Recomenda-se:

Netscope

Saturday, October 6, 2012

Do desconcerto do mundo: tio Camões dixit

                                                    

O tio Camões estava bem certo quando disse:


Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.

Não tenho grande crença no Karma, mas parece-me que a existir, vejo mais gente a ser castigada pelas más acções do que a receber recompensa pelas boas. Valha-nos isso...
O pior é que quem é realmente mau parece ter um plafond maior do que quem até não é má pessoa e faz uma maldadezinha justa uma vez por outra. E reforço positivo que é bom, nada?



Tim Gunn + Barbie...e reflexões motivadas pela boneca




A propósito de bonecas, não sei como esta notícia (de Julho passado) me escapou. O consultor de moda superstar, e director criativo da Liz Clairborne, criou quatro looks para a boneca mais gira do mundo. Está certo que a menina de plástico já foi literalmente embonecada por Diane von Furstenberg, Calvin Klein, Vera Wang, Donna Karan, Monique Lhuillier, Burberry, Anna Sui, Christian Louboutin, Ralph Lauren, Dior, Armani, Givenchy e muitos, muitos outros nomes incontornáveis da indústria; mas adorei os visuais concebidos por Mr. Gunn, principalmente o primeiro e o terceiro. Ontem, a arrumar o closet da Barbie para montar mais tarde, dei por mim a pensar que se parece imenso com o meu actual armário (cheio de coisas giras ... e com pouco espaço!) e ocorreu-me que depois de crescidas, somos as nossas próprias bonecas. Brincar com elas em pequenas ajuda-nos a lidar mais tarde com a canseira de organizar o guarda roupa e criar os visuais certos. E ainda bem que o fazemos enquanto crianças, porque a noite passada experimentei despir e vestir uma ou duas e...como é que eu me divertia tanto a fazer isso ? Parece a minha rotina diária! Continuo a gostar delas, se pudesse tinha uma colecção - edições especiais e exemplares vintage - mas duvido que alguma vez volte a brincar como antes. No entanto, ao olhar para estas fatiotas, sou assaltada pelo velho feeling da infância " que inveja que eu tenho da Barbie!".  Há coisas que nunca mudam...
E não admira. Basta olhar para algumas das toilettes criadas por designers ao longo dos anos para a nossa amiguinha:

                                                                Christian Dior Barbie Doll
                                                                                               Dior

                                                                    Sapphire Splendor Barbie

                                                                                                    Bob Mackie

                                                                       
                                                                                                                         Versace

                                                       
                                                                                                                        Diane Von Fustenberg

                           
    Colecção "La petite robe noir" : Albertus Swanepoel, Alexis Bittar, Betsey Johnson, Deborah Lloyd, Devi Kroell, Isaac Mizrahi, Justin Giunta, Lorraine Schwartz, Monica Botkier, Crangi Filipe, Rachel Roy e Tory Burch.

                                    Comme Des Garcons Barbie

                                                                   Kate Spade                                              Comme des Garçons

                                           Christian Louboutin Cat Burglar Barbie
                                                                           Christian Louboutin











Get the shoes!

Charlotte-Olympia-Daphne-Fall-2012
Não está nada mal este platform pump de Charlotte Olympia. Um design clássico, aberto o suficiente para alongar as pernas, fechado o suficiente para se segurar confortavelmente no pé e compensado que chegue para caminhar pelas alturas sem dores. A menina é bem capaz de ser  a minha designer de sapatos preferida neste momento...

Friday, October 5, 2012

Bonecas! Bonecas!





                                          
Hoje tive uma boa surpresa: as minhas bonecas (ou pelo menos, parte delas) perdidas há uns anos no sótão de um familiar, regressaram a casa. Ainda por cima, a minha prima - que muito me acompanhou a brincar com elas - também cá estava. Foi como rever velhas amigas. Mal posso esperar para retirar dos sacos todas as roupinhas, acessórios e sapatinhos. Estava cheia de medo que a minha preferida - essa Midge linda na imagem acima - se tivesse estragado, mas está como nova. Lembro-me que a comprei numa viagem à Suiça, foi um amor à primeira vista. Quero tirar uns retratos para partilhar aqui, quando estiverem apresentáveis e livres de pó. Quantas memórias não andam naqueles brinquedos! A Charlotte, a boneca de porcelana de cabelos acobreados que a avó Celestina me ofereceu, não tem uma rachadura; e nem falta um elefante - esse, já da minha adolescência - muito terno e muito piroso, com um coraçãozinho a dizer " I love you" que um colega da escola me ofereceu pelos anos. Estava a minha família toda na festa e causou cá um rebuliço! Esse era um rapaz decidido e sem medo de nada, ou tremendamente ingénuo. Eu, que nunca fui namoradeira e muito menos dada a tolices dessas, achei imensa graça e fui-o deixando encaixotado...até hoje. 
          

A confiança cega do guerreiro


                                       
Tenho mencionado várias vezes que me dá pena o facto de Cristiano Ronaldo, que nos representa além fronteiras, ser um rapaz tão mal orientado e em alguns aspectos, um exemplo pouco abonatório para os jovens. Aqui há tempos, uma revista publicou um artigo baseado na biografia do craque que esclarecia muita coisa -  como faltava às aulas para jogar à bola com o beneplácito materno, pois a senhora  Dolores achava que o jovem "tinha era de praticar para ser um grande jogador" e até se recusava a pagar aos vizinhos os vidros que o filho partia à bolada. Factos que o meio explica, em parte, mas continuam a ser de lamentar. De resto, o próprio já lastimou em entrevista o hábito de fazer gazeta, o que o impediu de saber falar inglês mais tarde...mas isso não foi amplamente divulgado, justiça seja feita.  No entanto, o artigo também mostrava alguns aspectos curiosos sobre o passado do jogador, que dizem muito sobre o poder de acreditar numa ideia.  Quando gozavam com ele por ser posto de castigo a conduzir o carrinho das bolas, alcunhado de "o Ferrari" ele respondia "pois vais ver, ainda vou ter uma data de Ferraris a sério".   
E cumpriu. As dificuldades, o sofrimento, a consciência daquilo que o esperava caso falhasse e a paixão pelo que fazia aumentaram-lhe a determinação, acenderam-lhe a fúria de vencer em vez de o deitarem abaixo. Foi realmente pena que as pessoas que o ajudaram a subir ao estrelato não o tivessem obrigado a instruir-se, não lhe transmitissem outros valores e não lhe polissem os modos. Bem dirigido, Cristiano Ronaldo seria um esplêndido rapaz. Tal como outros grandes atletas e outras pessoas bem sucedidas, possui uma qualidade rara, que admiro profundamente. O dom dos grandes guerreiros: confiança cega, à prova de bala, apoiada em trabalho duro. Pessoas assim são implacáveis consigo mesmas. Conhecem o seu trabalho. Superam os seus próprios limites. Como não haviam de ter confiança? 

 Não podemos colocar limites em nada. Quanto mais sonhas, mais longe chegas.

Tudo é possível quando pomos a nossa mente num objectivo e lhe dedicamos trabalho e tempo. A mente controla tudo.

                                                                   Michael Phelps

Os guerreiros vitoriosos vencem primeiro e só depois vão para a guerra; os derrotados vão à guerra primeiro e só então procuram ganhar.

Sun Tsu


Se puseres limites em tudo o que fazes, eles vão invadir toda a tua vida. Não há limites. Só planaltos;  e não devemos ficar neles, mas ultrapassá-los.

Não receies o fracasso. O crime não é o fracasso, mas apontar para baixo. Numa grande tentativa, até falhar é glorioso.
 
                                                                                                 Bruce Lee


A crença nas suas capacidades, no sonho, numa visão interior, que leva à vitória mesmo num estádio (ou num campo de batalha) cheio de gente  a desejar o seu fracasso. Que não se abate perante ameaças, inveja, comentários maliciosos. Quantas vezes receamos o sucesso, por um medo inconsciente do que meia dúzia de infelizes possam dizer ou fazer para nos roubar ou amesquinhar o que alcançámos com tanto esforço? Quantas vezes nos acanhamos em vez de ouvir a nossa voz interior, ou perdemos o entusiasmo, a força ou a energia a meio do caminho? 
Pessoas como Muhammad Ali, Michael Phelps, Bruce Lee ou Cristiano Ronaldo fecham esses monstros num pequeno armário das vassouras. Convencem-se do seu tamanho gigante, deixam-se crescer até que as vozes contrárias não passem de formiguinhas. E depois esborracham-nas sem pensar duas vezes. As suas vitórias estão ganhas antes de entrar na arena, pois " nenhum homem está derrotado sem que se derrote a sua confiança". A sua mente é hermeticamente fechada às influências negativas. Nada os afasta da visão que criaram - e ela acaba inevitavelmente por se materializar, tranquilamente, enquanto os detractores se descabelam. O que puxaria outros para o abismo obriga-os a trepar, com a energia do desespero se preciso for, até ao cume. Pessoas assim vêm em vários formatos - podemos gostar delas ou não - mas todas têm em comum essa chama teimosa a brilhar dentro de si. Não têm medo de absolutamente coisa nenhuma, venha quem vier. Danem-se. Quem manda ali são eles. Não creio que o nosso Cristianinho tenha lido Sun Tsu, mas não há dúvida que aplica algumas das suas máximas. Não me parece que citações suas fiquem para a história como as de Muhammad Ali, mas que é digno de ser observado...isso é.

O Dia da Independência

                                                         Ficheiro:PortugueseFlag1095.svg

Hoje não quero falar no estado do País. Nem no que aí vem. Hoje vou olhar para o passado, para o passado glorioso - pois por pior que se diga desse exercício, ele tem a sua utilidade. Recorda-nos quem realmente somos. Recorda-nos um propósito. E a força, o brilho, a varonia de um Homem, e dos homens que o acompanharam para fazer de um pequeno condado uma Nação defensora do valor e da fé. Do alto desta bandeira, a primeira, oito séculos de valentia nos contemplam. O que fazemos para honrar os egrégios avós? "Não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, mas o que podes fazer por ele". Por vezes, os americanos, que levaram para o outro lado do mar a sabedoria antiga, têm a verdade mais presente. Hoje não quero saber se estou apreensiva ou zangada com o solo onde nasci. Recordo o nosso Once and Future King. Recordo o que merece ser recordado. E acendo uma luz de acção de graças, para compensar tanta ingratidão e tanto esquecimento - como alguns milhares de bons portugueses por este país fora e além fronteiras, que não esquecem. Independentemente dos tempos que correm e de outros ideais que considerem correctos. Quem não tem passado, jamais terá futuro. O resto é vaidade.

Thursday, October 4, 2012

Happy b-day, Mr. Bond

Não sou sua fã, Mr. Bond, porque nunca suportei mulherengos, mesmo mulherengos encantadores, cavalheiros e com a desculpa " são ossos do ofício" ou "tudo em nome de Sua Majestade" como o senhor. Mas tenho de lhe reconhecer um certo estilo. E agradecer-lhe ter lançado para a ribalta Sir Sean Connery, ele sim, um cavalheiro à prova de bala. Confesso que se tivesse escrito argumentos para os seus filmes, metade das mulheres não cairia nos seus braços. Provavelmente, iriam dar-lhe uma tareia uma vez por outra, meter-lhe uma bala no coração. Ou antes, criaria um James Bond de saias que lhe partisse o seu para variar, uma némesis.
Tiro-lhe o chapéu por, em 50 anos de franca actividade, nunca ter apanhado uma doença ruim, com tanta má vida em que tem andado, porque a sua elegância não é desculpa para tudo. Mas suponho que seja imbatível e que essas coisas desagradáveis fujam de si, sorte sua, que está muito bem conservado! Não leve a mal a minha embirração; não é nada pessoal - acredito que os cavalheiros do seu género são fantásticos....para amigos. Contam-nos todos os truques que a ala masculina reza para que as mulheres nunca descubram. Vão às compras connosco e dão conselhos de moda fantásticos, porque sabem o que fica bem a uma mulher, mas não numa perspectiva amigo gay. Dão excelentes acompanhantes para levar a uma festa, para provocar ciúmes estratégicos. São excelentes conspiradores, partners in crime. Toda a mulher sensata, que não tenha carácter para Bond Girl, devia ter um Bond Friend na sua vida. Uma espécie de Valmont de bom coração. Bem vê, Mr. Bond, eu faço-lhe justiça. O senhor é, no fundo, um bom rapaz, um enfant terrible que todas as mulheres sonham reformar. Todas, menos eu e as da minha igualha, que sabemos que um homem não muda, ou muda raramente e como nunca sabemos qual é qual, consideramos estúpido tentar o investimento. Por isso Mr. Bond, aceito-o exactamente como é, e se algum dia precisar de uma assistente para as suas aventuras, aqui estou, pois a espionagem não me parece uma carreira má de todo. Acompanhá-lo deve ser um estudo antropológico muito interessante, e ainda há a oportunidade de usar uns trapinhos bonitos. Suponho que os honorários não sejam de desprezar, e eu até sou multifacetada e não tenho má pontaria. Desde que nos fiquemos por uma boa camaradagem e também prometa manter-se longe das minhas amigas, temos negócio. Happy birthday, Mr. Bond. James Bond.

Em modo pós- abarduzido



A lata de algumas pessoas. O descaramento. A desfaçatez. A cara podre, de pau, de gato. O atrevimento. A descontracção ao dar o dito por não dito. O disparate pegado. O "isso não é nada comigo", o " gosto muito de ti mas podem atirar-te todos os ovos do aviário desde que nenhum me atinja", o "amanhã verei que agora estou tão descansadinho, com a minha vidinha tão arranjadinha, incomodar-me para quê?" e o " pelo bem que lhe quer, até os olhos lhe tira". São coisas que por mais "mundo" que se tenha, por mais que se viva, por mais seres que se conheçam nunca deixam de nos pôr a alma parva. E uma pessoa vai deixando andar, a ver o que acontece, a pensar na melhor solução -  porque afinal tem mais em que cansar a cabeça, outras coisas para resolver. Mas a parvoeira vai-se acumulando, que nem uma bola de neve, enredando-se em nós como teias de aranha, contagiando as pessoas sensatas. Desconfio que, como uma certa personagem de Zola, vou fazer uma limpeza completa muito em breve, que as que estão feitas ainda não chegam.

Eu embirro com...pacotes de cereais

                                         
Como quase toda a gente, gosto de cereais com leite. Não tanto ao pequeno almoço, mas como snack são muito agradáveis. Os Special K são muito bons, os Cheerios e Clusters também, a-d-o-ro os Cruesly de nozes e tive imensa pena que os Lucky Charms desaparecessem. No entanto, irrita-me comprar tal coisa, por um simples motivo: o estúpido sistema das embalagens. Por muitos cuidados que haja, dois dias depois de abertos os flocos ficam todos molengões e nojentos. Ou seja, uma pessoa tira uma dose, fecha-os o melhor possível - até um frasco hermético já comprei para isso - mas se não comer tudo seguido está tramada. Os pacotes estão pensados para quem tem uma ranchada de filhos que só por acaso, gosta toda da mesma variedade de flocos. Quem, como eu, é a única pessoa em casa a apreciar cereais não tem alternativa senão enfardá-los a todas as refeições, ou sujeita-se a comprar um pacote para usar só uma vez e a desperdiçar o resto. Por vários motivos, não estou disposta a despachar uma caixa inteira de uma assentada. Mas custava alguma coisa o pacote trazer vários sacos com doses individuais, em vez de um sacalhão quem nem zip tem? E uma daquelas embalagens catitas "mantêm-se frescos por mais tempo" que agora fazem para tudo e mais alguma coisa? 


Inspirações: El Corte Inglés, Michael Kors e...jeans brancos

                             

Como de costume, as propostas do El Corte Inglés para este Inverno são um encanto. Gosto especialmente do ambiente campestre e feérico da colecção Ted Baker (ver acima).  Não morro de amores pelos tecidos, mas os visuais são soberbos. Já Michael Kors, que contou à Elle España a sua adoração por jeans brancos a lembrar Jackie Kennedy, 
incluiu-os na sua. " Com uns jeans brancos parecerá automaticamente um membro do jet set" diz o designer, que obviamente precisa de passar umas férias em Portugal...
    Não é que eu discorde da afirmação - bem usados, fazem isso mesmo; dão um aspecto giro e à moda, que recorda certos ambientes optimistas dos anos 70 - exactamente o que Kors sugere. Mas convenhamos, o povo terá a sua razão quando afirma "calças brancas em Janeiro é sinal de pouco dinheiro" e são poucas as pessoas que conseguem dar-lhes o ar certo. Tal como as botas brancas, os jeans dessa cor não têm meio termo: ou dão um aspecto fabuloso, ou do mais trashy que há...e se pegarem nas ruas, estou a adivinhar que os nossos olhos vão sofrer um bocadinho. No entanto, entre os looks countryside e urbanos, há tantas coisas bonitas e luxuosas que não vale a pena a preocupação. Das peles às malhas cruas, passando pelos tweeds, tartans, pied-de-poule, cores sólidas em vestidos de bom corte, saias lápis, casacos com ar de coisa preciosa, a escolha é enorme. Este Inverno apresenta-se divertido, mas exigente. Quem quiser compor um guarda roupa bonito vai ter de se organizar bem para integrar todas as opções; há tantas tendências marcantes que podemos coordenar entre si que é fácil esquecermo-nos de alguma. Alguém já começou a destinar o closet para a temporada?


                catalogo el corte ingles otoño 2012 michael kors



                                                   
             
                                   

Wednesday, October 3, 2012

Boccaccio dixit: da riqueza

"Prefiro um homem que careça de riquezas, a riquezas que careçam de um homem"
 in Decameron



Estes coreanos são doidos

A Coreia do Sul, país até aqui relativamente discreto, tem andado nas bocas do mundo. Começou por dar cartas na moda e na beleza - devemos-lhe o BB cream que tanto jeito nos dá, e que atire a primeira pedra a fashionista que ainda não se deixou tentar por roupas, sapatos e engenhocas fora do vulgar concebidos em tão exóticas paragens. Mas confesso que, como sou distraída, só há dias percebi o que era o Gangnam Style de que toda a gente falava. Julgava que era alguma coreografia altamente sofisticada, para um público muito específico, e sai-me isto. Que na Ásia se invente uma coisa assim não é de estranhar, só não percebo como se tornou viral e tomou de assalto todo o planeta. Oh well, sempre tem mais graça do que o Ai se eu te pego, e um vídeo bem mais giro.



Dolph Lundgren: viking com QI de 160

Ainda não vi The Expendables, mas tenho vontade de ver os dois filmes num dia em que a paciência me assista. Não porque seja grande apreciadora das películas de acção actuais, mas porque  - como comentei ontem a propósito de Muhammad Ali - acho genial a ideia de pegar em estrelas afastadas da ribalta e colocá-las noutros contextos. Quentin Tarantino tem feito isso e reciclado a carreira de muito boa gente, transformando o "kitsch" em "cool". E a ideia parece ter pegado. Brincar com a imagem estereotipada e démodé de certos actores e dar-lhe uma nova roupagem revelou-se lucrativo, dada a relação emocional que ainda mantêm com o público, e é mais entusiasmante do que procurar constantemente caras novas. Façam o que fizerem, não se fabrica um Van Damme, um Schwarzenegger ou um Chuck Norris de um momento para o outro. Duvido que o género volte a estar tão na berra como esteve nos anos 80 e no início dos anos 90, quando as carreiras duravam mais do que agora e os filmes tinham um impacto duradouro. Sabemos quem é Dolph Lundgren, sabemos quem é Stallone - não creio que a maioria das estrelinhas e caras da moda que apareceram como cogumelos nos últimos anos sejam tão reconhecíveis daqui a uma década. Mas todos juntos, num ensemble cast...é dinheiro em caixa.
Numa família dada às "artes da guerra", muitas vezes tendo o meu irmão como único companheiro de brincadeiras, com uma série de primos rapazes e vários fãs de Bruce Lee na família, acabei por me apaixonar pelas artes marciais e achar piada a alguns filmes do género. Não pelos fabulosos argumentos e textos, bem entendido: mas entretinham, eram coloridos e passavam-se sempre em paragens exóticas. De todas as estrelas do género, o meu fraquinho ia para o sueco Dolph Lundgren, que tinha uma das figuras e rostos mais belos do cinema. Sempre tive pena que se cingisse aos filmes de acção e que nunca tivesse enveredado (ou que não lhe fossem dadas oportunidades para isso )por outros campos.
 O mais curioso é que ele é inteligentíssimo (QI de 160)  oriundo de uma família de académicos- graduou-se em química e engenharia química e fez parte dos fuzileiros no seu país natal. É cinturão negro de Karate (3º Dan) e foi campeão europeu. Só mais tarde - e depois de um namoro com a icónica modelo Grace Jones, how cool is that? - é que se dedicou a estudar arte dramática.  Nessa época, como tantas caras famosas, frequentou o lendário Studio 54. Teve uma breve passagem pela moda, mas com 1,97 m e 110 kg era um pouco "grande" e assustador demais para manequim. Impressionados pela sua presença, os amigos convenceram-no a tentar os filmes. E o resto sabemos: a participação em Rocky tornou-o um ícone pop. Se fosse hoje, a sua carreira poderia ser menos marcante, mas mais versátil - é comum actualmente ver actores "sérios" a variar entre a comédia, o drama e o cinema de acção. Talvez ainda vá a tempo; eu gostaria de ver isso, e parece-me que aos 54 anos continua em excelente forma, talvez com um ar distinto que os papéis que lhe davam não permitiam mostrar. Afinal, ele é um Master of the Universe, e um viking que não se deixa abater se mais aquelas...

Tuesday, October 2, 2012

Das pessoas amorosas

                                          
Muitas vezes falo-vos da gente rara ou ruim com quem embirro, talvez porque infelizmente, as pessoas estranhas e malvadas dão mais nas vistas. Mas graças aos céus, também há aquelas que tornam a vida agradável e fazem o mundo mais bonito. São as que andam sempre com um sorriso e desencantam coisas giras ou engraçadas para dispor bem os outros onde ninguém mais as vê. São as que se alegram com o sucesso alheio. As que, mais do que aderir a causas que nunca viram, fazem o possível pelo próximo, têm palavras de incentivo, de consenso, de apoio; as que cuidam da sua vida e competem consigo mesmas, em vez de desafiar os outros. As que escrevem um disparate sincero, em vez de fazer copy/paste de um disparate alheio supostamente "tocante". Pessoas que tentam tornar agradável qualquer ambiente onde estejam, que elogiam desinteressadamente, que delegam com sabedoria, que sabem trabalhar em equipa e unir o talento alheio ao seu. Ou aquelas do estilo Dr. House, refilonas e mal encaradas, what you see is what you get, mas com um coração de ouro e sentido de humor. As pessoas que lêem muito, mas são capazes de pensamento próprio e de originalidade; que estão conscientes das responsabilidades, em vez de procurar os louros; que são carinhosas com quem as rodeia, porque sim; que são criativas, com uma rebeldia genial, e que nos deliciam com textos bem escritos, com ditos espirituosos, com um estilo próprio. Pessoas discretas e sensatas. E educadas, que sorriem quando lhes sorriem, respondem quando lhes falam, agradecem,  pedem licença e têm uma polidez à moda antiga, porque a velha cortesia nunca passa de moda. Aquelas que nos fazem admirá-las, que são originais, mas sabem reconhecer a criatividade e o talento nos outros e ficam contentes quando encontram uma alma irmã, pois sabem que o seu talento é único e por isso, não se sentem ameaçadas. Que têm espírito crítico sem cair num cinismo extremo. Que amam os animais e dão desconto às pessoas. Gente capaz de gerir os relacionamentos com lealdade, justiça e equilíbrio. Gente de confiança, que ainda usa a palavra de honra. Gente gira. Gente com classe. Gente boa.

I love: Muhammad Ali e Louis Vuitton

                                   
Depois de Mikhail Gorbachev, Keith Richards, Angelina Jolie, Michael Phelps, Sean Connery e Catherine Deneuve, Muhammad Ali é o novo rosto da Louis Vuitton. A imagem, captada por Annie Leibovitz, mostra o atleta em casa, acompanhado pelo neto de três anos. Esta é a mais recente campanha Cuore Values, que além do lindíssimo retrato inclui uma homenagem no site da LV e vários vídeos de tributo (ver abaixo) baseados nos discursos icónicos do lutador . Segundo Yves Carceille, CEO da marca, Muhammad é "o  epíteto de uma personalidade extraordinária" e foi "uma honra" que tivesse acedido ao convite. A presença da criança chama a atenção para o elemento da hereditariedade e transmissão, valores inalienáveis da Louis Vuitton. Pessoalmente, adoro que numa cultura ainda obcecada com a juventude se homenageiem lendas vivas, cujo brilho é imune à passagem do tempo. Não houve nenhum como Muhammad Ali , nem haverá; o seu legado transcende o desporto. É uma lenda, que inspirou outra - Bruce Lee. Um homem que marcou a sua época, um homem de causas com uma forma de pensar incrível. É daquelas pessoas raras, com um fogo dentro de si que precisa de explodir e lançar toda a sua luz sobre o mundo. Há os famosos...e há as estrelas.








Sobre os vampiros



Há dias, ao jantar, conversava-se cá em casa sobre vampiros. Não essas versões teenager e desenxabidas de Crepúsculo e derivados (algum vampiro que se prezasse ia condenar-se a comer alface, brilhar ao sol, usar ténis manhosos e ir à escola por TODA a eternidade???) mas dos príncipes dos monstros, dos seres belos, glamourosos e hedonistas que só fazem o que lhes dá na real gana. Vampiros adultos, sensuais, com roupas lindas, uma elegância de paralisar e séculos de experiência no amor, no ódio, no luxo, na vingança. Capazes de hipnotizar as suas presas. Cruéis e cheios de conflitos interiores. Daqueles que mordem toda a gente e fazem dos inimigos o jantar, despachando duas tarefas ao mesmo tempo. Vampiros com poderes. Vampiros que desprezam quem que não seja como eles, a contemplar a humanidade do alto da sua torre, lastimando-a, desdenhando a sua fraqueza e invejando-a ao mesmo tempo. Predadores. Eternamente jovens e irresistíveis, carismáticos, artísticos, sem alma, apaixonados mas sem coração, de pele fria, fantasmas de carne e osso com um apetite insaciável pela vida - frenética, eterna. A tentar os incautos, a exercer o seu encanto mefistofélico, belos e trágicos. Estes serão sempre os meus vampiros - men of wealth and taste.

     Os dos contos, do folclore, do Conde Drácula, eventualmente da Anne Rice e quando muito, de True Blood, numa versão civilizada mas sem vontade alguma de o ser. E no decurso da conversa, veio a propósito a velha crença "um vampiro só pode entrar em casa se nós o convidarmos". É certo que às vezes fazem batota e recorrem aos seus poderes para obrigar as pessoas a convidá-los, mas sem  que os chamemos é escusado, não podem atacar ninguém dentro de portas. Mesmo depois de entrarem, se os mandarem sair não conseguem permanecer no aposento. 
Vão-se embora a correr, sem alhos, estacas nem crucifixos. Mesmo que um charmoso nosferatu possa contornar a vontade da vítima com truques, se esta recuperar o controlo das suas faculdades mentais e quiser de facto expulsá-lo, não há vampiro que resista a um propósito firme, a uma personalidade forte e a uma voz de comando que lhe diga, sem medo nenhum, "rua". Fiquei a pensar nessas extraordinárias criaturas e ocorreu-me como os vampiros se parecem com algumas pessoas da vida real: encantadoras mas tóxicas, com uma capacidade inata para a manipulação. Também essas podem manipular quem está à volta, enredar a vítima na sua teia, fazer o que querem durante algum tempo. Mas o seu domínio depende única e exclusivamente da vontade de cada um. Se decidirmos que nós é que mandamos, que não temos medo nem sabemos o que isso é, que não queremos vampiros a sugar o que não lhes pertence e que não lhes admitimos essas liberdades, eles não têm outro remédio senão obedecer, em menos de um Credo.

E a Cacharel enganou meio mundo...

Photo
Afinal, a Diana era esta...
Com a tal história romântica da Diana, procura-se. Muito bonito, conseguiu arreliar os consumidores que andam com pouca paciência para episódios fofinhos que afinal são treta. Nem me pronuncio sobre os jornalistas que pactuaram com tudo isto, ou foram igualmente equivocados pela acção de marketing. Criar publicidade viral "em laboratório" não costuma ser boa ideia. É difícil prever os resultados. Estou para ver se a curiosidade em experimentar o perfume (que se chama, muito adequadamente, "Catch me") vai levar a melhor sobre a irritação do público. Fico neutra, pois ressalvei no primeiro post sobre o assunto a minha reserva quanto à sinceridade de tão maravilhoso amor. No entanto, continuo a preferir que se promova a imagem da mulher que se deixa conquistar e não o contrário. Do mal o menos...

Cabelos de Afrodite



Cabelos longos com movimento, ondas, volume, caracóis brilhantes, apanhados suaves e cores vibrantes, mas naturais. O reinado do brushing rígido num escadeado sem graça parece finalmente ter chegado ao fim. O alisado total apareceu no desfile Prada para este Outono Inverno, mas numa tónica retro, desafiadora. O cabelo polido, "oficial", bonitinho, elegante, deixou de ser esticado a todo o custo. Regressam as texturas mais próximas do cabelo europeu comum, ou seja, livre de despontados agressivos, glamouroso e sedutor de uma forma clássica. Há sempre algo de irresistível, selvagem e misterioso em longas melenas cheias de caracóis. O encanto das madeixas da Vénus de Botticcelli, das ninfas de Ticiano, está implícito nos looks para o próximo ano: os meios apanhados dos séculos XVII e XVIII, vistos em Vivienne Westwood; as cabeleiras quase soltas e volumosas apresentadas por Gucci; penteados beehive, altos e chic, em Oscar de La Renta, Derek Lam e DSquared2; e o volume natural, solto e bem tratado sugerido por Blumarine. Este big hair, enfeitado com acessórios -  a acompanhar as tendências dos anos 60, do barroco e a lembrar ligeiramente a década de 90, é no entanto, cuidado, com um ar "caro". É feminino. É chic. É um ode à beleza clássica. E simples, sem arruinar a estrutura original do cabelo. What´s not to love?


                         

                        Blumarine Fall 2012Derek Lam Fall 2012  Gucci Fall 2012


                                

Monday, October 1, 2012

Somebody get that dress!

Gostei muito do filme The Help, que já mencionei há uns tempos a propósito de um texto sobre o Sul dos EUA, um dos locais onde não me importaria de viver. E como não podia deixar de ser, adorei a personagem (marilynesca-white trash- fofa-com-coração-de-ouro-que-casou-muito-bem-e-passou-a-vestir-lindamente-mas-é-demasiado-sexy-para-a-sociedade-local) interpretada pela belíssíssima Jessica Chastain...e o seu guarda roupa. Reparem nos pormenores, no tecido, talhe, cor e corte deste sheath dress magenta. O decote é um pouco ousado (é para isso que existem pregadeiras!) mas não esqueçamos que a actriz precisou de ganhar um bocadinho de peso nos lugares certos para o papel, e de moldar o corpo para ter as curvas de uma diva dos anos 60... logicamente, o realizador não ia desperdiçar o efeito. Para o obter, e como ainda por cima é vegetariana, Jessica teve de papar soja, soja, tofu e mais soja, e derivados da dita cuja, uma forma excelente para ganhar contornos mais femininos. Fica a dica, para quem se desespera com o wonderbra...


NOTA: o link para o texto no site da Activa já está a funcionar no post abaixo e aqui. Desculpem a falha técnica.

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...