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Saturday, October 27, 2012

Halloween chic, lendas, tradições e...Apocalipse


Já prepararam a vossa fatiota para o Ano Novo Celta? A minha é um work in progress, dependente de alguns acessórios estarem prontos a tempo. Ainda estou indecisa entre duas opções; mas ao contrário do que é costume, inclino-me para uma toilette que não seja exactamente uma máscara. (Inclino-me, ainda não optei...não vá eu à última hora escolher ir de alma penada e depois passar por mentirosa).  Está a apetecer-me pegar nas roupinhas e calçados com um certo ar gótico que por aí andam, que não tenho coragem para usar no dia a dia (em look total, pelo menos) e compor um visual witchy, mas elegante. Estilo bruxa à paisana, mas pouco. Uma bruxa/vampira/rainha das Trevas sofisticada que se possa levar a todo o lado desde que se mantenha sob controlo, não vá ela semear o caos e a destruição na mais selecta das festas. A minha vontade de causar o Apocalipse em certos e determinados circuitos ainda não se desvaneceu, por isso talvez essa seja uma boa inspiração. Vista o que vestir, o que importa é que as almas do outro mundo me confundam com uma delas; afinal, essa é a tradição por trás da All Hallows Eve. Em noite de Samhain, o véu entre mundos desvanece-se e tudo quanto é fada, elfo, alminha, fantasma ou diabrete passa para este lado da vida, pronto a pregar partidas aos humanos. A Rainha das Fadas e o seu amado esposo, o Rei dos Elfos, saem na sua cavalgada fantasma prontos a raptar gente normal para viver encantada no seu palácio por um período mínimo de sete anos (isso não parece assim tão mau; o problema é que quem lá vive não regressa bom da cabeça, tal é o contraste entre aquela terra maravilhosa e a nossa).  Neste período as Divindades estão mais perto e os espíritos dos antepassados e amigos que partiram para o Outro Mundo estão mais próximos de nós. Também é a época para agradecer o que de bom se recebeu, deixar para trás o que não interessa e formular desejos para o futuro. Mas tudo isso sob disfarce - a alternativa é ficar em casa como os irlandeses de antigamente, que se fechavam a sete chaves após o por do sol; porque se os seres mágicos nos reconhecem, pode haver consequências muito desagradáveis. Ou seja: usem o que vos apetecer - desde que seja estranho - para vossa própria segurança, e bons sustos a todos.

Não há botas, minha gente


Já o disse esta semana, e um passeio pelas lojas confirmou os meus receios: os botins tomaram definitivamente o mercado de assalto e para quem prefere botas que cubram a perna, este não vai ser o ano mais divertido (por outro lado, é bom para a poupança...). Veredicto: vou aproveitar as extravagâncias que se têm visto para pôr em uso alguns exemplares que estavam guardados, e cuidar das outras que tenho. Entretanto eu, que sou eu, já perdi a cabeça com um botim do género deste da imagem - o mesmo formato, mas um salto menos agressivo. Talvez porque opto quase sempre por linhas depuradas e clássicas na roupa, os sapatos e as carteiras são das poucas ousadias que me permito. Estes são só para determinadas ocasiões, mas elevam tão bem a figura e são tão confortáveis que não dá para acreditar. Tive de me controlar para não trazer outro modelo, chunky heel e colorido, para casa. Felizmente tinha um grilo falante a dizer-me que por muito que sejam tendência os anos 70 já lá vão e que para sapatões desses, bastam as Lita (que assim como assim, a usar, só de forma muito discreta). E as meninas? Aderem à craze dos botins ou vão, como eu, partir em busca das boas e velhas botas de cano alto?

Laranjinha Mecânica: 50 anos


"I was cured all right"

 Alex The Large, o Psicopata Mais Adorável da ficção (queira desculpar, Hannibal Lecter; continua a deter o título de Mais Encantador, mas o Mais Adorável é o Alex) está um respeitável senhor de meia idade: o romance de John Anthony Burgess, que deu origem ao filme de Stanley Kubrick, faz 50 anos. Laranja Mecânica é um dos meus filmes preferidos. O decor louco, o excelente argumento adaptado, a fotografia, as falas inesquecíveis, a interpretação do angelical Malcolm McDowell e o facto de mexer com a cabeça do espectador, levando-o a simpatizar com o "pobre menino" apesar das suas maldades tornam-no uma obra incontornável. O visual do gang liderado por este enfant terrible na versão cinematográfica também é inesquecível (e uma inspiração clássica para máscaras de Halloween, já que estamos em época disso). 
Alex tem consciência, intelectualmente falando, de que os seus actos são reprováveis. Reconhece que se todos fossem como ele, não se podia viver em sociedade. É culto, educadinho e amável com quase todos e quando o tentam reformar, não acha má ideia; apenas considera que as suas tendências são outras. Comete crimes como uma cerejeira dá cerejas; é a sua natureza, mas torna-se inevitável esperar que se regenere. Debalde - apesar dos tratamentos terríveis que lhe são impostos, o nosso (anti) herói (que acaba por ter um final feliz...para ele, pelo menos) volta gradualmente aos velhos hábitos, numa posição bem mais perigosa: empregado pelo governo e considerado pela mesma sociedade que brutalizou alegremente. O ar amoroso e a excelente interpretação de Malcolm McDowell contribuíram largamente para o êxito (e controvérsia) do filme de 1971, mas a polémica gerada - e a participação no escandaloso Calígula - prejudicaram a sua carreira, condenando-o a interpretar vilões com carinha de anjo, muitas vezes em produções indignas do seu talento. Felizmente, nos últimos tempos temo-lo visto em séries de renome: mais velho, mas sempre com um certo ar mefistofélico e malandreco que não consegue evitar. Cada qual é para o que nasce...






O triunfo da Beleza

                             
                                           Jean-Léon Gérôme, Frinéia revelada perante o Areópago (1861)
File:Cnidus Aphrodite Altemps Inv8619 n3.jpg
Cópia da Afrodite de Knidos.
Frinéia terá sido a  modelo.
Por vezes, tende-se a perpetuar o mito de que o mundo pagão era um misto de inocência e licenciosidade, palco de todas as libertinagens. Aponta-se o dedo à moral cristã por "mergulhar a civilização nas trevas" instituindo a ideia de pecado e consequentemente, de moderação. Não será bem assim - os conflitos de opinião são tão velhos como o tempo, e algumas das imagens românticas  ou chocantes que chegaram até nós sobreviveram durante séculos...simplesmente porque espantaram o suficiente os seus contemporâneos para os levar a deixá-las por escrito. Leis da decência, leis sumptuárias, da moral e dos bons costumes sempre existiram aqui e ali, razoáveis ou não, aplicadas com mais ou menos justiça. O caso da deslumbrante hetaera Frinéia, musa (e amante) do grande escultor Praxíteles é bem ilustrativo disso. Frinéia era uma das mais famosas cortesãs de Atenas; tão linda que os homens se lançavam aos seus pés, extasiados. Acumulou por isso, muito nova ainda,  uma imensa fortuna. A graciosidade e ausência de pudor eram outros atributos que contribuíam para a sua celebridade: nos festivais de Eleusis e de Poseidon costumava tirar as roupas e mergulhar no oceano perante o olhar siderado dos convivas, hábito que inspirou ao pintor Apeles uma das suas obras mais famosas, a Afrodite  Anadyomene, nascida do mar. (Uma das versões, pelo menos, já que noutra o pintor usou Pancaspe, amante de Alexandre Magno, como modelo). Ora, a riqueza e poder da jovem, uma simples mulher e cortesã demais a mais, há muito que irritava os figurões da cidade. Ela tivera mesmo a audácia de se oferecer para pagar do seu bolso a reconstrução das muralhas de Tebas, com a condição de que nelas ficasse escrito " destruídas por Alexandre o Grande, reerguidas por Frinéia, a cortesã". 
                                       
As autoridades recusaram. Contentou-se então em oferecer a Téspies, sua cidade natal, também arrasada pelo grande conquistador, uma magnífica estátua de Eros - assinada por Praxíteles, claro. Tanta ousadia não podia ser tolerada. Reuniram-se, conspiraram e arranjaram um pretexto para a acusar de corromper os bons costumes. Alegadamente, a beldade teria profanado os sagrados festivais dos Mistérios de Eleusis. A acusação era falsa, mas se fosse considerada culpada, seria condenada à morte. O orador Hipérides, um dos seus fervorosos apaixonados, veio em seu auxílio. Após um discurso inflamado que não comoveu os juízes, o advogado de defesa - que bem conhecia os encantos de Frinéia - arrancou-lhe a túnica e apresentou-a, em todo o seu esplendor, perante o tribunal. Foi absolvida de imediato: tão espantosa beleza só podia ser um sinal de divindade, e nenhum juiz se atrevia a afrontar os Deuses que tão maravilhosamente tinham dotado aquela linda mortal..."beleza é dote e virtude" - para os Antigos Gregos, pelo menos.


Friday, October 26, 2012

Sissi e...portal Be Style

                              

Mais uma vez o Imperatriz Sissi diz da sua justiça no português adocicado do país irmão, com uma crónica de moda aqui e uma ferroada às mulheres da luta do outro lado do Atlântico. Julgavam que estavam a salvo por se esconderem na terra do samba, do carnaval e do guaraná? É caso para dizer...está bem Abelha
Agora falando a sério: espreitem o portal que vale bem a pena, com artigos giríssimos sobre moda, cultura, séries, lifestyle e muito mais. Trata-se de um projecto fenomenal de uma equipa jovem, criativa e cheia de estilo. Orgulho-me de fazer parte dos seus colaboradores "abelhudos" e torço para que seja um grande êxito, como merece. Espero que passem por lá e depois me dêem a vossa opinião.


Review Beauty UK, papel amoroso e...dois pincéis milagrosos

Tinha prometido partilhar a minha opinião sobre a Beauty UK, marca que chegou cá a casa através da Velvet- Bag. No que respeita a sombras, para o dia a dia costumo preferir os tons neutros, terra ou dourados, com uns toques de laranja aqui e ali. A palette Amazon foi uma escolha óbvia e distingue-se por incluir um produto muito em voga que adoro: o eyeliner em creme. Com seis cores do rosado ao castanho quase negro, este produto cumpriu exactamente o que esperava de uma boa sombra inglesa: pigmentação eficaz, ligeiramente nacarada, cores sólidas e aplicação fácil, especialmente se usarmos um pincel de esponja. Por falar em pincel, este foi o pormenor que mais gostei. Vale a pena comprar a palette só por causa do pincel de eyelinerNunca tive nenhum parecido: aquela coisa minúscula desafia as leis da lógica. Podem delinear os olhos aos solavancos (e acreditem, tenho andado numa correria tal que a maquilhagem tem sido feita mesmo assim) que o traço sai firme e razoavelmente direitinho. 
O makeup  (express!) ainda não estava finalizado, mas dá para terem uma ideia: um toque muito leve de sombra rosada e castanho café na "banana"  e umas pinceladas rápidas dos dois tons de eyeliner .
 Já o eyeliner encantou outra pessoa cá em casa - que adora texturas em creme, que se possam usar como delineador ou sombra, conforme a necessidade - e provavelmente vou encomendar outro exemplar para evitar andar pela casa fora " onde está a caixinha Beauty UK?". Não é tão espesso  como alguns que tenho, o que se por um lado, exige mais do que uma camada para quem queira um traço escuro e pigmentado numa só passagem, por outro permite controlar a aplicação, conseguindo efeitos muito giros e gradações sem manchar nem esborratar. Gostei especialmente de usar as duas cores, com uma pincelada maior de castanho, esfumada, junto às pestanas inferiores.

Ao final da tarde (muito vento, muito calor, muita lufa lufa): makeup de olhos Beauty UK e  trabalho do "mestre do disfarce" pincel de corrector Royal  Silk.

  Também vos contei que o Farinelli me deixou a cara num estado espantoso, e que precisei de muita arte e paciência para esconder o arranhão. Mas não foi tudo habilidade, porque tive um aliado. Confesso que eu, grande apologista de pincéis de qualidade, não faço nada sem eles (nunca fui adepta das técnicas de alguns maquilhadores, que trabalham lindamente de mãos nuas) mas nunca tinha experimentado um pincel de corrector já que, felizmente, não costumo ter manchas localizadas para camuflar. 
Porém, este da Royal Silk é uma verdadeira ferramenta de caracterização. 



Bastaram uns toques de corrector (primeiro líquido, depois em creme) para andar todo o dia à vontade. Basicamente salvou-me o  passeio ao Portugal Fashion, e outros compromissos ao longo da semana...  de futuro, não passarei sem ele - de arranhões e imperfeições temporárias ninguém está livre e convém ter um fiel amigo que nos acuda em situações dessas! 


Por fim, um produto que me despertava curiosidade há bastante tempo - e do qual tinha ouvido dizer muito bem - mas nunca tinha testado (o que, considerando que nunca me separo da minha caixinha de pó de arroz e o meu fraquinho pelo vintage, pode parecer estranho): o pó em papel, ou papier poudré. Já tinha usado papel absorvente de outras marcas, mas este é diferente e não tem a textura de papel vegetal. Foi criado no início do século XX para retocar o pó de arroz discretamente, uma vez que era de mau tom aplicar maquilhagem em público. Existe em três cores (Rose, para morenas, Rachel, para peles claras e White, para peles extra claras como a minha) cheira muito bem e a embalagem é a coisa mais amorosa que há. Estes e outros produtos de confiança estão disponíveis na loja portuguesa Velvet-Bag, e adivinhem? 


A partir de agora as leitoras (e leitores) do Imperatriz Sissi vão beneficiar de 10% de desconto nas suas encomendas. Para isso, basta que coloquem o código VelvetSissi (sempre visível no banner cor-de-rosa à vossa esquerda) no modo de pagamento. How cool is that?












"Perguntas a não fazer numa entrevista de emprego": Say what!?





Há dias deparei-me com esta pérola de texto, que ensinava  - com um realismo ingénuo a roçar o cómico, honra lhe seja feita - as perguntas a evitar numa entrevista de emprego. "Não questione sobre o salário" reza este guia para o escravo em potência. "Se o fizer vai demonstrar que se preocupa apenas consigo próprio e o seu bem-estar, ao invés de se preocupar com o posto ou a empresa". Ora, essa questão já foi referida aqui. Para começar, é indecente que os anúncios de emprego em Portugal não coloquem, por norma, uma estimativa do vencimento a par com a longa lista de exigências e requisitos preferenciais. E já agora, também não se pergunta na entrevista? Então vamos lá ver: o candidato ideal tem como objectivo de carreira trabalhar para aquecer, está visto. É suposto preocupar-se comovida e profundamente com uma empresa que nunca viu mais gorda e que não lhe retribui tal carinho e desinteresse? Candidata-se a um emprego sem fazer ideia de quanto é que a empresa está disposta a investir nos seus colaboradores (o que  a meu ver, é uma forma de desperdiçar tempo valioso à empresa e ao candidato; seria muito mais fácil dar uma previsão de salário, e quem não estivesse disposto a trabalhar por X não respondia ao anúncio para começar, evitando um monte de CVs e entrevistas inúteis...) e  nem na entrevista pode perguntar quanto pagam, para saber se o lugar lhe convém? Para não mencionar que nem todos os postos de trabalho que surgem são perto de casa, e é preciso calcular esse factor também. E caso o todo poderoso recrutador goste do entrevistado e diga " o lugar é seu"? Espera-se até à assinatura do contrato para que ele afinal conclua " espere lá, com este ordenado não fico"? Mas afinal...não estamos aqui a falar de negócios? Expliquem-me lá como é que se faz então, porque devo ter as prioridades trocadas. Não vou ver uma casa se o agente imobiliário não me disser quanto custa; se entro na Bershka espero pagar X, já na Chanel...conto com Y, e assim por diante. Em qualquer investimento, compra ou acordo espera-se saber quanto se gasta e quanto se ganha. Porque seria diferente em relação a um posto de trabalho? 

                                                                                      
"Ou estás caladinho, ou não és contratadinho"

Mas esperem, há mais. " Não questione o ambiente de trabalho: se o fizer vai demonstrar que teve problemas de relacionamento numa experiência anterior". Mau Maria! Então sondar o perfil e atmosfera da empresa faz do candidato um psicopata em potência?   Em Roma, sê romano: qualquer um gosta de saber em que ambiente vai cair para fazer por se integrar logo de início, eu acho. Mas que gente tão desconfiada...e a contar com fé cega e absoluta por parte de quem se candidata, ora pois. "Não questione sobre os tempos mortos e intervalos: se o fizer vai demonstrar que se preocupa mais com o descanso e o lazer do que propriamente o trabalho em si". Mau candidato. Mau! Não ganha biscoito. Onde já se viu, ainda mal cá chegou e já quer saber a que horas pode fazer as pausas previstas por lei de acordo com os hábitos dos colegas. Onde já se viu tamanha lata?  " Não questione se pode trabalhar a partir de casa: vai demonstrar que tem pouca vontade de sair de casa para ir trabalhar". Numa linha de montagem de parafusos, trabalhar a partir de casa pode ser um problema, noutros empregos nem por isso. Mas não haja questões: o candidato ideal está ansioso por ter uma bola e corrente amarrada ao tornozelo. "Não questione sobre férias: vai demonstrar que prefere marcar já as férias antes de ser contratado. O mais certo é continuar desempregado para poder gozar férias quando quiser". Boca foleira, meninos. Golpe baixo. Essa doeu. Não entendo onde está o problema de conhecer a dinâmica, regras e hábitos de uma organização que eventualmente se irá integrar - principalmente quando na maioria dos casos, o recrutador já virou o entrevistado do avesso, e é justo que se retribuam as perguntas. O artigo termina com " mas também não fique calado, que isso dá má impressão". Pois eu que cresci a crer que quando não temos nada de importante para perguntar fazemos melhor figura em silêncio, por aqui me fico...

                                                       
  Confesso que não sou uma expert na matéria: na maioria das funções que ocupei havia um conhecimento prévio do meu perfil e do meu trabalho, que levou à contratação. Já estive nas duas posições e uma entrevista de emprego é sempre limitada para ambas as partes. No entanto, parece-me que uma empresa que espere um comportamento submisso e patético, de quem está por tudo, é uma boa candidata a empregados que se estão nas tintas - que querem um trabalho para o desenrasca, perdoem o termo, e não uma carreira. Dizer que sim a tudo não é empenho, não é dedicação à empresa nem amor à camisola - seria irrealista pensar tal coisa de um recém chegado que nunca lá trabalhou - mas desespero e em alguns casos, falta de fibra. Conheço boa gente que foi contratada ao responder torto, indignada, às perguntas mistério (há empresas que provocam os candidatos de propósito, a ver como reagem). Se eu estivesse no papel do entrevistador e visse um candidato que não perguntava nada do que era do seu interesse, só me ocorria pensar que estava perante uma pessoa desonesta, disposta a tudo, com cartas na manga, pronta a mostrar o seu verdadeiro eu uma vez contratada. Pela parte que me toca, what you see is what you get - gosto de ser honesta, que sejam honestos comigo, cartas na mesa; se convém muito bem, senão, os negócios são mesmo assim. 
  Porém, se este é o perfil do empregado perfeito em Portugal...está tudo explicado.

 

Thursday, October 25, 2012

Convido-vos a visitar a Activa hoje...






...porque esta semana temos duas crónicas made in Sissilândia!

Viagem ao mundo Concreto: Portugal Fashion (Parte II)



Tricots e shift dresses que recordam Twiggy, Brigitte Bardot e os anos 60.   Silhuetas justas em contraste com vestidos amplos e soltos, com pontos bastantes abertos e transparências em tons fluo e cores fortes -  amarelo, laranja, limão, apontamentos de azul. Flapper dresses, numa versão primaveril da tendência revivalista dos loucos anos 20.  De tudo isto - sob o signo da intensidade da luz, do brilho e do lazer - se compõe a colecção Bright Days da Concreto para a Primavera/ Verão do próximo ano. Propostas versáteis, de elegante simplicidade apoiada na qualidade das matérias primas: tricots e jerseys 100% algodão, pura seda ou mistura de algodão e seda.  Bright Days (que podem espreitar em detalhe no site Vogue.pt, aqui, ou no vídeo do desfileé uma colecção que confirma um carimbo e um estilo, o Verão visto pelos olhos de Helder Baptista. No mercado português há mais de duas décadas, a Concreto detém uma tradição de qualidade - malhas que duram anos, juram os consumidores fiéis - e originalidade. 
 A marca é conhecida pela diferença, irreverência e agressividade na cor que lhe valeram a alcunha de Benetton Portuguesa, mas eu diria que me recorda mais o colorido e as texturas Missoni. A pureza das linhas - contrabalançada por uma interessante "engenharia" na construção das peças - permite a quem vê imaginar diferentes utilizações. 
Helder Baptista no seu atelier
Por exemplo, no trikini tricotado à mão, um dos modelos criados em exclusivo para o Portugal  Fashion (muito aplaudido pela assistência) a camisola de rede foi usada como écharpe. Para Helder Baptista, à frente das criações Concreto desde 2006 " certas peças dependem da criatividade de quem veste. Há uma versatilidade: um vestido pode ter um ar chic com um cinto dourado, sandálias compensadas...mas basta um cinto mais largo e ténis para ganhar um ar completamente diferente. Ou seja, a nossa roupa pode ser usada pela menina que vai para a escola ou pela senhora que trabalha num banco" explica. Para além da formação como designer de moda, o criador cresceu numa família ligada à alfaiataria - e isso é visível em peças mais estruturadas e bem construídas, em materiais sólidos e favorecedores para diferentes silhuetas; um luxo invulgar para vestidos ou jumpsuits de malha. Por vezes as roupas concebidas em materiais deste género tendem a não se segurar no lugar ou marcar demasiado - o que pode ser menos apelativo para quem, como eu, prefere um visual clean e de linhas impecáveis. Esse problema não se dará com um vestido Concreto -um cai-cai poderá ter lingerie incorporada, e é preciso tocar para perceber a consistência da malha, fabricada com fios italianos de mohair, cachemira, algodão - lã, 100% lã ou lã 80-20. Uma qualidade que valeu à Concreto colecções muito elogiadas em publicações de tendências a nível internacional, como a Maglieria Italiana e a Close Up- Knit &Tricot ao lado de Casas como Blumarine, Moschino Cheap&Chic, Lanvin, Balmain ou Balenciaga.

Croquis de Helder Baptista
                                         
Vestido de seda e carteira (modelo exclusivo para o Portugal Fashion)
Após o desfile, com Aida Santos e Helder Baptista

Alguns modelos marcantes (colecções de Inverno 2011 e 2012)

















Wednesday, October 24, 2012

Viagem ao mundo Concreto: Portugal Fashion (Parte I)

Tal como vos tinha contado, a Concreto desafiou-me a estar presente no Portugal Fashion, para conhecer de perto a colecção S/S 2013 assinada por Helder Baptista. Tenho de vos confessar uma coisa: o ambiente destes eventos é sempre entusiasmante (já lá vamos) mas no que respeita a desfiles, prefiro ir se conhecer o designer, se tiver a oportunidade de compreender a colecção, a inspiração, as motivações e o espírito da marca. Gosto de entender o que vejo, como pode ser usado e todo o conceito por trás do espectáculo. Preciso de me envolver de alguma maneira com aquilo que me é apresentado, e este convite foi uma ocasião para isso mesmo. 
Com uma das convidadas da Concreto
Tive pena que esta fosse uma visita relâmpago, encaixada num fim-de-semana bastante ocupado, mas fiquei com a certeza de querer permanecer alguns dias no Porto numa próxima edição. 
A pressa teve como consequência eu calcular mal o itinerário e...como havia acessos bloqueados,  andar cerca de dois quilómetros para cada lado, a pé, com saltos de 12 centímetros...
quando havia um parque de estacionamento à disposição, mesmo ao lado da Alfândega. Parecia um episódio louco de Sex and the City. Os taxistas recusaram-se a levar-nos porque para lá chegar "era preciso uma volta enorme". "Chega mais rápido a pé, menina" diziam eles. Pois, digam isso aos meus sapatos! Realmente, só a mim.

  
Com o designer Helder Baptista
Apesar disso, foi um passeio delicioso pela Ribeira fora (com produções de moda a acontecer pelo caminho, perante a curiosidade de quem passava) e uma vez chegada, fiquei surpreendida com a beleza do espaço  - principalmente ao início da tarde, quando o bulício era suficiente para apreciar o ambiente, mas ainda havia tranquilidade para absorver tudo. Por lá, algum street style que me apeteceu fotografar, e os costumeiros olhares + comentários às toilettes que passavam. Curiosamente, foi entre as senhoras mais velhas que vi os looks mais interessantes - tailleurs e vestidos tão bem moldados que só podiam ter sido ajustados ao milímetro, com cores incríveis - prova de que a experiência conta nestas coisas. No reverso da medalha, não faltaram as Litas da praxe e outfits à base de calções, mais coisa menos coisa...c´est la vieMas foi para conhecer a fundo a colecção Bright Days que o Imperatriz Sissi lá esteve e sobre isso, conto tudo já a seguir...
   




"Estou farta de ter saudades tuas" (You can´t always get what you want)


Ontem ouvi na televisão esta frase: "Estou farta de ter saudades tuas". Não no sentido de "tenho muitas saudades tuas", mas no de "estou cansada de sentir isso". A personagem estava fatigada do hábito de gostar de uma pessoa fascinante e manipuladora - daquelas que jogam com as inseguranças alheias e dividem para reinar, que são os melhores amigos, os melhores amantes, os melhores companheiros e simultaneamente, os piores inimigos das pessoas que caem no erro de as incluir na sua vida. Percebeu que a desgastava pensar constantemente no que essa pessoa faria a seguir,  precisar dela, tentar cair-lhe nas graças,  segurar as pontas, mantê-la no centro do seu universo, andar sempre apoiada numa muleta emocional que de tanto ser usada, provoca calos e feridas de contacto. Nas suas palavras, era um relacionamento com um preço elevado, que dava demasiado trabalho.  Há indivíduos que julgamos amar ou estimar, mas que na realidade, são como uma má postura: acostumamo-nos a sentar-nos mal, sempre para o mesmo lado. Incomoda-nos, causa-nos problemas de costas, provoca irritabilidade, mas não deixamos de o fazer e sentimo-nos estranhos quando adoptamos uma posição mais saudável. Aos poucos, com alguma reeducação e exercício, ficamos mais leves e já nem nos ocorre retomar o velho hábito. Os músculos voltam ao lugar e até achamos estranho como podíamos andar tão desconfortáveis. Com as relações tóxicas acontece o mesmo, mas esse momento "eureka" em que uma pessoa percebe " sentir saudades deste ser é um hábito estúpido, como roer as unhas" pode demorar um pouco a surgir. E quando surge, percebe-se que por vezes, aquilo que se quer pode não ser - de todo - aquilo de que se precisa...

                      

O complexo Katie Holmes



Largou o Tom Cruise, voltou a usar os saltos altos que tinha abandonado para que ele não se sentisse minorca, mandou às urtigas o penteado que lhe acrescentava 10 anos para que ele não se sentisse mais velho, fugiu da seita que a punha maluca e que seguia apenas para lhe agradar, criou uma linha de moda bem sucedida (Holmes & Yang) e esperemos, vai educar a filha como gente minimamente normal. Ela devia ter desconfiado que o homem (apesar de talentoso) tinha defeito quando o viu levar chutos no traseiro de todas as ex  - como dizia um grande filósofo que conheci, " as notas de dez contos não andam por aí à solta" -  mas quis acreditar na imagem idealizada do seu ídolo de infância. Ou que com ela não seria assim - outra apologista da inútil demanda " eu consigo mudá-lo", que tantas mulheres com espírito de missão arriscam porque isso as faz sentir especiais. Felizmente viu a luz, percebeu que não precisava daquilo para nada e seguiu em frente. Os anos de juventude que desperdiçou ninguém lhos devolve, mas tudo é aprendizagem: viver em função de outrem, anular-se, tentar moldar-se aos caprichos egoístas de um Pigmalião da vida nunca é boa ideia. E como ela, há tantas...

Tuesday, October 23, 2012

Puxar pela cabeça dá nisto



Imaginemos que ao longo de um dia ocupado, os meus neurónios andam a dançar a roda, todos de mãos dadas. A certa altura, um deles zanga-se com o vizinho do lado; trocam os passos da quadrilha e desatam à estalada um ao outro, arrastando os que estão imediatamente a seguir. Dali a nada a confusão é geral, ora chocam ora se empurram, partem garrafas na cabeça do companheiro, as neurónias fogem a gritar, é uma autêntica cóboiada. Os dendritos não passam as mensagens de um lado para o outro, os estímulos saem pelos ares em vez de chegar ao seu destino e os pensamentos não correm como deviam. Parece que a minha cabeça, que até há instantes fervilhava de raciocínios úteis à minha pessoa (e à humanidade, quem sabe?) fica vazia - ou pior, todas as ideias brilhantes se atropelam, todos os sentimentos bons que ali andavam há minutos se confundem numa núvem de irritabilidade tal que o único remédio é dar uns tiros para o ar, impor a ordem e fechar o saloon. Amanhã há mais, que eu não gosto cá de desacatos destes. Nunca tiveram sensações parecidas?

Botas e mais botas: a saga começa


Ao arrumar as botas para este Outono Inverno (ainda não consegui que me apetecesse, mas estou a esforçar-me para recuperar o entusiasmo habitual) notei que gostaria de acrescentar algumas à "frota" de uso diário. Mesmo com alguma variedade e cuidando bem delas, dá sempre jeito ter mais umas quantas - afinal, são elas que nos vão acompanhar, calçada portuguesa fora, nos dias frios e se queremos que durem (cada par é insubstituível para quem aprecia o seu calçado) convém diversificar o uso. Curiosamente, reparei que há muito do que já tenho nos modelos que vão estar nas lojas este ano,  a nível de botas para dias especiais (e confesso que para sair, sou uma rapariga que prefere sapatos) e botas rasas. Mas no calçado para todos os dias...faltam os pares perfeitos. Dentro do estilo que há lá em casa, mas com algo de diferente, que seja a minha cara. Há coisas realmente originais a nível de sapatos e botins, mas em botas de cano alto, nem tanto. É o fadário habitual...será que não sobra criatividade para desenhar saltos médios ou compensados para andar na rua?  Ou esses têm menos procura? Porque realmente, noto isso todos os anos...
 A Vogue publicou um guia com alguns exemplos interessantes, que podem consultar aqui. Basicamente, as minhas preferências vão modelos deste tipo:

                                           
      Estas, da Zara: não são exactamente para correr por aí, mas adoro as polainas e o salto é razoável.

Jill Sander: Prefiro uma plataforma mais delicada, mas este modelo é sempre útil (e difícil de arranjar por cá; as portuguesas preferem o bom e velho salto).

Alexander Wang: também não têm ar de ser do mais confortável e fofinho, mas são lindas.

Givenchy: para mim, a bota mais icónica da estação. A inclinação é demasiado acentuada para o quotidiano, mas dá vontade de ter um par de cada cor. 





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