sua perversidade. Para melhor se aproveitar do patrão afaga-lhe o ego, incentiva-lhe os vícios, alimenta-lhe as paranóias, explora-lhe os pontos fracos. Na realidade quer é roubar o mais possível, bisbilhotar para reinar melhor, arranjar motivos para o chantagear, ficar-lhe com a fortuna e  com a filha. Mas como é tão solícito, tão caladinho, tão prestável, disposto a suportar tudo - uma pérola - ninguém desconfia dele. Causa pena, e isso é exactamente o que ele quer. Uriah Heep só deita as garras de fora - passando-se e tendo chiliques assustadores, como é apanágio destes carácteres - , só vomita o seu veneno e ressabiamento, quando alguém atrapalha os seus planos. Porém, ao ver-se finalmente apanhado (depois de causar imensos sarilhos e passar impune durante um bom tempo) volta à sua atitude de falsa humildade e servilismo abjecto, tornando-se um preso modelo, um pobre diabo...para engraxar o director da cadeia e conseguir os privilégios que daí advêm, pois claro. Os Uriah Heep, as enguias desta vida que se gabam muito da sua humildade e dedicação, quando aparentemente nada têm a ganhar com isso, para mim são o pior tipo de mau da fita. Como vilões de ficção, são repugnantes; carecem de encanto, daquele carisma evil is cool. Na vida real, são assustadores. 

Short Story: O terror dos primeiros beijos

                         
Seguem a caminho de uma festa, já atrasados; estrada fora, rolando pela escuridão, finalmente em paz ao fim de meses, anos, de desencontros, de amor-ódio, de enigmas. A lua banha o caminho, há pó por toda a parte, não se vê uma alma - noite boa para fantasmas. Não trocam um som: estão entre uma felicidade que enche o pequeno espaço e o medo, vago e indefinido, que antecipa o salto de um abismo. Agora ou nunca, se voltarmos atrás é nunca mais, mas se avançarmos também. Não olham um para o outro, estão siderados, medusados pela presença do sonho tão esperado. Sentem-se inocentes, desajeitados, com uma timidez incomum: eles que dizem tudo um ao outro, nem sempre coisas amáveis, acham-se sem nada para dizer; qualquer som pode dirigir o momento para uma trivialidade, aligeirá-lo, quebrar o encanto. Está tudo mais que dito, escrito, implícito, só nunca foi confirmado nem concretizado. A tensão podia cortar-se à faca. As mãos dele tremem ao volante. Porque é que ela o perturba daquela maneira, ele que tem conhecido tantas mulheres? Os joelhos dela batem um contra o outro, medo dele agora porquê, eu que sei tudo o que há para saber de reacções destas, sinto que sufoco de ansiedade - olhem para ele, tão indefeso, e agora, e agora? Sem admitir réplica ele coloca o braço  à volta dos ombros dela.  Ela deixa e isso decide-o: como uma fisga que é disparada, mete-se para a berma aos solavancos, um camião que entretanto seguia atrás buzina que nem doido. Pára, o coração aos saltos - o dela quase a desconjuntar-se - e ali ficam a tentar recuperar o fôlego e a compostura, nos segundos terríveis que antecedem o beijo (enorme, tão esperado, imaginado tantas vezes, como seria, como não seria,  nunca mais haverá outro assim) que se segue dali a alguns segundos. Um desmaio em miniatura, é o que é.

Wednesday, September 26, 2012

Manias portuguesas que me irritam #1 :perder tempo


                                
Tira-me do sério o prazer que muitas pessoas têm em ouvir a própria voz e perder tempo a falar, falar, falar de nada. Neste país - coisa que arrepela os cabelos dos britânicos que tenham o azar de trabalhar com portugueses- uma reunião, para ser levada a sério, tem de durar pelo menos duas horas, em agonizante redundância. Se formos direitos ao assunto, tratarmos o que for preciso rápida e eficazmente e pronto, vamos todos para casa, não estamos a ser competentes, somos uma cambada de mandriões. Esta mania 
reflecte-se também no horroroso hábito de pensar que quem faz o seu trabalho bem disposto, com um sorriso, sem ar de sacrifício e vai para casa à hora contratada depois do dever cumprido é um brincalhão que não está empenhado. Para parecer competente em Portugal há que:

 - Chegar a horas mas não ter horas para sair, nem que se ande o dia todo a empatar, a papar moscas e nem haja tarefas extraordinárias;
 - Não fazer intervalos para ir à casinha, e assim compor melhor o ar de sofrimento;
 - Trabalhar infeliz e fazer as horas extraordinárias, noites e fins de semana à borla sem soltar um ai, mas com cara séria, para parecer determinado e devoto à empresa;
- Dar graxa, mas com cara de tacho;
- Não propor ideias, para não ofuscar o chefe, mas fingir que trabalha o dia todo para ficar pelo menos meia hora depois do fim do expediente, nem que seja a tirar macacos do nariz.

Ainda há pouco tempo, saiu um artigo sobre portugueses incautos a trabalhar no estrangeiro que foram acusados de mau comportamento e espionagem industrial por ficarem no edifício quando toda a gente tinha saído, na tentativa de impressionar as chefias; mas não se aprendeu por cá que (fingir que estamos a) trabalhar muito e com sacrifício não é necessariamente trabalhar bem, ou fazer alguma coisa de jeito. Que trabalhar eficazmente é cumprir os objectivos do dia dentro do tempo estipulado e mais nada. Só que este povo acredita que depressa e bem, não há quem. Be british boys, be british, porque já se viu que a nossa receita não funciona...

Superficial love

Ontem falei da utilidade de amar sensatamente, pondo alguma temperança e auto domínio na paixão para levar um relacionamento a bom porto. Acredito  que por vezes esse sangue frio  seja necessário em prol de uma alegria duradoura. Outra coisa inteiramente diferente são os relacionamentos superficiais, cheios de cálculo, de engolir sapos e de tricas. Onde cresci via-se muito isso, tanto nos amores como nas amizades. Casais ou amigos que se apunhalavam pelas costas vezes sem conta, que deixavam de se falar para depois andarem no mesmo grupo como se nada se tivesse passado, ex-namoradas que conviviam alegremente com as actuais com a única intenção de lhes roubar o lugar, constantes tirar de tapete para a esquerda e para a direita, rapazes que espancavam o namorado da ex para depois irem com ele para os copos logo a seguir, amigas minhas que se mordiam por dentro ao sentar-se à mesa com o rapaz de quem gostavam e da sua nova conquista. Todos aguentavam essas dores de alma em nome do " dá-me jeito ser amigo dele (a)" ou "ainda gosto dele (a) e um dia nunca se sabe, era um bom partido", " não achas que vale a pena aguentar as traições para um dia vir a usar aquele sobrenome?" e por aí fora. True story
Embora me orgulhasse de possuir uma certa calma e racionalidade, e seja capaz - em contextos profissionais, sociais ou de negócios - de ser serena e diplomática com pessoas de quem não gosto muito, nunca pude  transportar essa mentalidade para o meu círculo íntimo. Nem compreendia quem o fazia ou aceitava como se fosse a coisa mais natural do mundo. Posso tolerar certos comportamentos a conhecidos, mas não a amigos. Posso ser superficial se a ocasião o exigir, mas não com pessoas que realmente me importam. Se calhar sou tola porque o mundo é dos espertos, mas as pessoas não se fazem. A vida já é tão complicada que não precisamos de infligir torturas a nós mesmos. Amar com calma é sensato, mas amar com cálculo tem um nome muito feio - por muito que se diga que é mundano, sofisticado ou inteligente agir dessa maneira.

Casa dos Segredos: serei normal?


                                                      Um genérico tão engraçado para isto...


Pergunto porque a cada blog em que vejo o programa mencionado, comentado, dissecado ao milímetro (a pontos de gente supostamente séria, com alguma cultura geral e outros interesses, saber os nomes dos protagonistas, quem são os "heróis" e quem são os vilões) assaltam-me as mesmas dúvidas e tenho receio de  bater sempre na mesma tecla, no maior espírito rezingão. 
Eu não consigo, porque não sou mesmo capaz, de achar graça, nem mesmo uma graça secreta ao estilo guilty pleasure, àquele programa. Como não achei ao Big Brother, embora a primeira edição gerasse uma inevitável curiosidade e tivesse alguns protagonistas que era impossível não reparar neles. Desta vez, ao fazer zapping, reparei no vestido (muito giro, é verdade) da Teresa Guilherme  e no genérico, que é engraçadíssimo. Quem vir aquela abertura cheia de unicórnios, super heróis e cenários míticos julga que está ali uma coisa interessante. Mas não. É só mesmo imaginação de estagiários super motivados. De resto, sou incapaz de olhar.

 - Primeiro, porque até gosto de pessoas simples e genuínas, mas gente que faz questão de ser rude e boçal já me causa aflição, e é precisamente isso que o programa procura. E gente esquisita a querer ser rica e famosa mete-me medo.

- Segundo, porque fomentar comportamentos promíscuos e a sua exploração em nome das audiências tem um nome, e não é um nome bonito. O mais esquisito é que ao que parece, pelo menos 50% dos concorrentes tem de ser assim , ou não há programa. A obsessão do português pelo deboche e pelo brejeiro, quanto mais decadente mais divertido, arrepia-me toda. Reality show como é podia ter outros temas, mas não. Portuguesinhos: há quase 40 anos que é permitido falar de sexo à vontade em Portugal, ver filmes de malandrice e comprar revistas com senhoras nuas. Quando é que deixa de ser novidade? Será que não há português que não reaja como um garoto de 11 anos "ahhhhh....ihihihihihih" quando se fala em coisas mais velhas que os montes? Quando é que, neste país, se acaba a idade do armário? Ou não passámos do Paleolítico e estamos numa de considerar a "Casa dos Segredos" um culto à fertilidade?

- Terceiro, se é para assistir a intrigas, não é preferível a boa e velha telenovela? 

- Quarto,  o meu grande problema: a imagem e a sonorização são uma treta monumental. Não há legendas. Mesmo que eu hipoteticamente quisesse perder tempo precioso da minha vida que ninguém me devolve e matar neurónios a ver aquilo, mesmo que os concorrentes estivessem a discutir a pedra filosofal, não conseguia perceber népia do que dizem. E isso torna o programa chato, para além de ser um programa mau. Chato, aborrecido, horrivelmente maçador. Nem sequer desperta curiosidade. Para ver um reality show, antes os do E!, que têm guião, edição que se perceba e legendas.

E para além destes pontos, não percebo o que é que se pode discutir mais sobre a Casa dos Segredos, o tal programa "que ninguém vê mas de que toda a a gente fala". Mas falar de quê, por Júpiter?

Tuesday, September 25, 2012

Menina que abraçou o polícia, o tanas!

                     
Uma vez sem exemplo ponho o cinismo, o espírito crítico e o meu costumeiro grão de sal de lado para dizer coisas bonitas sobre a menina que abraçou o polícia (numa manif em relação à qual, ainda por cima, mantive a reserva que me caracteriza) e sai-me istoE o bikini, foi para quê? Bem me enganou. Ora toma, Sissi, que é para aprenderes a não embarcar no entusiasmo geral nem nas carneiradas que tanto desprezas. Já não se fazem momentos tocantes como antigamente, ninguém age desinteressadamente, a pimbalhada está por todo o lado e em cada inocente hippie de cabelo ao vento esconde-se uma potencial concorrente à Casa dos Segredos. Quem me manda ser fofinha?

Barca do Inferno

                                  
Estou há não sei quanto tempo à espera que esta barquinha apareça para levar a casa umas quantas almas danadas que andam para aí a chatear e a perder outras alminhas de Deus, e não há maneira. Mas - e já que hoje de manhã se falou em diabos e diabretes - a experiência ensinou-me que o Capeta gosta de surpreender e pipocar por aí quando os incautos menos esperam, para apresentar a conta pelos serviços prestados. Mais dia menos dia, all aboard! A Belzebu te encomendo, para citar o Mestre Gil Vicente...

Hou barqueiros! Que aguardais?
Vamos, venha a prancha logo
e levai-me àquele fogo!
Não nos detenhamos mais!

Para quem se vestem as mulheres?

Não é preciso ir tão longe - mas a Playmate dos anos 70 representa o ideal de beleza visto por eles: cabelos longos, formas femininas e trajes reveladores
A questão é velha e complexa. Para quem se vestem as mulheres - para os homens, umas para as outras ou o que parece ter-se convencionado dizer, para si próprias? 
E o que nos torna mais bonitas? Há um meio termo que permita manter a classe, divertir-se com a moda e ao mesmo tempo, agradar ao sexo oposto? Ouvi algures "sometimes, it takes a man to dress a woman". Quem defende esta ideia considera que é preciso um homem - um homem apaixonado por mulheres, bem entendido - para saber o que as favorece... e que as mulheres só fazem disparates quando tentam provocar a inveja ou admiração das amigas, colocando o estilo acima da sensualidade e aderindo a opções interessantes do ponto de vista artístico em vez de se cingirem ao mais esteticamente apelativo, próximo das suas formas naturais e dos ideais que vigoraram durante séculos. Coco Chanel tinha uma opinião contraditória sobre o assunto - as mulheres vestem-se para os homens, sim senhora, mas é preciso outra mulher para saber como isso se faz e manter a moda simultaneamente sexy, confortável e possível de usar. " A moda tornou-se uma piada. Os designers esquecem-se de que existem mulheres dentro das roupas. A maioria veste-se para os homens e quer ser admirada, mas também precisa de caminhar e entrar num carro sem rebentar as costuras. As roupas têm de ter uma forma natural" defendia a criadora, que detestava a ideia dos seus colegas gay ditarem como uma mulher devia parecer aos olhos masculinos e os cânones impossíveis que impunham.
                                      
                    A top Eva Herzigova no início e no final dos anos 90: de bombshell do wonderbra a modelo trendy. A primeira   imagem apela ao público masculino heterossexual; a segunda, às mulheres e público fashionista, mais vocacionado para o aspecto artístico e subjectivo da moda.

 É sabido que há roupas e acessórios que nós adoramos usar, mas que eles detestam: é o caso das calças harem ou saruel, que escondem completamente ancas e glúteos. Podem ser muito trendy e confortáveis, mas não reúnem grande simpatia na ala masculina. Se repararmos nos cartoons das revistas para eles, as mulheres bonitas são sempre desenhadas da mesma maneira, o que nos dá uma ideia das eternas preferências: longos cabelos claros; olhos grandes; boca sensual e trajes a delinear curvas sinuosas. Uma Brigitte Bardot a duas dimensões, portanto, que reverte para os velhinhos ideais de fertilidade. Um texto interessante  sobre o assunto é do autor, rebelde e ocultista Anton La Vey, que num dos seus livros, dedica vários capítulos à roupa feminina e em particular, à história da lingerie e saltos altos. É uma reflexão quase poética, baseada nos instintos e símbolos primordiais, mas ainda assim instrutiva:

 "  Mulheres que odeiam homens e homens que odeiam mulheres formam a maior parte da indústria de moda (...) Uma mulher não foi desenhada para parecer direita de alto a baixo, e no entanto muitos estilos e designers cultivam esta imagem. As protuberâncias que as mulheres procuram esconder são o princípio feminino numa forma curvilínea; são de evitar as formas direitas, côncavas ou angulares, que diminuem as dimensões curvas sinónimos de uma mulher, da qualidade táctil que diz à visão masculina "abraça-me, aperta-me". De um ponto de vista feminino podem parecer atraentes, porque lhe são opostos. Mas não devem ser usadas na forma de arte mais próxima de si - o seu próprio corpo.  O vestidos devem ser o mais possível apertados na cintura (...) evitem os vestidos império; destroem a cintura natural. O melhor decote é sempre em `V´, mas a blusa de camponesa é um clássico. Os saltos altos são sinónimos de feminilidade.  Algo mágico acontece quando uma mulher usa saltos altos.  Obrigam o corpo a formar três "S", a tradicional curva da beleza, a curva serpentina do mistério, o epíteto do contorno fluido, feminino. Pode chamar-se a isto uma trindade pouco santa...uma só curva dessas é um dispositivo de atracção positiva mortal, mas com três curvas em "S" sobrepostas o efeito não pode ser ignorado. Ninguém está imune a esta geometria...seja no pescoço do cisne, ou na estranhamente apelativa estrutura da Montanha-Russa. Este efeito é devastador quando uma mulher começa a caminhar...é impossível andar de saltos altos sem balançar nem exagerar as curvas: é a linha natural da beleza combinada com o movimento que é a dança da vida. Em suma, uma mulher não tem de "tentar" caminhar de forma sexy quando usa saltos - isso surge naturalmente! ".

                
E o estilo e as tendências, onde ficam? Ter o melhor dos dois (neste caso, três) mundos passará sem dúvida por cada mulher estar atenta ao que lhe fica bem sem deixar de acompanhar as novidades, por evitar a condição de fashion victim e ter os padrões clássicos como linha orientadora sem, por outro lado, cair no extremo da vulgaridade.  Nesta estação, com a figura feminina a ser enaltecida, não há tantos riscos de se cair numa androginia fashion, tão ingrata aos gostos masculinos. No entanto, os especialistas na matéria afirmam que os homens têm dois tipos de mulheres que consideram atraentes: a mulher caricatural e aquela com quem gostariam de se relacionar. Nenhum terá ficado indiferente à personagem de Megan Fox em Transformers, mas quantos pensariam em levar uma namorada assim a conhecer os pais? Falemos porém numa Penelope Cruz, Scarlett Johansson ou Mila Kunis - que nada lhe ficam a dever em feminilidade ou sensualidade - e a resposta será diferente. Encontrar o equilíbrio certo entre a expressão fashionista, um estilo próprio e a beleza clássica é um exercício de elegância como tantos outros...

           
     

Frase do dia: perigos, tentações e bofetões da vida


“Quem ama o perigo nele perecerá” (Ecli 3, 27)

Hoje, ao acordar, recordei-me desta máxima, sabe-se lá por que inspiração. Creio que é uma frase válida tanto para pessoas espirituais ou religiosas, como para aquelas que se guiam pelo simples bom senso. Nunca é bom mergulhar em situações potencialmente arriscadas e por vezes, quanto maior o risco, maior o apelo da intriga, da curiosidade ou da nossa própria vaidade. As tentações nunca são desagradáveis e tendemos a demorar-nos nelas pela adrenalina, por querer saber o que vai sair dali, para testar os nossos limites e amiúde, por orgulho "eu sou demasiado forte/superior para cair nesta". Dizem alguns pensadores que quando insistimos em expor-nos a situações perigosas por gosto, soberba, teimosia ou estupidez, os Deuses nos abandonam à própria sorte ou como diz o povo, o Diabo trata de nos castigar. No maior espírito "se consentes rebaixar-te a isso, ficas por tua conta e risco, meu menino". Nunca gostei de desafiar os poderes superiores, nem de testar a paciência ao Universo. Poucas vezes o fiz, porque fui abençoada com uma certa dose de prudência e capacidade de observação para ler os sinais de aviso; em última análise, sempre escolhi aquilo que chamo tentações benéficas, que não me causam grande dano, nem aos outros, nem tão pouco me desviam dos valores mais importantes. Se alguma coisa nos faz mal, nos desmerece, prejudica a nossa forma de estar, a nossa paz, os relacionamentos mais importantes para nós ou a nossa imagem pública, não vale a pena ter paninhos quentes, procurar meios termos. Tudo isso são fraquezas, desculpas para continuar a ter as tentações à mão de semear, vontadinha de fazer asneira - e a asneira segue-se irremediavelmente, espectacular e com os sininhos todos. O Universo parece ser perito em demorar as suas lições mas quando as dá, não economiza nos efeitos especiais. Quem já levou um desses "bofetões" da vida sabe do que falo. Uma pessoa nunca mais se esquece. Eu cá prefiro furtar-me a eles (e fugir da companhia de quem anda a pedi-los) porque quando o Céu ergue o braço para dar um tabefe, vai tudo raso para poupar tempo e não quero que sobre para mim.

Ava Gardner dixit: too much love will kill you

                                         
             " I Loved too well, but never wisely"

Lamentava uma das mais belas mulheres de todos os tempos, ao meditar sobre os seus três casamentos falhados. Diz-se que amar demasiado, sem uma pitada de sensatez, ironia e auto domínio é uma receita para o desastre. Os antigos gregos receavam que as paixões demasiado intensas provocassem a inveja - e o consequente castigo - dos Deuses, e alguns pensadores medievais defendiam que o amor excessivo, mesmo entre esposos, era um pecado. Amar com freio, para perdurar e triunfar, não será uma ideia lá muito romântica - mas decerto, é uma estratégia de sobrevivência cheia de sentido prático, que poupa alguns dissabores. Desde que não se vá tão longe como outra grande dama, a Princesa Alice de Bade, que morria de medo de sofrer por amor, e por isso dizia a quem a quisesse ouvir "o amor! Poupem-me! " alguma temperança é necessária para que as labaredas não consumam os alicerces. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, que há coisas sem as quais a vida não tem graça nenhuma, eu acho.

Casting Primark: instantes da tarde

Tal como vos contei ontem, a tarde de Domingo foi dedicada à moda e ao convívio com gente gira e bem disposta, a convite da Primark. Além de assistir à selecção dos 10 vencedores do Casting Primark,  que serão a partir de agora representados pela agência Act In Models, quem passou pelo Fórum Coimbra teve a oportunidade de aprender técnicas de maquilhagem, de reciclagem de roupas e acessórios (com a Su Ferro, do blog I love Fita Métrica) e de receber conselhos de moda da Babi. A adesão foi enorme - com uma multidão a encher a loja no rés do chão, enquanto outra se concentrava na esplanada para assistir ao desfile-  e a chuva foi gentil (menos para o meu cabelo). Quanto a mim, aproveitei para experimentar uma das peças que trouxe da Primark  e testar três tendências da estação: o brocado, o tweed e os marotos dos stilettos recém regressados às passerelles e às ruas. Veredicto? Já tinha saudades, mas os pumps são muiiito mais confortáveis para estar de pé. Uma senhora não se queixa e assim fiz...
    Aqui ficam algumas imagens do evento.











Monday, September 24, 2012

Pergunta (e maldade) da noite: 50 Shades of Grey

                                             

Perguntei no Facebook, mas não resisto a repeti-lo aqui. Talvez assim algum leitor ou blogger iluminado me esclareça.


Porque é que vejo tantas reviews de "50 Shades of Grey" escritas por pessoas que – parafraseando  Almada Negreiros - não saberão gramática, não saberão sintaxe, talvez saibam medicina ou fazer ceias para cardeais, mas decerto não saberão escrever que é a única coisa que fazem? (Para além de tirar retratos, claro). É um mistério insondável, não é?

Emmys: a sensaboria

Entre o desastre e o assim assim, até Glennn Close desiludiu. Escolheram à pressa, ou quê?
É uma maçada uma pessoa olhar para a passadeira encarnada dos Emmy e ver coisas pouco melhores do que em qualquer trólaró televisivo do pseudo jet- set lusitano. Uma pobreza, uma falta atroz de imaginação, de gosto, de ganas e de noção. Desconfio que os stylists devem ter ido todos de férias, porque foi mais do mesmo ou looks que pareciam criados de propósito para desfear gente bonita e glamourosa como a querida Jessica Lange, uma das mulheres mais belas que por ali andam, capaz de fazer brilhar qualquer vestido de gala digno desse nome (enfiaram-na dentro de uma cenoura largueirona e gigante, e ala que se faz tarde). Por polidez e porque tenho sempre preguiça de analisar coisas de que não gosto, vou mencionar os que, na minha modesta opinião, escaparam à sensaboria geral. 


Ginnifer Goodwin, por Monique Lhuillier
Não consigo achar graça ao look rapazinho que arranjaram para esta actriz - poucas mulheres o suportam bem. No styling para os Emmy, a maquilhagem fez pouco por ela. O  decote também não é o mais adequado para a sua silhueta, mas no todo é um vestido bonito, com impacto.


Julianna Margulies, por Gianbaptista Valli
Outro vestido giríssimo, com um padrão e textura em voga neste momento e  que teria ganho se fosse ajustado convenientemente. Assim espalmou o busto da actriz. O styling também não faz justiça ao vestido nem à senhora - o cabelo tão colado à cabeça favorece muito poucas pessoas, não sei porque insistem nisso. Acrescentou-lhe dez anos e a maquilhagem pálida não ajudou.

Julianne Moore, por Dior
Sou suspeita por três razões: adoro a Julianne Moore (ruiva linda!) o amarelo é uma das minhas cores preferidas para vestidos formais e tenho um fraquinho tanto pelas mangas como por modelos minimalistas. O look não é espectacular - poderia ser, se não fosse aquele decote que raramente enaltece a beleza de alguém e o formato estranho na cintura - mas chamou a atenção entre tanta mesmice e disparate que por lá passou.

Kat Dennings, por J.Mendel
Vamos ver se eu percebo. Temos uma jovem com pele de porcelana e uma bela figura, um vestido de uma cor absolutamente gloriosa, e depois não o ajustamos à medida? Os cai-cais em coração são os mais favorecedores, mas o vestido tem de ser estruturado na perfeição para suportar tudo. Fez o peito parecer descaído e blusou na cintura. Com uns puxões de um profissional competente teria sido simples, mas arrasador. Adorei o styling.

Kelly Osbourne, por Zac Posen
Não sei como a menina passou de uma desgraça pegada a guru de moda, não morro de amores pela cor (nem do cabelo, nem da toilette) o tecido não me seduz, mas cai-lhe na perfeição e é admiravelmente feito. Se não estamos num momento genial mais vale ficar por um clássico, e foi isso que Kelly fez. Sure and simple.

Sofia Vergara, por Zuhair Murad
Cai-lhe a matar? Cai. Foi moldado para ela, sem dúvida. Se estava gira? Oh la la. Terá sido a única mulher a virar cabeças no evento? Aposto nisso. É um vestido para os Emmy? Por supuesto que si! Terá classe? Isso é que eu já não posso jurar. Zuhair Murad tem modelos deslumbrantes. Outros - como é o caso - lembram-me demasiado certas boutiques da baixa, Modas Milu-  temos trajes para casamento e baptizados. O azar que se seguiu é uma consequência de levar ao exagero a máxima "uma senhora não precisa de respirar" e mais não digo...só não havia necessidade de tweetar o desaire.

Tina Fey, por Vivienne Westwood
Ora aqui está um decote cai-cai que assenta na perfeição, com a cintura como deve ser, uma cor rica e pormenores bonitos. Um pouco mais de cauda presa atrás teria acrescentado o va va voom necessário, mas é lindo mesmo assim. No styling é que Tina Fey, que parece continuar pouco confortável com o facto de ser uma mulher bonita, raramente acerta. Uma só cuff de brilhantes teria sido melhor do que as pulseirinhas e brincos longos, a clutch está um tanto desfasada e a makeup...é como o Melhoral, não faz bem nem faz mal. Ela tem traços regulares, não é difícil criar um look que os destaque. E aquela poupa? Adicionou-lhe anos e tirou-lhe beleza. Um estilo Veronica Lake era mil vezes melhor, me thinks.











 


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